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	<title>Comentários em: Gazeta 190</title>
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		<title>Por: Filho de gente pobre at Aspirina B</title>
		<link>http://aspirinab.com/jose-do-carmo-francisco/gazeta-190/#comment-53441</link>
		<dc:creator>Filho de gente pobre at Aspirina B</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2009 23:25:44 +0000</pubDate>
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		<description>[...] do nosso amigo Manuel Pacheco    Publicado por aspirinab às 0:25 em aspirina genérico.           Feed for this Entry Trackback [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] do nosso amigo Manuel Pacheco    Publicado por aspirinab às 0:25 em aspirina genérico.           Feed for this Entry Trackback [...]</p>
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		<title>Por: jcfrancisco</title>
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		<dc:creator>jcfrancisco</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jul 2009 18:07:56 +0000</pubDate>
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		<description>Meu Caro - eu nasci em 1951 em Santa Catarina (Caldas da Rainha) e também ouvi muitas vezes a frase terrível «Os filhos dos motoristas não vão para o Liceu» mas fui sempre um revoltado e, por isso mesmo, tendo começado a trabalhar num Banco aos 15 anos nunca desisti de escrever... Fez bem em escrever e nunca peça desculpa quando deixa falar a emoção...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Meu Caro &#8211; eu nasci em 1951 em Santa Catarina (Caldas da Rainha) e também ouvi muitas vezes a frase terrível «Os filhos dos motoristas não vão para o Liceu» mas fui sempre um revoltado e, por isso mesmo, tendo começado a trabalhar num Banco aos 15 anos nunca desisti de escrever&#8230; Fez bem em escrever e nunca peça desculpa quando deixa falar a emoção&#8230;</p>
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		<title>Por: Manuel Pacheco</title>
		<link>http://aspirinab.com/jose-do-carmo-francisco/gazeta-190/#comment-53352</link>
		<dc:creator>Manuel Pacheco</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jul 2009 16:33:55 +0000</pubDate>
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		<description>Como os anos passam e trazem-nos à memória o tempo passado. Fez ontem dia 18-07-2009, 49 anos que iniciei a minha carreira como trabalhador numa fábrica de moveis. Fiz a 4.ª classe, antes oito dias. Era filho de uma familia humilde com cinco filhos, áquela data, hoje  tenho mais nove irmãos, sou o segundo filho mais velho e naquela altura o que nos esperava era tentar fazer a 4.ª classe porque o nosso destino estava traçado. Tanto valia ser inteligente, se fosse filho de gente pobre, sabia que tinha as fábricas de moveis à minha espera e ganhava 10 tostões por dia. Dinheiro esse que somado ao do pai e de uma irmã que era criada de servir num senhor Doutor em Santo Tirso, ajudava a minorar o equilibrio quinzenal; nessa altura recibia-se à quinzena. Era um aluno média alta, mas como referi atrás as condições económicas não davam mais esperanças. Naquele tempo não havia liceus nas proximidades a não ser S. Tirso ou Guimarães. Hoje tudo é perto, antes era uma eternidade para lá chegar. A primeira vez que vi o mar foi num passeio da catequese, de borla, porque não tinha dinheiro para esse fim. 
No dia 13 Dezembro celebra-se na minha terra a S. Luzia, mais conhecida como feira dos capões e nós miudos aproveitavamos esse dia para carregar capões a troco de uma pequena gorjeta. Nesse dia coube em sorte a mim e a outro colega, carregarmos uns capões num percurso de duzentos metros, quando chegamos à viatura, deparamos com um motorista fardado a preceito que meteu os capões na mala do carro. De imediato o Sr. meteu a mão na algibeira e deu-me uma nota de vinte escudos e ao meu colega a mesma quantia mas em moedas, nessa altura retirei a mão pois não acreditava naquilo e tive medo de receber tanto dinheiro - o habitual era dar vinte e cinco tostões e em trajectos mais longos. O Sr. fez questão para nós aceitarmos o dinheiro que era dado com todo o prazer. Passado pouco tempo encontrei o meu pai dei-lhe o dinheiro, nesse ano fui padrinho de uma minha irmã e disse ao meu pai para lhe comprar uma prenda. O meu pai ficou admirado e  disse-me deve ser um santo quem te deu o dinheiro. Nessa altura o meu pai não ganhava mais de vinte escudos por dia. Aos trinta e cinco anos andei em explicações, autopropôs-me a exame do sexto ano e num grupo de vinte e sete  fui o único a passar a tudo. Acabei por ficar por aí pois a minha vida familiar complicava-se, saía do trabalho ia para explicações jantava tarde e a minha família era prejudicada. Hoje tenho pena e que inveja, no bom sentido, tenho de você e Valupi por escreverem tão bem. Peço desculpa por este comentário não sei se o vão publicar, mas faz bem ás vezes  desabafarmos.
Cumprimentos</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Como os anos passam e trazem-nos à memória o tempo passado. Fez ontem dia 18-07-2009, 49 anos que iniciei a minha carreira como trabalhador numa fábrica de moveis. Fiz a 4.ª classe, antes oito dias. Era filho de uma familia humilde com cinco filhos, áquela data, hoje  tenho mais nove irmãos, sou o segundo filho mais velho e naquela altura o que nos esperava era tentar fazer a 4.ª classe porque o nosso destino estava traçado. Tanto valia ser inteligente, se fosse filho de gente pobre, sabia que tinha as fábricas de moveis à minha espera e ganhava 10 tostões por dia. Dinheiro esse que somado ao do pai e de uma irmã que era criada de servir num senhor Doutor em Santo Tirso, ajudava a minorar o equilibrio quinzenal; nessa altura recibia-se à quinzena. Era um aluno média alta, mas como referi atrás as condições económicas não davam mais esperanças. Naquele tempo não havia liceus nas proximidades a não ser S. Tirso ou Guimarães. Hoje tudo é perto, antes era uma eternidade para lá chegar. A primeira vez que vi o mar foi num passeio da catequese, de borla, porque não tinha dinheiro para esse fim.<br />
No dia 13 Dezembro celebra-se na minha terra a S. Luzia, mais conhecida como feira dos capões e nós miudos aproveitavamos esse dia para carregar capões a troco de uma pequena gorjeta. Nesse dia coube em sorte a mim e a outro colega, carregarmos uns capões num percurso de duzentos metros, quando chegamos à viatura, deparamos com um motorista fardado a preceito que meteu os capões na mala do carro. De imediato o Sr. meteu a mão na algibeira e deu-me uma nota de vinte escudos e ao meu colega a mesma quantia mas em moedas, nessa altura retirei a mão pois não acreditava naquilo e tive medo de receber tanto dinheiro &#8211; o habitual era dar vinte e cinco tostões e em trajectos mais longos. O Sr. fez questão para nós aceitarmos o dinheiro que era dado com todo o prazer. Passado pouco tempo encontrei o meu pai dei-lhe o dinheiro, nesse ano fui padrinho de uma minha irmã e disse ao meu pai para lhe comprar uma prenda. O meu pai ficou admirado e  disse-me deve ser um santo quem te deu o dinheiro. Nessa altura o meu pai não ganhava mais de vinte escudos por dia. Aos trinta e cinco anos andei em explicações, autopropôs-me a exame do sexto ano e num grupo de vinte e sete  fui o único a passar a tudo. Acabei por ficar por aí pois a minha vida familiar complicava-se, saía do trabalho ia para explicações jantava tarde e a minha família era prejudicada. Hoje tenho pena e que inveja, no bom sentido, tenho de você e Valupi por escreverem tão bem. Peço desculpa por este comentário não sei se o vão publicar, mas faz bem ás vezes  desabafarmos.<br />
Cumprimentos</p>
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