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	<title>Comentários em: Poema das sete viúvas de Moura</title>
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	<pubDate>Sat, 05 Jul 2008 23:05:00 +0000</pubDate>
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		<title>Por: Anteu</title>
		<link>http://aspirinab.com/jose-do-carmo-francisco/poema-das-sete-viuvas-de-moura/#comment-21890</link>
		<dc:creator>Anteu</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Sep 2007 00:03:13 +0000</pubDate>
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		<description>Obrigado, Mao!
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		<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigado, Mao!</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Por: Mao</title>
		<link>http://aspirinab.com/jose-do-carmo-francisco/poema-das-sete-viuvas-de-moura/#comment-21889</link>
		<dc:creator>Mao</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Aug 2007 13:48:19 +0000</pubDate>
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		<description>
À memória de Fernando Pessoa

Se eu pudesse fazer com que viesses
Todos os dias, como antigamente,
Falar-me nessa lúcida visão
- Estranha, sensualíssima, mordente;
Se eu pudesse contar-te e tu me ouvisses,
Meu pobre e grande e genial artista,
O que tem sido a vida - esta boemia
Coberta de farrapos e de estrelas
Tristíssima, pedante, e contrafeita,
Desde que estes meus olhos numa névoa
De lágrimas te viram num caixão;
Se eu pudesse, Fernando, e tu me ouvisses,
Voltávamos à mesma:
Tu, lá onde
Os astros e as divinas madrugadas
Noivam na luz eterna de um sorriso;
E eu, por aqui, vadio da descrença
Tirando o meu chapéu aos homens de juízo. . .
Isto por cá vai indo como dantes;
O mesmo arremelgado idiotismo
Nuns senhores que tu já conhecias
- Autênticos patifes bem falantes. . .
E a mesma intriga; as horas, os minutos,
As noites sempre iguais, os mesmos dias,
Tudo igual! Acordando e adormecendo
Na mesma cor, do mesmo lado, sempre
O mesmo ar e em tudo a mesma posição
De condenados, hirtos, a viver
- Sem estímulo, sem fé, sem convicção...

Poetas, escutai-me: transformemos
A nossa natural angústia de pensar
- Num cântico de sonho!, e junto dele,
Do camarada raro que lembramos,
Fiquemos uns momentos a cantar!

António Botto


</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>À memória de Fernando Pessoa</p>
<p>Se eu pudesse fazer com que viesses<br />
Todos os dias, como antigamente,<br />
Falar-me nessa lúcida visão<br />
- Estranha, sensualíssima, mordente;<br />
Se eu pudesse contar-te e tu me ouvisses,<br />
Meu pobre e grande e genial artista,<br />
O que tem sido a vida - esta boemia<br />
Coberta de farrapos e de estrelas<br />
Tristíssima, pedante, e contrafeita,<br />
Desde que estes meus olhos numa névoa<br />
De lágrimas te viram num caixão;<br />
Se eu pudesse, Fernando, e tu me ouvisses,<br />
Voltávamos à mesma:<br />
Tu, lá onde<br />
Os astros e as divinas madrugadas<br />
Noivam na luz eterna de um sorriso;<br />
E eu, por aqui, vadio da descrença<br />
Tirando o meu chapéu aos homens de juízo. . .<br />
Isto por cá vai indo como dantes;<br />
O mesmo arremelgado idiotismo<br />
Nuns senhores que tu já conhecias<br />
- Autênticos patifes bem falantes. . .<br />
E a mesma intriga; as horas, os minutos,<br />
As noites sempre iguais, os mesmos dias,<br />
Tudo igual! Acordando e adormecendo<br />
Na mesma cor, do mesmo lado, sempre<br />
O mesmo ar e em tudo a mesma posição<br />
De condenados, hirtos, a viver<br />
- Sem estímulo, sem fé, sem convicção&#8230;</p>
<p>Poetas, escutai-me: transformemos<br />
A nossa natural angústia de pensar<br />
- Num cântico de sonho!, e junto dele,<br />
Do camarada raro que lembramos,<br />
Fiquemos uns momentos a cantar!</p>
<p>António Botto</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Por: jcfrancisco</title>
		<link>http://aspirinab.com/jose-do-carmo-francisco/poema-das-sete-viuvas-de-moura/#comment-21888</link>
		<dc:creator>jcfrancisco</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Aug 2007 11:22:29 +0000</pubDate>
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		<description>«Perfeição»? Pobre de mim. Já me basta ter alguns leitores qualificados para compensar do outro que dizia «Não o ponha tão alto que ele nem é licenciado!». Safa!
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>«Perfeição»? Pobre de mim. Já me basta ter alguns leitores qualificados para compensar do outro que dizia «Não o ponha tão alto que ele nem é licenciado!». Safa!</p>
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	<item>
		<title>Por: Daniel de Sá</title>
		<link>http://aspirinab.com/jose-do-carmo-francisco/poema-das-sete-viuvas-de-moura/#comment-21887</link>
		<dc:creator>Daniel de Sá</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Aug 2007 11:00:41 +0000</pubDate>
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		<description>Pois é, meus caros, o António Nobre também não era lá dos mais fiéis cumpridores de métricas e rimas, e escreveu poemas magníficos. Mas é óbvio que o JCF não tem necessidade nenhuma destas imperfeições. No entanto, há casos em que o próprio leitor pode dar uma ajuda. Foi o que me aconteceu com o tal verso "Ninguém joga a dinheiro", não fazendo a contracção fonética dos dois "a". Que ele avance para a perfeição, pois anda lá perto muitas vezes.
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Pois é, meus caros, o António Nobre também não era lá dos mais fiéis cumpridores de métricas e rimas, e escreveu poemas magníficos. Mas é óbvio que o JCF não tem necessidade nenhuma destas imperfeições. No entanto, há casos em que o próprio leitor pode dar uma ajuda. Foi o que me aconteceu com o tal verso &#8220;Ninguém joga a dinheiro&#8221;, não fazendo a contracção fonética dos dois &#8220;a&#8221;. Que ele avance para a perfeição, pois anda lá perto muitas vezes.</p>
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		<title>Por: Jorge Carvalheira</title>
		<link>http://aspirinab.com/jose-do-carmo-francisco/poema-das-sete-viuvas-de-moura/#comment-21886</link>
		<dc:creator>Jorge Carvalheira</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Aug 2007 10:50:31 +0000</pubDate>
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		<description>Caro FV
Percebi bem o teu «com boa vontade três», em toda a abrangência que lhe deste.
Porque além deste "bando dos quatro", que o JCF não pode permitir, há realmente dois ou três sobressaltos menores. Mas o leitor não deve armar-se em diapasão. Ele próprio não é virgem imaculada.
Já me disputo contigo sobre a frase «E o Zé não aceita».
Eu nunca vi o Zé não aceitar, não sei se tens razão. O que sei é que, se ele não aceita, é o único a perder.
Para não dizer agora que foi a poesia, que foi a Pátria, que foi sei lá o quê. Seria dizer demais!
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro FV<br />
Percebi bem o teu «com boa vontade três», em toda a abrangência que lhe deste.<br />
Porque além deste &#8220;bando dos quatro&#8221;, que o JCF não pode permitir, há realmente dois ou três sobressaltos menores. Mas o leitor não deve armar-se em diapasão. Ele próprio não é virgem imaculada.<br />
Já me disputo contigo sobre a frase «E o Zé não aceita».<br />
Eu nunca vi o Zé não aceitar, não sei se tens razão. O que sei é que, se ele não aceita, é o único a perder.<br />
Para não dizer agora que foi a poesia, que foi a Pátria, que foi sei lá o quê. Seria dizer demais!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
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		<title>Por: Valupi</title>
		<link>http://aspirinab.com/jose-do-carmo-francisco/poema-das-sete-viuvas-de-moura/#comment-21885</link>
		<dc:creator>Valupi</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Aug 2007 10:05:23 +0000</pubDate>
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		<description>Também me junto ao coro do aplauso.
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Também me junto ao coro do aplauso.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: fv</title>
		<link>http://aspirinab.com/jose-do-carmo-francisco/poema-das-sete-viuvas-de-moura/#comment-21884</link>
		<dc:creator>fv</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Aug 2007 09:36:19 +0000</pubDate>
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		<description>Jorge,

Esse quarto verso também o notei. Esse, e outros. Por isso escrevi «com boa vontade três».

Acho que, quando se joga, tem de aceitar-se TODAS as regras do jogo. E o Zé não aceita. Por sobranceria, por rebeldia? Tudo bonito. Mas não quando se aceita... jogar.

Porque a questão - agora, caro Zé - é que os teus MELHORES leitores são também os MAIS EXIGENTES. E é por serem exigentes que eles são bons.
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Jorge,</p>
<p>Esse quarto verso também o notei. Esse, e outros. Por isso escrevi «com boa vontade três».</p>
<p>Acho que, quando se joga, tem de aceitar-se TODAS as regras do jogo. E o Zé não aceita. Por sobranceria, por rebeldia? Tudo bonito. Mas não quando se aceita&#8230; jogar.</p>
<p>Porque a questão - agora, caro Zé - é que os teus MELHORES leitores são também os MAIS EXIGENTES. E é por serem exigentes que eles são bons.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Jorge Carvalheira</title>
		<link>http://aspirinab.com/jose-do-carmo-francisco/poema-das-sete-viuvas-de-moura/#comment-21883</link>
		<dc:creator>Jorge Carvalheira</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Aug 2007 09:27:13 +0000</pubDate>
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		<description>Mais que o Fernando, rendo-me a esta toada do JCF! É o campo dele, não se duvide.
À nota do Fernando, tomo a liberdade de acrescentar um quarto verso:
"Ninguém joga a dinheiro"
Afina-me esse ouvido, José, e obrigado por este encantamento. Compensaste-me a noite atribulada.

</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Mais que o Fernando, rendo-me a esta toada do JCF! É o campo dele, não se duvide.<br />
À nota do Fernando, tomo a liberdade de acrescentar um quarto verso:<br />
&#8220;Ninguém joga a dinheiro&#8221;<br />
Afina-me esse ouvido, José, e obrigado por este encantamento. Compensaste-me a noite atribulada.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: fv</title>
		<link>http://aspirinab.com/jose-do-carmo-francisco/poema-das-sete-viuvas-de-moura/#comment-21882</link>
		<dc:creator>fv</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Aug 2007 07:18:17 +0000</pubDate>
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		<description>JCF,

Lindo lindo. Com jeitos de autêntico. Mas três (com boa vontade três) versos mancam. Estes:

&lt;b&gt;Depois fecham as portas&lt;/b&gt;

&lt;b&gt;Dentro de cada casa&lt;/b&gt;

&lt;b&gt;Por quem faz dos serões&lt;/b&gt;

Não se arranjava mais uma silabazinha? É que quem busca autenticidade não pode deixar um pé (et pour cause...) de fora.

Abraço.
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>JCF,</p>
<p>Lindo lindo. Com jeitos de autêntico. Mas três (com boa vontade três) versos mancam. Estes:</p>
<p><b>Depois fecham as portas</b></p>
<p><b>Dentro de cada casa</b></p>
<p><b>Por quem faz dos serões</b></p>
<p>Não se arranjava mais uma silabazinha? É que quem busca autenticidade não pode deixar um pé (et pour cause&#8230;) de fora.</p>
<p>Abraço.</p>
]]></content:encoded>
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