Todos os artigos de Valupi

in-tempestivos_Agosto

Desde os que continuam em diálogo aos que nunca sairão do monólogo, passando pelos que não têm nada para dizer e afirmam-no, há de tudo como nos blogues:

O dia de reflexão de Francisco Louçã21 de Janeiro de 2006, 2 comentáriosLuis Rainha

Toupeiras e outros animais furiosos30 de Janeiro de 2006, 16 comentáriosLuis Rainha

Uma excelente ideia6 de Fevereiro de 2006, 51 comentáriosRui Tavares

Portugal tem as centrais nucleares mais seguras do mundo…20 de Março de 2006, 59 comentáriosNuno Ramos de Almeida

Portugal: queremos ‘isto’?19 de Abril de 2006, 152 comentáriosFernando Venâncio
-> Actualização: o nosso amigo Ant.º das Neves Castanho acaba de deixar um repto ibérico neste conflito fronteiriço, o qual veio introduzir elevação numa conversa onde portugueses e espanhóis têm andado em bulhas infantis como bons e bíblicos irmãos.

Um new look para o empresário português9 de Agosto de 2006, 50 comentáriosLuis Rainha

Coisas infelizes numa revista chamada Happy10 de Março de 2007, 33 comentáriosJosé do Carmo Francisco

abrir o livro23 de Agosto de 2007, 36 comentáriosValupi

Eight bad reasons to have sex

Uma delícia, esta diatribe oferecida pela CNN. O original está em The Frisky, revista digital que é um exemplo a seguir pelos que andam à procura das elusivas audiências femininas.

Mas o que me encantou particularmente no texto foi esta expressão proverbial, Misery loves company, seguida de aplicação concreta, good luck getting him out of your apartment. É que também pode haver más razões para proteger alguém, e essa lição ser das mais difíceis de aceitar, sequer entender, por uma mulher.

Uma coisa pouco séria

O Presidente da República dispõe de 16 milhões de euros para despesas anuais. É uma quantidade olímpica de dinheiro, como diria o comandante Vicente Moura. Parte dele serve o alto propósito de proporcionar remunerações e salários adequados a pessoal altamente qualificado. A Casa Civil, por exemplo, regista 40 nomes. 40 nomes equivalem, mais coisa menos coisa, a 40 cabeças. Se acreditarmos na sentença que sentencia estarem duas cabeças melhor habilitadas a pensar do que apenas uma, começamos a fazer contas com optimismo calculado. Atenção: para rapidez e simplicidade aritmética, não há necessidade de sair do conjunto “Casa Civil”: 1 presidente + 40 assistentes = 41 coisas, mais cabeça menos cabeça.

Donde, a pergunta: onde vai buscar o Presidente algumas das frases que profere publicamente enquanto Presidente? Tomemos estas:

É preciso uma estratégia muito adequada para que a imagem de país seguro não seja alterada.

A onda de crimes aumentou significativamente.

Não há dias sem assaltos.

Deixo a matéria da concretização a quem tem essa competência.

A onda de assaltos e crimes violentos é uma coisa muito séria.

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Os Republicanos, afinal, pensam como gajas

Durante 2,7 segundos parece uma escolha inteligente. Repeti a operação várias vezes, sempre com o mesmo resultado: 2,7 segundos. Nesse espaço de tempo, iões de sódio e de potássio agitam-se frenéticos criando belas imagens no meu córtex: vejo o aproveitamento da saída de cena de Hillary, indo lá buscar votos que hesitam em votar Obama, vejo a vantagem dos Republicanos em serem capazes de surpreender e de aparecerem como modernos (até ousados) para um público urbano carente de mudança, e vejo a elevação da condição feminina junto de uma sociologia apoiante conservadora e com largas bolsas arcaicas. Só que ainda estão por inventar os 2,7 segundos que durem 2,8 segundos ou mais, acabando aqueles por acabar. Segue-se uma plácida constatação: os estrategas Republicanos, afinal, pensam como as gajas — são oportunistas e superficiais. Não sabendo o que fazer para vencer Obama, resolveram juntar-se a ele. Viram a oportunidade para um brilharete mediático, finalmente!, com a escolha de uma fêmea, e foi aí que deixaram de pensar. Se a política é apenas mais uma forma de espectáculo, nisto estamos todos de acordo: não poderia haver nada mais espectacular do que ir buscar uma mulher sem os mínimos de experiência política para a função e, como se não bastasse, aparecer coberta de alvos fáceis, muitos. Sarah Palin, para além de não fazer a menor ideia do que implica o cargo para que está a concorrer, tem defendido ideias sobre armas, aborto, mulheres, exploração de petróleo em reservas naturais e ensino do criacionismo nas escolas que deixariam Ronald Reagan corado. Mas mesmo que ela não fosse uma caricatura ambulante da piroseira americana, e tivesse algum mérito digno de atenção, as hillaryanas jamais votariam numa ex-miss que conseguiu chegar a Governadora. Porque há limites para o que uma mulher considera ser justo nesta vida.

Não só esta senhora não vai conseguir retirar votos a Obama, como irá levar à perda de votos para McCain. A eleição terminou.

Malucos do riso

Até a mítica competência autárquica comunista se deixa entusiasmar com esta vocação nacional para a comédia. Na edição de sábado do DN, as declarações do presidente da Câmara são ainda mais engraçadas, pois tentam fugir à responsabilidade — a própria e a de todos os camaradas envolvidos na façanha. Carlos Humberto chega ao ponto de corrigir de 12 para 10 minutos o atraso, o qual disse ter esta origem:

Mas as pessoas atrasaram-se um bocadinho, porque, quando chegou o momento de clicar, as primeiras tentativas não entraram, talvez porque estivessem a entrar algumas ao mesmo tempo. Quando se conseguiu, passavam dez minutos.

Que maluco, e que riso.

Sabes para que serve um feriado? – II

Do nosso amigo Marco Alberto Alves, recebemos estupendas sugestões:


A hipocrisia dos Feriados é igual, quer se trate dos ditos religiosos (todos católicos), quer dos ditos civis (nem todos de Esquerda).

O que não quer dizer que todos os “celebrem” da mesma forma hipócrita, evidentemente.

Do meu ponto de vista pós-moderno, liberal e reformista, que é no fundo o que eu mais sou, acho que a hipocrisia poderia ser erradicada a contento de todos e do seguinte modo: cada Trabalhador teria o seu PLANO PESSOAL DE FOLGAS (P. P. F.), que poderia escolher livremente (ou, vamos lá, com os constrangimentos mínimos possíveis em função da natureza do seu emprego) de entre o somatório de Sábados, Domingos e Feriados actuais (ou legalmente definido).

Ou seja, partir-se-ia do princípio de que o P. P. F. faria parte integrante do contrato laboral, como o Salário e outras regalias e condições, permitindo assim ao Trabalhador, como ao Empregador, ajustar de forma eficiente os horários de laboração.

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Encontrar+se

Tenho a sorte de ser amigo da Filipa Palha. E Portugal tem a sorte de ela ser nossa amiga. Porque esta portuense criou a Encontrar+se, associação dedicada ao desenvolvimento, implementação, avaliação e investigação da reabilitação psicossocial das pessoas com doença mental grave. Artur Santos Silva e Miguel Veiga, dois homens que dispensam apresentação, conferem solidez e prestígio institucional à iniciativa. Iniciativa que começou com uma espectacular campanha contra o estigma: UPA. Sem qualquer apoio do Governo, do Ministério da Saúde ou do Conselho Nacional de Saúde Mental, a Filipa conseguiu reunir este grupo de anónimas esperanças em começo de carreira: Zé Pedro Reis (o qual concebeu o projecto musical), Paula Homem, Pedro Tenreiro, Nuno Rafael, Mariza, Xutos, Sérgio Godinho, Rodrigo Leão, Clã, Mão Morta, Camané, Rui Reininho, Xana, Boss A.C., Paulo Gonzo, Cool Hipnoise, Jorge Palma, Dead Combo, J. P. Simões, Balla, Tiago Bettencourt e J. Mário Branco. Ainda não chega? Então, espreita a Comissão de Honra. Desde 2007 que há músicos e profissionais de comunicação (de agência de publicidade a agência de meios, passando por produtoras de vídeo) a entregar — gratuitamente — o seu tempo e talento para a campanha ter peças gráficas, filmes, espaço mediático e canções originais. Vou repetir: canções originais, cujas letras versam sobre a problemática da doença mental. Sim. Do caralho.

Discutir a importância da saúde mental e da reabilitação do paciente com patologia grave é daqueles tópicos que melindram por os julgarmos evidentes ao ponto de não justificarem gasto calórico na conversa. Afinal, esgravatando na ramagem quotidiana, constata-se que é ao contrário: existe estigma, existe abandono, existe violência sobre os doentes e dos doentes sobre a família, vizinhos e estranhos. Visto pelo lado económico e familiar, e fazendo as contas aos milhares de indivíduos afectados em Portugal, é uma calamidade não conseguir reduzir o seu período de inactividade profissional ou social, nuns casos, ou não os conseguir recuperar para a autonomia, em muitos outros casos. Perde-se dinheiro, perde-se saúde, perdem-se vidas mantendo a inércia defendida pelos inertes. Chega de perder mais tempo.

Em Portugal há outras Filipa Palha, com outros nomes, género, idade, competências, percurso, esperanças. Mas com a mesma coragem e alegria. É com elas que vamos partir para os novos descobrimentos: encontrar o caminho legítimo para a independência, fintar o Adamastor que nos afunda num medo colectivo.

Tens aí uma hora, dezasseis minutos e vinte sete segundos? Dá cá

Randy Pausch partiu no mês passado. Depois de saber que poderia morrer a qualquer momento dentro de 6 meses, fez esta apresentação pública em Setembro de 2007. Falou dos nossos sonhos de infância e da possibilidade de os realizar. Se fores como eu, sabes que o teu tempo vale mais do que o teu dinheiro. Se o vamos gastar, ao dinheiro ou ao tempo, é inteligente procurar lucro imediato, retorno do investimento a prazo ou um sentimento de jactante exaltação por o esbanjarmos como imperadores. Como acontecerá, e às três variantes, a quem puder dispor de 1h16m27s para gastar na palestra supra.

Se gostaste, brinde.

Toma lá a medalha do provincianismo e leva também a da estupidez que assim já são duas e tu precisas de muitas medalhas para te sentires bem


Ó Lopes, estive aqui a ver e, a modos que de repente, acho que não tenho de agradecer-te seja lá pelo que for. Nunca me emprestaste casa, carro ou mulher. Não fazes a menor ideia de quem eu sou. E até aposto que, calhando pedir-te uns trocos na rua, eras capaz de começar a correr com invejável passada para a tua idade.

Temos os capitães-de-mar-e-guerra mais chonés do Atlântico e oceanos adjacentes. O Ágoas queria menos maçãs e nenhumas mãozinhas marotas nas praias algarvias, o Moura queria mais pontos e belas medalhas nas algaraviadas pequineses. Estes velhos marinheiros continuam a gostar de perder o pé. Estranha coincidência entre a física teórica e a teoria do físico ocorreu na mente do presidente do Comité Olímpico Português: do lado da ciência, imaginam-se 11 dimensões no espaço-tempo; do lado da acidência, houve tempo e espaço para imaginar a conquista de 11 medalhas. O bom-senso, ou algum xarope tomado a horas, reduziu o peito para 5 medalhas e 64 pontos. Estávamos em Dezembro de 2007. Em princípios de Agosto de 2008 estabilizámos nas 4 medalhas e 60 pontos, a mielas com a versão 3-4 medalhas. Em finais de Agosto, já há a certeza de ser excelente resultado ter duas medalhas e uns pontitos. Lá mais para Setembro, ninguém arrisca fazer prognósticos quanto ao que seria uma boa prestação dos nossos bravos atletas no mês anterior, mas corre que o pior da crise do sub-olimpismo ainda está para vir.

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Sabes para que serve um feriado?

Pessoa amiga perguntou-me pelo feriado de 15 de Agosto. Apesar dos meus 10 anos de escolaridade em instituições sob responsabilidade da Igreja Católica, mais a 1ª Comunhão, não sabia o que se celebrava para merecer feriado. Tinha de ser algo religioso, mas o quê? E porquê tal informação não estar gravada na minha memória?

A Igreja Católica comunga com o PCP de certas características que me despertam o desejo de lhes pensar a comunicação. Estas vetustas agremiações nunca saberão (e para sua sorte) o que perdem por não me contratarem. Até trabalharia para as duas ao mesmo tempo (e por remuneração irrisória), tamanho o meu entusiasmo. Porque elas estão cheias de boas e excelentes ideias, apenas não sabem como as transmitir, nuns casos, e identificar, noutros. O modo como falam aos fiéis é desastroso, as liturgias são anacronismos, as doutrinas estão estéreis. Desperdiçam tesouros intelectuais e antropológicos como se o mundo não fosse acabar amanhã. E dão origem a perversões escabrosas, como sempre acontece quando não se sabe lidar com os remédios: transformam-se em venenos. Igreja e PCP são duas entidades que odeiam a democracia porque não se querem conhecer a si próprias, não querem filosofar. Filosofar é só para os corajosos, e estes pastores católicos e controleiros comunistas estão esmagados pelo medo.

Portugal não é um país católico, nem sequer cristão, no sentido em que a opinião religiosa já não inspira nem influencia. A espiritualidade nacional está reduzida a raras figuras que não têm voz pública. Mas os ateus, os agnósticos, os seculares e os fiéis de outros credos não se importam com os feriados religiosos. Ninguém se importa, e quase ninguém os celebra. Mantêm-se por inércia e hipocrisia. A esquerda não ousa atacá-los, preferindo a contradição ideológica ao sarilho de ser coerente. E a direita aproveita-os para os gastar em futilidades, tenha deixado há muito de os respeitar. É que a direita, lá está, também não é católica nem cristã.

O povo porta-se mal ou atrofia nas assembleias, abomina as cooperativas, é individualista e tacanho. O povo não quer ser comunista. A alma de Portugal é pagã, mágica, celta, romana e moura. Jesus é apenas um dos deuses, ao lado do Benfica, Sporting e Porto. Maria está acima de Jesus pela melhor e mais teológica das razões: é mesmo a sua mãe, como sabem todos os que se reúnem em Fátima. Para o português, Deus santifica — mas, para o bom português, há santos e santinhos que despacham os requerimentos com mais celeridade do que a autoridade máxima. Por isso, pelo País fora, incluindo nas cidades, incluindo entre os doutos, corre solta a superstição e a irracionalidade taumatúrgica.

Todos dizem que os feriados são para descansar. Todos são tristes, pois. O trabalho de cada dia é que poderia ser um descanso, sinal de que tinha ficado bem feito. E devíamos passar os feriados em festa, chegando ao fim mais do que cansados: esgotados de tanto celebrar. Precisamos de um novo Céu, pois.

Obikwelu prova que é um português típico

Se há competição onde perder não envergonha, é nos Jogos Olímpicos. Perder é também uma festa, lá onde o melhor está em participar. Já desistir, mesmo a feijões ou a jogar à carica na minha rua, afecta o tecido e destino do Universo.

Não quero conquistar a medalha de prata, prata já tenho, o que quero é a medalha de Ouro”, disse o atleta em conferência de imprensa na capital chinesa.

Nunca estive em tão grande forma na minha vida”, afirmou Obikwelu em relação à prova dos 100 metros em Pequim, afirmando mesmo: “surpreenderei alguns adversários.”

Minutos depois de ter falhado o acesso à final, anunciava o abandono da carreira e a desistência da prova dos 200 metros. Quanto ao abandono, é lá com ele. Quanto à desistência, está a ir-me ao bolso. Este nigeriano com passaporte de Portugal que tem vivido e treinado em Espanha é, infelizmente, demasiado parecido com muitos de nós.

Assume the position

Em menos de 6 meses, a SEDES publicou duas Tomadas de Posição. A primeira, em Fevereiro, teve grande sucesso. Apareceu no auge das crises na Saúde e Educação, juntamente com os casos BCP, ASAE, Lei do Tabaco, licenciatura/casas Sócrates, criminalidade no Porto e desastre Menezes. Foi o período de maior patologia colectiva de que há memória na democracia, à excepção do PREC, com tudo o que era cão a ladrar de raiva; e até pilares como António Vitorino vergaram. A Posição de Fevereiro foi, porém, um mero acto de oportunismo, em nada contribuindo para a resolução ou esclarecimento fosse do que fosse. Serviu para simular uma importância que a instituição não tem, justificando mais uns almoços bem servidos, e melhor regados, para aquela rapaziada. A natureza bacoca desta inútil associação foi exibida para lá de qualquer dúvida com a Posição de Julho.

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É o Rosas, senhores


Toca na imagem para ler melhor as sensatas palavras dos leitores do Público digital

As declarações de Fernando Rosas despertaram a fúria da turbamulta, a mesma que o Bloco diz representar: as vítimas do Poder. Acontece que os oprimidos andam é à nora com os algozes do contrapoder: os ladrões, violadores e assassinos que medram na arraia-miúda. Num fenómeno que espero esteja a ser estudado academicamente, a edição digital do Público tornou-se o poiso preferido dos analfabrutos. Gente que nunca passou muito tempo na escola, que odeia livros, que não lê semanários nem diários genéricos, e que a ler nunca escolheria o jornal do Zé Manel, ei-los a encher as caixas de comentários da entidade que se delira como referência do jornalismo. Estes novos comentadores, febris, não perdem uma notícia contra o Governo, contra algum elemento do Governo e, em alucinação e orgasmo, contra Sócrates. E se esta maralha tem enchido a pança e lambuzado as beiças com os gordurosos pratos anti-Sócrates confeccionados pelo Zé Manel, olá se tem. É com este material espasmódico, que dantes não chegava aos jornais em papel porque era deitado para o lixo, que se fazem diagnósticos para entreter SEDES e fomes várias.

Mas voltemos aos espinhos. A reacção às declarações de Rosas é um hino à racionalidade das multidões. Muitos dos votos do Bloco têm vindo desta mesma zona do eleitorado onde só há cegueira e ressentimento, frustração e impotência. É o chamado voto de protesto, mas devia antes chamar-se voto que não presta. A adesão deste eleitorado ao populismo e demagogia que o Bloco, CDS e PCP continuamente promovem explica-se por não lhes ser pedido esforço cognitivo, só descodificação emocional. Eis porque os dirigentes e representantes desses partidos aparecem invariavelmente zangados, mesmo muito zangadinhos coitadinhos, quando fazem declarações. Eles sabem que o conteúdo da mensagem nem irá ser entendido, muito menos dará origem a qualquer reflexão, mas que os tontos irão perceber, pelo rosto macerado e admoestações veterotestamentárias dos profetas da desgraça, que a luta continua e recomenda-se.

Os partidos adoram estes rebanhos dóceis, mantidos a palha e ordenhados nas eleições. Perante um Governo que surpreendeu por cumprir o desígnio reformista, os irresponsáveis à frente dos partidos da oposição, mais os comentaristas engajados ou despeitados, e ainda os adeptos da josémanuelfernandização, juntos têm estado, desde o Verão de 2006, a atiçar a barbárie que o anonimato e pulsão dos comentários na Internet permite expressar. Por isso — e perante um caso de actuação policial que pede investigação interna e pesar para todos os envolvidos — ter um responsável político a arrogar-se o conhecimento técnico do episódio, pretendendo tirar dele ilações sistémicas, é o grau zero de credibilidade para uma geração que merecia melhor memória. Não há milagre que o esconda.

Jogos no Olimpo

Na fauna dos publicistas oficiais — esses que frequentam jornais, rádios e TV, trocando opiniões por dinheiro e/ou fama — há uns que se prestam com genuíno entusiasmo ao ridículo gabarola. São todos aqueles que botam faladura sobre política internacional. Dividem-se em dois grupos, e dois grupos apenas: os omniscientes e os lorpas. Os primeiros transmitem a ideia de estarem melhor informados do que os próprios agentes da situação em análise e conseguem antecipar o desfecho de qualquer berbicacho que lhes apareça à frente. Se discorrerem sobre o actual conflito na Geórgia, por exemplo, ficamos a acreditar que os EUA e a Rússia andam ali aos papéis e à espera do seu urgente conselho. Para o mesmo caso, os lorpas preferem citar enciclopédias e concluir pela impossibilidade da conclusão através de conclusões múltiplas. Ambos os grupos comungam de uma atitude nefelibata, condescendendo em lançar migalhas de superior intelecção para cima das audiências pasmadas.

Não tem mal, aborrece.