Cinco Violinos, do século XXI

5%20vilolinos-thumb.jpg

Embora Eusébio tenha sido roubado ao Sporting, e a Moçambique, é um herói de todo o português amante de futebol. O Pantera Negra, tanto excitou confrades benfiquistas como adeptos da Nação. Nessa lógica, é bondosa a analogia com os Cinco Violinos para um grupinho dentro do grupo que a Selecção vai manter durante os próximos 10 anos: Cristiano, Quaresma, Moutinho, Nani e Sabrosa (este, pela idade, a ceder futuramente o lugar ao Yannick, mantendo o conceito — e até o tornando potencialmente melhor) são criações leoninas. Será que alguma vez irão jogar ao mesmo tempo, sem carência de pontas-de-lança? Seria uma festa. Como ontem houve no Alvalade XXI.

Tavares da Silva — jogador de futebol, árbitro, jornalista e Seleccionador Nacional — foi quem cunhou a expressão Cinco Violinos. É uma belíssima metáfora, emanação de um outro tempo e de uma outra educação. Como curiosidade, é com ele à frente de Portugal que se regista a primeira vitória contra a Espanha, também com 4 golos marcados (tal como agora na primeira vitória oficial sobre a Bélgica). Esperemos que estas coincidências, muito afastadas, se afastem ainda mais, pois foi com ele que Portugal enfardou dez golos sem resposta da Inglaterra; e esta calamidade a acontecer no Jamor…

O futebol é importante pela importância que tem na colagem dos indivíduos à sua identidade colectiva, e por mais nada de relevante para a cultura. Só que a cultura depende da colagem dos indivíduos à sua identidade colectiva, por mais razões do que aquelas que cabem neste texto. Vai daí, temos de compreender a paixão pelo futebol, se queremos compreender a cultura. E até fazer nascer cultura onde só reina a animalidade.

Que toquem os violinos.

11 comentários a “Cinco Violinos, do século XXI”

  1. Eu gostaria que me explicasses como é que a malta se amanhava para compreender a cultura antes da invenção do futebol. Se não te desse muito trabalho, claro.

  2. Não dá trabalho nenhum, Rapide. Antes do futebol, a compreensão da cultura estava na dependência do jogo da malha.

  3. Já agora sugiro que o amigo dê uma volta aos jornais ou no site da FPF sobre a quantidade de jogadores do Sporting nas selecções de SUB 16 SUB 17 SUB 18 SUB 19 E SUB 21 por exemplo. é aquilo que se diz em inglês «work in progress».

  4. jcfrancisco

    Sei bem, caro amigo. Dá-se até o caso do meu pai ter sido colega de tropa do Aurélio Pereira. Isso levou-me a um treino de prospecção no antigo campo pelado, tinha eu 11 ou 12 anos. Por acaso, até marquei um golo (num ressalto, sem qualquer mérito de especial). Mas não fiquei, apesar da cunha e do golo. Eis o Sporting, eis o magnífico trabalho de décadas do magnífico Aurélio.

  5. Os violinos tocam, os leões atacam!
    Sou Verde desde pequena.

    Mas gostaria de questionar, para melhor entendimento da cultura, porque é que não se fazem parques de estacionamento à dimensão do estádio de futebol?
    É que, na minha passagem pelo Porto, sempre me doeu na alma ver as pobres senhoras a fazer croché no carro, mal estacionado, enquanto o marido ia ver o jogo do F.C.P.!

  6. Quem se dará ao trabalho de reunir num sítio da internet todas essas informações históricas do nosso Desporto, nomeadamente do Futebol, factos e episódios de comprovado interesse colectivo, que também fazem parte da nossa cultura, a par das demais produções artísticas, técnicas e literárias dos nossos maiores vultos intelectuais?

    Ou existirá já algum destes sítios ? E, se sim, onde ?

    Antecipadamente grato.

  7. já agora, para a história não ficar coxa como alguns gostariam, também houve Coluna, Torres, Eusébio, Zé Agusto e Simões. Em 66, lembram-se? E uma equipa que teve na frente Eusébio, Artur Jorge, Vitor Baptista, Nené e Jordão tinha mesmo que ser campeã sem uma única derrota…

  8. António Viriato

    Não conheço, mas é só procurar. Se existir, não tem meio de se esconder.
    __

    carlos

    Tens toda a razão. O meu coração de leão convive feliz com as glórias benfiquistas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *