Todos os artigos de Valupi

Derrelictos — Pedro Quartin Graça

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O sonho de uma Lisboa verde parece glauco. Se realizado, teríamos flores em cada esquina, fontes de cristalina água de cem em 100m, um carvalho na sala de jantar de todo o lisboeta com cartão de eleitor. A Lisboa verdadeiramente natural, ecológica, prístina, seria um Monsanto a multiplicar por 10, uma Sintra de beira-rio, a Amazónia dos pequeninos. Viveríamos de pinhões e esquilos assados. Este candidato sabe o que quer para Lisboa. É de deixar o eleitorado verde de inveja.

Derrelictos — José Pinto-Coelho

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Muito antes dos Fedorentos criarem cartazes em estilo PNR, já o PNR criava cartazes fedorentos. Fedorentos e PNR, pois, um caso de atracção mútua. Em resultado, agora o candidato considera-se colega de profissão, privilégio da deferência felina. Gozar com os políticos é legítimo e a malta aplaude, revelou o Marquês de Pombal. A lição pombalina aplica-se nas eleições em Lisboa, a tal que é cidade portuguesa. Neste exemplo, está-se a gozar com o Zé.

Derrelictos — José Sá Fernandes

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A política é feita por pessoas. As pessoas têm nomes. Os nomes podem ter diminutivos. Os diminutivos fazem falta? Admitindo que sim, qual a falta que um diminutivo pode fazer? Quais as ocasiões em que o diminutivo cumpre uma função fora do alcance do nome original e grandalhão? Será ao falar, se calhar estar com pressa? Será ao escrever um telex? Será para pedir um cortador de relva emprestado? E quem serão os que lhe sentem a falta? Alguns poucos, alguns muitos ou todos? Mais as mulheres do que os homens? Mais as namoradas do que as sogras? Duvido que alguém duvide da falta que o Zé faz. Mas, e que mais é que o candidato sabe fazer?

Derrelictos — Manuel Monteiro

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Uma nova democracia precisa de se conseguir distinguir completamente da velha democracia. Mas precisa ainda mais, muito mais, de se conseguir distinguir da recente democracia. Que fazer? O candidato tem mostrado possuir o segredo dessa alquimia. Sempre que pode, anuncia estar em ruptura com o sistema vigente. Este, intentava questionar, sugerir e debater. Os prejuízos para a democracia advindos de tais práticas velhas e recentes estão à vista. Com os neo-democratas acaba-se o forrobodó, vai-se directo à essência das coisas. Eleitor, Lisboa é Capital, ’tá?

No comments

O sistema em que o Aspirina habita está sujeito a caprichos. Desta vez, ficámos mais de 12 horas sem poder comentar. Com o tempo, descobrimos que as perturbações são como os tigres de Borges. Aparecem sem sabermos porquê, e acabam por se tornar parte do ritual.

Derrelictos — Telmo Correia

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Se há algo de que Lisboa precisa, sem margens do Tejo para dúvida, é de competência. Porque a competência é aquela coisa que serve sempre para alguma coisa. A competência tanto pode ser discreta como espalhafatosa, mas é invariavelmente eficaz. A competência alcança, realiza, faz milagres. E a competência tem essa graça acrescida de ser imune à incompetência. Nem todos terão competência, diz-nos o candidato no acto de anunciar a sua posse. E agora é com o eleitor, e é tudo muito simples: acaso não seria útil ter na Câmara a equipa da competência?

A falta que elas fazem

Falo delas, o gajedo. Falhada a contratação da Ana Cristina Leonardo (a qual teve juízo, e supino bom gosto, preferindo criar a mui recomendável Meditação na Pastelaria), fomos aos despojos da feminina e feérica SOCA convencer uma das estrelas da companhia — cecília r. — a juntar-se a este grupo de tontos. Não foi fácil, pois esta casa não tem acomodações para senhoras, mas a sua generosidade (de mulher?) venceu montanhas de dúvidas. Ficam as certezas de o Aspirina B ficar um local muito mais bem frequentado.

Susana, instala-te onde quiseres.

Luís Graça & Rui Unas

O Show do Unas é uma coisa que falhou, não se tendo chegado a saber o que pretendia ser. Como já o amaldiçoei, estou à vontade para louvar o exercício supra. Um poeta de plurais qualidades encontrou um interprete que lhe fez jus. É acontecimento raro. E, ó Unas, que tal largares a pseudo-radicalidade adolescente e ocupares o lugar deixado vago pelo Mário Viegas?

Derrelictos — Carmona Rodrigues

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Lisboa é um encanto, cantada por poetas, louvada por turistas e arruinada por presidentes da Câmara. Mas faltava-lhe o je ne sais quoi das grandes capitais do Mundo. Isto foi assim durante séculos. Uma apagada e vil tristeza no meio de tanta luz. Até que, em 2007, um candidato defenestrou os limites do bom-senso e fez de Lisboa o seu partido. Inovação internacional. Perguntarão: qual o projecto político de Lisboa? Que ideias defende Lisboa? Lisboa é de esquerda ou de direita? Perguntas asininas, escusado seria dizer. Como se ainda alguém perdesse tempo a ler o programa dos partidos.

Derrelictos — Fernando Negrão

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O Governo não manda em tudo. Muitos se queixam da arrogância do Governo, da prepotência do Governo, até da perseguição do Governo, mas ‘pera aí, alto! O Governo não manda ali. Ali, onde? Ali onde manda o Presidente. Esclarecidos? Avancemos. Então, e de que presidente estamos a falar? O da República? O da Junta? Algo pelo meio? Isso já não interessa ao candidato estar a detalhar. Interessa é saber que ali, algures, o Governo não bota faladura nem mete o nariz. Ali, é tudo nosso, é à brava. Ou seja, é do Presidente, desgovernado.

Derrelictos — Ruben de Carvalho

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Quem é o senhor na fotografia? Será o senhor CDU? Ou o senhor PCP-PEV? Não é possível descobrir. Seja quem for, tem uma solução para Lisboa. Solução única? Ou a única solução? Não é possível saber. Seja como for, seja qual for, a solução existe, e é para Lisboa. Nesta informação, está outra: a de que Lisboa tem um problema. Lógico. Foi para garantir este grau de certeza na mensagem que se fez uma coligação. E não passará pela cabeça do eleitor pôr em causa o superior mérito desse esforço.

Desclicar

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Assim como se têm figuras públicas que causam espontânea alergia (no meu caso, o Jorge Gabriel, a Maria Elisa, o Carvalhas, os manos Portas, etc.), também existem certas palavras que me despertam ódios de odiação. No momento, a que encima a escala é este verbo: clicar. Como onomatopeia genérica, clique, já existia no Português muito antes do rato se ter tornado no melhor amigo dos informáticos. Como chavão inevitável na maioria da comunicação interactiva, clicar remete para o verbo inglês to click, significando neste contexto a representação da sonoridade resultante da pressão na patilha do comando do cursor. De modo que andamos constantemente a ser solicitados para clicar aqui e ali. Ambiente mental que considero pífio, um pequeno nada sintomático do pequeno nada a que alguns se reduzem.

A minha quixotesca reacção é legítima e recomenda-se. Porque a anuência face ao parasita inglês é perfídia linguística e lexical evitável. É um baixar de calças típico dos preguiçosos, dos desleixados, dos vendidos. E não só, nem especialmente, por causa da intrusão inglesa, antes por nos reduzir a um dedo mecanizado. Em vez de clicar usemos entrar, ver, saber, andar, saltar, abrir, o que nos der na real e interactiva gana. E já que se fala de verbos, ide curtir o instrumento que os irmãos brasileiros disponibilizam para gozo lusíada. É uma geringonça que não se corta perante nenhuma forma verbal, e a todas serve o cardápio completo das conjugações. É de hilariar.

EPUL si muove

Fernando Negrão é o pior candidato, seja a que cargo for, que me lembro de ter visto. A sua entrevista ao RCP ficará como o pináculo caricatural de um grupo de portugueses que não valem nada. Eis um homem que se propõe ser o chefe político da Capital pelo PSD e que não tem uma mísera ideia para apresentar. Mais, quem tivesse a infeliz ideia de o aceitar como guia turístico para uma visita a Lisboa, acabaria perdido algures em Setúbal.

Enormes desperdícios d’água podem ser testemunhados ao longo da entrevista, tantos que até o jornalista bebeu uns pirolitos, mas não é o lado patético que importa relevar. Acontece é ser esta pessoa alguém que o maior partido da oposição propõe como modelo de competência e visão política para o berbicacho autárquico (leia-se este texto delirante e tema-se o pior…). Não é de mais repetir: um PSD reduzido a figuras como Mendes, Menezes e Negrão, um PSD do Jardim e do Valentim, entre outros ainda mais sinistros ou trôpegos de ideias (se tal for possível), é uma perda grave para a democracia.

Telebarbaridade

Dua Khalil, 17 anos, foi morta com pedras e pontapés. Foi filmada em telemóveis por aqueles que a matavam. Os mesmos que a viram nascer, que eram da sua família, da sua tribo. O crime era o amor.

Têm razão os que se insurgem contra o suposto conflito de civilizações. Nunca houve um conflito de civilizações, nem tal poderá alguma vez existir. O que há é um conflito pela Civilização. E chegou o tempo de libertarmos as mulheres das garras dos bárbaros .

Profilaxia Zen

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A propósito desta importante notícia, aproveito para contar aquela que se diz ser a história Zen favorita de Herberto Helder:

Um camponês chega a casa e encontra a mulher acocorada ao pé da porta, procurando algo no chão. Que se passa?, pergunta. Perdi o anel do nosso casamento, responde a mulher. Onde o perdeste?, pergunta o homem. Dentro de casa, diz a mulher. Mas, então, porque procuras cá fora?, pergunta o homem. Diz-lhe a mulher, Porque aqui há luz.

Sei que esta história contém uma verdade terrível. E não faço ideia qual seja.

World in Conflict – Trailer

Este jogo irá fazer as minhas delícias, e também as do Pacheco Pereira, porque é de estratégia. Os jogos de estratégia não são jogos de jogar: são jogos de brincar. Neste caso, com enredo que mistura os bons americanos, os pérfidos russos e ainda os bananas dos europeus em versão NATO. Vai ser lindo, até porque os cenários o são.

Gostava de conseguir chocar alguém, afirmando que neste vídeo de apresentação há um quadro que me parece inspirado neste quadro. É quando se vê um grande plano aéreo sobre a cidade para onde se lançam os pára-quedistas. O pintor, Altdorfer. A pintura, A Batalha de Alexandre, 1529. Gostava, mas não vou ter sorte nenhuma.

Aqui, versão em HD, e o jogo todo explicadinho.

Um Cravinho pela Revolução

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Em 14 de Junho de 2006, o País estava contentinho da vida. A Selecção tinha entrado a ganhar no Mundial, três dias antes, e faltavam outros três para o jogo seguinte. Os políticos dos mais antagónicos quadrantes, duas semanas atrás, já tinham tratado do subido desígnio da alteração do horário do plenário, na Assembleia. Todos os nossos sofridos e sacrificados deputados iriam poder assistir ao jogo da bola, com o México. Inspiração latino-americana, unionista, a qual tinha motivado outro esplendoroso fenómeno de sinergias ideológico-partidárias, aquando do baldanço de 119 deputados a uma votação, exactos 2 meses antes. Não deixa de ser curioso verificar como este fervor de solidariedade institucional levanta voo se a motivação vier de 22 rapazes a correr em calções, e despenha-se catastrófico se estiver em causa a localização do mais importante aeroporto de Portugal. Adiante. Lembrar ainda que a tal votação de Abril, trocada por um fim-de-semana prolongado, tinha sido marcada, por deslize, para período já destinado a actividades lúdicas em conflito com a regular execução da ordem de trabalhos; o que levou ao mistério das assinaturas de presença em número superior ao das almas no Hemiciclo. Erro a não repetir, o relativo à data da votação, não à conduta dos do putedo (que nem erro foi, afinal, antes praxis consagrada na Casa — como alguns responsáveis partidários tiveram a bondade de nos explicar frente às câmaras, e sem se rirem). Reinava a normalidade, pois, quando a 14 de Junho li uma bem discreta notícia no Público. Ocupava a mísera coluna da esquerda da página da esquerda, ao baixo, e era a síntese do programa radiofónico Falar Claro, na Renascença, emitido dois dias antes.

Foi uma leitura extraordinária. Por causa desta passagem:

Para o socialista, o mundo do futebol é hoje um lugar estranho e promíscuo: “A sociedade foge a sete pés de querer saber o que se passa [no mundo do futebol]. Quando se dá uma bronca, há uma retracção geral e a intervenção é mínima, o que é uma negação do Estado de direito”, considerou. Exemplo disso é o caso Apito Dourado, afirmou: “Em qualquer país do mundo que não estivesse tolhido, levantava-se o Carmo e a Trindade para saber como foi possível” que os dirigentes da Judiciária que denunciaram o caso fossem afastados, “um para Cabo Verde e outro para o Brasil”, frisou.

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