Apesar de os vídeos musicais terem descoberto há já alguns anos que a Internet tinha tudo para ser o seu habitat natural, é surpreendente que apenas recentemente tenham surgido os primeiros sinais de adaptação do formato à plataforma. Não estou a falar da suposta estética pixelizada do YouTube, mas do facto dos videoclipes terem finalmente começado a tirar proveito das potencialidades interactivas do HTML. Também aí, os Arcade Fire são pioneiros. Depois de, há cerca de meio-ano, o realizador Vincent Morrisset ter dado o tiro de partida com o surpreendente Neon Bible, chega agora um objecto ainda mais belo e fascinante realizado por Olivier Groulx & Tracy Maurice e que tem por mote o hipnótico Black Mirror. Posso estar enganado, mas algo me diz que estes dois clipes marcam o início de uma nova era na história dos vídeos musicais.
Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.
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mas que coisa absolutamente maravilhosa este black mirror! andei para trás e para a frente a accionar botões e a explorar as variações sonoras. fabuloso. além de ser de um belíssimo gosto e boa música. já vou ao resto, este merecia um comentário só para ele.
A divisão das camadas sonoras, no Black Mirror, é genial. É mais do que apenas uma ideia brilhante, antes inaugura uma funcionalidade. Agora, vamos querer os mesmos botões em todos os vídeos interactivos - e vamos querer que todos os vídeos sejam interactivos!
Nem mais. A partir de hoje, as expectativas vão mesmo ser essas. Mas reparem que o vídeo de «Neon Bible» tem centenas de possibilidades de interacção: eu demorei horas para descobrir todas (todas?). E, claro, mesmo se o clipe de «Black Mirror» fosse um vídeo convencional, não deixaria de ser um belo objecto audiovisual.
já lá fui. na primeira audição não tinha dado por ela, depois reparei que o cursor assinalava alguns pontos. fantástico. a água a subir, as maçãs, o rosto no escuro com a baforado de fumo, os feixes de luz, a prestidigitação, os coelhos. é mágico.
e mais, cheio de mistérios, pois algumas das variáveis quis repetir e não consegui. apareceram outras, por segundos de diferença na interacção. se um introduz algo de radicalmente novo no som, este fá-lo na imagem.
perante estas maravilhas, o teu título, sem dúvida o melhor desta série, quase ficava esquecido.
Para já, uma das combinações mais fascinantes que descobri para ouvir o tema é ter apenas as camadas 1 e 6 activas. É de facto incrível a quantidade de som que os tipos colocaram neste tema.
Mas as brincadeiras visuais não conseguem o envolvimento das sonoras. Uma vez descobertas as interacções, não faz sentido repeti-las, tornam-se irrelevantes. Claro que antecipo criatividade que dará origem a experiências visuais poderosas, mas não é o caso com o Neon, onde tudo se esgota na curiosidade.
esta potencialidade do black mirror já a tinha visto num postal que me enviaram no último natal. a imagem apresentava vários embrulhos e ao clicar sobre eles saltava um boneco que cantava à sua maneira o «we wish you a merry christmas». a ideia era a mesmíssima, podias fazer diferentes combinações sonoras, tal como aqui, e era muito engraçado. mas nesta instãncia a seriedade da coisa acrescenta-lhe muito.
Sim, sem dúvida. As possibilidades sonoras são, para já, bem mais fascinantes. Ter apenas o 3 activo também tem a sua piada.
eu tenho esta coisa pela percussão, já experimentei dezenas de combinações e é inesgotável.
eu isto só vou perceber amanhã o que vocês querem dizer, que já tenho ali as minhas galinhas todas chunchudas a cacarejar baixinho,
Brinquedinho novo, ã?
(fica para mais tarde que isto aqui anda cheio de passarinhos e mais bicharada)
Quanto ao título, estás a roubar-me uma ideia que acalanto (ou será “celacanto”?) desde os primórdios: escrever o post no título e o título no post. Ok, não me estás a roubar a ideia, até porque a tua tem muito mais graça. Agora o desafio será o de conseguires preencher a caixa dos títulos da Tubarão só com um post, e esperar pela pancada do Querido.
Primito, para lá caminho. Até porque o Wordpress não possui qualquer limite de caracteres para os títulos.
ontem mostrei ambos a um amigo e - surpresa! o neon bible mostrou yet another variation
joão,
este está muito bom.
e os clips também.