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Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



O Parlamento discutiu ontem a proposta dos deputados da maioria para que regresse à RTP o velhinho TV Rural. Dizem eles que o principal objectivo é “cativar os jovens para a agricultura e para as pescas”. Parece ser, portanto, a grande aposta do Governo para a agricultura. Mas em que planeta é que estes deputados vivem? O TV Rural era apresentado pelo engenheiro Sousa Veloso, que durante décadas falou para uma população analfabeta que se dedicava sobretudo à agricultura de subsistência. Aparentemente, os deputados da direita não se aperceberam das diferenças entre o público de então e o de hoje.

Se o Governo quer cativar os jovens devia apostar na sua formação, criar condições para que, tal como o antigo apresentador, também se possam formar em agronomia, por exemplo, e não fazer deles o público ignorante que precisa de um programa de televisão semanal para se informar. Talvez os deputados do PSD e do CDS desconheçam, mas entretanto inventaram-se coisas como a Internet. Se calhar os tais jovens também ficariam agradecidos se o Governo investisse mais em ciência e tecnologia, o que, parecendo que não, facilita a inovação e a consequente competição nos mercados internacionais e torna a actividade mais atractiva. Mas isso o Governo não pode fazer porque seria voltar ao regabofe dos governos de Sócrates. E, além disso, não querem regressar a um passado recente, querem sentar os jovens em frente à televisão e fazê-los acreditar que ainda vivem a meio do século passado.


  1. 1 antonio ribeiro

    Tem razão Guida, não é com programas de Tv que se incrementa o valor e a produtividade do sector agricola.
    Mas a questão principal é saber que raio de País é este em que os parlamentares se dão ao luxo de discutir o tipo de programas e a aconselhar o governo no sentido de condicionar a programação. Afinal há ingerência, declarada, do poder político governamental na programação da RTP!! Sendo este o caso seria bem melhor que discutissem o pluralismo da TV e introduzissem regras que assegurassem igual tratamento a todas as forças políticas. Como alguém dizia, neste blog, a questão está em que quem quiser ver debates de opinião minimamente pluralistas tem ter canais pagos.
    E finalmente, a RTP não é para privatizar?
    Uma vergonha o que se está a passar neste País, sem oposição que mobilize os portugueses contra este estado de coisas, esta verdadeira catástrofe que se abate sobre os trabalhadores e reformados, estado de coisas esse cujo beneficiário é o banqueiro, desde o troglodita ao suave falsificador de declarações de IRS.

  2. 2 Rural

    Cavar faz calos!

    Não digam que não avisei.

  3. 3 LuisF

    Concordo com o António Ribeiro, e constato que a própria oposição também caiu direitinha na “armadilha”. Em vez de simplesmente expor o ridículo do assunto (ridículo e surrealista!), decidiu-se por o tomar como coisa “séria” e esganiçou-se nos argumentos contra um programa de televisão… Teria sido mais simples e útil recusarem-se pura e simplesmente a debater grelhas televisivas na AR. Enfim, anda tudo doido!
    Uma nota mais quanto ao “analfabetisto”. Ajustando os tempos antigos com o presente, não sei até que ponto a nossa relação com os países mais desenvolvidos não continua exactamente na mesma. Tirando apenas o aspecto também surrealista de já se afirmar que há licenciados a mais (como se o conhecimento fosse ameaça… ).

  4. 4 Olavo

    Muito bem Guida e A.Ribeiro. Aqueles palermas da oposição chefiada por Seguro nem perceberam o ridículo de o governo querer “governar” com programas de TV. Está tudo obtuso, nesta desgraçada AR. Mas há mais: a mesmissima oposiçâo não perecebeu nem denunciou o saudosismo pelo antigo regime que esta proposta ecoa. Foda-se, pá! Cambada de castrados mentais chefiados por betinhos. Os poucos Homens que ainda por ali andam, por que não desertam? Ou dão um murro na bancada ou nos seus respectivos lideres parlamnetares? Oh Isabel! Caramba!

  5. 5 Teofilo M

    Agora foi a TVRural, mais tarde exigirão o regresso das conversas em família…

  6. 6 LuisF

    Caros, o problema não é regressar ao passado. Isso não existe (“para trás mija a burra”). O problema, o real, é o risco de se avançar para um futuro ainda mais sombrio, esquivo e “legítimo”…

  7. 7 Olinda

    pois eu passo a incluir-me na classe de ignorantes que via e gostava do TV rural e que muito aprecia a ideia de voltar a ver. intermitências da AR à parte, fazem falta programas do tipo portugal geographic.

  8. 8 guida

    Olinda, também me incluo nas pessoas que viam e gostavam do TV Rural, mas nem tu nem eu somos o público alvo do programa agora proposto. E o problema não está no facto de um programa dedicado à agricultura regressar à RTP. Para além do tal programa ter sido proposto da forma inacreditável que foi no Parlamento, destina-se, segundo os proponentes, a cativar jovens para esta actividade. Isto num País onde o abandono escolar no ensino superior está imparável, coisa que aparentemente não incomoda os deputados da maioria. Cativam-nos através da televisão, mas não garantem de forma nenhuma que podem formar-se e contribuir, dessa forma, para promover e modernizar a actividade. Portanto, quem está a desvalorizar a agricultura e a tratar os possíveis interessados como um bando de ignorantes não sou eu.

  9. 9 ignatz

    a bécula precisa de conselhos do sousa beloso para tratar do grelo. o alô vera deixou de fazer efeito.

  10. 10 Olinda

    a minha grande, imensa, dificuldade, guidinha, está em focalizar-me no pior. só consigo ver e fixar-me no melhor. não tenho cura.

  11. 11 guida

    Deixaste-me muito curiosa, Olinda. Quando olhas para o Governo, ou para a oposição, já agora, também só te fixas no melhor? Tens de partilhar o que vês. :)

  12. 12 Olinda

    (pum-pum-pum!!! e a curiosidade alvejada para matar, já alilasada nos lábios, caiu redonda. porque cair é sempre redondo já que ela, a curiosidade, vive, desde sempre, nas esquinas da dúvida)

    sim, guidinha,sempre. com muito gosto: quando olho para o governo e para a oposição fixo-me, nunca nos piorios, no (e na) melhor que ainda está para vir. :-)

  13. 13 guida

    Não me mataste a curiosidade, nem parece teu errar assim o alvo. :)

  14. 14 Olinda

    como vês, acertei no melhor. :-)

  15. 15 guida

    Parece-me que fechaste os olhos quando disparaste. Quando não há nada de bom para ver, fechas os olhos e esperas por melhores dias. :)

  16. 16 Olinda

    é mais ou menos assim, sim: para quê parar para ver e falar do pior quando o pior nos esfola a pele e a alma? só o avançar para melhor merece paragem. e olhos arregalados.

  17. 17 guida

    Mas como é que se avança para melhor se não se quer ver nem falar do pior? Isso parece a política do ‘pode ser que passe’. :)

  18. 18 Olinda

    parar para ver não significa não ver, pelo contrário – significa não perder tempo nem energia com o que não se pode mudar. aceitar a impotência, falo da minha obviamente, é avançar para melhor. e o melhor não é o pode ser que passe mas antes acreditar que vai mesmo passar: até a política precisa de fé para viver. a revolta faz-me mal e por isso nem sequer água lhe dou.

  19. 19 guida

    Pois precisa. Mas gastar tempo e energia com o que ‘nos esfola a pele e a alma’ não implica obrigatoriamente revolta. :)

  20. 20 Olinda

    fala-me de amor. :-)

  21. 21 guida

    Mas isso foi o que te pedi no início, e tu esquivaste-te. :)

  22. 22 Olinda

    esquivei-me a falar de dor de corno, não de amor.

  23. 23 guida

    Pronto, confirma-se, se nem alguém, como tu, que só consegue focar-se no melhor, consegue ver nada de bom neste Governo, é porque não há mesmo ali nada de bom. :)

  24. 24 guida

    Nem na oposição, esqueci-me. :)
    E tenho estado o tempo todo a falar de amor. Do amor à política. :)

  25. 25 Olinda

    exacto, nada de bom, foi o que tenho vindo a dizer. quanto ao amor à política aceito, claro, e até gosto de ouvir contar boas histórias d’encanto e desencanto – mas não posso fingir aquilo que não sinto.

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