O Ilhéu da Vila

Já que é para abandalhar o Aspirina, abandalhemos todos. E que me desculpem a rudeza deste soneto aqueles que me julgavam mais comedido.
Não fiz mais do que atender a um pedido do inefável Dr. Luciano da Silva, homem famoso pela sua crença no Colombo português, embora eu não seja vilafranquense. Explico. Ele descobriu uma notável semelhança entre o ilhéu de Vila Franca e os órgãos reprodutores e suas vias de acesso femininos, com um farilhão ao lado que é evidentemente um símbolo fálico. (E eu que ainda não reparara nisto nem no resto… que incultura sexual!) E desafiou os poetas de Vila Franca a fazerem poesia inspirados nesse tema. Mas, melhor que esta explicação, será consultar o texto do próprio, no endereço que vai abaixo.

http://www.dightonrock.com/ocolondavilafancadocampo.htm

Ilhéu da Vila

Uma erótica vulva de basalto,
Redonda, bem formada, como um halo.
Contempla-a, sombrio, um negro falo
Que a seu lado se vê bem posto ao alto.

Que angústias viverá em sobressalto!
O erecto, viril membro, é como um galo
Com franga que não pode consolá-lo
Porque ele não consegue dar o salto.

Imutáveis estão, e assim se fitam:
Ela ardendo em desejo, ele cismando.
(Quantos seres humanos os imitam!)

Para não desejá-la, o pobre rijo
Enquanto a olha vai imaginando
Que o mar à sua volta é todo mijo.

15 comentários a “O Ilhéu da Vila”

  1. Muito bem conseguido,como sempre!É uma narrativa onde se entrelançam o cómico e o poético.O desfecho fez-me soltar uma gargalhada,pelo inédito, pelo inesperado com sabor a Bocage, mas para melhor. Parabéns e venham mais erotismos destes. Isto sim,é ARTE.

  2. Leia-se entrelaçam onde foi escrito “entrelançam”.Se calhar, estava a pensar no “lanço” do “viril membro” com postura e forma de galo frustrado.

  3. ena daniel. pelos vistos andava tudo inibido para soltar a franga. só por aí já teria valido a pena o que tu chamas abandalhamento.
    tem muita graça esta onda «ai é? então espera lá que eu já te mostro.»
    e muito bem esgalhado, o poema.

    isto sim é ARTE porquê, lia? sei-a professora de português, pelo que lhe posso atribuir alguma idoneidade para juízos de valor deste calibre (e mesmo assim…), mas não a sabia com outra formação artística.

  4. Susana, sabe mais de mim do que eu sei de si. Sou licenciada e professora de português, sim senhor.Aos quatro anos já frequentava o curso de canto e de piano e frequentei o curso de ballet até à idade adulta.Aos dezoito anos tive uma bolsa de estudo que me permitia o ingresso na Real Companhia de Bailado em Paris.Tenho o curso de Arte Floral e uma loja de flores. Como vê, o belo e a arte …
    Ah! Curso de pornografia nunca tirei, mas sempre gostei de um “erecto e viril membro”.
    Você andava ansiosa que eu soltsse a língua.Vá lá, responda no seu tom provocatório, porque estamos na aspirina B que “não mata, mas alivia”.

  5. Ao rochedo empinado
    Que se ergue em mar salgado
    Atamos um foguetão!
    E se o desejo a consome
    O falo em chamas se some
    Voltando logo pr’o chão.

    Com a vulva ardente na mira
    Que há tanto tempo ele aspira
    Apontou-lhe para as virilhas
    “Vou emprenhar esta gaja
    Antes que ela reaja
    E multiplico estas ilhas!

  6. lia, sim, o belo e a arte. mas nada disso lhe dá credenciais para decidir o que é arte na pintura. como tenho dito e re-dito é bom ter-se opinião e sobretudo um gosto independente. seria muito pior dizer-se que se gosta de alguma coisa porque um consenso qualquer decidiu que ela é boa. mas se o bonito e o feio, o «gosto» e o «não gosto» são juízos de gosto, o bom e o mau já o são de valor. nada de grave, mas sujeito a suscitar reacções.

    em pornografia também não tenho qualquer formação. não fazia ideia de que tinha um tom provocatório. e foi ele que lhe soltou a língua? se assim foi ainda bem que o tenho. é sempre um momento alto quando uma professora diz que gosta de um erecto e viril membro. pela minha parte nunca fui muito nessa de chamar membro a uma pila, porque sempre associei membros, no corpo, aos braços e pernas. «membro» lembra-me logo as piadas da perna do meio. mas tenho tudo a favor do viril e do erecto. gabo-lhe o gosto, lia.

  7. Belo poema fescenino, com fino remate escatológico. A resposta de Zé é a condizer. Os suaves comentários obscenos das senhoras envolvem de graça feminina esta guinada do Aspirina pró deboche.

  8. Daniel, folgo em saber que escreveu este poema em resposta ao post da Susana, soltando portanto a franga que há em si. Pois não o terá, por certo, escrito antes, quando ainda era rapaz decoroso, até há dois ou três dias, não foi?

  9. Obrigado a todos, mesmo aos que optaram pelo jeito de gozo, aliás a condizer com o “post”. Que, e que mais não fosse, valeu a pena pela acutilância do Zé. (Embora a primeira estrofe seja algo fraquinha, a segunda, sobretudo pelo final, vale um epigrama dos clássicos.)

  10. será que é da luxuria ou da “sensualidade” literária e artística da Susana (principalmente nas respostas…)?

    Mas é impressionante com um “post” se consegue estender e esticar por mais três (um dos quais eleva o alho a deus…).

    claro que é a força do poder da tal palavra com quatro letras, como amor, mas muito mais decomprometida, polémica e mexida: SEXO (nem os padres e as freiras lhe escapam…).

  11. Olha, mas então, o Daniel de Sá depois daquela homilia tremendista sobre o desbragamento de costumes na arte, vem com esta? Ó amigo, fuja daqui, fuja deste blogue do barzebu, salve a alma!

  12. “COLOMBO PORTUGUÊS – NOVAS REVELAÇÕES” Depois do êxito de O Mistério Colombo Revelado, Manuel da Silva Rosa oferece agora ao leitor uma síntese actualizada das suas investigações sobre a portugalidade de Cristóvão Colon (Colombo).

    “Entre os livros que não pude ainda preparar para o prelo, deixo uma obra com o título de ‘Cristóvão Colombo de Portugal’ de que pude reunir uma larga cópia de argumentos nos últimos 20 anos. Devo confessar que muito contribuíram para a minha investigação as oportunas pesquisas que Manuel da Silva Rosa teceu acerca do problema do Colombo português.” – Joaquim Veríssimo Serrão

    “Como portuguesa e historiadora, muito obrigada, Manuel Rosa. O trabalho que aqui demonstra devia ter sido feito pelas nossas universidades e por autores de crédito oficial. Acontece que as nossas universidades…” – Fina d’Armada

    “A investigação de Manuel Rosa vem confirmar que, qualquer que seja o seu verdadeiro nome, é a origem nobre portuguesa que melhor explica as enigmáticas contradições em torno da vida de Colon.” – José Rodrigues dos Santos (www.esquilo.com/colomboportugues.html)

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *