Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



«Narrativa» de Paulo da Costa Domingos

O autor rejeita a «autobiografia» mas não deixa de falar de si para falar do Mundo: «Nem me lembro de ter nascido. Um mês depois de eu chegar, partia António Maria Lisboa». O miúdo lisboeta («Tronco em flor. Não esqueço o S na fivela») vive numa família (A mãe vinha queimar folhas de eucalipto, o pai chegava com o Condor, o Mundo de Aventuras, o Cavaleiro Andante») e vê o país: «Portugal é isto: uma fila de velhos muito pobres, verdade e fingimento à porta de um dispensário, num coro constante de tosse; também ramelas». No Liceu vem paixão pelos livros (John Osborne, Boris Vian, Carlos de Oliveira, Maupassant, Herberto Hélder) porque «a leitura faz de nós melhores pessoas; faz de nós pessoas». Depois, com a revista «&etc», a descoberta da censura: «Lá no alto de uma escada em madeira num prédio da Ruía da Misericórdia situava-se um postigo semelhante a um oratório ou um confessionário». Mais tarde em 7-7-80 agentes da Judiciária apreendem 580 exemplares de «O Bispo de Beja», ordem dum juiz que não sabia a data de edição do livro – 1910. Daí nasce a sua editora, a «Frenesi» – «porque eu tive que ser eu, num país onde tantos se escondem no grupo». Homenagem a Almeida Garrett e José Daniel Rodrigues da Costa, neste livro de PCD se recordam os amigos mortos (Mário Botas, António José Forte, Ricarte Dácio, Luiza Neto Jorge, Al Berto, Hermínio Monteiro, Eduardo Guerra Carneiro, João César Monteiro, Álvaro Lapa, Mário Cesariny, Manuel João Gomes, Acácio Barradas) e os vivos: Luís Carvalho, Jorge Fallorca, Rui Baião, Manuel Fernando Gonçalves, Luís Manuel Gaspar, Anabela Duarte, Vera Pinto, Jorge Pires, Telma Rodrigues), amigos e livro lado a lado: «cada livro punha-me momentaneamente no exacto centro do Universo. Refiro-me tanto àqueles que li, ou leio, como aos que fui escrevendo».

(Editora: Frenesi, Capa: sobre desenhos de Francisco Cervantes de Haro, Assistência editorial: Telma Rodrigues)


  1. 1 Sinhã

    o pauliguinho.:-)

  2. 2 jcfrancisco

    ó Sinhá não percebo essa – Pauli quê???. Ele pode não ser muito alto mas é gente grande e escreve como gente grande. Não é nada «miniatura» e se fosse do futebol não jogava a matraquilhos, percebes???

  3. 3 Sinhã

    que culpa tenho eu que não percebas sinhês, zézinho?:-)

    (o paulo do postiguinho).:-)

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