Joel Neto – «Os sítios sem resposta» ou o estranho lugar do delírio e da alucinação

Este livro de Joel Neto («Os sítios sem resposta») parte de um absurdo: uma determinada pessoa, Miguel Barcelos de seu nome, dois casamentos falhados no activo, empregado de uma seguradora, sportinguista desde a infância, resolve inopinadamente mudar de clube e passa a ser benfiquista. Com o fanatismo habitual dos recém-convertidos, o herói desta história passa a ler A BOLA, a ir ao Seixal ver os treinos, a jantar nos restaurantes do Estádio do SLB. O absurdo vai crescendo, primeiro entre os atónitos colegas de trabalho, logo a seguir na família onde a mãe lhe coloca pela frente a grande adversativa: «Tu nunca mais, na minha casa, voltes a dizer isso que acabaste de dizer. E, se estiveres a pensar falar disso com o teu pai, é melhor pensar duas vezes que é para a gente não se chatear a sério.»

Mudar de clube é absurdo mas o absurdo não é novidade na obra deste autor que já tinha avisado com alguma ironia num livro anterior – «Todos nascemos benfiquistas mas depois alguns crescem.» Claro que isto não é verdade mas é uma força de expressão e nada inocente por parte de Joel Neto.

Basta um de nós caminhar pela Rua das Portas de Santo Antão para perceber o gigantesco emblema do SLB com a bola do Sport Lisboa de 1904 e a roda da bicicleta do Sport Clube de Benfica de 1906. O clube e o emblema só existem desde Setembro de 1908 mas debaixo da roda da bicicleta lá está a data de 1904. Delírio ou alucinação de quem produziu este equívoco e de quem o consome sem perceber.

Basta um de nós ler o livro «Repórteres e reportagens de primeira página» assinado por Jacinto Baptista e António Valdemar para numa das suas páginas relativas a 1907 lá aparecer um surpreendente «O primeiro Benfica-Sporting» a partir da citação de jornais do tempo – Diário de Notícias e O Século. Pois os dois insuspeitos jornalistas lá fazem um impensável parêntesis recto acrescentando «e Benfica» às palavras «Sport lisboa» do jornal citado. Como se a História pudesse ser assim, sem mais nem menos, repreendida e alterada. Trata-se de outro delírio e alucinação porque em 1907 não existia o Sport Lisboa e Benfica que só nasceu em Setembro de 1908. Não há História sem documentos e nenhum documento anterior a 1908 se refere ao SLB.

Um outro aspecto no qual se manifesta a tal mistura de delírio e de alucinação é na invenção das Ligas de 1935 a 1938 como se de campeonatos de Portugal se tratassem. Ora o chamado campeonato de Portugal existiu entre 1921 e 1938 e foi a única prova a atribuir o título de campeão de Portugal. Durante esse tempo o F.C.Porto venceu 4 provas, o Sporting outras 4, o SLB 3, Os Belenenses outras 3 e o Olhanense, o Marítimo e o Carcavelinhos 1 campeonato cada clube. A Liga existiu entre 1935 e 1938 mas foi um torneio particular e experimental no qual os clubes entravam por convite e aproveitavam os domingos deixados lives pelos jogos do campeonato de Portugal para realizarem os seus desafios. Mas como o F.C.Porto venceu 1 e o SLB venceu 3 desses torneios, logo se lembraram, entre delírio e alucinação, de apagar o campeonato de Portugal vencido pelo SLB e chamar campeão ao vencedor da Liga. Trocando um por três, o SLB ficou com mais dois. Faz-se desaparecer o campeonato de Portugal de 1935 e está tudo bem.

Fiquemos por aqui e voltemos à linha narrativa do livro «Os sítios sem resposta». Ao mesmo tempo que toma forma a traição de Miguel Barcelos, outra coisa não se pode chamar a trocar um amor antigo que nasceu na rivalidade entre o Lusitânia e o Angrense na cidade de Angra do Heroísmo, por um amor moderno, insólito e inesperado, ao mesmo tempo uma estranha mulher aparece a telefonar para o atónito recém-convertido para lhe fazer companhia em casa e na sua cama. No final do encontro, ao despedir-se deixa 200 euros numa pequena mesa. Se sempre soubemos que «Roma não paga a traidores», se já pensámos que por isso Judas Iscariotes se suicidou numa figueira por remorsos e não pela bolsa exígua, esta mulher que vem premiar uma traição, é um dos mistérios do livro. A mulher chama-se Cristina, a amiga da mulher pode chamar-se Vanda e tem um telemóvel começado por 93 mas é tudo misterioso. Como misteriosa é a súbita mudança de clube de um homem originário de uma ilha onde a chuva cobre tudo e todos de neurastenia e de literatura. Sim, literatura, pois muitos não sabem que nas chamadas ilhas adjacentes existe o maior número de poetas por quilómetro quadrado de todo o Portugal.

Mas talvez esta mudança de clube, do Sporting para o Benfica, não seja tão absurda como parece. Em 1961 houve uma pessoa que a protagonizou: Eusébio veio por 250 contos de réis do Sporting de Lourenço Marques para o SLB ao arrepio do hábito de outros grandes jogadores moçambicanos como Júlio Cernadas Pereira (Juca), Mário Wilson e Hilário da Conceição. Este livro pode assim ser visto também como uma parábola, uma história de proveito e exemplo de alguém que quer mudar contra o princípio da norma e por fim não consegue concretizar essa mudança. Pode haver algo a ligar os 250 contos de Lourenço Marques aos 200 euros da estranha mulher. Mas tudo vai continuar na mesma neste país onde a história desportiva tem diversas e muito diferentes versões e onde ler um jornal desportivo não é tarefa fácil. Cito: «Aparentemente, e bem escrutinados os artigos relativos à actualidade benfiquista, incluindo interpretação das linhas e das entrelinhas, separação do trigo e do joio e distinção criteriosa entre as verdadeiras notícias, as simples especulações jornalísticas e as mensagens mais ou menos codificadas que dirigentes e treinadores e futebolistas e agentes sempre tentavam enviar-se uns aos outros, através dos jornais da especialidade, o nossos técnico fizera em definitivo esgotar-se a paciência da administração da SAD.» Pois se ler um jornal não é tarefa fácil ler um livro de 190 página não o é menos. Mas é um desafio que vale a pena pois não saímos iguais ao que fomos antes depois da sua leitura.

8 comentários a “Joel Neto – «Os sítios sem resposta» ou o estranho lugar do delírio e da alucinação”

  1. Ri-me à bruta com este fdp do Xico.
    Não li tudo porque não tive paciência para ler tanta merda.
    Mas daquilo que li lá volta o Sporten, o Glorioso, e um gajo que vendo em que trampa se tinha metido quando aderiu ao Sporten rapidamente fez a agulha e mudou de ares. Diz o palerma do Xico que um tipo que muda de clube passa a fanático. Não Xico tanso não é verdade. Fanáticos são os lagartos que incendeiam estádios de outros clubes por inveja. E não serão somente fanáticos mas uns grandes filhos da puta como é a maior parte do sxportens, salvo raras exceções. Nem o Eduardo Barroso nem o Dias Ferreira se safam desse fanatismo.
    Vai tocar tangos para a tua rua, és fanático e pior do que isso, palerma.

  2. Eh pah nem consegui chegar ao fim, nem consegui chegar oa fim mEUZINHOS!
    Bejam só, a expressão do Trambolho que sabe distinguir entre filhos da puta e cabrões e gosta de pôr as tripas dos outros ao sol, o gajo, dizia eue é de facto um escrevente do catano.

    «dois casamentos falhados no activo». ALGUÉM me explica o que são casamentos falhados no activo?

    o gajo fala em invenção…mas este gajo até inventa o penduricalho que tem entre as pernas marelas e BORRADAS de incontinência verbal, pás!
    Agora olhem-me esta:

    «Sim, literatura, pois muitos não sabem que nas chamadas ilhas adjacentes existe o maior número de poetas por quilómetro quadrado de todo o Portugal.»

    Lá está o couboi do bairro alto a mandar cultura pra cima dos otros, pas, e o tipo só foi à escola cumercial, se o gajo fosse à unibersidade, o troglodita, não paraba. Mas como foi à escola cumercial, o cabrão nem sequer tem a coragem de dizer o que gostaria tamém de dizer …ehehehehhehe, que é autoditata. Granda CROMO.
    Ó besta, se saves isso tudo, então debes saver que há muitos macacus nus estates com ascendencia assouriana, pá, tás aber, já bistes, ou será que o cinema e a justiça pra ti não interessam nem sãoe forma de ARTE? Hein, ó quim caralhete, pá?! É que arte não significa só pintare, pá!

    Ehpá, de certeza que há mais buracos na posta de mERDA que o gajo escreveue, mas dá para perceber que o gajo é BENFIQUISTA, e só debe dizer que é do sportém porque a malta de albalade é mais fina. Agora bejam, como o homem é obserbador, o fdp quando passa pelas portas de santo antão debe andar a olhar prós numeros de policia, pra bers e encontra razões pra escrebere.

  3. ó PÁ, ISPLICA AÍ, O PUTO QU ETÁ NA FUTUGRAFIA É O CRISTIANO RUNALDO PÁ, É QUE ELE TEM AS SUBRANCELHAS ARRANJADAS, e como tu só cunheces gente famosa, e o Runaldo irmão da runalda gorda abeiro, gosta de pintar os olhos para poder mandar mensages por telemóbel pras garinas, armado em papa coninhas…

  4. não sei o que é mais entediante nestes posts: se o texto do autor,
    Entediante oh edie! Foda-se! Aquila é abaixo de lama, pá!

  5. Óh edie pas de problème, dude,poes uma musiquinha e desentendias esta coisa, pá.
    Oube, minha, já tás fora da ideia do autor doposte, pa, aquela de querer por as tripas de alguns fdp ao sol. Isso não é boçal, minha, poi nãoe?

    Já podes passar pelas portas de santo antãoe pá.

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