Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



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Coisas novas na Box. Em primeiro lugar, há o magnífico e muito dançante «Boy From School» dos Hot Chip, seguido de «Knife», um dos mais recentes hinos da música alternativa dos incomparáveis Grizzly Bear. Há dois momentos líricos que poderão ser particularmente irritantes: «Samson» da Regina Spektor e «He Didn’t» dos 6ths, projecto paralelo de Stephin Merritt que conta aqui com o vozeirão de Bob Mould (ex-Husker Du e Sugar). Depois, fui buscar «Theme From Turnpike» dos dEUS, que é um daqueles temas que fica bem em qualquer box, «Jumbo» dos Underwold, a versão original de «Heartbeats» dos The Knife (a versão de José González é óptima, mas isto é outra fruta) e «Sadness Soot» de Grant Lee Phillips que, pelos vistos, tem um disco novo que ainda não ouvi (mas que deve ser óptimo). Como não podia deixar de ser há mais um tema dos The Field: «Mobilia».

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Há igualmente dois temas novíssimos dos Of Montreal. Como se não bastasse a Kevin Barnes ter lançado um dos discos mais viciantes do ano (Hissing Fauna, Are You The Destroyer?), eis que o rapaz nos brinda com mais cinco temas de altíssima qualidade através do EP hilariantemente intitulado Icons, Abstract Thee. Tanto o álbum como o EP foram gravados na ressaca da separação de Kevin Barnes da sua mulher. Iá, dirão vocês, de break-up albums está um gajo cheio, mesmo se o género já tenha dado origem a obras-primas como Blood On Tracks de Bob Dylan ou Rumours dos Fleetwood Mac. Contudo, o que faz destes dois discos um caso à parte nessa tortuosa genealogia é a incapacidade de Kevin Barnes em adaptar a sua pop demente e psicadélica ao registo meloso e melancólico. O resultado é verdadeiramente paradoxal: ando há várias semanas a cantarolar, com grande alegria e diversão, letras como Tonight, I feel like I should just destroy myself ou I am a flaw, I’m a mistake, I am faulty, I always break. Os dois temas que deixo na Box são retirados do EP e conseguem, nesse aspecto, ser verdadeiramente exemplares. «Young Blonde, Your Papa Is Failing» é uma balada em que o Kevin Barnes consegue quase ser melancólico, não fosse o virtuosismo dos arranjos e «No Conclusion» é um daqueles temas épicos que não ficam a dever nada a canções como «Bohemian Rhapsody» dos Queen ou «Paranoid Android» dos Radiohead: é ouvir para crer. 2007 é dos Of Montreal, meus amigos. Não há mesmo nada a fazer. Ah, entretanto a mulher do gajo voltou para os seus braços. Bruxo.

Adenda
Bem, parece que o imeem se engasga com a faixa «No Conclusion» e, por isso, deixo-a aqui no próprio post em formato MP3. Poder acompanhar com a letra aqui.


  1. 1 susana

    o meu ja’ esta’ encomendado: nao havia (nunca houve) um unico na fnac onde fui.
    voltou, ela? percebo, deve ser bom viver com quem nao sabe estar triste.

  2. 2 Valupi

    Ando para perguntar isto, primo, há que tempos: que cena é essa das musiquinhas de 30″? Não podes pôr a música toda?

  3. 3 claudia

    Valupi, musiquinhas de 30″ = técnica de dar a cereja para ter vontade de comer o bolo.

  4. 4 João Pedro da Costa

    Primito: isso dos 30 segundos é uma falha temporária do imeem. Tenta fazer um refresh. De qualquer forma, vou resolver-te essa cena de outra forma. Está atento ao e-mail.

  5. 5 brigada do reumático

    Mas já ninguém vai para a praia?

  6. 6 maiquelnaite

    João, acertaste outra vez numa grande canção (daquelas maiores), a “Heartbeats” é uma daquelas pôrras que um gajo fica mesmo embasbacado, filhasdaputa dos The Knife. As outras não conheço nem vou conhecer: na playlist está a “Heartbeats” e por isso não dá para ouvir mais nada.

    E só agora me lembrei que tinha comentado a última playlist e nunca mais lá voltei. Respondendo à tua pergunta da altura: gosto muito da “Dry The Rain”, mas há que ter algum pudor quando se diz frases como “uma das melhores músicas de todos os tempos”. Lá está, estou-me bem cagando para quem diga isso 10 vezes ao dia de 10 músicas diferentes, mas se eu o ouvir dizer isso com esse despudor, fico embaraçado. Esse tipo de expressão deve ser guardado para um grupo pequeno de músicas, tipo 20 ou 30. Vinte ou trinta, de todas as músicas, ever. E a quem inclui o “Dry The Rain” numa lista desse tamanho eu digo: Ah Ah, lol@you!

  7. 7 João Pedro da Costa

    maiquelnaite: desconheces a minha infinita capacidade de amar canções. Já devo ter dito essa expressão para uma centena de músicas. E, sempre que o disse, senti-o até ao mais profundo do meu ser. Repito: a «Dry The Rain» é mesmo uma delas. Bastava a linha do baixo (asbolutamente revolucionária) para merecer esse epíteto. Um gajo devia era ouvir essa música juntos com um belo charro que era para te explicar porquê.

    Quanto à Heartbeats: filhasdaputamesmo.

  8. 8 maiquelnaite

    João:
    Pois, lá está, és um despudorado e um promíscuo. Quando fores mais velho és gajo de te arrependeres de teres amado tantas canções. E aquele chavão do “não me arrependo de nada”, nisto de ter muitas amadas (mesmo que músicas) é como o velho do Magnólia diz “arrependo, arrependo sim senhor!”…

    Charros dão-me sono, pessoas “explicarem-me” porque é que uma canção é boa, também. Tás a ver, ia ser demasiado soporífero.

    Cabrões dos The Knife, desde que estou a comentar isto já ouvi a “Heartbeats” quatro vezes. Pôrra pra isto!

  9. 9 johnny bazookatone

    os knife também só me deram 30 segundos… :(

    get a “real” player -> http://www.premiumbeat.com/flash_resources/free_flash_music_player/ ?

  10. 10 João Pedro da Costa

    maiquelnaite: deves ser uma companhia esplendorosa.

    johnny bazookatone: obrigado pelo link, vou já estudar essa cena.

  11. 11 maiquelnaite

    “Cabrões dos The Knife, desde que estou a comentar isto já ouvi a “Heartbeats” quatro vezes. Pôrra pra isto!”

    Só para esclarecer, eu ouvi 4 vezes (agora 6, ou 7) não por problemas com o player, foi porque tive de a ouvir mesmo. Estou a passá-la no meu winamp. Descansadinho.

  12. 12 Valupi

    claudia, pois é isso mesmo. Só que depois, dada a ausência do bolo, apetece ralhar às marotas das cerejas.

  13. 13 claudia

    Valupi, o Imeem é todo assim. Quase tudo a 30″ (tirando o tiroliro da Linda de Suza). Então decidi enveredar pela via do estoicismo: vejo as cerejas, mas não as como.

  14. 14 py

    já mamei dez figos enquanto as cerejas estão ali de pousio, para ficarem mais negrinhas :))

    puto lindo, deu-me uma de pay, tu é que sabes mas eu ficava mais descansado se soubesse que dormias todos os dias pelo menos 8 horas, e bebias muita água de granito, e pouco tocavas em alcóol… o outro não faz mal, até faz bem, posso eu atestar com selo de oiro,

    eu também dou uma coça no meu castrol gtx com uma embalagem inteirinha de myrtilos, vai que não vai,

    hasta

    (ainda não ouvi nada porque fico um dia inteiro a olhar para os nomes, cota é assim)

  15. 15 py

    (eh pá, desculpem lá se deixei isto encravado, voltei agora, esqueçam e saltem por cima)

  16. 16 cris

    Gosto tanto do “theme from turnpike”! Obrigada pela lembrança, vou já ouvir o cd. :)

  17. 17 py

    pois essa coisa do self insuflado dá …defeated! *ª feira vou saber coisas de meditação e yoga e depois conto-te

  18. 18 pensante

    Knife dos Grizzly Bear é muito bom.

    E obrigado pelas duas dos of montreal, gostei muito do “Hissing Fauna, Are You The Destroyer?” mas não conhecia este LP. Pena que ela tenha voltado para ele ;-)

  19. 19 py

    obrigado menino, hoje estive a arrumar cenas e fotos e ouvi 23 faixas de seguida, soube-me bem, mas ainda não sei bem quem é quem. Mas porque é que umas tocam quase tudo, como o Dick, e outras quase nada?

  20. 20 João Pedro da Costa

    pensante: de facto, quase apetece dizê-lo. :)

    py: é um grande mistério. Quando tiver tempo vou tentar outras soluções para além do imeem.

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