Antes de mais nada, um desabafo:

Sou agora o mais Perfeito e Acabado Corno. Traída não uma, não duas, não dez, não vinte, mas uma carrada de vezes. Sinto raiva, confesso.

Não delas…
Quero lá saber de que cor tinham a pele, de que comprimento os cabelos ou de que massas feitas as tetas. Quero lá saber o que gritavam e onde punham a boca. Quero lá saber o que pensavam, os problemas que têm e as doenças que vão ter.
Mas dele… desse pedaço de bronco… Tenho raiva, tenho. Dedico-lhe um insulto a cada parágrafo de pensamento, e desejo-lhe mortes, dores e que sinta por si mesmo o nojo que eu sinto por ele.

Suponho que o homem que agora sei que ele é, me roubou o homem que eu pensava que tinha. E o homem que agora sei que ele é, é a minha Outra.

74 thoughts on “Antes de mais nada, um desabafo:”

  1. bem-vinda, isabel. :)
    já pus aqui em baixo uma apresentação tardia.
    como disse a claudia, um começo em cheio de novidade. obrigada por teres vindo.

  2. Isabel, quero agradecer a esse cabrão o facto de te ter inspirado tão fulgurante entrada. Mais te posso garantir que o Aspirina não irá contribuir para a tua felicidade, no que espero estar a deixar-te aliviada.

    Já volto. No próximo desabafo.

  3. minha senhora,
    Qualquer corno merece respeito, mais que comiseração. Com os meus cumprimentos por esta entrada de leoa, impõe-se que lhe diga que disponho das duas coisas, podendo escolher a que mais lhe agradar, para além de mais provocações canalhas iguais a esta (e ainda piores).

    (por elementar decência, recomendo-lhe cuidados dobrados com um tal de daniel de sá, misógino do piorio)

  4. Minha querida, estou absolutamente aos saltos de alegria por te poder voltar a ler. Mesmo que o tema seja escarafunchar nas entranhas de um gajo (é sempre um exercício saudável).

  5. isto é muito bom:

    «Suponho que o homem que agora sei que ele é, me roubou o homem que eu pensava que tinha. E o homem que agora sei que ele é, é a minha Outra.»

    aguardo os próximos (não episódios, mas posts :-)

  6. AHHHHHHHHHHHHHHHHH ÉS TU, QUERIDA??

    (ui que me deixei levar pelo entusiasmo, não temos confiança para tanto :-)))

    OH PÁ FICO SUPER CONTENTE!!

    BEM VINDA a este espaço que leio diariamente – e a partir de agora já não só pela susana.

    (fui indelicada quanto aos outros autores, desculpem-me, mas fui sincera…)

  7. Enquanto explicas ou não explicas, sempre te vou confessando, estimada Isabel (existirás mesmo? não estarei a fazer figura de parvo?) que nessas andanças de corno também eu já andei. Não me queixo nem me arrependo, foi a maior volta que a minha vida levou desde os tempos em que aprendi a dar o triplo salto mortal. Só posso agradecer a quem me pôs os ditos, a ela sem ressentimentos, a ele(s) eternamente grato, apesar de anónimo(s) e desconhecido(s). A minha vida melhorou bué depois da faustosa descoberta de ser corno. Tudo se tornou em puro prazer, desde o deitar, sozinho ou acompanhado, até ao trabalho, aos jantares e às horas de lazer. Se eu soubesse o que sei hoje, tinha encomendado ser corno mais cedo. Ai os aninhos perdidos na santa ignorância de ser corno!

  8. É curioso às vezes ser necessária essa experiência para tomar uma decisão na vida. Há gente que não nos merece e com quem preciosos perdemos anos de vida. Mas, sob o peso dum par de cornos, temos a coragem de mandar tudo às urtigas e recomeçar do zero. Tão bom!

  9. Isabel,

    Eu não diria logo assim que o Aspirina é uma terapia colectiva. Mas com um rompante como este teu, é capaz de tornar-se essa a nossa fama. Simplesmente, há famas piores.

    A história, essa, é graúda. Mas se os rapazes são, agora, finalmente felizes, até tu hás-de, quando passar a dor, conformar-te com um destino (acredito que bizarro) de mediadora da felicidade.

    Bem-vinda sejas. Bem chegada já és.

  10. devemos aos cultos ao cernunos

    E estamos na altura deles…

    ando a fazer posts acerca disso, ainda que pareça mais coisa de caracóis. A seguir vêm os ursos e o dia do peido porque a história é sempre a mesma- renovação da natureza
    “:OP

  11. A pergunta que valia a pena fazer ao Fernando nem era essa, era a da capa. De onde vem o ditado “pôr a capa ao marido” com sentido de encornar. Está representada nos provérbios flamengos do Brueghel e até é foi ironia dele. Retratou-se como velho a quem a jovem mulher cobre com a capa azul.

  12. mas os cornos são equiparados ao mundo às avessas quando as mulheres se vingam e fazem deles gato-sapato. Em flamengo era a luta pelas calças. A capa é que eu não sei de onde vem nem a tradução que por cá teve.
    Como também não sei a espanhola do “ir de carrinho” ou “levar no carrinho” com o sentido de ter um padrinho.

  13. levar no carrinho não é isso. É mesmo transportar de carrinho, como nos palhaços do Felinni. A ligação ao padrinho protector é que desconheço.

  14. Isabel
    Vais encontrar aqui gente canalha. Como eu, que nem te conheço e já te trato por tu. Bem preveniu o RVN, mas não o leves à letra. Aliás, aqui ninguém é de levar a letra. Se assim não fosse, estávamos tramados: onde iríamos arranjar maneira de um pouco de criatividade literária? Nem de levar à letra nem a sério. Inclusive esta mensagem que pretende ser de saudação.
    Ah, mas isto agora é mesmo a sério (às vezes é): bela e forte prosa.

  15. Há os apertadinhos que se preocupam muito com o gasto de banda nas caixinhas de comentários e fazem rascunho muito demorado antes de pensarem e dizerem qualquer coizinha de jacto.

    E há os que não são assim somíticos e têm mais que fazer porque enquanto escrevem umas tretas nos comentários estão a fazer mais outras coisas.

    É esta a diferença. sô dona cabra mais esperta.

  16. E, para chatear cabras apertadinhas vai mais um soluço. Esqueci-me do que ia perguntar e até era importante. O raio de um provérbio flamengo que não sei como se traduz em português e era para perguntar ao fmv.

    Pronto. Se esteve à espera, já pode comentar que fica com as janelinhas livres.

  17. zazie, mas andei a pensar isso dos caracóis só dá no calcário por causa daquilo da casca onde vês a espiral do tempo. Como será no granito, será que andam descapotáveis ou serão outros bicharocos?

    como é que se arranja um detector de metais?

  18. (verdade se diga que aqui a Isabel arranjou uma maneira estranha mas poética e eficaz de ficar para sempre acompanhada, o estômago é que já não sei)

  19. Zazie,

    Do que dizes, conclui-se que, por 1560, na Flandres, quando Breughel pintou os seus Provérbios Flamengos («Vlaamse Spreekwoorden»), haveria um provérbio (ou, mais propriamente, uma expressão) do género de «pôr a capa ao marido» para significar pôr-lhe os cornos, mijar fora do pote, enfim, coisas virtuosas como essas.

    Admito que sim. Talvez a expressão ainda exista algures. Mas trata-se dum espaço, e dum tempo (e, a
    falar verdade, duma língua: o flamengo pré-neerlandês), que definitivamente não são aqueles em que hoje navego.

    Mas continuarei a investigar.

  20. zazie,
    Continuas a ser a minha heroína (salvo seja, carago!). Esse teu feitio é o meu sonho molhado de solteiro. Para este adeus eu diria ‘um beijo na língua’ por ser a dita a causa da chapelada, mas nem o meu atrevimento com as palavras chega a tanto. But you know what I mean, como dizem os franceses.

    âncio,
    Estimulas o meu raciocínio, é facto para lá de palpite. Agora pergunto a mim mesmo se a nossa Isabel se sentiria melhor se tivesse sido encornada em flamengo pré-neerlandês… Uma aventura, ler-te.
    Abraço-te (o beijo na língua também aqui não é opção)

  21. Partilho a confissão do Nik.

    Também eu desperdicei cinco, CINCO anos da minha curtíssima vida (até então…) na expectativa de evitar o inevitável: ser re-corno!

    E só quando o soube me libertei e, finalmente, por assim dizer, comecei a viver a Vida real… Depois de alguns momentos tortuosos em que se me aplicava na perfeição a seguinte

    ORAÇÃO DO CORNO (de Manuel João Vieira, ou Orgasmo Carlos):

    «Meu bom Deus, fazei com que nunca seja corno; e se o for, que o não saiba; e se o souber, que não acredite; e se acreditar, que o não sinta; e se o sentir, que não sofra; e se sofrer, que o sofrimento seja breve! Amen.»

  22. Corrijo (uma vez mais de memória…:

    ORAÇÃO DO CORNO (de Manuel João Vieira, ou Orgasmo Carlos):

    «Meu bom Deus, fazei com que nunca seja corno; e se o for, que o não saiba; e se o souber, que não acredite; e se acreditar, que o não veja; e se o vir, que o não sinta; e se o sentir, que não sofra; e se sofrer, que não seja muito; e se o for, que o sofrimento seja breve… Amen.»

  23. obrigado a todos, nao era pra tanto :). obrigados tambem pelo convite e pelo discurso de apresentaçao e desculpas por ter chegado antes do discurso, mas a vida mete-se no meio e é uma chatice.
    gostei da oraçao do corno :)
    susana: eu tbem achava que era a unica que nao era, que nunca seria, e que mesmo que fosse nao quereria saber, mas olha, acontece aos melhores, e qdo um gajo ouve o medico dizer que tem uma dst, a modos que nao tem grande remedio senao render-se às evidencias. (a menos que seja inocente e tapado como eu e ainda va fazer perguntas a relaçoes anteriores com quem já nao esta ha 10 anos, mas isso é pano pra outro post :))

  24. Obrigada Fernando,

    Estas coisas são muito curiosas porque os artistas copiavam os modelos para muitos outros países onde os ditados nem eram conhecidos. Ainda há muita coisa a descobrir.

    O outro, o do carrinho, já tinha sido documentado pelo Maeterlink no início do século XX. Em flamengo diz-se: Een Kruiwagen heben”. A Isabel Máteo Gomez, que estudou estas coisas, traduziu para espanhol- “tener una carretilla” ou “tener un coche”. Mas en Diest, o homem vai sozinho com o carrinho na mão, enquanto que no cadeiral de Plasencia é um louco que leva um cão no carrinho e eu penso que tem mais a ver com o mundo às avessas que com o padrinho. De qualquer forma, na Celestina do Barrojas também se faz alusão ao mesmo mas sem o detalhe do carrinho.

    Quanto à capa é mistério maior e é anterior ao Brueghel. Aparece no cadeiral Toledo (do grande Rodrigo Alemão) ainda no século XV. Já se chegou à ligação entre a capa e a cor azul- pôr a capa azul ao marido”. Quando o marido já tem a capa e a mulher não aparece é porque já foi encornado; quando ela está presente, é porque está em vias de o encornar. Em flamengo era: “ Ick stoppe my onder een blau huycke meer worde ick bekent hoe ick meer duycke”. A Isabel Máteo encontrou algo parecido num refrão do marquês de Santillana: “Por sí o por no, marido senõr, poneos vuestro capirote”.

  25. rvn,

    Dá-me vontade de rir porque não imagino a imagem que passa. Mas eu digo sempre estas coisas na maior e a rir e nem sei se tenho mau-feitio. Sei que nunca tive um único problema de trabalho com colegas. Só isso dá direito a uma boa parte de felicidade.
    Porque, ao contrário do que parece, não sou eu que provoco nem chateio ninguém. Antes pelo contrário- sou mesmo do género de detestar questiúnculas. Mas está visto que se me provocam e metem o bedelho com perguntas parvas, respondo à letra. Não tenho é culpa das pessoas passarem o tempo a pedi-las.

    Fora isso, só meto com homens. Nunca perdi tempo a chatear gajas. Se calhar, há-de ser por isso que também nunca tive esses pavores de armações. Eles diziam que nem lhes dava tempo, tal era a preocupação que não fosse o inverso a acontecer

    “:O)))

  26. Zazie

    A pergunta só foi feita porque a resposta já estava adivinhada. E agora, que te vou tratar por tu, posso dizer-te que, apesar de nestas coisas de net nunca se saber nada muito bem, te devo um dos primeiros posts num dos meus primeiros blogs. Que nunca passaram disso – um post a dizer test…

  27. hum, f*deram-me a kpk e nem lhe tomaram o sabor aposto, a zazie passa assim como um vento de rajadas

    essa coisa da autoria também já estou a deixar-me disso, que se reconheçam todos num indefinido, porque para descobrir o autor do autor dá muita canseira e o avô fica chateado. Embora haja uns que não e tem que ser.

    noutro dia li que um poeta aanónimo escreveu em 799 sobre Carlos Magno (que foi coroado imperador no Natal de 800) que era \it{rex pater Europae} -> (no latex era assim!)

  28. Conta lá, Ernesta. Eu também não estava a embicar contigo. Mas que foi isso do post num dos primeiros blogues?

    Só reparei que também conheces aquele desperdício de homem que por engano de telefonema não foi a ministro

    ahahahah

    Que engraçado estares a falar do momo. Ainda hoje falei nele também. Mas não conto mais nada que não ando a vender o peixe.

  29. Ai Zazie, essa do post tem uns anos, e nós somos gajas tenrinhas que não podemos falar de coisas arcaicas em público, não é?

    (e pôe desperdicio mesmo, no tal que não foi lá…. mas que continuo a achar que foi mesmo engano e a piada do século…)

  30. naaa Ernesta… se estás a falar por alegorias badalhocas, fica bem ciente que foi tão a tempo que não chegou a coisas dessas- de alombamentos nas costas. Por isso é que disse que é um gigantesco desperdício

    “:O))

  31. zazie,
    sem querer de todo discutir alombamentos, permito-me lembrar que terá sido com um (ou vários) que terá nascido a inspiração para este post da isabel, não? fazes bem em evitar, portanto.
    digo eu, claro.

  32. zazie,

    era alegoria, mas não era badalhoca….. e como sabes se foi desperdício se, pelo que parece, não chegaste às badalhoquices? Olha que nem tudo o que parece é, mas deves saber isso tão bem como eu….

  33. ai ai ai ai… mauvais, mauvais, mauvais…

    Cheguei pois, mas foram fronteiriças, fónix! Ainda estavam a milhas da reconversão desperdiçada.

    não explicam, não explicam, não explicam!

    “:O)))))

  34. não, não, zazie, eu gosto que outr@s capicuem também, é muito mais engraçado. E se me der uma descompensação capicuadora não te preocupes que eu fabrico uma capicuazona nem que me leve dez comentários

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