Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



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«Pessimismo Nacional» de Manuel Laranjeira

Foi no jornal «O Norte» de Ribeiro Seixas e Feio Terenas que, em 1907 e 1908, Manuel Laranjeira (1877-1912) publicou estes dois artigos sobre o Pessimismo Nacional. A partir da vivência do suicídio de grandes figuras das letras, das artes e do pensamento (Antero de Quental, Soares dos Reis, Camilo Castelo Branco e mesmo Alexandre Herculano que também fugiu da vida) Manuel Laranjeira afirma: «Neste malfadado país, tudo o que é nobre suicida-se; tudo o que é canalha triunfa». E prossegue: «Diz-se que a sociedade portuguesa vai atravessando uma crise sobreaguda de sombrio pessimismo, o que é uma verdade de todos os dias; numa terra onde homens de génio como Antero de Quental, Camilo e Soares dos Reis têm de recorrer ao suicídio como solução final duma existência de luta inglória e sangrenta; numa sociedade onde o pensamento representa um capital negativo para jornadear pelo caminho da vida; num povo onde essa minoria intelectual que constitui o orgulho de cada nação, se vê condenada a cruzar os braços com inércia desdenhosa, ou a deixá-los cair desoladamente, sob pena de ser esterilmente derrotada; num país onde a inteligência é um capital inútil e onde o único capital deveras produtivo é a falta de vergonha e a falta de escrúpulos – o diagnóstico impõe-se de per si. O desalento e a descrença alastram. No ar respira-se o cepticismo. E, à medida que o mal-estar colectivo se vai resolvendo quotidianamente em tragédias individuais, o sentido da vida em Portugal parece cada vez mais fúnebre e mais indicativo de que vamos arrastados, violentamente arrastados por um mau destino, para a irreparável falência e de que nos afundamos definitivamente».

(Editora: Frenesi, Capa: Paulo da Costa Domingos sobre óleo de António Carneiro, Paginação: Telma Rodrigues)


  1. 1 Mário

    O que vale aos “bons intelectuais” é que as voltas do mundo, hoje, são tão rápidas que ainda se vai a tempo de presenciar o descrédito e a punição dos pulhas. E lá virá o tempo em que nem bushes, blaires, barrosos, berlusconis escaparão ao julgamento. Sinais de esperança, JCF, sinais de esperança.

  2. 2 jcfrancisco

    Obrigado pela leitura – para ter um leitor já vale a pena escrever.

  3. 3 A Nónima

    subscrevo o que escreveu, Mário.
    Haja esperança e acção também.

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