Farto de programas eleitorais? Vota no Guião

Muitos têm sido os erros apontados à campanha do PS, mas talvez o principal tenha sido a elaboração de um programa eleitoral. As pessoas estão fartas de programas e de debates de ideias, do que gostam agora é de guiões. Por toda a comunicação social, os comentadores não se cansam de elogiar esta nova modalidade de campanha, o que se compreende. Afinal, ao contrário do programa do PS, o guião da direita é muito flexível, pode sofrer alterações todos os dias, ou mesmo a qualquer hora. Foi de facto muito bem pensado e é o mais adequado para promover um candidato com o arcaboiço intelectual de Passos Coelho, um candidato cuja principal habilidade é dar tiros nos próprios pés. Note-se que nem os seus mais acérrimos defensores lhe gabam a inteligência. Logo, nada como ter o guionista sempre de prevenção e preparado para introduzir alterações ao guião. E tem havido muitas. Recorde-se que, no guião original, Passos só tinha autorização para falar de Sócrates e do Syriza, e onde é que isso já vai? O que vale é que os comentadores têm gostado de todas as versões, mesmo que impliquem mentiras descaradas e contradições constantes, se está no guião é de aplaudir. A verdade é que até agora ainda não apareceu nada que o guião não tenha resolvido. Hoje, por exemplo, os jornais revelam que Maria Luís Albuquerque manipulou as contas do BPN com o objectivo de favorecer as contas do Governo. Nada a temer. O guionista já está a trabalhar no assunto e logo à noite as sondagens e todos os comentadores confirmarão que, mais uma vez, o guião não falhou.

25 comentários a “Farto de programas eleitorais? Vota no Guião”

  1. “As pessoas estão fartas de programas e de debates de ideias”

    Esse foi precisamente o erro. Um programa tão detalhado e quantificado não é uma boa base para um debate de ideias. As ideias debatem-se com base em princípios, objectivos e prioridade (no máximo 2 por área), e não com base em projecções econométricas quantificadas por sábios às décimas, ainda por cima para 4 anos, quando para a semana o impacto do caso VW pode mudar tudo. Ou da China, ou dos refugiados, …. Demasiado detalhe impede o debate das questões principais.

    Apesar das boas intenções de Costa (e que eu partilhei no momento da divulgação do programa) e fica a lição (para mim também) para as próximas eleições .

  2. já tou a ver o passólas no meio da boiada a dizer que se trata da consolidação de um reporte de informação contabilística do ano anterior, preparada de acordo com as normas internacionais de contabilidade, que vai ser incorporada nos anos seguintes, mas que não tem impacto no défice do ano em que ocorreu. vai ser linda a herança do próximo ministro das finanças, quando o centeno abrir a gaveta da secretária vai descobrir que não há dinheiro para papel higiénico e que a bancarrota é oficial em bruxelas desde que resolveram o bes.

  3. estou de acordo com o post. e com o anónimo.mas há sempre uma medida ou outra, que não estão ao sabor nem dos mercados,nem das crises nos eua ou china,por serem de uma gritante justiça social.

  4. Olhe, olhe, e o que acha do programa de António Costa? E das suas reflexões redigidas em Fontanelas?

    O Crassos Fedelho é, de facto, um ERRO….mas e os XUXAS, são o quê?

  5. http://jumento.blogspot.pt/
    E esta ?
    Até parece o Zimbabwe , Angola ou outras “democracias”
    Sondagem da INTERCAMPUS totaliza 111,9% de intenções de voto !!!!!
    Se não fosse a sério até dava para rir… e foi transversal – órgãos de comunicação social , empresa etc. etc.
    Vale tudo !

  6. vejam isto plasmado no site do bpi net bolsa: passos coelho diz: ministra não manipulou,só disse que a estimativa da parvalorem ” tinha que ser revista. maria luisa albuquerque,recusa ter dado instruçoesà parvalorem. fez perguntas.este passos coelho é mesmo um grande vigarista!

  7. “há sempre uma medida ou outra, que não estão ao sabor nem dos mercados,nem das crises nos eua ou china,por serem de uma gritante justiça social.”

    A experiência dos anos demonstrou que infelizmente não há, e os candidatos deviam ser os primeiros a ser claros sobre isso, deixando-se de promessas de “medidas”: a única coisa que podem prometer é manter princípios e procurar alcançar objectivos. Mais nada. Já era tempo de nós (eleitores) aprendermos isso, já que os candidatos não prescindem de promessas.

    Sejamos sinceros: alguém acredita que por muito honesto que seja António Costa (e eu acho que é) tudo o que consta do programa, todas as acções, todos os efeitos vão acontecer? E que isso só depende dele? Então para quê tanto detalhe no programa?

    Como disse e repito, quando AC apresentou o programa achei que ele tinha feito o que devia. Agora, passada a campanha eleitoral, acho que foi um erro. Que o programa detalhado só o impediu de se concentrar e de discutir os princípios, os objectivos e as prioridades.

  8. Procurar discutir propostas eleitorais só com base em princípios, linhas orientadoras ou prioridades não é fácil. Se AC, por exemplo, afirmasse que pretendia estimular o crescimento através do consumo interno, nomeadamente aumentando o rendimento disponível das famílias, logo alguém pediria detalhes: como? qual o impacto? …
    A questão está em saber qual o nível de detalhe que é legítimo pedir a um partido na oposição (e, já agora, no governo). A tentação (com que concordei no início) foi a de quantificar e detalhar tudo. Era isso que a opinião pública pedia e que AC, bem, procurou satisfazer “fazendo diferente”. Agora, acho que foi errado, mas o erro radica, antes de mais, na opinião pública que exige tal nível de detalhe. Porque leva a discussão para o detalhe técnico, e porque é inevitável que tais quantificações/previsões “falhem”. Não é uma questão de competência técnica de quem as faz (está acima de qualquer suspeita) mas pela própria natureza da governação.
    O que leva, logo a seguir, essa mesma opinião pública a criticar o “incumprimento de promessas”.
    É portanto uma “pescadinha de rabo na boca”: alguém (candidatos ou eleitores) tem de parar este ciclo e voltar aos grandes princípios, linhas orientadoras e prioridades como base para a discussão. Com alguma concretização mas sem demasiado detalhe.

  9. “há sempre uma medida ou outra, que não estão ao sabor nem dos mercados,nem das crises nos eua ou china,por serem de uma gritante justiça social.”

    Pensando num exemplo. Há algum candidato que possa garantir em absoluto que, se for governo, nos próximos 4 anos não haverá mais cortes nos salários da FP? Há ainda (após os últimos 4 governos) alguém disposto a acreditar numa tal promessa?
    Então como distinguir as duas grandes propostas eleitorais (grosso modo, Coligação e PS)? Precisamente na visão global que têm da sociedade, do Estado e da sua relação (neo-liberalismo versos social-democracia). E isto são grandes princípios, não são medidas detalhadas e quantificadas matematicamente num programa eleitoral. Era isto que devia servir de base à discussão eleitoral.

  10. “ao contrário do programa do PS, o guião da direita é muito flexível”
    Eu percebo o sentido pejorativo desta sua afirmação e em certa medida concordo com ele.
    Mas atenção porque a rigidez (antónimo de flexibilidade) do programa do PS, e o seu nível de detalhe, também pode ser considerada num sentido pejorativo: considerando a extrema volatilidade do contexto externo (que não controlamos) para que serve um programa rígido? Qual a sua validade (4 anos?) e interesse? Significa que o PS não se vai adaptar às mudanças que inevitavelmente ocorrerão mantendo-se fiel ao programa aconteça o que acontecer?

  11. ao ler a maioria dos blogs, encontro linguagem parecida com a deste post e fico perplexo, onde diabo estão os comentadores que vexa acusa de aprovarem tudo o que diz o PPC. É que ele nem precisa de dizer muito, basta mostrar o que tem feito até a agora para sabermos no que vai fazer no futuro.
    E parece-me que opositores nem isso sabem explorar com eficiencia.

  12. Os estarolas sempre foram cabulas, quando em 2011 ganharam as
    eleições, não precisaram de programa, estava feito com a troika e
    com a alta colaboração do prof. Pentelho, ajudantes moedas e ro-
    drigues, depois foi só uma questão de carregar mais nos mesmos de
    sempre! Tivemos um des-governo de segundas escolhas de apren-
    dizes de feiticeiro!
    Seguiram o mesmo guião, animados pela máquina de propaganda
    que os leva em ombros, sem esquecer as arrastadeiras que, até dão
    prova de vida aqui neste blog! Viraram o bico ao prego e, começaram
    a guinchar que não havia alternativa, daí que o António Costa tivesse
    que mostrar que de facto pode e há alternativa para as más políticas
    seguidas pelo desgoverno do Pilatos de Belém!
    Chiça, aquilo é muito número é muita conta é muito quadro … até
    tiveram 29 dúvidas que na volta do correio foram esclarecidas por isso,
    os comentadeiros e os spins fizeram a agulha para os Guiões, por os
    eleitores não querem saber de detalhes maçudos!
    Eles estão todos abertos a conversar com toda a gente no próximo dia
    5 de Outubro tudo em nome do interesse nacional … porra, é só esperar
    mais uns dias e as dúvidas ficam desfeitas e, talvez surja a hipótse de
    um governo PaF + CDU com uma maioria a roçar os 2/3 de deputados!!!

  13. numbejonada,quando escrevi sobre os xuxas,lembrei-me dos direitolas e continuei,pois não o uso repetidamente e nem o faço com toda a gente. olhe, não me importo que me trate por esquerdola!

  14. Na situação actual do país nem deveria ser preciso fazer campanha eleitoral para ganhar eleições tendo estado na oposição…

  15. os comunas foram convertidos pelos padrinhos, patrões dos pais, e obrigados a frequentar a catequese. agora fazem campanha contra a oposição em vez de lutar contribuir para o derrube da coligação que desgoverna.

  16. IGNARALHO, cala-te. Dá um pontapé em ti próprio.
    Diz lá ó IGNARALHO, o que pensas do Prof. Dr. Freitas do Amaral? Já te fiz esta pergunta várias vezes, mas andas a assobiar..e agora vens falar de comunas? e o que és tu, ó XUXA desviado?

  17. pergunta ò panasca que mandou tirar o retrato da sede da paneleiragem que veste à boca de sino e frequenta as missas do caldas. cambada de bimbos cristalizados no estado novo.

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