Fizeste-me incêndio, arbusto morrido – fizeste-me silêncio, espada pungente, deus carente.
Fizeste-me vadio
de amor e de gente
Esmagaste-me a foice, esqueceste-me a coice - perdeste-me a lua, gelo ternura, mar que cura.
Fizeste-me vadio
de amor e de gente
Invento mentiras, desfibro saídas – percorro o arco, voz que fulge, morte que urge.
Fizeste-me vadio
de amor e de gente
Troco luz por rosto, beleza por posto – oculto o peso, vinha velada, espuma queimada.
Fizeste-me poder
de terra sem nada
Toquei-te na beira, roubei-te na feira – descerrei o sopro, bicho no leito, guitarra no peito.
Fizeste-me aurora
de dor sem proveito


São coisas destas que me fazem voltar aqui.
Encantador.
Muito bom o blog. Parabéns!
primeiro entranha-se. depois entranha-se. mais tarde entranha-se.
(começa a ser CCangue).
:-)
ATENÇÃO!!!
DANIEL OLIVEIRA CONFESSOU CLARAMENTE QUE AJUDOU A PREPARAR O 11 DE SETEMBRO, QUANDO ERA MILITANTE DA JCP.
http://arrastao.org/sem-categoria/maalouf/#comment-79964
Que bom! A poesia regressou ao aspirina B :-)
Interessante o ritmo.
Abraço
Rita V.
Vocês tão a falar de quê?
grande (des) contrução poética!
está bonito pá. mas porque é quee não rematas com um final feliz? A escassez de finais felizes torna-os muito valiosos, ou pelo menos assim seria na teoria clássica do valor, muita procura e pouca oferta, insondáveis são os desígnios do senhor,
Gostei do poema. Já vi muito pior por estas paragens.
z: a própria vida tem um final muito infeliz: morres. The End da comédia humana.
claudia: morres do lado de cá, do lado de lá não se pode provar nada. Podes dizer que não acreditas no lado de lá, mas é opção tua, não poderás provar que não existe, pois mostrarias quando muito que não existe cá, ora se é lá,
e quanto a morrer do lado de cá, para Socrates era a libertação da alma,
(mas vê lá se não andas apenas a achar que é mais fácil morrer do que viver, também acontece quando andamos exaustos ou deprimidos, uns banhos de mar e umas lufadas de verde animam
vir, virens->virtus
Vou-me borrar nas minhas próprias tintas a ver se encontro um sentido existencial, ao som do little patience dos Guns N’ Roses. Mas isto é SÓ para ajudar a morrer melhor – ou pior.