Acabou o recreio. Começou o teatro

Durante a campanha, o PS foi o alvo a abater, tanto para esquerda como para a direita. Para a direita, os socialistas são todos iguais, um bando de irresponsáveis e corruptos que se chegassem de novo ao poder davam cabo disto tudo outra vez. Para a esquerda, a desculpa para os ataques era o facto de o PS ser igual à direita, ou pior, muito pior. Ironia das ironias, o PS perde as eleições e é solicitado por todos para formar governo.

Não digo que as campanhas sirvam para andarem todos aos beijos e abraços, mas podiam ter-se evitado algumas das tristes figuras que agora se veem obrigados a fazer. Apetece perguntar, a bloquistas e comunistas, se até conhecerem o resultado das eleições nunca se tinham apercebido das diferenças entre o PS e a direita, e se finalmente querem assumir responsabilidades governativas, por que raio não vão bater à porta da direita que ganhou as eleições?

Quanto à direita, incluindo o inquilino de Belém, o descaramento é tanto, que querem dar lições ao PS. Lições de responsabilidade, de compromisso, de diálogo e de tudo o que for necessário para garantir a estabilidade que tanto prezam. E não há ninguém que lhes atire à cara que sentido de responsabilidade era, por exemplo, terem apresentado e defendido o programa que, cobardemente, esconderam. E que continua escondido. Sabemos apenas que querem reformar a segurança social. Será que o que querem negociar com o PS é esta reforma e um cheque em branco?

17 comentários a “Acabou o recreio. Começou o teatro”

  1. Assumir responsabilidades não é forçosamente assumir responsabilidades governativas.

    Se o BE e o PCP quiserem manter a sua distância ao PS, podem fazê-lo apoiando um governo minoritário de fora dele. é uma questão de discutir as condições disso.

    Mas se BE e PCP querem agora um governo PS apenas porque seria mais fácil chantageá-lo do que dantes, então esqueçam tudo e voltamos ao Coelho por mais quatro anos.

  2. Caramba, quando estes esquerdistas não se entendem, que pensam poder fazer por um país destes? Reserva convosco!

  3. Acho que é inteligente da parte de Costa pedir reuniões com o Berloque e com a “esquerda verdadeira e patriótica”, antes da reunião com o láparo.
    Creio eu que, o que irá acontecer nas duas reuniões,será um desacordo total, porque ainda grávidos de “vitória”, afirmarão que não quererão governar com o programa do PS, uns e outros.
    Porque não tenho dúvida, a disponibilidade do berloque e dos “verdadeiros e patrióticos” é uma ilusão: nunca estiveram nem nunca estarão disponíveis para nada. É só teatro
    Bem denunciado, lembrando a coligação negativa há 4 anos, poderá aliviar Costa, para então negociar com alguma força com o láparo.
    Tem é que ser denunciado com estrondo.

  4. Júlio, ainda não vi nada que me tenha convencido das boas intenções do Bloco e do PC ao convidarem o PS a formar governo. Nenhum deles mostrou, durante a campanha, estar empenhado numa solução desse tipo, muito pelo contrário. Por outro lado, não acredito que essa solução tenha pernas para andar, mesmo que houvesse um milagre e essas negociações corressem bem. Nem preciso de pensar na Europa que temos, basta-me pensar no que a nossa comunicação social em peso faria contra um governo de esquerda depois da coligação ter vencido as eleições . Se Bloco e PC queriam correr com o Governo deviam ter ajudado a derrubá-lo nas urnas.

  5. Primeira comunicação do Costa pós-eleições:
    Qualquer tomada de posição por parte do PS, apenas depois do Presidente ouvir todos os partidos com assento na Assembleia da República.

    Segunda comunicação, após cumpridos os requisitos constitucionais por parte do Presidente:
    Não existem quaisquer garantias genéricas de apoio ao Governo. Existe, isso sim, um Parlamento onde as medidas de todos os partidos serão votadas pelos representantes do povo.

  6. numbejonada,o psd,só falta coligar-se com as testemunhas de jeová.está coligada com a igreja catolica,mas esta não vai a votos.mas dá votos à direita.que jeito tem dado ao psd os dinheiros desviados para as ipss,fazerem caridade,graças aos pobres que criou.foi uma politica tipo pescadinha de rabo na boca que deu os seus frutos.

  7. @ Guida

    Campanha eleitoral
    Todos são inimigos de todos e todos são alvo a abater.

    Actuação presidencial
    O actual PR é um presidente de facção e apenas resta esperar que se vá embora.

    Agenda de reformas do governo PAF
    Não tem limite . Tudo o que puder ser aniquilado, sê-lo-à.
    Para isso vai também contando com a ” ajuda externa “, as costumeiras recomendações do FMI, OCDE, e quejandos . Muitas das vezes, estas ” recomendações ” e ” sugestões ” nada mais são que pseudo ” estudos ” e ” pareceres ” encomendados, e pagos pelo governo.
    Na área da Segurança Social, para o PAF e alguns ” ideólogos ” ultra-direitistas, o limite ideal seria nem sequer haver reformas e pensões, ou, a existirem, serem no montante mínimo possível.
    São ultra individualistas, adeptos do quem quiser que se amanhe, e adira a planos privados de reforma .

  8. Muito bem, Guida! Se o PS é igual à direita, por que raio não procuram o PCP e o BE uma solução governativa com a direita, ao lado da qual estiveram nos ataques constantes ao PS durante a campanha eleitoral e à qual se aliaram para derrubar o governo de Sócrates? Penso que é evidente para todos que o PCP e o BE sempre foram aliados indefectiveis com a direita contra o PS. Jerónimo e Catarina devem ser coerentes.

  9. Será uma adolescente a pessoa que escreveu este post? Pensará ela que a política não obriga à definição clara de diferenças para que havendo alianças elas sejam de substância e não de mero tachismo? A Maria Abril está a solicitar ao PCP e ao BE que façam uma aliança com a direita? Prefere isso, é?

  10. João, eu não estou a solicitar tal aliança. O que escrevi foi o testemunho indesmentível de que essa aliança existiu em 2011 para derrubar o governo PS e chamar a troika !!! Como se isso fora coisa pouca, na última campanha eleitoral BE e PCP, juntamente com Portas e Passos, fizeram do PS bombo da festa, como se o PS fosse os respons’avel pelos últimos 4 anos de governação.
    Se o PS aceitar formar governo com o PCP e BE pode encomendar o epitáfio para a laje da sua campa. Esquecer que a direita detem o poder total dos canais de informação para dentro e para fora do país; e que não hesitará em denegrir o governo ( e o país ) como fizeram em 2011, é não perceber nada do que se passa aqui, na Europa e no mundo neoliberal triunfante.
    O melhor que o Costa tem a fazer é viabilizar um governo da PaF, fazendo-se pelo menos tão caro como o Catroga a Sócrates, e deixar a PaF bater contra a mentira das contas de 2015 e a bancarrota do Novo Banco.
    Mas eu de Costa já espero tudo, depois da inépcia revelada na campanha eleitoral. Foi bombo da festa, nós sabemos, mas foi absolutamente incapaz de reagir. Meteu dó.

  11. Hum…não sei se os socráticos concordarão com tal divisão…afinal, eles querem vingar na vida como o seu ídolo….

  12. Ora aí está! Leia-se.

    Pacheco Pereira na Sábado:
    «(…) 3. Contrariamente ao que hoje se repete de forma arrogante, não é verdade que toda a gente assumisse como favas contadas a derrota da coligação. No último programa da Quadratura com António Costa, foi exactamente isto que lhe disse. No prefácio para o livro de Bernardo Ferrão e Cristina Figueiredo sobre Costa escrevi o seguinte, que reafirmo de novo como interpretação do que correu mal com o PS: “Daqui a poucas semanas, António Costa enfrenta o seu destino manifesto e não pode falhar. (…) O País precisa de gente zangada, indignada, furiosa com o estado em que Portugal está, com as malfeitorias que têm sido feitas aos portugueses, com o cinismo face aos desempregados, aos reformados, aos pensionistas, com a linguagem de divisão dos portugueses entre novos e velhos, com os velhos a ‘roubarem’ aos novos o seu futuro, com a apologia da lei da selva no trabalho, com o desprezo colateral e assistencial pela pobreza. São causas maiores e estes portugueses estão sozinhos e correm o risco de ficarem invisíveis. É com eles que se pode ganhar eleições a sério e, mais ainda, mudar o que é preciso. Se Costa passar ao seu lado, passa ao lado do destino que deseja.”

    4. Foi o que aconteceu: Costa dirigiu a campanha do PS para um “centro” que não existe, e que é hoje um mito da análise, e que, se existisse, preferia o original, a PAF, à imitação, o PS. A coligação PAF não é do centro-direita, mas da direita, e o PS propôs no seu “programa dos economistas” uma variante do programa de “ajustamento”. Contrariamente ao argumento ad terrorem da coligação, o PS fez uma campanha à direita e perdeu exactamente por isso. Ou de onde é que pensam que vêm os votos no Bloco de Esquerda? (…)»

  13. Cada análise, cada análise…mas será que TOUNI não sabia da existência desta gaja aí de cima – a Abrilada? É que a figura está com soltura de análises desde há bastante tempo. E acha que é assim como ela diz.

    Não li (confesso) mas deve ser mais da «mesmice» – diagnóstico do que já se sabe, com variantes «interiores» da figura, crítica ( pois é fácil apontar o dedo) e a final – a conclusão: NADA.
    Caramba. Foi isto que votou. Estas gajas sabem tanto e não se «achegam» à frente! Sopeiras.

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