Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



Ontem de manhã, reparei que a minha cadela tinha sangue no focinho. Quando lhe abri a boca, vi que a parva tinha estado a roer um pedaço de vidro branco muito afiado com cerca de dois centímetros e que sangrava das gengivas. Retirei o vidro e perguntei-me onde teria ela encontrada esse pedaço de vidro absolutamente triangular e aguçado que nem uma lâmina. Fiz uma rápida inspecção à casa, temendo o pior, mas não consegui encontrar nenhum objecto partido. Deitei o pedaço de vidro no saco do lixo e, como medida de precaução, tive a pachorra de fechar o saco e de o deitar lá fora, no contentor da rua. Quando voltei, desinfectei o corte na gengiva da cadela, que parou imediatamente de sangrar.

Durante a noite, fui acordado abruptamente por um estrondo. Lembro-me vagamente de um movimento brusco do braço e de sentir a mão bater num objecto. Ao tentar acender a luz, não encontrei o candeeiro – ele tinha caído ao chão, partindo-se em mil bocados. A cadela, assustada, começou a ladrar. Lá me levantei muito contrariado para apanhar os pedaços de vidro espalhados pelo quarto e foi então que reparei num pedaço de vidro branco. Com cerca de dois centímetros. Absolutamente triangular. E aguçado que nem uma lâmina. Uma lâmina manchada de um sangue que não era meu.


  1. 1 Luis Rainha

    Olha; eu andei a tentar ensinar o meu canídeo a comer ervas daninhas e tive muito menos sucesso do que tu com o vidro.

  2. 2 Fernando Venâncio

    Brrrrrrrr… Conta mais!

  3. 3 Valupi

    Será um ataque de pitagorismo?

  4. 4 Nuno Ramos de Almeida

    A física quântica invade a tua casa num focinho de uma cadela?

  5. 5 João Pedro da Costa

    Brrrrr… mesmo. É só questão de dar tempo ao tempo a ver se ela (já agora, tem um nome, Mia) navega de nova para fora do fluxo espaço-temporal…

  6. 6 teresa

    joão allen poe? gostei!

  7. 7 Fred

    A tua cadela Mia?

  8. 8 claudia

    lol. Claro, Fred, os animais do JP são híbridos, monstros imaginários como os centauros, os dragões, os basiliscos, etc. O JP, por exemplo, é uma mistura de homem com leão (a juba). Nunca reparaste, Fredinho?

  9. 9 susana

    muda , muda, para ela começar a ladrar. assim, também eu miaria.

  10. 10 claudia

    A minha cadela é tudo menos muda. É conhecida por ser muito má, atira-se ao tornozelos das velhotas de Igreja. Adoro-a.

  11. 11 Jorge

    JP,
    vim ver o que andavas a fazer e fiquei duplamente satisfeito.
    1. vejo que continuas o mesmo.
    2. descobri o texto do Luís Rainha.

    P.S. Este blog tem alguns paradoxos interessantes, uma cadela Mia, e um Luís Rainha.

    P.P.S. E já há muito que não encontrava o Fred e a Susana na mesma caixa de comentários, beijos e abraços, respectivamente, por ordem inversa.

  12. 12 claudia

    Paradoxos? Prefiro oxímoros.

  13. 13 João Pedro da Costa

    Olá Jorge, bons HTMéis te vejam. Abraço

  14. 14 Manu

    Podia explicar esta frase deixada no Sharkinho: “Onde é que se compra um Manu?”.
    O meu portugues é limitado mas sou curioso. Obrigado.
    A@+

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