Olha, já agora, eu também want to be like water and never need um endocrinologista faxavor

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Apesar de toda a gente reconhecer a autêntica revolução que o YouTube representou para a web 2.0, nem todos terão reparado na sua influência na criação de novos conteúdos audiovisuais. Não é por acaso que videófilos e audiófilos abominam o YouTube: as suas limitações de upload e streaming (resoluções de 320×240 ou 480×360 a 314 kbits/s para as imagens e compressão a 64 kbits/s para a faixa sonora) são um verdadeiro pesadelo para quem venera a alta fidelidade. O vídeo de «Water Curses» dos Animal Collective realizado por Andrew Kuo e Snejina Latev, consegue a proeza de transpor aquilo que são aparentemente as limitações do YouTube (e de outros programas semelhantes) para o interior do próprio processo criativo de uma forma que, para além de ser absolutamente inovadora, possui resultados estéticos que me deixam num estado entre o transe e a levitação. Ou muito me engano ou temos aqui, se não o melhor, pelo menos o mais importante vídeo musical desse admirável mundo novo que é o HTML.

NOTA: já agora, fiquem com a bela letra da canção, onde Avey Tare divaga (com uma minúcia na acentuação e na contagem nas sílabas que irá ser, estou certo, muito útil ao nosso querido JCF) sobre esse absoluto mistério que é a fruição estética. Eu não vos disse que os Animal Collective são a melhor banda do planeta?

WATER CURSES (Animal Collective, 2008)

to be the motion actor, two broken strings attracted
to groom my face in life and doom
hesitate to throw a coin in (a wish could be a bad thing)
my mouth is just a mush of drool

standing on the bridge I wink at you from up high
a talking fish comes as she moves
I want to be like water and never need a doctor
and carve the earth without my tools (do it all)

all the things that I relate to well like authors and painters
transparent paper wings that float above me while I sleep
to make the room more natural, so we could die in it and die in it and die

the color after sunset, you’d do anything to jinx it
it’ll crush your sculpture just like a willow
he doesn’t need a house, his shoes will walk for miles
there’s a gypsies face naked on my pill

i want to be like water and slip into your throat
and make you feel alive and good
i want to be like water and never have a doubt
and reflect what is around my pool (do it all)

all the things that I relate to them like authors and painters
transparent paper wings that float above me while I sleep
to make the room more natural, so we could die in it and die in it and die.

and all the dreams that I awake to read like ghostly paintings
and all the things I hate, I wish I didn’t have to hate
to find a room that’s natural
to live and die in it, live and die, live and die

I don’t think you know just what you’re doing
you pretend to know exactly all the things you keep on moving
said I don’t think I know exactly what I’m doing
but I tend to know exactly all the things you keep on moving

when you wake up from your snoozing
I’ll tell you how to do it my way
I’ll tell you what I’m doing
there’s a knife up in the drawer

anybody try to stop it
and I’ll find out where you’re stomping
and it’s all about the days you spend
well, I’ll be at our home

7 thoughts on “Olha, já agora, eu também want to be like water and never need um endocrinologista faxavor”

  1. Cambada de psicadélicos 2.0…
    Pra mim isto é tudo camones que dão nela.
    A gente com tão bons artistas e só reparam nas alucinações dos de fora…

  2. Tuby: olha que o baterista/vocalista é teu vizinho. Casou com uma portuguesa (o malandro) e vive em Lisboa.

  3. Bem, aí a coisa muda de figura. Um camone capaz de distinguir uma mulher a sério e uma cidade em condições para viver é tudo menos parvo.
    É quase portuga.
    Mas eu tava a reinar, até dou nela também e tudo…

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