Um livro por semana 243

«Lugares de passagem» de José Brás

José Brás (n. 1943) recebeu em 1986 com «Vindimas no capim» o prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores. Neste livro recente são muito diversos os lugares das histórias: «Soeiro-Cunhado, Vila Franca, Montreal, Guiné, Lisboa, New York, Rio de Janeiro, Montemor». O ponto de partida é o lugar onde o narrador descobriu o Mundo: «Terra de vinhas foi aquela onde nasci. Aldeia de homens nados do amor que se faz entre gente e cepas. Aldeia de mulheres-terra. Estremadura-Ribatejo. O pulo sobre a colina. Sobre a barreira. Sobre barreiras. Entre a Vila, Vila Franca e a paveia da seara, tem o Tejo. O Tejo. O rio que se faz de rios. De rios de gente; de rios de suor de gente; o rio que se faz de gente de luta. Alves Redol, varino, avieiro, campino, ceifeiro, ratinho, gaibéu, valador, monda-dôr, pesca-dôr de ser, de ter. De ser e não ter, Vila, rio, rede, pão… Soeiro! Mais rio. Mais terra. E fábrica e povo e fome e luta e grades».

Entre a guerra e a morte há o amor: «Passaste a ser meu homem de verdade todos os dias e quando marido visitou, encontrou-me doente porque pediste ao doutor remédio que fingisse eu tomar». Mas o Mundo não é pequeno: «Percebi então que mundo não era assim pequeno como morança de tabanca, como lavra de mancarra, como estrada de Buba, como caminho de batelão para o Bissau, teu mundo era maior que diferença entre tropa branca e tropa guerrilheira, maior que Lisboa, maior que mar de navio para Lisboa e era isso que te trazia tão de raiva contra morte de brancos e de pretos, contra os dias abafados, contra as fomes que vias no povo da tabanca, nos pratos pequenos dos soldados no quartel do Quebo e nas suas mesas de aldeia portuguesa». Na memória interminável da guerra, hoje como ontem, ficam «contando os dias para voltar ao puto».

(Edição: Chiado Editora, Capa: Vítor Duarte, Prefácio: António Loja)

3 thoughts on “Um livro por semana 243”

  1. Conheci o Zé Brás, charmoso, bonito homem, elegante, no dizer e no fazer, Comissário de bordo a trabalhar na TAP, estava ele Presidente de Junta, da terra que o acolheu, Loures.
    Faz muito tempo que não sei dele.
    Alegro-me em sabê-lo vivo e activo.
    Li-lhe primeiro livro, premiado então, e editado pela Europa-América.
    No lançamento, na sede do Sindicato do Pessoal de Voo, na Avª Gago Coutinho, o velho Lyon de Castro, anunciava: “temos livro, mas não sei se temos escritor”.
    Só nas recaídas literárias é que o confirmámos, dizia ele.
    Parece bem que temos escritor.
    Fico contente em sabê-lo.

  2. fogo, la dame só pensa em piruetas, ó pá, compra algo na internete minha, ou então fala com o zeca galhão, que o gajo poe o avental, larga a hoover e tu veze-o a lavar a loiça e ensinasuo a pontuare, minha.ganhas eisclusividade pá e entras no role dos gajus que sabem o emeile dele, pá, já vistes?!

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