Todos os artigos de Valupi

Jaime Nogueira Pinto, esta é a tua grande oportunidade

Jaime, os taralhoucos que te ofereceram a magnífica oportunidade de fazeres cabeçalhos e dares entrevistas, para mais gerando um consenso unânime a teu favor e contra as alimárias sectárias, ficarão para sempre no teu coração, sabemos. Mas venho pedir-te para que não desperdices a belíssima oportunidade de dares uma lição de liberalismo ao País (que bem precisa, como tão bem sabes). Para tal, basta que agradeças aos partidos, universidades e quem mais ofereceu instalações e lhes digas que já escolheste: irás dizer o que não disseste na Nova dentro da Associação 25 de Abril. E aproveitarás para acrescentar uns rasgados e sentidos elogios ao que os portugueses alcançaram, em festa, no 25 de Abril de 1974. Porque esse dia está na nossa História, talvez, como o dia em que o espírito liberal mais se fez corpo e alma de Portugal.

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Uma ideia revolucionária para os tempos que correm: direito à privacidade

O TRL considera que o livro "viola o direito à reserva íntima e privada".

"Na verdade se o fim de quem escreve ou informa não extravasa o simples domínio do privado, sem qualquer dimensão pública, o direito à reserva da vida privada não pode ser sacrificado para salvaguarda da liberdade de expressão e de informação", refere o acórdão.

O Tribunal da Relação de Lisboa sustenta também que se trata da "vida pessoal e íntima, sem qualquer relevância social", sendo "a ela e não a outrem que compete decidir o que torna público ou o que quer manter em segredo".

Para os juízes do TRL, Isoleta Almeida Costa, Octávia Viegas e Rui Ponte Gomes, a descrição feita no livro é "uma evidente invasão da zona da vida privada da requerente, e nesta, parcialmente, na sua esfera íntima".


Tribunal da Relação de Lisboa ordena recolha de livros de José António Saraiva

À polícia o que é desta Justiça

Joana Marques Vidal anunciou a abertura de um inquérito por “eventual violação do segredo de justiça” resultante da publicação de supostas declarações de Ricardo Salgado e Hélder Bataglia ao serem interrogados pelas autoridades. Que se irá passar a seguir? Se o passado servir para prever o futuro, nada de nadinha de nada. Ocasião para fazer perguntas:

– Quantos inquéritos já foram abertos por violação do segredo de justiça na história do Procuradoria-Geral da República?
– Onde é que se podem consultar os resultados? Existe tratamento estatístico dos resultados?
– Quantos inquéritos conseguiram identificar os responsáveis pelas violações?
– Se algum inquérito alguma vez conseguiu identificar algum responsável, ele chegou a ser punido? Se sim, de que forma?

Esta problemática não tem no sistema político, na arena partidária e na comunicação social qualquer paladino, apesar dos fogachos deste e daquela. A sociedade portuguesa convive amansada e risonha com este tipo de crimes. Aliás, esta particular actividade criminosa está institucionalmente aceite como vantajosa para os poderes fácticos, pois algumas das violações são de imediato integradas – ou seja, lavadas, como se faz ao dinheiro ilegal – no ecossistema mediático. É assim que vemos o Ricardo Araújo Pereira ou o Paulo Baldaia, para dar dois exemplos que chegam e sobram, a usar o resultado dos crimes alheios nas suas actividades profissionais, sancionando-os como social e culturalmente legítimos. Ou seja, há muita gente a ganhar dinheiro com a actividade criminosa dos criminosos que pertencem aos quadros da Justiça portuguesa.

Quando calha falar-se do assunto e na conversa aparece um representante dos magistrados do Ministério Público, ouvimos sempre a cassete onde a culpa é dos arguidos, através dos malandros dos advogados, e onde os procuradores é que ficam a sofrer, coitadinhos, por causa desses segredos derramados na via pública. Claro que tal também pode acontecer, mas o problema não está aí seja pela quantidade ou relevância. O que está em causa é uma prática onde aqueles a quem pagamos para defender e aplicar a Lei a estarem a infringir impunemente. Isto é, não só os crimes são cometidos por agentes de Justiça mas ainda por cima acabamos a ser gozados por quem devia estar na linha da frente do combate ao que é um escândalo que põe em causa o Estado de direito. Porque é simples: se os crimes de violação do segredo de justiça se repetem sistematicamente – como a “Operação Marquês” é disso o exemplo supremo – então os criminosos em causa sabem-se completamente protegidos para repetir quando e como quiserem as acções ilegais. E se cometem estes crimes tão públicos, os quais igualmente envolvem a cumplicidade de jornalistas, sem o mínimo receio de serem apanhados, que outros crimes não cometerão lá onde nem sequer precisam de ajuda de colaboradores externos e a coberto dos holofotes mediáticos?

Perante esta realidade, que talvez até tenha repercussões em matérias de segurança nacional, assistir ao silêncio dos nossos representantes políticos, da chamada “imprensa de referência” e da sociedade em geral resulta numa lucidez implacável onde todos os poderes estruturantes da vida comunitária surgem unidos numa coreografia farsante e torpe.

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Revolution through evolution

Living with Children May Mean Less Sleep for Women, but Not for Men
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Dietary prebiotics improve sleep, buffer impacts of stress, says study
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Watching birds near your home is good for your mental health
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Lessons From Innovation Catalysts: Can They Help Us Thrive in Uncertain Times?
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The making of music
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Do you look like your name? People can match names to faces of strangers with surprising accuracy
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Study finds participants feel moral outrage toward those who decide to not have children
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Milagre na oposição, precisa-se

Em relação à perspectiva taumatúrgica de Teodora Cardoso, o relatório impiedoso de Louçã faz doutrina: Do milagre segundo Teodora Cardoso aos offshores. Porém, a Nicolau Santos deve-se o mérito de chamar a atenção para a pulhice em curso: Em defesa de Teodora Cardoso.

A pulhice consistiu em retirar do contexto o uso da palavra milagre, a um ponto tal em que a responsabilidade pela introdução do termo na situação mediática que o regista, o qual surgiu pela iniciativa de um jornalista, se transfere para Teodora Cardoso, esta limitando-se a corresponder de boa-fé ao sentido da pergunta e sua conotação metafórica e/ou irónica. A pulhice ganhou peso com os comentários sarcásticos do Presidente da República e do primeiro-ministro, os quais tiveram graça num assunto onde ela não cabe, a deturpação das palavras, da imagem e do nome de alguém, seja essa pessoa quem for e, por maioria de razão, tendo responsabilidades públicas.

Isto recorda-me de um caso similar ocorrido com Maria de Lurdes Rodrigues, o qual se inscreveu na cultura política da pulhice a que a nossa decadente direita recorre por vocação e miséria. Numa comissão parlamentar, um deputado do PSD (se não me falha a memória) referiu-se às obras da Parque Escolar usando a expressão “foram uma festa”. Ali, o referente era irónico e negativo, intencionando ser uma provocação e uma ofensa. Na resposta, a ministra da Educação ao tempo deixou-se tomar pela emoção, indignada com a postura de baixa política do deputado, e pegou na mesma expressão para virar a arma para o atacante, dizendo algo como “Sim, foi uma festa” e de seguida elencando os benefícios que, na sua opinião, tais investimentos tinham trazido para as escolas, para os alunos e para o País.

Na direita, na esquerda, no Parlamento, nos jornais, nas televisões, nas rádios, na Internet, nos táxis, em qualquer recanto onde dois broncos trocassem perdigotos, a ideia de que Lurdes Rodrigues se tinha lembrado de descrever as obras nas escolas como uma festa foi repetida alarvemente milhares de milhões de vezes. Podemos reconhecer que o fenómeno é normal e inevitável do ponto de vista sociológico, psicológico e antropológico. A política é um terreno onde, excepções confirmando a regra, as emoções dominam as cognições e onde a pulsão para destruir o adversário se sobrepõe ao bem comum e à defesa da civilização. Logo, será banal constatar que as oposições jamais deixariam de aproveitar o flanco deixado imprudentemente a descoberto de uma ministra tão fácil de diabolizar precisamente por ser politicamente tão corajosa e tão representativa da coragem de Sócrates como chefe do Governo. Igualmente o ataque a algo incontestavelmente benéfico para a comunidade, a melhoria das instalações escolares no sistema de ensino público, ficava servido de uma munição para a qual não havia defesas pois permitia o berreiro animalesco que destruía qualquer possibilidade de racionalização, aferição e discussão sobre o que estava em causa.

Nestes últimos meses em que a direita decadente tem explorado o caso inconsequente e despachado de um administrador bancário que tentou garantir certas condições pessoais na CGD e viu as suas pretensões goradas por causa do poder da Lei, vários comentadores têm divulgado a posição de que tal, apesar de não passar de baixa política que nenhum benefício traz para os cidadãos e suas preocupações, era inevitável. PSD e CDS estavam a fazer o que tinham de fazer, garantia a elite da opinião publicada, porque a política não passava disso, de uma constante guerra civil onde valia tudo para enfraquecer os adversários e conquistar o poder, inclusive formar uma comissão de inquérito para espiolhar SMS relativos a um assunto já metamorfoseado numa comédia do absurdo. Será que estes cromos, actualmente à frente dos jornais que restam ou com assento nos estúdios de rádio e televisão, têm razão? Não. Zero. Eles são parte do problema, eles e o seu cristalizado cinismo nascido da falta de magnanimidade e da defesa feroz do estatuto e privilégios adquiridos, posto que não combatem pelo fim deste modo disfuncional de usarmos a democracia.

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Jacuzzi, uma carta para o Pacheco

Na minha também longa vida, e não só politica, sempre achei que se alguma dúvida existisse sobre o sr. ex presidente, entre outros, ela nunca seria objecto de grande atenção, investigação ou propagação pela comunicação social. Aliás sempre pensei que seria exactamente ao contrário. Nesse aspecto, também eu, não me enganei. Nem um bocadinho.


Sócrates

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Em 2009, em cima das eleições legislativas e autárquicas, foi lançada uma golpada político-mediática que tinha como finalidade prejudicar o PS nessas votações. Essa golpada, ainda durante o período oficial da campanha eleitoral para as legislativas, foi exposta através de provas documentais que permanecem incontestáveis. A origem do estratagema era a Casa Civil da Presidência da República, a única dúvida que permanecia dizia apenas respeito ao grau de responsabilidade do próprio Presidente da República. Após o discurso de 29 de Setembro desse ano, supostamente para esclarecer a posição presidencial a respeito dos acontecimentos e que acabou por ser um dos momentos mais inenarráveis, degradantes e sonsos na carreira política de Cavaco Silva, qualquer interessado na questão encontrava uma solitária conclusão ao dispor da sua inteligência: o Presidente da República tinha participado na golpada eleitoral.

Este é um caso em que, até sem o recurso ao que foi revelado a respeito dos mandantes e agentes do embuste, somos conduzidos pela lógica para a solução do enigma. A 18 de Agosto uma inaudita bomba é lançada pelo Público: o Presidente da República suspeita que está a ser vigiado e escutado pelo Governo. Que se seguiu a uma suspeita que punha em causa os alicerces do Regime e era combustível para um clima de guerra civil? Pois nada. Não aconteceu rigorosamente nada durante 10 dias, excepção para a imediata exploração que PSD e CDS fizeram da calúnia. Só então Cavaco resolveu abrir a boca, mas não para extinguir o caso, antes para o manter na agenda. Ao dizer que acompanhava a situação mas fingindo desvalorizar o episódio, e chutando para depois das eleições o seu esclarecimento, Cavaco transmitia a exacta ideia de que estávamos perante uma invenção ao serviço da perversão da campanha eleitoral e da votação, daí não ser necessário actuar adentro dos seus poderes constitucionais como seria obrigatório que actuasse sendo o boato fundado em qualquer laivo de realidade. Três semanas depois, a poucos dias da votação, o DN publicou um relato baseado em provas que expunha a cabala. Que fez então Cavaco no confronto público com a verdade? Continuou a mentir, dizendo que estava realmente preocupado com questões de segurança, queimando Fernando Lima de forma a que não se queimasse a si, e deixando ir o eleitorado às urnas com essa grotesca suspeita tendo feito o seu caminho mediático e social sem nunca ter sido desmentida e continuando a pairar como avantesma que foi explorada ao máximo.

Na altura, pensei que Cavaco iria ficar com a reputação tão estraçalhada que não iria concorrer para o segundo mandato. Achava que nós, portugueses em Portugal com direito de voto, tínhamos um mínimo de respeito próprio e que, portanto, mesmo que Cavaco concorresse a sua derrota estava garantida. Fosse contra quem fosse. Isto porque a coisa era simples: ter um Presidente da República a cometer um crime de atentado contra o Estado de direito – é disso que se trata, senhores ouvintes – corresponde àquele limite que separa as repúblicas onde vigora a lei democrática das repúblicas das bananas. Só que basta olhar para os nomes que constituíram a comissão de apoio eleitoral de Cavaco nas eleições de 2011 para nos sabermos numa entidade colectiva onde a gana do poder pelo poder sobrepõe-se ao discernimento e à decência. Todas aquelas pessoas, sem excepção, tomaram conhecimento da real conspiração presidencial e, apesar disso, foram cúmplices da reeleição de alguém absolutamente indigno para ocupar o mais alto posto do Estado (ou qualquer outro, pelo menos sem que primeiro tivesse sido julgado e condenado pelo crime em causa).

Nós, os ingénuos, sofremos muito mais do que os cínicos, calafetados estes pela miséria moral onde se embrulham e a que passam a chamar mundo. Mas os ingénuos têm uma vantagem, ou que seja tão-só um penacho, que justifica todas as agruras a que ficam condenados: estão sempre a aprender – como dizia Sólon de si próprio, um dos venerandos patriarcas para todos os apaixonados pelo Estado de direito. E é preciso ser-se mesmo um grande ingénuo para elevar a lei abstracta e comunitária acima da fúria ideológica e tribal.

Ninguém no sistema partidário, à esquerda ou à direita, quis assumir as dores e o vexame da República na “Inventona de Belém”. A Procuradoria-Geral da República não viu motivo para intervir, até porque teria de ser o Parlamento a fazer a denúncia dado tratar-se do Presidente da República. A imprensa estabeleceu uma omertà que dura até ao dia de hoje, sete anos e meio passados. Os governantes e dirigentes socialistas ao tempo nada podiam fazer, pois estavam em cima das eleições e eram a parte fraca, o saco da porrada. E assim continuaram, indo para um Governo minoritário que foi queimado por Cavaco até às eleições presidenciais em 2011. Logo que foi reeleito, e no acto solene da tomada de posse na Assembleia da República, Cavaco apelou ao derrube dos socialistas por todos os meios, inclusive pela rua. A aliança negativa que chumbou o PEC IV fez-lhe a vontade. Foi a conclusão do mesmíssimo plano do qual a golpada de 2009 faz parte.

Cavaco podia ter continuado sem nada dizer a respeito do assunto, um assunto onde o País é cúmplice do crime ocorrido, mas como o seu sentimento de impunidade é total veio mentir mais uma vez. Nem sequer a confissão, também em livro, de Fernando Lima o travou. O desplante alucinado do que fez explica a reacção acabrunhada da direita, onde só os mais sordidamente fanáticos aparecem a louvar Cavaco pela desgraça ética onde está enterrado. Para piorar, um dos principais envolvidos na inventona, José Manuel Fernandes, também mente desbragada e impunemente, nem sequer sabendo o que o seu jornal realmente publicou e deu a publicar. Mentiras dos dois que não só rivalizam como chegam mesmo a superar as de Trump.

Ao ter vindo falar do caso, e ao fazê-lo do modo como o fez, Cavaco deu a Sócrates uma das melhores presenças mediáticas dos últimos anos. Essa exposição, frente a uma Judite de Sousa sem condições deontológicas e cognitivas para o papel de entrevistadora daquela figura a respeito deste caso, foi anulada mediaticamente nas horas e dias seguintes dado que nenhum dos fazedores de opinião, seja em jornais ou televisões, quer tocar no assunto. E não querem porque o que Sócrates disse é à prova de estúpidos.

Quando Vasco Pulido Valente, que não tinha de espetar essa lâmina para continuar a zurzir no seu ódio de estimação, escreveu “ele não gosta de escândalos como o escândalo das “escutas”, que vários peritos dizem que ele próprio inventou.” foi ultrapassado o Rubicão. O crime de Cavaco foi oficialmente proclamado como uma evidência, e as provas foram fornecidas pelo próprio. Só que nada lhe vai acontecer, porque o País prefere continuar a proteger Cavaco mesmo quando o que fez nos conspurca a todos.

Pacheco Pereira foi um dos mais activos e poderosos cúmplices de Cavaco na “Inventona das Escutas” e não só. Em cima das eleições de 2009, Pacheco andava desaustinado a dizer aos jornalistas que a seguir à votação se iriam descobrir os monstruosos crimes de Sócrates, e que se Cavaco não dizia mais a respeito disso era só porque não o podia dizer naquela altura, a poucos dias do escrutínio. O Pacheco continuaria nos meses seguintes a repetir essa cassete, e conseguiu fazer-se deputado para se enfiar numa saleta e escutar o que a espionagem a Sócrates nas conversas com Vara tinha recolhido. Saiu de lá a cuspir umas inanidades de imediato desmentidas pelo deputado comunista João Oliveira que se tinha prestado a exercício igual. De lá para cá, o Pacheco vestiu a toga de juiz do Regime e da sociedade, enchendo a boca com tiradas moralistas e morigeradoras a bem da Nação e seus costumes, mantendo a sua obsessão por Sócrates bem anafada e rosadinha. Pois bem, Pacheco, conta lá: não tens nem meio pingo de vergonha nessas barbas e nessa pose de cagão chico-esperto, pois não?

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Um par de jarras à sombra

Pedro MexiaQuando Paulo Rangel inventou essa expressão ["asfixia democrática"] havia alguns casos, nomeadamente respeitantes à liberdade de imprensa, que eu acho que faziam algum sentido.

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Pedro Mexia Acho que quando ela apareceu, cunhada por Paulo Rangel, fazia algum sentido...

João Miguel TavaresTira lá o algum!

Pedro Mexia... fazia sentido, sim!...

Governo Sombra

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Em 2007 – 2 0 0 7 – Paulo Rangel, num discurso na Assembleia da República onde se celebrava o 25 de Abril – 2 5 d e A b r i l – acusou o Governo e a sua Maioria de serem os causadores de um estado de “claustrofobia democrática”. Esta expressão viria a ter um fulgurante destino, tendo sido usada com toda a força na campanha da direita em 2009, então transformada em “asfixia democrática”, e ainda em 2011, 2015 e 2017. Provavelmente, e enquanto PSD e CDS mantiverem lideranças decadentes, a expressão continuará a ser usada como tropo folclórico sempre que esta direita estiver na oposição.

O sucesso da fórmula deve muito, se não for tudo, ao nó cego conceptual mergulhado numa calda de irracionalidade onde medra. Claustrofobia? Claustroquê? E democrática? Portanto, legítima? Mas, ‘pera aí, claustrofobia? É mesmo essa a palavra que querem usar? E asfixia? Asfixia porque a direita em 2007, em 2008, em 2009, em 2010, em 2011, em 2012, em 2013, em 2014, em 2015, em 2016 e nestes dois primeiros meses de 2017 dispõe de um império ao seu serviço na comunicação social, não havendo memória de qualquer dos seus direitos cívicos e políticos ter sido diminuído, sequer ameaçado? A mera sugestão de que o país da Impresa, da Cofina, da TVI do casal Moniz, do Público do Zé Manel, do DN do Marcelino, da TSF do Baldaia, da Renancença, do Sol e da RTP da Judite de Sousa e do Rodrigues dos Santos acolheria passivo e débil a pressão de um Governo socialista para beliscar as liberdades de imprensa e de expressão é hilariante ou demente ou ambas. No entanto, a direita portuguesa enfiou-se de cabeça nessa estratégia para as eleições de 2009, com os resultados conhecidos.

Na última edição do Governo Sombra, logo ao início, há um diálogo em que o Pedro Mexia reconhecia que o programa não passava de um exercício de chicana, ideia que provocou o protesto do João Miguel Tavares. O clima do trecho era de tranquila bonomia, mas deixava ver características importantes dos protagonistas. O Pedro intelectualmente honesto, lúcido, e o João fanático, pacóvio. Mais à frente, temos o paleio que cito acima. O Mexia está a justificar o uso político de uma imbecilidade sem revelar que casos são esses que lhe dão sentido. O Tavares comporta-se como cão de fila, mordendo-lhe as canelas para que ele seja tão sectário e bronco como a sua augusta pessoa.

Do JMT nada há a esperar. É apenas alguém que tem conseguido encher o bolso neste meio da indústria da calúnia, repetindo os clichés do populismo do tempo. Mas quanto ao PM há mais para contar. Ele igualmente se alimenta da indústria da calúnia, só que pretende passar por intelectual. Isto é, acerca do Mexia podemos ter alguma confiança de que lê livros, coisa que o seu colega do lado esquerdo não oferece. Isso leva-o para um currículo que ostenta os tais livros da sua autoria, artigos do foro literário às carradas, a Cinemateca, isto e aquilo, e agora a função de consultor do Presidente da República. É um fulano influente, importante, pelo menos muito mais importante e influente do que a minha vizinha do 4º esquerdo.

Eis a cena: aposto os 10 euros que tenho no bolso em como este senhor não seria capaz de apontar sequer um caso para justificar a retórica primária da claustrofobia/asfixia que, em 2017, continua a usar para difamar adversários políticos. Qual a importância disso? A que cada um quiser dar. Com este apontamento: quão mais cultos formos menos tolerantes seremos com a hipocrisia sectária das vedetas.

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Baldaia’s effect

Paulo Baldaia publicou um texto onde aparece cheio de razão, boas intenções e até sentimentos: Com base numa mentira não há opinião, há mentira. Opinião irrepreensível, só lhe podemos agradecer pela salubridade injectada no espaço público. Porém, há algo no retrato que está a desafiar as leis da física.

Acontece que Baldaia é igualmente o autor destoutro – É política, erro estatístico ou?… – o qual foi publicado em cima do lançamento da notícia. O título resume bem o que lá encontramos, uma mistela de dúvidas e suspeitas que, na prática, alimentam o efeito de alastramento das teorias da conspiração a que a direita partidária se agarrou nos dois dias seguintes, até que o David Dinis veio garantir que estávamos mesmo perante um caso estritamente jornalístico. Portanto, o agora denunciante da cultura da calúnia não teve essa cautela e presciência ao escrever a quente. Escuso-me ao palpite sobre o quadro psicológico que poderá explicar a sua reacção e passo para o que verdadeiramente importa.

Baldaia foi um dos mais notáveis defensores oficiosos de Cavaco quase até ao fim da sua estadia em Belém. Pelo seu lado, Cavaco é com Passos, mas num plano ainda mais grave do ponto de vista constitucional, o maior mentiroso do Regime democrático. A forma como Cavaco nos trata já passou a fase obscena de quem não tem o menor respeito pelas instituições e pela comunidade. Agora, com as suas mentiras sistemáticas acerca do que aconteceu na “Inventona das Escutas” estamos no plano da mais cristalina provocação. Ora, que tem Baldaia a dizer sobre o assunto, sobre Cavaco, sobre a golpada que em 2009 foi urdida na Casa Civil para perverter eleições legislativas? Nada? Convive bem com essas extraordinárias e colectivamente vexantes mentiras porque se trata de Cavaco e de alguma malta dos jornais? É que nem está em causa ver Baldaia a retractar-se do apoio que deu a alguém completamente indigno para ocupar o cargo de Presidente da República, apenas lhe pergunto se ainda não teve tempo para despachar uma opiniãozeca acerca do que Cavaco anda a dizer e a fazer em 2017.

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Revolution through evolution

Educating Parents on Talking to Children About Sex Promotes Communication About Sexual Health Among Them
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Knee-Jerk Disgust Is Holding Humans Back
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Democracies’ Track Record in Addressing Inequality Is Thin, Political Scientists Conclude
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Brexit Chaos Has Brought on Politicized Judiciary in Britain, Historian Says
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Computer bots are more like humans than you might think, having fights lasting years
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A U.S. Presidential Leadership Lesson: Optimism
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Research: Sharing Good News Improves Sleep, Health
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Checkando os factsios

Vítor Matos, um bloguista do blogue Observador, lançou hoje um artigo meritório: Fact Check/ Cavaco não deixou dúvidas sobre quem montou a intriga do verão de 2009?

No entanto, consegue terminar a prosa sem dizer que Cavaco mentiu e mente a respeito do caso – algo que deverá ser comunicado o mais rapidamente possível à Academia Sueca para eventual Nobel da Literatura, pois é feito só ao alcance de um supino artista. O mais longe a que chega na indelicadeza do artigo é à afirmação de que Cavaco está a ser “equívoco” (pode acontecer a qualquer um por causa da puta da linguagem ou da puta da memória, já para não falar da puta da idade, é sabido) ou “enganador” (talvez sem querer, coitado, porque é o Cavaco, e até já se sente o odor a santidade de cada vez que abre a boca). Mentiras não. Mentiras grossas, peludas, debochadas, não. Nada. Equívocos, normal. Enganos, com toda a certeza involuntários. Ah, ganda Vítor!

Outra curiosidade no seu “Fact Check” está em ter deixado de fora aquilo que prova inquestionavelmente que Cavaco mente quando fala deste episódio onde violou o seu juramento constitucional e onde foi instigador de uma conspiração presidencial-mediática para perverter as eleições legislativas de 2009. Consiste numa declaração sua feita em 18 de Setembro, depois do tal encontro com Sócrates a que tem aludido mentirosamente nas declarações relativas ao lançamento do livro, e estando-se a pouco mais de uma semana da votação.

Mas prontos. Tratando-se de um blogue famoso pelo seu fanatismo direitola e liberalismo de pacotilha (nada contra, apenas se registando o facto), ousarem beliscar o padroeiro é digno de aplauso com uma só mão.

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Que diria Jefferson do David Dinis?

[...] na semana passada, quando alguns jornais internacionais publicaram notícias sobre a Zona Franca da Madeira, incluindo o Le Monde (leram?), o Pedro Crisóstomo, jornalista do PÚBLICO, lembrou-se de ir ver se as estatísticas de 2015 já tinham sido publicadas no Portal das Finanças. [...]


David Dinis

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O actual director do Público assina um artigo de opinião no seu próprio jornal onde explica qual a razão por que teve de noticiar algo tão aparentemente negativo para os seus amigos do PSD e do CDS. A razão dá pelo nome de Pedro Crisóstomo, alguém que fez um bom trabalho como jornalista na matéria em causa, e o qual criou uma situação que, enfim. Logo, os amigos do David Dinis podem ficar descansados pois o David Dinis não mudou de gostos, garante o David Dinis. Foi um azar.

Este mesmo David Dinis, na mesma opinião, aproveita para encher de patê os burgessos, ou lá como os franceses dizem, reclamando-se fidedigno discípulo de Jefferson, um fulano que gostava muito, mas mesmo muito, de jornais. Para o provar invoca uma outra matéria tratada abundante e entusiasticamente pelo seu jornal e por si próprio: a embrulhada da CGD no que à relação de António Domingues com o Governo e o Presidente da República diz respeito. A tese é a seguinte: explorar – e apelar à continuação da exploração política e mediática – um caso passado e desaparecido nascido de uma negociação falhada entre administradores bancários com exigências esdrúxulas e governantes displicentes é exactamente o mesmo que apontar dados objectivos que revelam uma objectiva e grave falha nas obrigações do Estado.

Ora, se é óbvio que qualquer órgão de comunicação social tem todo o direito de investigar o que lhe apetecer pelo tempo que quiser, podendo até brincar ao “jornalismo independente” para melhor gozar o prato, não menos óbvia é a constatação de que a estrada da Beira não tem a mesma importância da beira da estrada. Apelar à constituição de nova comissão de inquérito cujo alvo seja a exposição de toda a correspondência possível de exibição entre António Domingues e Centeno só tem um objectivo: manter PSD e CDS ao ataque para lhes dar tempo de antena numa lógica de desgaste de ministros, Governo, PS e restantes partidos que suportam no Parlamento a governação. Foi isso que o David Dinis fez explicitamente e é isso que a peça da Liliana Valente igualmente faz pelo seu contexto editorial – isto é, David Dinis está a usar Liliana Valente para se armar em puro. Logo ele, com um currículo de alto sucesso na politização da profissão de jornalista.

Que diria Jefferson de tamanha lata?

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Sinais exteriores do consumo de LSD

Em Portugal escreve-se pouco e com alguma preguiça. Felizmente Passos Coelho está também a escrever e há algum tempo já.

[...]

4. No lançamento do livro há dias, no Centro Cultural de Belém – casa “amiga” da caminhada longa deste político de difícil classificação –, aconteceu algo de inusitado e por isso digno de registo. No momento em que Cavaco Silva entrou numa sala apinhada, com gente até ao tecto dentro e fora do recinto, as pessoas puseram-se de pé com uma espontaneidade que só podia ser natural e aplaudiram com alguma coisa que só poderia ser convicção. Não me parece que seja costume aplaudir os autores quando entram nas apresentações dos seus livros. Foi interessante observar que ali o quiseram fazer.


Maria João Avillez

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Serviço público

[…]

As corporações repetem diariamente que têm falta de recursos, mas a realidade é que desde os anos 1960 o número de juízes multiplicou-se por mais de 7,1 vezes e o número de magistrados do MP por 7,4. No entanto, o número de processos entrados por tribunal não chegou a duplicar. Os recursos financeiros afetos ao sistema judicial, relativamente ao PIB, mostram que Portugal não é dos que gasta menos no sistema.

Na minha opinião, as causas da falta de eficiência e de confiança na Justiça não estão na falta de meios humanos e financeiros, nem nas reformas da legislação sobre os procedimentos judiciais.

E há uma comparação que deixa a Justiça numa situação desconfortável, quando olhamos para o que o país conseguiu nos setores da Saúde e da Educação. Na Saúde, o que conseguimos no aumento da esperança de vida e na diminuição drástica da mortalidade infantil pode deixar-nos orgulhosos. E na Educação, não obstante o enorme atraso com que partimos, fomos sempre melhorando. A confiança dos portugueses na Saúde e na Educação suplanta em muito a confiança na Justiça.

No entanto, os políticos, todos os políticos, não têm uma palavra a dizer sobre a crise da Justiça. Na última campanha eleitoral (2015) o tema foi ignorado por todos os partidos políticos nos seus programas eleitorais. Os eleitores estão desprovidos de mecanismos corretivos do sistema de justiça. A eleição do Presidente e a alternância democrática do governo em nada influenciam e em nada podem corrigir o funcionamento do sistema. O lema é "À justiça o que é da justiça, à política o que é da política"!

[…]

Daniel Proença de Carvalho

 

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O modus faciendi do blogue que ataca Sócrates

Este “post” – O modus operandi do blogger que defendia Sócrates – foi publicado há umas largas horas, ainda sem Sol, e continua cimeiro no blogue Observador manhã alta. Os bloguistas responsáveis por ele dão pelos nomes de Miguel Santos e Vítor Matos.

Para além de tentarem envolver de forma difamatória algumas pessoas num suposto problema policial ou judicial cujos contornos objectivos se desconhecem publicamente, o grosso do exercício consiste em repetir opiniões que foram publicadas num outro blogue onde escrevia um colega do Miguel e do Vítor, o Miguel Abrantes (nome blogosférico). Quando chegamos ao fim do lençol que despejaram ninguém pode ter a mínima dúvida: nesse tal blogue na berlinda havia muitas e boas opiniões. Se depois cada um gosta delas ou não, ou assim-assim, é com cada qual na boa tradição liberal.

O meu único lamento, questões deontológicas à parte que até num blogue como o Observador deviam ser respeitadas por módica salubridade cívica, reside na ausência de informações acerca do alcance mediático desse tal blogue tão opinioso. Afinal, era lido por quem? Por quantos? Qual era o seu poder de influência junto da população? Equivalente ao da BBC na Segunda Grande Guerra para os povos sob domínio alemão ou algo um bocadinho menos relevante? Será que ofuscava em audiências a nossa comunicação social, ou que fosse só a nossa imprensa, ou somente a televisão, ou então os jornais, ou alguma rádio daquelas que dão notícias? Ou seria esse blogue, tão atentamente lido na Casa Civil da “Inventona de Belém”, algo parecido com um daqueles restaurantes muita careirões e muita cagões onde são vão os ricalhaços, os famosos e alguns bloguistas disfarçados de jornalistas?

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Exactissimamente

O que é feito do clamor cavaquista?

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Adenda

Estava para escrever exactamente sobre o mesmo assunto, o silêncio da direita face ao que parecia ter tudo para provocar uma excitação incontrolada nesses infelizes, cartolas e bengalas lançadas ao ar: 600 páginas de inaudita e presidencial calhandrice sobre a sua paixão fatal, Sócrates. Era desta que os podres mais podres daquele que continua a apavorar a oligarquia ficariam gravados no mármore, pelo cinzel da figura mais importante e poderosa da direita portuguesa após o 25 de Abril. Só que não. E porque não?

Incrivelmente, o que Cavaco diz de Sócrates acaba por melhorar a sua imagem pública. Cavaco revela a sua versão de episódios privados e o que nós vemos para além do seu próprio rancor e completa decadência moral é algo que conhecemos de Sócrates fora desse contexto. É o tal Sócrates que não estava disposto a ser um títere de um Cavaco soberbo, pacóvio e tiranete. É o tal Sócrates que reagia inteiro perante as campanhas negras – negras mesmo que acabe condenado, com trânsito em julgado, de alguma ilegalidade ainda por provar, repita-se até que o Inferno gele – e reclamava pelo direito à decência e à protecção institucional do seu partido, do Governo e do seu nome. É o Sócrates bem preparado que tinha uma concepção muito diferente da de Cavaco quanto ao papel do Estado e ao modelo de sociedade a desenvolver. É, enfim, a imagem de um primeiro-ministro que se sabe atacado e atraiçoado pelo Presidente da República, pelo que tem não só de se defender como de contra-atacar sendo um dos representantes máximos do próprio eleitorado que legitimou a conjuntura de poder em causa.

Enquanto isso, Cavaco assina a sua declaração de abjecta cobardia e desorientação política. Ele que tudo viu e que tudo topou, nada fez para além de tentar influenciar o não influenciável, acabando invariavelmente por sair das reuniões de quinta-feira com o estômago a dar voltas no implacável ácido. Cavaco impotente perante um bandido rasteiro como Sócrates, eis a sinopse da obra para a legião de pulhas que está agora com a viola enfiada no saco.

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Centeno, dá-lhes o arroz

Consta que Robert Pirsig é o responsável pela popularidade da seguinte parábola: algures na Índia do Sul, algures no tempo, foi inventada uma armadilha para apanhar macacos que consistia em meter arroz dentro de um coco vazio, este tendo uma abertura que permite ao macaco enfiar a mão aberta mas sem conseguir retirá-la fechada – isto é, com o arrozito na mão, entenda-se para compreender a lição. Mesmo que seja uma tanga no plano histórico, no cognitivo é um tesouro de sapiência.

A nossa direita partidária, compulsivamente simiesca, está na mesma situação do macaquinho indiano. Em relação à CGD, viram ali a tábua de salvação perante um Governo improvável e original que superou todas as expectativas e é já uma referência e fonte de esperança na Europa, e também perante as sondagens que colocam o PSD à beira de uma defenestração da liderança. Pelo que reagiram de acordo com o que consideram ser o “fazer política”: uma estratégia de terra queimada cuja cegueira era reforçada pelo desespero de não terem discurso. Também em 2011 foi esse o critério, preferiram afundar o País numa estrita lógica de poder pelo poder, “custe o que custar”. Sabemos quanto custou esse colossal logro, mas ainda ninguém sabe quanto vão custar os danos que PSD e CDS querem intencionalmente provocar na CGD.

Lobo Xavier, na última Quadratura do Círculo, frisou que o ataque devia continuar. Terem conseguido o triunfo de dominarem há semanas a agenda política e mediática, atingindo vários alvos em simultâneo, desde Centeno a Marcelo, passando por Costa e CGD, e com o bónus de abafarem os resultados positivos de Portugal no plano económico, é pouco. Há que tirar o maior proveito de terem Centeno na fogueira e Marcelo de mãos atadas a assistir ao auto com um Costa de mordaça a fingir que não é nada com ele. Igualmente David Dinis usa o Público para apelar ao mesmo, disponibilizando-se para amplificar e prolongar a tal “descoberta da verdade” que poderá ocupar mais uns meses de cabeçalhos e muitas opiniões da rapaziada da cor. Cofina e Impresa, com os seus exércitos em papel e na TV, estão às ordens para o que for necessário.

Ora, no passado tal poderia ser feito sem qualquer risco. Nesse passado, o PCP e o BE alinhavam com palavras e actos, silêncios e passividades, no tiro aos socialistas por parte da nossa direita decadente. E o povoléu acreditava no berreiro, porque, como ensina diariamente o CM e a cada livro o sr. Cavaco, os políticos são uma cambada de incompetentes e ladrões. Só que agora estamos a viver o primeiro ciclo político na nossa democracia em que existe uma aliança das esquerdas ao serviço da governação. Tal nunca antes tinha acontecido, pelo que não espanta que os macaquinhos não estejam a perceber onde é que se estão a meter. Começar a ver o PCP, tão admirado pelos direitolas pela sua “integridade” granítica, a malhar sem dó nas hipocrisias e cinismos dos básicos que preenchem o PSD e o CDS leva a que o Zé que anda de autocarro comece a fazer contas ao que cada um dos lados está mesmo a querer dizer.

Avançando a nova comissão de inquérito, cuja finalidade é unicamente chafurdar numa situação normalíssima que só faz sentido discutir naquela câmara caso se queira mesmo criminalizar alguém, a esquerda terá literalmente a soberana oportunidade de denunciar o que o PSD e CDS estão a fazer. Trata-se de virar o feitiço contra o feiticeiro, mostrando como a única lógica do tempo gasto nessa comissão é a baixa política e o prejuízo demente que se vai tentar espalhar por pessoas e instituições públicas. Soberana oportunidade de mostrar como a cultura vigente nos actuais PSD e CDS é furiosamente contrária à resolução dos nossos problemas sociais, económicos e financeiros.

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