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O melhor blogue do mundo é apenas um dos 18 melhores em Portugal

O concurso Melhor Blog Português de 2007 merece a nossa atenção. Ao Fernando acelerou-lhe a veia ditirâmbica, esta causando no Daniel uma bizarra troca de identidades (chamar Yazalde a um Purovic), e a mim suscita-me uma declaração de voto: o melhor blogue do mundo é o Abrupto. À opinião já com mais de 1 ano, acrescento uma evidência: caso o Abrupto acabasse, a blogosfera portuguesa não ficaria a mesma. Quais são os outros blogues a poder reclamar tal efeito?

A maior parte das opiniões negativas que JPP desperta são inanes ou enjoativas imbecilidades, espasmos miméticos e primários. O inevitável prémio da sua popularidade. Uma salutar excepção veio do Paulo Querido, esfregando números nas barbas do Pacheco. Eu também me irrito com a sua inépcia em ser oposição, pois nele há (há?…) condições para alimentar a inteligência da direita-centro-esquerda, a tal zona onde se ganha o Parlamento. Mas o historiador ainda não percebeu a filosofia socrática, tendo apostado no cavalo errado da denúncia da suposta malignidade mui maligna do suposto engenheiro. Também não é claro que tenha ideias para vender ao público com visão, coisa bem diferente de ser escrevinhador na Visão* ou no Público. Adiante, pois nada disto compromete o apreço — na verdade, pasmada admiração — pelo constante trabalho de criação de comunidade que no Abrupto se faz; e como em mais nenhum lugar se vê sequer parecido. Basta referir que a participação dos leitores recebe o cuidado editorial de JPP, tanto para textos como para fotografias, naquilo que é gratuito serviço público. E basta lembrar a sua regular teorização, de cariz sociológica, do estado da blogosfera portuguesa. Como o homem é uma das maiores figuras do circo opinativo, o Abrupto foi, e continua a ser, uma das mais notáveis bandeiras deste nosso meio. Registe-se, igualmente, a alegria com que explora as funcionalidades tecnológicas e conceptuais dos blogues, respeitando-se a audiência no cuidado posto na animação e renovação dos conteúdos. O gosto pela ciência, e suas aplicações quotidianas e lúdicas, o sentimento de paixão pelo mistério cósmico, explicam mais das suas opções do que a dimensão ideológica. Por fim, a perseverança. Num meio dado a tanta efemeridade, tanto ataque narcísico que aniquila ou multiplica blogues, é de aplaudir a manutenção da entidade, e respectiva identidade, Abrupto.

É, pois, grotesco ver o Abrupto em 18º lugar na categoria Melhores Blogs Portugueses em 2007. E é absolutamente lunática a 10ª posição na categoria Política & Sociedade, atrás do Aspirina B (!!). Que quer isso dizer? Que todos os concursos são exercícios de resultado irrelevante. Num sistema por voto popular, há sempre uns maluquinhos que desequilibram a amostra em favor das suas preferências, repetindo votos e arregimentando votantes. E num sistema com júri, é a lotaria das idiossincrasias reunidas a tomar decisões arbitrárias. No caso deste concurso, os dois sistemas foram utilizados. Tudo explicado.

Espero, porém, que a iniciativa perdure. Pois permite descobertas. E o talento nunca é demais. Como o Abrupto prova à saciedade.

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* Como avisa o Fernando, JPP escreve na Sábado. Pormenor que não consegue molestar o meu notável trocadilho.

Cavaco, quero que tenhas mais cuidado com o que dizes

Cavaco disse que a actual presidência europeia, concluída por Portugal neste Dezembro, tinha sido um indiscutível sucesso. Tendo sido eleito em Janeiro de 2006 para súbdito do Presidente Cavaco Silva, é ponto de honra cumprir esse mandato o melhor que possa. Assim, tenho a obrigação de ajudar o meu Presidente — neste caso, rogando-lhe que pense antes de falar. Afinal, que coisa estrambólica é essa do indiscutível sucesso?

Quanto a indiscutível, não há qualquer discussão: estamos todos de acordo em não discutir o que é indiscutível. Mas quem de nós saberá, mesmo que no modo tímido-inefável de Santo Agostinho, o que seja o sucesso? Os romanos, claro, que consta terem sido especialistas em latim. Na sua engenharia linguística, empurraram o prefixo suc para junto do pospositivo cessus, criando mais uma ponte para o pensamento: successus. Tradução: o que acontece\cessus\cede, move-se a seguir\suc\próximo, depois. Em português corrente: sucesso é aquilo que acontece depois de alguma outra coisa, com ele relacionada pelo vector movimento, ter acontecido. Explicitando: há um acontecimento que, no seu desenvolvimento, gera outro acontecimento. É o que fica claro no conceito de sucessor: sucede como sucessor aquele que estiver relacionado, de alguma forma particular ou circunstancial, com o sucedido.

Ora, iluminados pela lição etimológica, descodificação telepática do pensamento profundo do orador, e crentes na intencionalidade política do Presidente, que raio quis o homem dizer? Isto: que não devemos discutir o facto de Portugal ter exercido a presidência da União Europeia no ano de 2007. E se bem o disse, melhor o cumpriu, nada acrescentando que permita atribuir-lhe opinião ou, tão-só, dizer-se que foi visto a passar perto de uma. E não custa compreender o porquê deste apelo ao silêncio: o Governo alcançou uma extraordinária vitória, deu corpo ao que se entende por excelência. Chega até a ser incomodativo nada haver a apontar como falhanço nesta presidência. Tal como perturba, ao ponto de causar enjoo, contemplar a logística diplomática e organizativa necessária para realizar todas as complexas tarefas na agenda. É um feito político nunca visto em Portugal desde há séculos, uma prova de virtude, de virilidade. E que, ao arrepio da mensagem do Presidente, devia abrir imediato espaço de questionamento: se isto foi possível, que mais poderemos fazer por Portugal, fazer uns pelo outros, aqui e agora, no presente para o futuro e apoiados no vitorioso passado?

Na visita à Guarda, neste Novembro, Cavaco foi interpelado por um popular que lhe pedia soluções para a crise económica e social na região. Às rádios, o Presidente daquele português confessou não saber o que lhe dizer. Ou melhor, não ter nada para lhe dizer. Dias depois (26 de Novembro), Santana, na TSF, louvava o passeio à Guarda e maldizia o investimento do Governo em estradas no e para o Interior. Terminava a rábula, o biltre que estaria a aplaudir as mesmíssimas estradas fossem elas obra do PSD ou sua, ligando novas vias em regiões desfavorecidas com decadência nacional. E, na sua voz de quem quer cagar e não consegue, anunciava revolta a sério.

Estou disposto a deixar passar a vergonha de não ter sabido o que dizer ao meu patrício, com a condição de se arrepender, mas não admito que o meu Presidente deixe em silêncio uma declaração asquerosa como a de Santana — ameaçando, cobardemente, a democracia com revoltas de difuso contorno. Porque um Presidente não tem de governar, nem de interferir na governação. Governar é amoral, cínico, calculista. Ao Presidente exige-se, antes, que seja um probo, um sage e um bravo. E isso obriga a dar açoites aos meninos-pantomineiros.

Portanto, Cavaco, tem cuidado com o que dizes. Mas tem mais cuidado com o que não dizes.

Metrónomos

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Hoje, dia da assinatura do Tratado de Lisboa, a rede do Metro está aberta ao povo. Oportunidade para me recordar de uma das várias ideias brilhantes que tenho desenvolvido para futura, mas inevitável, glória. Consistiria em passar música nos altifalantes das carruagens. De tão simples, é desesperante ainda ninguém se ter lembrado: o sistema já existe, só falta dar-lhe uso. E quais as vantagens? As óbvias dizem respeito ao estado anímico da população, o serviço de musicoterapia: o deprimido ganhando ânimo, o ansioso recuperando a calma, o paranóico esquecendo-se da perseguição, o bipolar encontrando um equador, o esquizóide finalmente em harmonia com a realidade onírica. Toda esta massa laboral chegaria ao emprego em condições de render o máximo ao serviço do patronato ou do público pagante de impostos. Notas para o Orçamento Geral do Estado, o PIB a cantarolar feliz.

Comigo à frente do Metropolitano de Lisboa, ou do Metro do Porto, esta genial ideia receberia um genial acrescento: cada carruagem teria um tipo de música diferente. Possibilidade de escolher a música consoante o biorritmo ou a panca de ocasião, mas também a socialização facilitada, cada outro ao nosso lado um pouco menos estranho; de interior sonoro, ou até canoro. Teríamos era, democraticamente, de referendar os géneros musicais e artistas a escutar, dada a limitação de unidades transportadoras. Qualquer utente com título de transporte válido, independentemente da sua estação de embarque ou destino, poderia votar a cada 4 meses (ou assim). Eu votaria para a existência das carruagens da Amália, da música folclórica alentejana e do Max. Depois, ganhando ou perdendo, o resultado seria sempre música para os meus ouvidos.

Com o tempo, correria mundo a lenda de uma cidade onde os seus habitantes dançavam debaixo do solo. Dançavam a caminho do emprego. Dançavam a caminho de casa. Dançavam porque iam daqui para ali. E, roído de curiosidade, pela primeira vez um deus desceria à terra só para andar de Metro.

Ai podes, podes

Podemos trocar de sofrimento? Se todos precisamos de mudar, nem que seja para acompanhar as alterações inerentes ao viver, ninguém o precisa mais do que as mulheres. A sociedade e a biologia constrangem as mulheres em modos que escapam à percepção masculina, nuns casos, e que favorecem o poderio do macho, noutros. Herança da animalidade, fase intermédia no processo de criação do humano, mas absurdo destrutivo a pedir urgente revolta. Diferenças salariais, maior desemprego, promoções profissionais dificultadas, afastamento do palco político, discrepâncias no conhecimento médico, ignorância das especificidades psicológicas femininas, redução à sexualidade consumista dos machos, violência doméstica, crimes passionais, eis algumas das ignomínias com as quais convivemos cúmplices ou entusiastas. E não vale a pena esperar pelos homens para modificar a situação, pois ela lhes é favorável; de resto, os homens são estúpidos, nada entendem do universo feminino. Terão de ser as parvas das mulheres, a partir do seu corpo e casa, a resgatar a Humanidade. A partir da sua justíssima e salvífica raiva – ou seja, da sua vontade; a única dimensão onde mulheres e homens são absolutamente iguais.

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Cincar

É uma daquelas coisas perfeitamente inúteis. Fotografia obsoleta na própria revelação. E testemunho estranho ao gosto dos outros, desasado, soporífero. Mas como veio da zazie, e é uma estreia para mim, alinho:

The Sun Shines Bright – John Ford

Chelovek S. Kino-apparatom – Dziga Vertov

Mr. Smith Goes to Washington – Frank Capra

La Dolce Vita – Federico Fellini

Recordações da Casa Amarela – João César Monteiro

Passo-o às seguintes individualidades, embora desconfie que estejam ocupadas demais para entrar na brincadeira:

Bass, Bernard, Eva, Archibald, Hitch

Que pena

140 anos de orgulho pátrio tiveram duas celebrações gloriosas: a moratória aprovada na ONU, em Novembro, e o Dia Europeu, aprovado agora. Dá-me ganas de ir celebrar para as ruas, marcar jantares com amigos, embebedar-me e fazer inflamados discursos. Porque a pena de morte é uma aberração ou, tão-somente, uma imbecilidade letal. Aliás, todas as imbecilidades matam, mesmo que não tão depressa.

Pois. Mas dá-se o caso de estar em Portugal. E como é que um português, que ama Portugal, pode expressar o seu entusiasmo pelo excelente e honroso trabalho de um grupo de compatriotas que volta a pôr a nossa memória, e a nossa identidade, no ponto mais alto da Civilização? Por uma equipa de futebol, enchem-se as cidades em festa e todos os políticos correm para a fotografia. Por estes marcos históricos, que dignificam as gerações passadas e as futuras, apenas palavritas de circunstância – ou um silêncio repleto de nojento desprezo.

Muitos nasceram em Portugal, vivem em Portugal e em Portugal se arrastam. Mas não são portugueses. Que pena.

Oposição à oposição

O Verão de 2004 foi o período mais triste da democracia portuguesa. Durão pirava-se do Governo e do País, deixando o seu nome pelo chão, Barroso. Manuela Ferreira era Leite azedo para o PSD, amargo que levou à doidivanas promoção de Santana flopes. A cassete de Carvalhas tinha a fita gasta. Portas fechavam-se no CDS à inteligência e à relevância. No PS, Ferro era dobrado e enfiado na Pia. Todos esperavam o regresso Vitorino do António, mas ele não tinha verga para salvar o navio. E Sampaio concordou com o naufrágio, oferecendo-nos o pior Governo pós-Invasões Francesas de que se conservam actas; o qual ainda conseguiu o miraculoso feito de ter durado 5 meses – mas não se sabe como, tantas eram as histórias inacreditáveis, difundidas pelo próprio círculo tribal de Santana, exultando com a pulsão estroina do pantomineiro. Nesse período, Sócrates assumiu o destino que há muito era evidente ser seu. Para nossa felicidade.

Antes, já tínhamos assistido a várias debandadas que confirmavam o diagnóstico: a Revolução dos Cravos continuava encravada. Sá Carneiro foi imolado não se sabe ainda hoje porquê. Com Soares, o Poder queria-se oligarca, hippiecrisia instalada, social-cinismo. O Bochechas era popular, era a bifana e o coirato, mas também a pataca Moderna, o tio da América, as amizades inflacionadas. A leste dos acontecimentos, o monolítico Eanes fazia renovações de 360 graus, tendo existido apenas para levar Anibal à 1ª maioria absoluta. E absoluto foi o deserto cultural e cívico do cavaquismo, o império dos patos bravos e dos bravos que nos comiam por patos. Cavaco permitiu que a máquina salazarista voltasse a funcionar em pleno, agora à custa de novos colonizados: nós, pela Europa. Depois, embuchado por não conseguir mastigar o cavaquistão, arrotou o partido. Queria um emprego com menos reuniões e colegas de melhor higiene ética, mas onde se continuasse a viajar pelo Mundo em grupos animados. Conseguiu-o após uma década de espera, deixando Guterres ser o bálsamo que a Nação esfregou, sôfrega e calada, nos cartões de crédito. Sete anos depois, apaixonadamente educados na arte de tudo gastar, o consumismo médio da classe baixa era alto demais – e o seu peso abriu um pântano na coragem do simpático engenheiro. Trocava-se de funâmbulo: saía um ordinário, entrava um mauista.

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Jean-Jacques Lequeu, 1757-1826

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Desconfio que a celebração dos 250 anos do nascimento de Lequeu seja feito único em todo o Mundo. É uma suspeita nascida unicamente da minha imaginação; e, se estiver enganado, rogo para que me deixem ficar nessa ilusão. A quem não conheça, recomendo uma Cocanha antes de se entrar no armazém do artista. O seu portefólio está repleto de preciosidades, algumas que até se parecem com arquitectura.

A vulva em exibição, das várias desenhadas por Lequeu, cativou-me por duas razões. Primeira, por ser um olhar obsceno que está destituído de moralidade. O que o torna numa abstracção somatizada donde desaparece qualquer intenção. O que se mostra vale pelo que se vê, não pelo que provoca como visão. Segunda, pelo traço com que se desenham os pêlos púbicos, criando uma textura irreal e contrastante. Arco vegetal ataviando a lapa de mármore.

Há quanto tempo não danças?

Estava para começar este texto com “As pessoas dividem-se em dois grandes grupos, as que […]”. O meu daimon avisou-me, a tempo, do duplo erro. É que as pessoas não se dividem, mas juntam-se. Em pequenos grupos. Para dançar. E há quanto tempo não danças?

Sonho com uma Escola onde, ao se concluir a escolaridade obrigatória (e tudo o que é bom deve ser obrigatório, que ninguém se engane), os alunos denunciem à polícia quem conduza alcoolizado, se tornem viciados em teatro e odeiem aqueles que deixam entulho nos baldios e lixo nas praias, ao ponto de lhes querer bater com alguma força para lá da necessária. São estes apenas alguns exemplos de critérios de sucesso escolar que eu irei impor ao País logo que tenha esse poder. Um outro critério é o de saber que a vida é para ser levada a dançar. Quem não dança, sofre. E pode dar-lhe para escrever. Quantas cartas, quantos livros, quantas carreiras de escrevinhador público (quantos blogues!), teriam sido evitados — com proveito próprio e geral — se os seus autores tivessem ido dançar em vez de se terem posto a escrever mal amanhadas lengalengas? É que a escrever, nada resolvem. E depois dá-lhes para escrever ainda mais. É desgraçado.

Portugal está numa gravíssima carência dançarina. A sempiterna crise — que é moral, antes de ser política e económica — dá-nos baile também porque já não bailamos. Os nossos avós e bisavós e tetravós, os mais rurais, com quase nada para pôr em cima do corpo e do prato, alegravam-se nas festas de uma forma plena, sublime, erótica. Dançavam e cantavam; ao longo do ano e do dia. Nós, em comparação, usamos a abundância para privarmos o corpo da sua liberdade, para vivermos empanturrados e saciados de miséria corporal. É que um corpo que não dança, não fala. E se não fala, não ama.

O que mostro não é dança, é cinema. Cinema que dança. Duas das minhas obras-primas favoritas, de toda a arte do século XX, cabem em poucos minutos e têm Cyd Charisse a lembrar-nos que as pernas também servem para nos levar para perto. E cada vez mais perto. Levarem-nos para a dança, para o espaço que se atravessa com o corpo a puxar pela alma — ou seja, para aquilo que em nós ainda está por chegar. E que sempre estará a dançar connosco.

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Não sei que título hei-de dar a isto

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Uma mulher com este rosto adorável, de sua graça Margaret Heffernan, tem de dizer coisas e loisas muito certas. Em especial para um português a trabalhar em Portugal. Porque nós, os portugueses a trabalhar em Portugal, temos em 157% a probabilidade de estarmos sob a alçada de um palhaço qualquer que mergulha de cabeça no perfil de incompetências aqui caracterizado. Trabalhei com um patrão que exibia as 10 pechas apontadas, mais umas 20 não referidas. Ou seja, trabalhei a mando de um típico, normal, mediano, banal, comum gestor português. Esta alimária (Inertissimus Administratoris Lusitanus) não percebe a ponta de um neurónio de relações humanas e dinâmica de grupos. No fundo, desconhece por completo o que é uma pessoa — e não tem ninguém à sua volta com o discernimento e coragem moral (às vezes, também coragem física) para lhe dizer que ele, ou ela, é uma autêntica besta. A baixa produtividade nacional tem a sua primeira causa na alta imbecilidade de quem dirige, como os nossos emigrantes confirmam em todo o cu do Mundo.

Chamo a atenção para o último ponto, o qual é o mais importante de todos (para mim; e talvez para a autora, por encerrar a diatribe). Voltarei a ele em breve, pois relaciona-se com uma nova concepção do trabalho que remete para este salto civilizacional que estamos a dar, e onde seremos todos intelectuais, cientistas e artistas, no próximo paradigma económico — quer te dês conta disso ou continues a olhar para o palhaço.

Feios, porcos e maus cidadãos

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Trabalho frente a frente com um grafiteiro, dos seus vinte e tantos anos. Excelente pessoa. Tirando isso, é um cabrão da pior espécie. Porque emporcalha a cidade. Sonho com o dia em que os grafiteiros sejam levados para o Campo Pequeno em camiões, imaculados camiões, de um COPCON cuja missão fosse a de impor a ditadura do belo. Lá, seriam obrigados a ouvir a obra completa de Claudio Monteverdi, as vezes necessárias até se arrependerem e assinarem papéis variados ou desmaiarem exaustos, ficando com mazelas incuráveis a servir de exemplo.

Qualquer grafiti é uma violação do nosso direito a viver a cidade em liberdade. É uma fealdade que se pode apagar. E deve.

Pussy


Que querem as mulheres?, perguntou bovinamente Freud, famoso cocainómano do século XIX. A resposta é tão antiga quanto a realeza do Antigo Egipto: querem gatinhos. De tal maneira que um dos truques mais baixos para captar visitas num blogue é publicar um vídeo com gatos. Aparecem logo mulheres excitadas com as criaturas, arrastando outras criaturas excitadas com as mulheres. Felizmente, aqui no Aspirina ainda ninguém teve o mau gosto de recorrer a tamanha obscenidade.