Palavras malditas

Modernização, inovação, ciência, tecnologia, são alguns exemplos de palavras que, desde que este Governo tomou posse, não podem ser proferidas, seja em que situação for. Estão contaminadas com o vírus socrático, se algum dos actuais governantes as pronunciar corre o risco de se engasgar e cair redondo no chão. O Governo não quer cá nada disso, não está minimamente interessado em passar a imagem de um país moderno, que investe em ciência e que, por exemplo, compete com os melhores na exportação de tecnologia. Não senhor, o que este Governo quer é que volte tudo ao normal, um país pequenino, pobrezinho, atrasadinho, que a única coisa que tem para oferecer a quem queira cá investir é mão-de-obra desqualificada e cada vez mais barata.
Nem percebo os que se queixam da falta de medidas para dinamizar a economia e promover o crescimento, ainda não perceberam que a estratégia do Governo é não fazer nada, é simplesmente esperar que o tempo apague da memória de todos, e se possível para sempre, estas palavras.
Depois, sim, aparecerão os bons negócios.

17 thoughts on “Palavras malditas”

  1. Sem Economia não há Estado Social que aguente. Ponto. As despesas com o Estado Social aumentam exponencialmente ao mesmo ritmo que as Economias decrescem de vigor. Não há dinheiro para continuar este estado de coisas. 88% dos impostos recebidos são para pagar o Estado Social.

    Não há gorduras que consertem este problema. Temos duas hipóteses, ou pomos a Economia a crescer ou temos de cortar nas despesas. Ora se não dependemos só de nós para colocar a Economia a crescer o caminho só pode ser cortar onde se gasta. Estado Social.
    Temos pena mas não há alternativa.

    A Europa esta desindustrializar-se. Não irá começar a produzir desmesuradamente e a crescer como já cresceu. Sendo o Estado Social um produto da Revolução Industrial e da geração de riqueza, parece mais ou menos óbvio que se não se gerar riqueza, não se pode manter um Estado que tudo pague.
    Os portugueses sentem-se enganados, e com razão.
    Durante uma crise não seria a melhor altura para cortar no Estado ma sem cortar na Despesa Pública não sobreviveremos.

    Desde 2000 que este destino era perfeitamente identificável. Ninguém fez a ponta de um corno. Todos foram uma cambada de românticos que não quiseram enfrentar a realidade. O resultado está à vista.
    Vão-nos tirar ao prato na altura em que menos temos para comer, mas a culpa não é da mão que nos tira. É daqueles que, quando podiam e deveriam, nada fizeram. Perdemos 10 anos e agora atravessaremos o deserto, queiramos ou não, custe-nos ou não, não há mais nenhum caminho, podem vir comunistas, bloquistas, marxistas, trotskistas, maoistas, pode vir o Papa que a verdade não muda.
    É injusto? Sim.
    Há alternativa? Lamento, mas não.
    Vai doer? Oh se vai!
    E resolverá o problema? Não se sabe.
    Há que falar verdade aos Portugueses.

    Enquanto foi tempo não se fizeram manifestações e indignações. Andámos todos mansos? Agora é tempo de comer o feno porque não há dinheiro para ração.

  2. Pois é senhor Couto, mas há sempre dinheiro para pagar BPN, BPP, BCP, PPP ruinosas, as grandes negociatas com os amigos e compadres, como agora na entrega do BPN, carninha limpa, sem osso, com mais uma injecção do Estado de mais 450 M. Para isso o dinheiro nunca falta. Vá-se catar!

  3. Já agora diga lá: porque carga d’agua é que a Europa acabou com toda a sua actividade industrial? Por deslocalização para os países onde a mão de obra era uva mijona, não é assim. Portanto há culpados: Grande capital financeiro, aí é que está o problema. Os estados foram enrolados pelos banqueiros, que são quem agora manda. O que há a fazer é, antes de tudo, RESTIRUIR A SOBERANIA AO POVO. votar em governos patrioticos que estajam interessados em defender os interesses nacionais (no caso da União Europeia) e não os interesses dos banqueiros americanos, alemães franceses, etc.

  4. Pois guida, estimular a cultura e avançar na ciência são coisas que não interessam a quem quer o povo confortado com as piedosas aldrabices dos vendedores de banha da cobra que vão debitando o seu melífluo discurso que entra pelos ouvidos do rebanho que prefere a mediocridade e o novo riquismo.
    Há dias, um dos nossos melhores afirmou que, hoje em dia, não existirão mais do que cinco ou seis bons escritores (no mundo), no entanto os escaparates estão prenhes de livros novos mas sem qualquer interesse literário.
    Nos restantes ramos da arte é um deserto quase total, não há orquestras fora dos grandes centros e as poucas que existem estão enxameadas de estrangeiros pois os nossos músicos são relegados para segundas e remotas escolhas, quem quiser ver ópera ao vivo tem de ir a Lisboa, o teatro é uma peça de vez em quando, o balé quase desapareceu da cena desde o finamento do grupo da Gulbenkian estando a CNB a sustê-lo milagrosamente. Já não falo da pintura, escultura, arquitetura ou cinema que, ou andam desaparecidos há muito ou o que apresentam é de uma indigencia de bradar aos céus.
    Na ciência, aí sim, começamos a dar cartas depois de anos de desespero e a propagandear que o que era lá de fora é que era bom, mas, pelos vistos, o panorama vai degradar-se novamente, pois esta gente que para aí anda fala muito de ciência mas quando chega ao poleiro mete-a no caixote ou viabiliza o seu desaparecimento.
    A cultura do povo é compatível com o seu fraco nível de instrução, dizia Salazar em entrvista a António Ferro.
    Pelos vistos é o que o novo governo pretende tornar a implementar.

  5. Palavras mais usadas por este governo:
    – imposto
    – caridade
    – pobres
    – subsídio
    – compromisso
    – mercado
    – insustentável

    Tudo palavras em que cuspo. E que o governo cola com cuspo.

  6. Teófilo,
    subscrevo o seu comentário quase na sua totalidade, só discordo no que aos escritoresdiz respeito. Meia dúzia em todo o mundo parece-me radicalmente redutor.

    José,
    meu caro,vou-me catar, não. Nem o senhor, comigo não vale a pena ir por aí.
    Por eu dizer que sustentar o Estado Social sem crescimento económico é impossível não quer dizer que goste! E, certamente, não significa que apoie roubos como BPN, BPP, CCB, submarinos, offshores, sobreiros, freeports…

    Já tenho tentado dar-me a conhecer.
    Para mim política não é como o futebol. Não há clubes. Analiso a realidade como penso ser o modo mais sério e correcto, emitindo depois a minha opinião. Não represento Partidos, lóbis, esquerdas ou direitas. A minha opinião é apenas escrava do MEU pensamento.

    Cumprimentos.

  7. NAS,
    vou variando o meu voto consoante aquilo que penso ser o melhor. Já votei em todos Partidos, já votei nulo e branco. Nunca faltei à ida às urnas e nunca votei em Cavaco.

    Cmprimentos.

  8. Fico tranquilo pela parte do Cavaco. É sinal de que trata de uma pessoa decente.
    Quanto ao raciocínio político invertebrado, não me pronuncio. Antes de pensarmos nas coisas, já muita gente pensou nelas, e melhor que nós. Não vou propor-me para um Nobel só porque penso. O “só” é literal.

  9. Caro André Couto, sobre os escritores, e uma vez que foi o Lobo Antunes que o referiu, na minha humilde opinião para além do citado, e estando vivos, lembro-me do Umberto Eco, do Rubem Fonseca, do Mario Llosa, do Cormac McCarthy, do Philip Roth, do João Ubaldo Ribeiro, do Gabriel Garcia Marquez e da Doris Lessing. Ultrapassando o cinco não chegam a dez mas pode ser que eu esteja a ser exigente.

  10. Pessoas com educação, estudos e acesso á informação que vêm o seu nivel de vida cair de sopetão não vão ser mansos como foi o povo de Salazar.
    Esta será a falácia do regime que a direita nos está a querer impor : a pobreza só se mantém com uma sociedade pouco escolarizada.
    Numa sociedade onde a classe média tem cada vez maior grau de escolaridade e acesso á informação, a tentativa de baixar as espectativas de vida á escala que esta direita quer fazer só vai levar a uma saida : revolução. E não vai ser bonito. Para ninguém.
    Acredito que quando a desculpa de Socrates deixar de servir , o sonorifero acaba e aí vai ser um vesso de avias neste país…

  11. guida: a mim o que me parece, é que não é a modernização em si que está em causa, mas sim aqueles elefantes brancos que significam o gasto de rios de dinheiro sem garantias de retorno, como são as auto-estradas ou ainda mais evidentemente o aeroporto de beja.

  12. ainda um destes dias senti o que dizes no texto. por vários sítios onde passei havia um cheiro a atrofiamento – aquela coisa do quando não se tem o essencial não se pode, porque não se deve, sonhar. nem inventar. nem recriar. e o atrofiamento tende a contaminar. e eu desatei a correr e a entrar numa outra dimensão. ala! :-)

  13. Júlio de Matos, a voz da Razão:

    Até que o bom Povo português, com a ajuda de grandes lutadores democratas, como o Medina Carreira, o Vasco Graça Moura, o Eduardo Catroga e o Mário Crespo (e de grandes campeãs da liberdade, como a Manuela Moura Guedes, a Inês Serra Lopes, a Maria João Avillez e a Felícia Cabrita), abriu finalmente os olhos e, cansado de tanta maldade nunca vista desse Sócrates, num autêntico sobressalto cívico, digno da Deuladeu Martins ou da Padeira de Aljubarrota, conseguiu conjugar todas as suas energias e coragem, desde as humildes classes trabalhadoras e seus míseros Partidos, que juntaram os seus parcos votos aos dos grandes Partidos não-marxistas do arco do poder, até às laboriosas classes dos massacrados Professores, dos explorados Juízes, dos Senhores Jornalistas e Donos de Jornais e Hiper-mercados, aos incansáveis “Deolinda” e aos sábios “Homens da Luta”, incluindo os nossos melhores “vloggers” e até uns jovens já à rasca, acampados no Rossio, que se juntaram em uníssono a outras pessoas de grande qualidade (e de muito respeito), que sabem tudo sobre Economia e Mercados, para fazer vingar a vontade indómita dos portugueses autênticos, já há demasiado tempo espezinhada pelo malvado do Sócrates que, à semelhança de outros cruéis e velhos ditadores magrebinos, como o Ben Ali, o Mubarak e o Coronel Kadhafi, foi finalmente derrubado e substituído no poder, apesar de ter ido com a sua cáfila lá fora, à socapa, buscar reforços de peso: a malfadada “troika” e as maléficas agências de notação financeira, que tiveram até o desplante de pôr Portugal e a sua História no lixo!!! Mas agora vão ver, pois temos um rapazinho novo muito atinado à frente do nosso Governo e outras pessoas de muito valor, gabarito e saber a governar-nos. Não vamos dar-lhes a mínima chance, seus oligarcas internacionais! Para a frente, Portugal!

    Com a ajuda e protecção de Deus – e a experiência e sabedoria de Sua Excelência, o Sr. Presidente da República -, os nossos novos governantes vão seguramente conseguir levar a nau a bom porto, isto apesar das grandes tormentas que andam lá por fora, tudo por culpa dos governos socialistas da Espanha, dos calaceiros e troca-tintas dos gregos (uns irresponsáveis!), da China e, sobretudo, desse finório do Obama, que tem muita manha, mas a mim nunca me enganou: é esse sonso que mete o veneno às agências de notação finaceira, cujos patrões almoçam com ele lagosta, todos os dias, lá nos melhores restaurantes de Wall Street, tudo à larga e à pala do contribuinte: santolas, sapateiras, caviar, digestivos e vinhaça à discrição! Ele pensa é que nós andamos a dormir, ou quê? Agora o povaréu já abriu os olhinhos, não é como no tempo da ditadura do Sócrates, em que as televisões e os jornais só diziam o que eles deixavam!

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