Quem duvida das virtudes estéticas dessa mui nobre arte que é a taxonomia que deixe de lado o Lineu e atente à seguinte passagem da versão de 1980 (para mim, a melhor de todas) da Classificação Nacional das Profissões da saudosa Secretaria de Estado do Emprego do Ministério do Trabalho (pp. 239-240): «A profissão de Tripeiro divide-se em: a) Tripeiro em geral; b) Auxiliar de tripeiro; c) Calibrador de tripas; d) Medidor de tripas; e) Salgador de tripas; f) Salgador de peles que não sejam tripas; g) Outros magarefes, tripeiros e preparador de carnes.»

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Apesar de os vídeos musicais terem descoberto há já alguns anos que a Internet tinha tudo para ser o seu habitat natural, é surpreendente que apenas recentemente tenham surgido os primeiros sinais de adaptação do formato à plataforma. Não estou a falar da suposta estética pixelizada do YouTube, mas do facto dos videoclipes terem finalmente começado a tirar proveito das potencialidades interactivas do HTML. Também aí, os Arcade Fire são pioneiros. Depois de, há cerca de meio-ano, o realizador Vincent Morrisset ter dado o tiro de partida com o surpreendente Neon Bible, chega agora um objecto ainda mais belo e fascinante realizado por Olivier Groulx & Tracy Maurice e que tem por mote o hipnótico Black Mirror. Posso estar enganado, mas algo me diz que estes dois clipes marcam o início de uma nova era na história dos vídeos musicais.

16 comentários a “Quem duvida das virtudes estéticas dessa mui nobre arte que é a taxonomia que deixe de lado o Lineu e atente à seguinte passagem da versão de 1980 (para mim, a melhor de todas) da Classificação Nacional das Profissões da saudosa Secretaria de Estado do Emprego do Ministério do Trabalho (pp. 239-240): «A profissão de Tripeiro divide-se em: a) Tripeiro em geral; b) Auxiliar de tripeiro; c) Calibrador de tripas; d) Medidor de tripas; e) Salgador de tripas; f) Salgador de peles que não sejam tripas; g) Outros magarefes, tripeiros e preparador de carnes.»”

  1. mas que coisa absolutamente maravilhosa este black mirror! andei para trás e para a frente a accionar botões e a explorar as variações sonoras. fabuloso. além de ser de um belíssimo gosto e boa música. já vou ao resto, este merecia um comentário só para ele.

  2. A divisão das camadas sonoras, no Black Mirror, é genial. É mais do que apenas uma ideia brilhante, antes inaugura uma funcionalidade. Agora, vamos querer os mesmos botões em todos os vídeos interactivos – e vamos querer que todos os vídeos sejam interactivos!

  3. Nem mais. A partir de hoje, as expectativas vão mesmo ser essas. Mas reparem que o vídeo de «Neon Bible» tem centenas de possibilidades de interacção: eu demorei horas para descobrir todas (todas?). E, claro, mesmo se o clipe de «Black Mirror» fosse um vídeo convencional, não deixaria de ser um belo objecto audiovisual.

  4. já lá fui. na primeira audição não tinha dado por ela, depois reparei que o cursor assinalava alguns pontos. fantástico. a água a subir, as maçãs, o rosto no escuro com a baforado de fumo, os feixes de luz, a prestidigitação, os coelhos. é mágico.
    e mais, cheio de mistérios, pois algumas das variáveis quis repetir e não consegui. apareceram outras, por segundos de diferença na interacção. se um introduz algo de radicalmente novo no som, este fá-lo na imagem.

    perante estas maravilhas, o teu título, sem dúvida o melhor desta série, quase ficava esquecido.

  5. Para já, uma das combinações mais fascinantes que descobri para ouvir o tema é ter apenas as camadas 1 e 6 activas. É de facto incrível a quantidade de som que os tipos colocaram neste tema.

  6. Mas as brincadeiras visuais não conseguem o envolvimento das sonoras. Uma vez descobertas as interacções, não faz sentido repeti-las, tornam-se irrelevantes. Claro que antecipo criatividade que dará origem a experiências visuais poderosas, mas não é o caso com o Neon, onde tudo se esgota na curiosidade.

  7. esta potencialidade do black mirror já a tinha visto num postal que me enviaram no último natal. a imagem apresentava vários embrulhos e ao clicar sobre eles saltava um boneco que cantava à sua maneira o «we wish you a merry christmas». a ideia era a mesmíssima, podias fazer diferentes combinações sonoras, tal como aqui, e era muito engraçado. mas nesta instãncia a seriedade da coisa acrescenta-lhe muito.

  8. Sim, sem dúvida. As possibilidades sonoras são, para já, bem mais fascinantes. Ter apenas o 3 activo também tem a sua piada.

  9. eu isto só vou perceber amanhã o que vocês querem dizer, que já tenho ali as minhas galinhas todas chunchudas a cacarejar baixinho,

  10. Quanto ao título, estás a roubar-me uma ideia que acalanto (ou será “celacanto”?) desde os primórdios: escrever o post no título e o título no post. Ok, não me estás a roubar a ideia, até porque a tua tem muito mais graça. Agora o desafio será o de conseguires preencher a caixa dos títulos da Tubarão só com um post, e esperar pela pancada do Querido.

  11. Primito, para lá caminho. Até porque o WordPress não possui qualquer limite de caracteres para os títulos.

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