Pequeno episódio revelador do todo

Sábado, na feira do livro, coincidiram vários cabeças de lista e candidatos a deputados por Lisboa.

Nada de anormal.

Presenciei o cumprimento democrático entre Ferro Rodrigues e Fernando Nobre, porque se cruzaram e os candidatos a Deputados fizeram o mesmo, trocando, num espírito de abertura normal, os “jornais” ou “panfletos” de cada Partido.

Evidentemente, os encontros são rápidos, cordiais, e cada um segue o seu caminho.

Faltava, claro, encontrar o Bloco de Esquerda. Estava eu com Alberto Costa a olhar um livro ou coisa assim, quando um membro da comitiva do BE me pergunta, proporcionando o diálogo que se segue:

– aceita um panfleto nosso?

– com todo o gosto.

Agarrei o panfleto do BE e, como é da praxe, ofereci-lhe o “jornal” do PS.

– já agora, se quiser, fique com o nosso também.

– olhe, sabe? O vosso serve apenas para eu forrar o meu caixote do lixo, é o que é.

Quase que fiquei estupefacta, mas logo me veio à cabeça estar perante um dos membros da delegação do BE. Disse apenas que o espírito democrático do BE confirma-se a cada pequeno ou grande gesto e que eu, ao contrário dele, leria o panfleto bloquista com todo o gosto.

Porque é isso que nos separa.

15 thoughts on “Pequeno episódio revelador do todo”

  1. Está certo que a gratidão não fica mal a ninguem.

    Mas o facto de uns bloquistas se estejam a virar nas sondagens para Sócrates, só porque este ajudou inequivocamente o casamento homosexual…não era preciso tanto!

  2. Esperar que os bloquistas tenham comportamentos democráticos equivale a esperar que os padres ensinem educação sexual. Já ouviram falar mas ficava-lhes mal passarem à acção…

  3. O espírito democrático é como a boa educação (e o tocar piano): só se aprendem até uma certa idade. Passar a juventude na severa catequese marxista-leninista provoca lesões cerebrais irremediáveis.

  4. Quantas pessoas politicamente indecisas na área sócio-patarata não teria você, Isabel, educado com essa “revelação”! Francamente, não faço ideia. Não sendo polícia, vou arriscar que talvez ronde aí pelas duas ou três. Se calhar, duas mulheres e um homem. Mais importante do que parece, o Bush ganhou as eleições há uns anos pela diferença dum voto.

    Com que então um troglodita do BE responde-lhe dessa forma grosseira (conte essa história a outro se não se importa ou então dê-me o nome ou número de telefone desse bêista)e você amanda-lhe com o melhor que há em diplomacia nesta terra de malandros politicos bem vestidos do país das misérias?

    Melhor teria a minha amiga feito se em vez dessa gota de chit chat tivesse aqui informado os seus amigos co-socialistas sobre o “escândalo” Strauss-Khan. Escreva um posto lindo sobre esse gajo e termine com um hino às mulheres violentadas pelos robalos da rosa socialista e o que é que a separa a você de marmanjos como ele. Vá, revele coisas fascinantes.

  5. Também não me parece grande exemplo de democraticidade estar a avaliar todo um partido com base no comportamento (lamentável, malcriado, estúpido) pontual de um seu militante.

  6. Quem tem princípios sabe dar volta a qualquer situação. No sábado estava a ver os últimos retoques que estavam a ser dados no stand dedicado aos 10 anos da Associação Cultural Recreativa Pedaços de Nós de Freamunde que celebra no dia 01-07-2011. Tem um vasto programa que teve início no dia 14/05 e prolonga-se até ao dia 17/06 – dou informação no meu blogue “coisasquepodemacontecer” – está inserido e tem a colaboração da comissão de festas Sebastianas 2011 que tem o seu epílogo no segundo fim-de-semana de Julho do corrente ano.
    Estavam ali pessoas de todos os quadrantes políticos. Como o stand estava a ter os últimos retoques como disse acima, aproximou-se do mesmo, um grupo de cinco indivíduos que andavam a fazer campanha eleitoral pela CDU, sendo mais conhecido o ex-deputado Jorge Machado, que pediram se podiam entrar e distribuir uns panfletos. Foram autorizados. Ninguém se negou a receber os panfletos, um ou dois leram-no, os outros, como no meu caso, depois de eles saírem deitamo-los ao caixote do lixo, não usamos palavras de desconsideração nem falamos no caso do director do FMI.
    Ele há cada um.

  7. Mesmo que seja verdade muita coisa importante e decisiva se escreveu em jornais que no outro dia, depois de lidos, forraram lancheiras de operários. Ou caixotes do lixo. Mas naquele tempo (1978) se não desse os primerios passos nos jornais passarai o tempo a bater com a cabeça nas paredes. Ainda bem que assim foi. Perante o caso em apreço a minha avó materna teria dito: «Forte bruto!»

  8. Quando construímos as nossas convicções assentes na Verdade é mesmo assim. As opiniões dos outros não são só uma porcaria, são perigosas. Só lê-las é meio caminho nadado para o desmoronar da fé.

    E essa tal Verdade vale bem uma mentirinha ou duas como a da carta do Teixeira dos Santos à troika. É preciso aproveitar as distracções divinas. Olham para o lado e entendem o desprezo como se ninguém tivesse notado.

  9. Há mais de 24 horas enviei um comentário para um post de um deputado do PS num conhecido blogue, que desmentia liminarmente o conteúdo do dito post. Não foi aprovado (ao contrário de outros, noutro post do mesmo autor).

    Noutros blogues mais democráticos, há sempre lugar para contraditório, desde que educadamente.

    Porque é isso que nos separa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.