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Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



Há quem tenha por inadmissível a não introdução de taxas moderadoras no caso de mulheres reincidentes numa IVG.
Ou seja, isto não é um debate sobre a possibilidade – que está na disposição do legislador, concorde-se ou não – acerca do fim da exclusão de taxas moderadoras num acto médico específico: a IVG.
Mais uma vez, diz-se, com superficialidade avassaladora, que tem de se fazer das taxas moderadoras um mecanismo punitivo das mulheres. Sim, porque há umas malucas, que engravidam sozinhas, uma e outra vez, nada querendo com métodos contracetivos, já que gostam, acham agradável, até às dez semanas, sujeitarem-se a um procedimento festivo.
Naturalmente, psicopatas haverá por todo o lado, mas isso não define o universo de destinatários de um procedimento legal.
Qualquer coisa não está a funcionar – dizem. Muitas coisas não estão a funcionar há muito tempo, antes da despenalização da IVG, mas felizmente acabou a perseguição penal como a conhecemos, e tantas complicações, por vezes mortais, decorrentes do aborto clandestino.
Há sempre alguém que continua a perseguir penalmente as mulheres. Não “querem” uma pena de prisão outra vez, mas querem que as taxas moderadoras sejam a nova moldura penal para a IVG. Assim mesmo, porque se aplicariam automaticamente às mulheres “reincidentes”, ou seja, às que “reincidem, que incorrem novamente na prática de um ato condenável”.
Seja lá por que for..matemática.


  1. 1 mais_outro
  2. 2 Olinda

    pois parece-me muito bem, obviamente que se trata de um processo longo de mudança de mentalidades que está a milhas de ser eficaz com um viva ao aborto zero, a começar pela tua que muito se apraz em celebrar as vidas recuperadas em detrimento de outras tantas mortes por descuido e simples prazer de minutos, que haja um tento na vagina à maioria das mulheres que reincidem. não se pode ver o aborto como um acto de boas práticas de prevenção mas sempre, e sempre, como excepção a uma não conformidade. é que antes, durante e após, cabe sempre às mulheres, e até às mulheres-vagina, dizerem sim ou que não perante, os aliados, homens-pénis. :-)

  3. 3 Mário

    A direita tem o poder absoluto e faz gala em servir-se dele. A Lei agora é a deles, a Constituição é revista sem nenhuma revisão em curso, até porque assim é muito mais célere o processo. Com a presidencia da republica e a presidencia da AR partidarizadas à boa maneira do PSD-Jardim, a oposição acabará nivelada pela daquela região autónoma, ou seja, está ali só para europa ver que somos democracia.
    De uma forma inexplicavelmente “mole”, fatalista e desinteressada, assim parece, os deputados da oposição e os seus lideres parlamentares comportam-se como se as instituições democráticas estivessem a funcionar normalmente. E não estão! E a atitude dos deputados devia ser a denúnicia do desmoronamento das instituições. E a denúncia passa despercebida só com palavras, palavras, palavras.
    O povo começou a vaiar o Presidente da República, depois de já estar completamente desacreditado dos deuptados da nação. De todos! E os deputados continuam a assobiar para o lado. Será que não vêem os sinais dos tempos?
    Não basta, Isabel, a luta de um ou outro isoladamente, como eu sei que a Isabel é uma lutadora de causas com as quais estou de coração. E se aqui venho desabafar consigo é na esperança que leve a voz de milhões de portugueses, que pensam aquilo que acabei de lhe escrever, ao plenário da AR, prestes a transformar-se na AR da Madeira. Estou para ver quem vai fazer o papel do deputado madeirense Coelho.
    Quando vinga na cabecinha da presidente da AR a ideia de que o PM não é “membro do governo” de pleno direito e pleno dever, tudo é de esperar daquela senhora PSD.
    É assim, Isabel, que também os nossos magistrados interpretam as leis: a seu gosto. Se não é, diga-me, quantos tubarões da direita apanhados com a mão na massa foram julgados e condenados nos últimos vinte anos, por exemplo? Nenhum! Os processos ou prescreveram ou foram arquivados por vício de forma processual, ou continuam à espera de arquivamento ou prescrição, entretendo uma multidão de magistrados submissos ao poder económico que está concentrado na direita. Sempre esteve, e quando alguém pensou que podia mudar alguma coisa, os homens do capital uniram-se aos magistrados e fizeram a cama aos socialistas “ingénuos”. Ferro Rodrigues, Sócrates e tantos outros.
    Infelizmente contaram com a preciosa colaboração da outra esquerda. E chegamos a isto!

  4. 4 O Rural

    Reincidente? ele há cada termo que os homens inventam, que nem lembra aos animaizinhos!

  5. 5 kruzes Kanhoto

    Mas porque raio não hão-de pagar taxa moderadora nas mesmas condições que os restantes utentes?! Pagar ou não pagar nada tem a ver com a penalização do aborto, essa sim aberrante e felizmente erradicada da nossa legislação.

  6. 6 Teofilo M

    Cara Isabel Moreira,
    como não concordo com as taxas moderadoras, todas elas e não apenas algumas, esta de aplicar às “reincidentes” a taxa é de espetar duas bengaladas nos lombos que propõe semelhante disparate.
    Era como se dissessem que o degraçado que é atropelado e vai parar a uma urgência, da primeira não pagava nada, mas da segunda (reincidência) levava com a taxa em cima para não se deixar atropelar.
    Acho também muita piada aos meninos e meninas que por aqui andam e que acham que engravidar é apenas uma questão de não usar contracetivos ou pura e simplesmente evitar o ato sexual para procriação.
    Estes e estas sacristas, nem sabem sequer como se engravida, mas do alto do seu poleiro emitem opiniões(!) que nem o sapateiro ousou recomendar a Apeles.

  7. 7 Olinda

    se achas piada, Teófilo, ri-te – mas ri-te com vontade: com a mesma com que expresso as minhas opiniões que são baseadas na realidade dos factos e não em facciosidades políticas. a saúde deveria ser gratuita, sim, mas nem é disso que aqui se trata. é que o aborto tem vindo a tornar-se numa prática de simplificação estúpida que nem o sapateiro ousou recomendar a apeles. e nem adianta vires com mais argumentos de suposta ignorância de quem não partilha da legalidade do aborto senão, como referi antes, como excepção a casos particulares. e sacrista não sou, desengana-te, pois esse, então, é que é o argumento derradeiro dos que não aceitam o direito ao não sustentado na mesma razão do direito ao sim. só tenho pena que as mulheres que engravidam por falta de consciência e vergonha na vagina não sejam, naturalmente, impedidas de algum dia darem à luz. infelizmente são as mesmas que reincidem no abuso da liberdade e são aplaudidas por isso.

  8. 8 Teofilo M

    Cara Olinda,
    fico à espera da “realidade dos factos”, mas vou aproveiatr para esperar sentado pois já não tenho idade para estar tanto tempo de pé.
    Se por acaso entende que há mulheres que abortam por diversão, certamente nunca teve a desgraça de ter efetuado algum, nem de ter passado noites sem dormir à conta disso, arrostar com a incompreensão de muitos dos mais chegados, ou ter sido obrigada a isso por motivos que muita das vezes têm a ver com princípios que lhe foram impostos logo à nascença sem direito a emitir opinião.
    A vagina não serve para envergonhar nionguém, a não ser que os ditames da sociedade em que nos inserimos o opbrigue.
    Assim sendo, e dando de barato que o meu facciosismo é capaz de ser idêntico ao seu, fico na expetativa de vir a ser esclarecido.

  9. 9 Olinda

    parece-me bem que possamos conversar sentados. :-) sim, falo mesmo dessas – como tantas que conheço – que abortam, e são reincidentes, não por diversão, por irresponsabilidade e inconsciência antes e durante a diversão. papel importante têm as equipas de psicologia que atendem essas mulheres portadoras do “não quero isto” antes de passarem à fase seguinte e devem ser essas equipas a fazer a triagem, a melhor possível, precisamente para separarem as excepções. e, olha, a mim essas vaginas que não são excepções por desgraças da vida ou até culturais envergonham-me. e muito.

  10. 10 Teofilo M

    Cara Olinda,
    acredite que é a falta de educação sexual na escola e na família que muita das vezes atira para a IVG pessoas que poderiam ter seguido outro caminho, mas será que deveremos penalizar o efeito sem penalizar a causa?
    Será por divertimento que engravidam ou por desconhecimento? Será que os serviços de saúde estão a fazer o seu trabalho seriamente ou andam a brincar aos panfletos e ao faz-de-conta? Será que quem engravidou uma vez ficou esclarecida sobre como utilizar os métodos anticoncecionais ou pensa apenas saber.
    E que dizer da responsabilidade de quem faz preservativos com defeito, espermicidas químicos de duvidosa eficácia ou de utilização complicada, dispositivos intra-uterinos deficientemente colocados, ineficazes ou de fácil migração para não falar já em métodos de duvidosa eficiência?
    Não sou mulher, por isso tenho sérias dúvidas que existam mulheres que prefiram a IVG à pílula do dia seguinte (que não é totalmente eficaz), à utilização dum preservativo ou de outro qualquer método.
    Não esqueça que ainda há por aí muito cabresto que se nega a usar preservativo e muita mulher honrada que acede aos seus desejos confiada no anticoncecional que utiliza, deverá ser ela a pagar pela prepotência duma sociedade mairitariamente machista e egoísta?
    Podem até existir casos em que a estupidez e a imbecilidade tenham o seu peso do lado da mulher, mas creio que essas serão as esceções que servirão para confirmar a regra.

  11. 11 Olinda

    tens razão em tudo o que dizes mas temo que sejas portador de uma ingenuidade que eu gostaria que fosse efectivamente real. na minha geração – e seguintes – não é, de facto, isso que acontece. e estou convencida que o maior egoísmo e machismo está nas mulheres, nessas mulheres. não é por eu ser mulher que acudo, com palas, as mulheres do mundo. até porque há muitas que não deveriam poder, sequer, usar o estatuto de mulher: que é um estatuto que se adquire.

  12. 12 anonimo

    oh bécula! estás cada vez mais desaparafusada, vai ò tal afro-mecânico que faz uns enroscamentos em conta.

  13. 13 Teofilo M

    Cara Olinda,
    pode ser que outras gerações tenham outras atitudes perante a vida, algumas até poderão ser mais interessantes, mas custa-me a acreditar que haja quem faça IVG por prazer (tirando alguns casos do foro psiquiátrico).
    Poderei concordar que o respeito pela vida venha sendo esquecido paulatinamente nas últimas décadas, muita das vezes patrocinado até pelos que clamam ser os seus maiores defensores, todavia custa-me a aceitar que a maioria das IVG’s caiam nesse saco.
    Conheço mulheres mais machistas do que alguns homens, mas essa não é a regra dominante, pelo menos para já, assim, mesmo que possa ter razãp nalguns casos creio que estou com a razão do meu lado quando se trata de falar da generalidade das mulheres.

  14. 14 Olinda

    quem me dera que a razão seja toda tua, Teófilo. em 2010 foram 18 911 os abortos pelo motivo de opção da mulher – não por causa materna, causa fetal, morte/saúde damãe, doença/mal formação do feto ou crime sexual. (falamos de aborto, não esqueças.) e depois, em relação ao machismo, talvez este número me chegue para sustentar a minha teoria: os homens, pela naturalidade com que não têm de se sentir responsáveis em actos e consciência na posssibilidade, não engravidam. logo, que maior machismo do que este para explicar a irresponsabilidade de actos e de consciência da mulher?

  15. 15 leopardo

    a taxa de abortos entre as mulheres negras dos USA supera os 50%, ou seja mais de 50% das gravidezes termina em aborto. Para falar verdade da última vez que vi as estatisticas era em ~60% dos casos.
    Nalguns paises da antiga europa comunista superava, não sei se ainda supera, os 70%, ou seja apenas 1 em cada 3 gravidezes não era abortada.
    Por isso não digam que o aborto não é muitas vezes usado com leviandade. Em muitos dos casos das mulheres que abortam esse aborto podia facilmente ser evitado se essa mulher tivesse um pouco mais de consciencia.

  16. 16 Teofilo M

    Cara Olinda,
    os números são enormes, e variam conforme a fonte, mas se tivermos em conta que desses mais de 18 000 abortos 1/4 foram reincidentes, mas dessas as que fizeram dois no mesmo ano foram 340 e as que já tinham feito outro no ano anterior foram cerca de 1200.
    O apoio psicológico e acompanhamento familiar muitas das vezes foi descurado pela assistência social, o período de reflexão não foi feito em muitos casos.
    De notar ainda que cerca de 1/3 foi feito por jovens com menos de 24 anos, com poucos ou nenhuns estudos e sem capacidades económicas.
    Por outro lado para essas cerca de 19000 mulheres existiram outros tantos homens que, ou se desleixaram ou não se quiseram preocupar minimamente com as consequências.
    É a mho.

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