Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



Teu corpo é uma planície pequenina
Onde eu sou um lavrador à procura
De fazer com a língua na tua vagina
Sementeiras de paixão e de ternura

Faço dos meus lábios uma charrua
Bem levada pela força dum tractor
E à noite quando vem a luz da Lua
Teu corpo é uma seara só de amor

Na tua boca-vulcão sugas o lume
Aceso na pele dos meus sentidos
Enlouqueço a pensar no perfume
Nos dias longe de ti tão perdidos

A tua boca é uma oitava maravilha
Pois concentra como em ninguém
A força impetuosa de uma filha
E a serena sabedoria de uma mãe

Exemplo duma força da Natureza
Teus lábios são ondas de humidade
Onde eu fico submerso na certeza
De que afinal existe a felicidade

Podes pensar aquilo que quiseres
Não sou ninguém na voz do mundo
Única entre milhões de mulheres
Aqui te deixo o obrigado profundo

Por teres trazido à tona destes dias
A espuma branca da hora perfeita
No relógio já parado das profecias
Só tu tens o perfil da mulher eleita

Trazida pelo destino num momento
De encontro numa pequena superfície
Tu trouxeste a uma cidade de cimento
Todo o esplendor da terra e da planície


  1. 1 susana

    gosto da mensagem subjacente que coloca o amor no centro do sexo. de facto nada é mais erótico do que o estado de paixão.

  2. 2 poesia porno?

    JCF, não costumo comentar, só leio. Mas hoje calha. Não te deixes influenciar com os postes supostamente artísticos da Susana e que não pasam de reles. Ó pá, é lixado! Fizeste figura de urso com este poema, ir atrás dos outros não é sensato, continua com o teu estilo com pureza, alguma ingenuidade e o teu quotidiano. Gosto mais da tua prosa, das crónicas. Não precisas entrar em vale de lencóis para contares o que fazes «com a tua língua na vagina não sei de que gaja», não temos nada a ver com a tua vida sexual, pá. Dou razão ao Sá, o que uma mulher mais mostra é o menos desejado. Como homem é o que sinto ao ver a foto “artística” do aspirina, não me digas que o blogue virou porno!?

  3. 3 Zeca Diabo

    José do Carmo Francisco, o língua d’oiro com a força de um tractor. ROTFL!

  4. 4 Mario

    José Do Carmo

    Não é por mal, mas comecei a rir-me à leitura dos primeiros versos. É que lembrei-me de uma quadra marota que se canta aqui no Minho, ao desafio:

    Sou o lavrador da Maia
    Que lavra com três arados
    Quando meto um ao rego
    Ficam dois dependurados

  5. 5 luis eme

    é impossível não esboçar um sorriso, com comentários destes, muito mais pornográficos que o poema…

    acho que a vagina podia ter sido substituida por outra palavra, menos técnica, mais “campestre”…

  6. 6 jcfrancisco

    Mal de mim se fosse uma «Maria vai com as outras». Nunca o fui em trinta anos de vida literária e não era agora que ia começar a ser. Mas quem anda à chuva molha-se. O poema (obviamete) não foi escrito agora mas foi agora colocado no nosso Blog. Apenas isso. Mas há malta que não percebe isso como não percebe outras coisas. Albarda-se o burro à vontade do dono…

  7. 7 poesia porno

    Não se albarda nada, JCF. Se o poema é antigo porque é que não o publicaste antes? Tiveste mais que tempo, já te leio aqui há bué e não digas que não foi por arrastamento do poste lindo!!! da Susana, ai não que não foi. Ficaste armado em bom e vai disto. Pensas que ficas mais modernaço assim e é um engano.Tu é que pensas que a malta não percebe. Quem não percebe és tu.

  8. 8 jcfrancisco

    Só não percebo é a mania dos pseudónimos, os nomes escondidos. Isso não percebo. O resto percebo: tenho um percurso, uma biografia, uma bibliografia, uma obra publicada e a morte em preparação.O resto é conversa e vai com o vento.

  9. 9 poesia porno

    Que tens «um percurso, uma biografia, uma bibliografia, uma obra publicada…», nós já sabemos e não tens que te repetir até à exaustão. Já reparaste que te gabas de mais? O que está em causa é só um poema e tu foges ao assunto com alguma arte saloia. Também tens a «morte em preparação»? Não penses nisso, pá. Todos nós temos. Nem consegues ser original. Só gosto das tuas crónicas. Vê se escreves, mas nada de porno. Para porno vou a outro lado.
    Não gostas de pseudónimos, dizes tu? Tens razão, eu também não gosto.

    José Francisco do Carmo

  10. 10 Valupi

    jcfrancisco, várias vezes te li a censura ao uso de pseudónimos em blogues (pelo menos, que não sei se também os vituperas noutros domínios autorais). Como é essa a minha opção, gostava que explicasses o que é que não estás a perceber. Quem sabe, um de nós os dois poderá vir a perceber, quiçá a entender, muita coisa.

  11. 11 jcfrancisco

    É fácil de perceber. Ninguém se chama «poesia porno» ou «zeca diabo». Custa-me argumentar com alguém que se esconde atrás de uma máscara. Comecei a escrever em jornais no ano de 1978 e nunca me escondi, sempre dei a cara por aqui que mal ou bem assino. Não censuro, tenho dificuldades em lidar com…

  12. 12 jcfrancisco

    De uma coisa me posso gabar - seguramente. Trata-se da boa vontade e da simpatia da Susana. Sem ela os meus textos não estavam aqui e eu teria voltado à minha condição de «sem-abrigo informático». Depois do Fernando Venâncio que me convidou devo à Susana esta aventura que estou a viver. É só disso que me posso gabar.

  13. 13 Valupi

    Mas também ninguém se chama “Maria Valupi”, escritora por quem me apaixonei e por isso (mas não só) lhe vesti a máscara. Se o “poesia porno” passar a assinar “José Silva”, ou outra coisa qualquer que lhe dê na gana e te pareça nome de baptismo, deixarás de ter dificuldades na argumentação? Isso é uma ingenuidade num espaço público de anonimato inerente como é um blogue.

    Quanto à insinuação/afirmação de que o uso de pseudónimos equivale a perder a face, o “nunca me escondi, sempre dei a cara”, farei um diplomático silêncio.

    Aproveito para agradecer à Susana os trabalhos que tem tido com os teus textos, e com muitas outras coisas que já fez em prol do Aspirina. Mas agora fico eu sem perceber o que tem isso a ver com a questão que te coloquei.

  14. 14 jcfrancisco

    Tem tudo a ver porque sem a amabilidade da Susana nem sequer havia «questões» colocadas. A vida é a arte do encontro e do desencontro. Felizmente para mim a Susana tem sido impecável mas por exemplo no lançamento do livro do Fernando Venâncio não nos encontrámos - aí houve um desencontro. Não se esqueçam que eu sou de outro tempo; quando comecei a escrever os jornais eram feitos a granel de chumbo e as fotos eram zincogravuras pesadíssimas. Foi há 30 anos, não foi ontem.

  15. 15 poesia porno

    E tu a dares-lhe,JCF. Agora é «comecei a escrever em jornais no ano de 1978». Já repetiste este género de coisas vezes sem conta, o próprio Fernando Venâncio te criticou muitas vezes por causa disso e de vires para aqui falar de coisas pessoais. Fizeste que não era nada contigo e sempre fazias por lhe agradar, reparei nisso muitas vezes, que alguns leitores não são burros. Baixavas a pala, não respondias e seguias para não seres o tal «sem abrigo informático». Às vezes mais vale, pá. Agora baixas-te à Susana, tu o dizes sem querer «sem ela os meus textos não estavam aqui», a confissão é tua. Primeiro o Fernando Venâncio, agora a “patroa” Susana, foi por isso que para lhe agradares e no seguimento da foto porno dela publicaste o teu poema porno. Mais vale assinar com pseudónimo do que dares a cara e mostrares ser um subserviente como tu. Também és contra o Fernando Pessoa, o Miguel torga ou o Eugénio de Andrade, entre outros? Pá, vai-te lixar!
    Já estou como o Valupi, tens a certeza «que sempre deste a cara»? Acredita que vou passar a ler-te com menos agrado, o caráter não condis com as tuas crónicas.

  16. 16 Valupi

    jcfrancisco, somos todos de outro tempo. Se lês blogues, se comentas em blogues e se publicas em blogues, então és igual a qualquer outro, a qualquer um dos que aqui se encontram e desencontram. Quando muito, terás até a vantagem de ter mais experiência, de poderes comparar os canais e de aplicares as lições de sempiterna sabedoria que terás, acredito, adquirido no prolongado trato com jornalistas, leitores e problemáticas de interesse público.

    Aconselho-te a olhares menos para ti e mais para o que te rodeia.

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