Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



 

 

Fizeste-me incêndio, arbusto morrido – fizeste-me silêncio, espada pungente, deus carente.

 

Fizeste-me vadio

de amor e de gente

 

Esmagaste-me a foice, esqueceste-me a coice -  perdeste-me a lua, gelo ternura, mar que cura.

 

Fizeste-me vadio

de amor e de gente

 

Invento mentiras, desfibro saídas – percorro o arco, voz que fulge, morte que urge.

 

Fizeste-me vadio

de amor e de gente

 

Troco luz por rosto, beleza por posto – oculto o peso, vinha velada, espuma queimada.

 

Fizeste-me poder

de terra sem nada

 

Toquei-te na beira, roubei-te na feira – descerrei o sopro, bicho no leito, guitarra no peito.

 

Fizeste-me aurora

de dor sem proveito


  1. 1 maria

    São coisas destas que me fazem voltar aqui.
    Encantador.

  2. 2 Sol

    Muito bom o blog. Parabéns!

  3. 3 Sinhã

    primeiro entranha-se. depois entranha-se. mais tarde entranha-se.

    (começa a ser CCangue).
    :-)

  4. 4 Carlos

    ATENÇÃO!!!

    DANIEL OLIVEIRA CONFESSOU CLARAMENTE QUE AJUDOU A PREPARAR O 11 DE SETEMBRO, QUANDO ERA MILITANTE DA JCP.

    http://arrastao.org/sem-categoria/maalouf/#comment-79964

  5. 5 Zeca Diabo

    Que bom! A poesia regressou ao aspirina B :-)

  6. 6 Rita Vasconcellos

    Interessante o ritmo.
    Abraço
    Rita V.

  7. 7 guida

    Vocês tão a falar de quê?

  8. 8 luis eme

    grande (des) contrução poética!

  9. 9 z

    está bonito pá. mas porque é quee não rematas com um final feliz? A escassez de finais felizes torna-os muito valiosos, ou pelo menos assim seria na teoria clássica do valor, muita procura e pouca oferta, insondáveis são os desígnios do senhor,

  10. 10 claudia

    Gostei do poema. Já vi muito pior por estas paragens.

  11. 11 claudia

    z: a própria vida tem um final muito infeliz: morres. The End da comédia humana.

  12. 12 z

    claudia: morres do lado de cá, do lado de lá não se pode provar nada. Podes dizer que não acreditas no lado de lá, mas é opção tua, não poderás provar que não existe, pois mostrarias quando muito que não existe cá, ora se é lá,

    e quanto a morrer do lado de cá, para Socrates era a libertação da alma,

  13. 13 z

    (mas vê lá se não andas apenas a achar que é mais fácil morrer do que viver, também acontece quando andamos exaustos ou deprimidos, uns banhos de mar e umas lufadas de verde animam

    vir, virens->virtus

  14. 14 claudia

    Vou-me borrar nas minhas próprias tintas a ver se encontro um sentido existencial, ao som do little patience dos Guns N’ Roses. Mas isto é SÓ para ajudar a morrer melhor – ou pior.

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