Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



 

Descer a cidade, obscuros sentidos – referver as pálpebras em vinhos sorridos. Tinge-se o medo, desfeita auréola – martírio violino de som a ela.

 

Fomos o braço amado

da beleza de sermos todo o lado

 

Erguer o copo, fecunda madrugada – adivinhar o barro em ternura calada. Estiolar o trevo, derramar a urna – fruto sumo de teu sumo servo.

 

Fomos o braço amado

da beleza de sermos todo o lado

 

Empolgar os nus, distanciados aromas – aprender o sono no teu corpo sem comas. Vender a matéria, perpetuar o instante – cevada árvore de lodo cortante.

 

Fomos pulsos cortados

de braços amputados

 

Havia o murmúrio, havia o fulgor, havia o lacre de nos morrer o torpor. Havia o espasmo, havia a montanha, havia as ancas de sexo sem manha.

 

Havia pulsos por cortar

de braços por amputar

 

Houve silêncios, houve palavras, houve crateras de noites que cavas. Houve corolas, houve crepúsculos, houve arbustos em hortos minúsculos.

 

Houve, tu sabes, amor.

Ouve: tu sabes amor.

Houve-me: tu sabes-me (a) amor.

 



  1. 1 claudia

    Confúcio, vai dormir a sesta. Só te fará bem. Um tosco, a querer fazer poesia, é no que dá.

  2. 2 Sinhã

    lindo como sempre.:-)

    (as gajas devem é andar todas à pancada a quererem o protagonismo).:-)

    não digas isso do CC, claudinha: ele é, por natureza, um poeta.:-)

    (vai tu fazer a tal pintura rupestre e não esqueças o teu auto-retrato: um dinossauro metediço).:-)

  3. 3 claudia

    E tu, por natureza, Sinhã, trazes a alma bem emporcalhada. Não vejo a poesia em dizer “foder a alma”.

  4. 4 Sinhã

    quem te dera carregares com a minha alma, claudinha.
    (não me fodas a cabeça que ainda te desfaço o quadro).:-)

  5. 5 claudia

    Os quadros… Já fiz uma experiência a óleo hoje.

  6. 6 Sinhã

    boa.:-) e pintaste com os dedos?:-)

  7. 7 claudia

    Não, com pincéis sintéticos, ó cabeça de andorinha.

  8. 8 Sinhã

    fizeste muito mal. se mexeres no óleo com os dedos (ó ogre): passas o que estás a sentir.:-)

  9. 9 claudia

    Palermóide, fiz isso algumas vezes, mas não vou para aqui os meus segredos de culinária pictural, pois não?

  10. 10 claudia

    esbanjar os meus segredos… Era o que queria dizer. Esqueci-me do verbo.

  11. 11 Sinhã

    faz como quiseres. mas olha que partilhar – o saber – é acrescentar saber. :-)

  12. 12 claudia

    Estou a aprender esta forma de egoísmo com o meu picheleiro. Mal eu viro as costas, arranja as coisas e não me quer dizer como faz para eu não saber e para ele poder voltar e ganhar com o biscate.

  13. 13 Sinhã

    a soda cáustica resolve a maior parte dos problemas dos canos
    (os picheleiros não servem para nada – nem vale a pena virares as costas).:-D

  14. 14 z

    a última cheira-me a uma trincadela que até dá uivo, mas está poético, como um agázinho vôa que nem andorinha entre campos semânticos,

    amar,

    mar,

    conclusão: nadar

    nada?

    bem me parecia, suniya, o som do silêncio

  15. 15 z
  16. 16 FREYA

    Mais!
    Quero mais!
    Preciso de mais…

  17. 17 Sinhã

    isso é que é andar desenfreyada. :-)

    (pega lá, freya, um supositório – sem cuspo na ponta por causa daquilo).:-D

  18. 18 FREYA

    Sinhá, o tempo passa e tu não me largas…

    LOL
    Beijoca

  19. 19 Sinhã

    não uses o amor em vão, freya. a maldade faz mal. :-)

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