Todos os artigos de Valupi

Lumpenimbecilidade

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As alimárias, para lá do eventual interesse sociológico que possam ter para presentes ou futuros investigadores, entraram em 2017 a manter a alucinação de que o Jacinto Lucas Pires recorre ao pseudónimo “Valupi” para dizer umas parvoeiras num blogue perdido no cu da Internet. Trata-se de um boato desmiolado que foi lançado em 2008, e aqui estão estes broncos mergulhados nele nove anos depois.

As alimárias projectam nos seus odiozinhos de estimação as regras de conduta que observam à sua volta, entre os pares, a sua malta. Logo, se alguém aparece a defender uma ideia que estranham, esse confronto com a alteridade, essa crise cognitiva, resolve-se imediatamente recorrendo à mesmidade: “O que tu queres sei eu! Vendido!”

É deste chiqueiro mental e moral que, no passado como no presente, Pacheco Pereira e Alberto Gonçalves alimentam a pulhice que vendem por excelente preço. Nisso, estas duas vedetas da indústria da calúnia são por igual caixas de Petri da direita portuguesa.

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Como diz que disse?

O primeiro-ministro, António Costa, escusou-se hoje a comentar novos dados em torno da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e das comunicações entre o ministro das Finanças e o antigo presidente do banco, dizendo que o assunto "acabou" na segunda-feira.

"O quê, ainda andam com esse assunto? Ainda não ouviram o senhor Presidente da República? Isso já acabou tudo na segunda-feira", disse Costa, questionado sobre a matéria à margem de uma iniciativa em Oeiras.


Fonte

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Costa perdeu uma não só excelente como necessária oportunidade para se afirmar como primeiro-ministro e como líder político neste desfecho da crise cujo pretexto foi a CGD. Em vez disso, foge à sua responsabilidade governamental e entrega à Presidência da República o comando institucional e moral do Governo. Ou seja, assistimos com este episódio de Centeno ir de castigo a Belém e depois vergastar-se em público à confirmação de estarmos num regime presidencialista de facto.

O modo chocarreiro como reage às perguntas dos jornalistas, dirigindo-se na ocasião aos próprios jornalistas tomados como grupo social em vez de se dirigir ao Soberano, é grave. E tão mais grave quanto não sabemos de ninguém no Governo ou no PS que esteja em condições de lhe explicar porquê.

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Perguntas simples

Existe alguma declaração ou documento público que possa ser atribuído a Sócrates, sequer a alguém que lhe fosse ou seja pessoal ou politicamente próximo, a respeito de supostas conversas privadas com outros responsáveis políticos, sejam eles quem forem?

Alguém consegue explicar o silêncio de Sócrates a respeito da reunião secreta que teve com Passos dias antes de uma cimeira europeia nos princípios de Março de 2011, e sobre o que nela ficou dito ou acordado, a qual Passos e Relvas começaram por esconder e deturpar para poderem abrir uma crise política catastrófica em conluio com Cavaco, e explorarem mediaticamente a mentira de que o Governo não tinha avisado o líder da oposição a respeito do acordo com a Europa que teria evitado o resgate de emergência, para deste modo afundarem o País ao chumbar o PEC IV e forçarem eleições antecipadas?

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Revolution through evolution

No link between immigration and increased crime, four decades of evidence finds
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Truth that isn’t spoken can be just as bad as lies that are spoken
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Men and Women Are Not That Different with Respect to Age Preferences of Sexual Partners
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Psychology explains how to win an Oscar
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Hard shell, healthy kernel: Nuts can inhibit the growth of cancer cells
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Exercise for Anyone, Anytime: Researchers Find Brief, Intense Stair Climbing Is a Practical Way to Boost Fitness
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Why Are Men Overlooking the Benefits of Marriage?
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Continuar a lerRevolution through evolution

Não é vergonha, é espanto

Nem o Ministério Público, nem o Conselho Superior do Ministério Público, nem um Tribunal da Relação consideraram as declarações de Ventinhas merecedoras de qualquer consequência disciplinar ou judicial. O CSMP chega a debochar:

“As declarações foram proferidas num contexto de tensão verbal muito expressiva, como resposta a uma entrevista em que a integridade do Ministério Público foi posta em causa. Mesmo que se possam considerar excessivas não decorre daí relevância disciplinar.”

Temos um critério vago, psicologista e relativista ao serviço da manipulação do mais forte: “contexto de tensão verbal muito expressiva”. Temos a vitimização corporativa e corporativista: “entrevista em que a integridade do Ministério Público foi posta em causa”. Temos o recurso ao oxímoro como exibição de impunidade: “Mesmo que se possam considerar excessivas não decorre daí relevância disciplinar”. Excessivo em relação a quê? E se o que o CSMP considera excessivo não tem relevância disciplinar, o que é que a terá? Só o muito-bué-da-muito-mesmo-muito-excessivo-e-que-já-não-dá-para-esconder-de-ninguém-e-ai-jasus-que-nos-mijamos-a-rir-mas-desta-é-que-temos-mesmo-de-agir-disciplinarmente-mas-é-só-uma-vez-sem-exemplo-desculpem-lá-coleguinhas?

António Manuel Ferreira Ventinhas, dada a sua formação e a sua profissão, e com a agravante de representar como dirigente um órgão colectivo da classe, não tem qualquer atenuante para as calúnias que agravadamente proferiu perante órgãos de comunicação social. É exactamente ao contrário. Exactamente ao contrário. Exactamente ao contrário. Discussão pública deste episódio? Alguém poderá dar nem que seja meio exemplo de um colunista de vão de escada? A elite política, jornalística e social não quer gastar sequer uma caloria com o assunto. [errata]

Episódio congénere, mas num certo plano ainda mais preocupante e vexante, aquele que só o Observador noticiou: Poder político decisivo no arquivamento de investigação a Carlos Alexandre. O meio é a mensagem, escreveu um bacano canadiano, e no caso o meio tem todo o interesse em passar a seguinte mensagem: Costa protegeu Carlos Alexandre de Sócrates. De facto, a notícia relata esta cena inacreditável: Vítor Faria, membro indicado pelo PS para o Conselho Superior da Magistratura e referido como próximo de Costa, não participou na votação à tarde alegando ter de ir para um jantar de Natal fora de Lisboa. O que nos leva a perguntar, terá sido a votação marcada especialmente para essa data e hora tão em cima de jantares de Natal imperdíveis e lá longe como o caraças? Outro membro indicado pelo PS, Serafim Pedro Madeira Froufe, igualmente se baldou, talvez porque tivesse de ir passear o cão e já não dava para voltar a tempo da votação. Resultado: o inquérito disciplinar a Carlos Alexandre foi arquivado por 8 votos a favor e 7 contra. Como teriam votado estas duas figuras? Não sabemos, mas sabemos que a sua ausência se tornou parte decisiva do desfecho.

Esta história não tem só um ponto de muito interesse, tem pelo menos três, um deles o do silêncio da restante comunicação social. O outro é aquele que está consubstanciado no número 7. Sete especialistas, sete responsáveis pela avaliação de juízes, assumiram a necessidade de sancionar disciplinarmente Carlos Alexandre. O mesmo Carlos Alexandre que voltou a recusar a promoção a desembargador em Janeiro, preferindo continuar no DCIAP. Sendo isto lícito, é isto normal? É isto benéfico para os interesses da própria Justiça e do serviço que é suposto prestar aos cidadãos? E a parte em que há uma indústria da calúnia liderada pela Cofina, onde este juiz é tratado como super-herói populista contra certos políticos tratados como corruptos sem sequer haver acusação judicial contra eles, indústria onde se exploram crimes cometidos no seio da própria Justiça, não merecerá um poucochinho de atenção de uma qualquer entidade estatal, judicial, parlamentar ou governamental? Ainda não é óbvio o suficiente que existe uma simbiose entre este juiz e aquele tipo de imprensa, instituindo na prática um tipo de chantagem que leva a esta perversidade de termos Carlos Alexandre há 13 anos no DCIAP? É que a mensagem, diariamente repetida no esgoto a céu aberto, consiste nisto: quem quiser que este juiz dê o lugar a um seu colega no DCIAP torna-se cúmplice dos corruptos que ele tem perseguido e metido na choldra. E, portanto, o juiz que o substituir sem a sua aprovação, quiçá selecção, não passará de um juiz corrupto ali posto para proteger os criminosos de colarinho branco.

Não existir um partido, com ou sem presença parlamentar, que tenha os problemas da Justiça como sua prioridade é para mim um espantoso monumento à fragilidade cultural e menoridade cívica deste grupo de pessoas num jardim à beira-mar plantadas.

Denuncia um “blogger socrático” e ganha uma assinatura do Observador

Ministério Público em busca de mais pagamentos a bloggers socráticos [título]

António Peixoto terá recebido mais de 76 mil euros para alimentar um blogue que atacava os adversários de José Sócrates. Não terá sido o único blogger a ser pago para elogiar a obra do ex-1.º ministro [subtítulo]

O Ministério Público (MP) suspeita que Carlos Santos Silva terá ordenado, em nome de José Sócrates, o pagamento de remunerações a diversos bloggers para atacarem os adversários políticos do ex-primeiro-ministro e elogiarem as reformas dos seus governos. [1º parágrafo]

Até ao momento, não foram encontrados indícios de pagamentos a outros bloggers. [frase perdida, talvez uma nota deixada esquecida pelo autor]

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Creio ser nosso dever ajudar o Ministério Público, ou que seja só o Observador, nessa caça aos “bloggers socráticos”. Trata-se de uma urgente e fulcral investigação, tendo em conta tudo o que os “bloggers socráticos” têm feito ao longo dos anos e em tantas dimensões da nossa vida política, económica, social, cultural e até desportiva (é investigarem, senhores, é investigarem que apanharão qualquer ruindade e/ou violação da lei inclusive em desportos amadores). Os “bloggers socráticos” influenciaram decisivamente vários actos eleitorais graças às suas coisas, aquelas coisas que os “bloggers socráticos” fazem. Há até quem defenda que a lentidão da Justiça em Portugal e a falta de recursos nas polícias só pode ser da responsabilidade dos “bloggers socráticos”. Como? Eis algo que devia ser investigado, precisamente porque ninguém o consegue explicar. Outra actividade muito nefasta dos “bloggers socráticos” consiste na concorrência desleal com os órgãos de comunicação social sem socráticos de qualquer espécie e feitio. Isso tem levado a uma crescente depauperação dos títulos e canais disponíveis, a um ponto em que é hoje voz corrente entre taxistas e pedreiros que para um gajo conseguir estar bem informado sobre o que realmente importa já só resta a leitura diária das capas do CM. E se os “bloggers socráticos” arranjarem maneira de acabar com esse último reduto da liberdade de expressão e do código deontológico dos jornalistas, que restará? Sim, continuaríamos com os textos do José António Saraiva, mas desconfio que não chegaria para fazer frente aos “bloggers socráticos”.

Felizmente, existem em Portugal especialistas na detecção e extermínio de “bloggers socráticos”. O mais poderoso entre eles é o Pacheco Pereira. Tem obra feita e pública a respeito, serviço que cobra a preço de tabela. Outra grande figura é o Paulo Pinto Mascarenhas, igualmente com vasto currículo na matéria. Em 2010, este cromo conseguiu apanhar um “blogger socrático” que colocou em exposição numa espectacular parangona do jornal i. Foi um grande triunfo que serve de exemplo ao Ministério Público. E a terceira é o Fernando Moreira de Sá, o celebérrimo “nota vinte na Galiza”, que é um reputado investigador académico sobre todas as formas de “socratizar” um país a partir dos blogues. Este amigo sabe do que fala, ou não falasse do que fez. E se fez, olá. De acordo com o que partilhou publicamente, Passos deve-lhe a vitória nas eleições de 2011 e cenas assim. Para além disso, ele garante saber tudo o que há para saber sobre “bloggers socráticos”. Ministério Público, se estás a ler isto (e estás, né? pois…), saca o telefone do Nando e encham a ramona sem demora. Temos de apanhar essa malandragem antes que o papa aterre na Portela (é só para prevenir, prontos, porque eles são mesmo diabólicos).

A sangria do Estado de direito

Na SIC, José Gomes Ferreira foi chamado para comentar o anúncio de que Sócrates vai processar o Estado português. Ou talvez o José Gomes Ferreira tenha decidido usar a SIC para comentar o anúncio de que Sócrates vai processar o Estado português. Em qualquer dos casos, e só há dois, podemos perguntar: porquê o Zé?; o que é que o habilita a comentar um assunto estritamente judicial?; sendo um suposto especialista em assuntos económicos, porquê vir dar palpites sobre complexas questões jurídicas?; o Direito passou a ser um ramo da Economia e ainda não fomos avisados?

Ouvindo o Zé a falar sobre o assunto, fica claro qual a lógica de ser ele a representar a posição do canal. Não se trata, pois, de difundir uma visão que contribua para um melhor entendimento público do que se passa algures na realidade, quer-se é aproveitar a oportunidade para difundir uma certa interpretação dessa mesma realidade. Nessa interpretação, o Zé veio repetir a sua cassete: Sócrates é o maior criminoso da História de Portugal, Alves dos Reis incluído, e não tem qualquer hipótese de escapar à guilhotina.

O aspecto mais interessante deste episódio, todavia, acontece logo no início e é da responsabilidade de Pedro Mourinho, aparentemente um jornalista a trabalhar como jornalista:

É legítima a queixa do antigo primeiro-ministro, e da forma como o fez, ou há aqui uma tentativa óbvia, também, de condicionar o Ministério Público?

Estamos perante uma matriosca de falácias:

– Por que razão, ou em que plano, não haveria de ser legítima a queixa anunciada, para mais tendo em conta que os factos e argumentos que a justificam são do conhecimento público e estão sustentados no Código Penal?
– Que tem a forma como tal processo foi anunciado (numa conferência de imprensa) a ver com qualquer aspecto da sua legitimidade?
– Como é que esse anúncio de uma acção legal pode pressionar o Ministério Público seja no que for?
– Pressionar o Ministério Público em que sentido, para fazer ou não fazer o quê?
– Quem é que no Ministério Público é pressionável por existirem cidadãos a tentarem obter na Justiça o reconhecimento do que julgam ser os seus direitos?
– O jornalista sabe de outros casos similares, em que o Ministério Público tenha sido pressionado por algum arguido?
– O jornalista considera que as conferências de imprensa são instrumentos genéricos de pressão sobre o Ministério Público?

Para além de ter servido uma pergunta que não passava de pretexto para um dos seus chefes despejar o seu balde de calúnias, Pedro Mourinho fez algo que temos constatado noutros jornalistas televisivos, dessa e de outras estações, que calhem estar na emissão quando há desenvolvimentos no Processo Marquês por via de declarações e acções de Sócrates. Eles fazem questão de introduzir elementos opinativos a respeito das “segundas intenções”, sempre pejorativas e contaminadas pelo contexto criminal, de qualquer coisa que Sócrates diga ou faça. Eles exibem-se não só verbalmente mas também corporalmente para os espectadores, zelando para que fique claro que partilham da opinião popular: estamos perante um criminoso e tudo o que ele diga e faça, mesmo que nos pareça correcto e justo, não passa de uma artimanha diabólica.

O fascinante desta questão, para lá da indecência e decadência reinantes, é a expressão por jornalistas na chamada “imprensa de referência” de uma ideia de profunda corrupção nos pilares do Estado, onde até os super-heróis Rosário Teixeira e Carlos Alexandre de alguma forma poderiam ficar tolhidos na sua acção e pensamento porque um fulano caído em desgraça esteve uma hora a falar em frente de jornalistas numa sala de hotel. Absurdo, certo? Nesse caso, a restante e solitária explicação é a de que faz todo o sentido – isto é, a diabolização de Sócrates continua a fazer todo o sentido, no início como no fim, até à última gota que for possível extrair.

Malhas que a Impresa tece

Após a entrevista a João Araújo, a SIC Notícias colocou no ar Ricardo Costa e José Gomes Ferreira para a comentarem sob a batuta da Clara de Sousa. O mano Costa é o director-geral de informação do grupo Impresa, cargo que acumula com a autoconvicção de ser o cromo com mais neurónios em toda a comunicação social portuguesa e arredores. José Gomes Ferreira é um dos mais notáveis profissionais da calúnia actualmente em actividade. Clara de Sousa é Clara de Sousa, provavelmente uma vítima.

O Zé aproveitou a ocasião para declarar, sem qualquer contraditório, o seguinte:

– As notícias que referem alegados indícios de corrupção efectuada por Ricardo Salgado e Sócrates criaram na sociedade uma divisão (leia-se: duas metades) entre aqueles que acham que se está a perseguir Sócrates por razões políticas e os outros que não dão importância especial ao caso. Pergunta: há mais alguém a alucinar desta maneira no Hemisfério Norte ou estamos perante um caso isolado e, portanto, não significativo?

– Os indícios de foro judicial podem ser verdadeiros ou falsos, fortes ou fracos. No caso de os indícios serem verdadeiros e fortes, então passam automaticamente ao estatuto de provas e devem gerar as reacções condenatórias adequadas por parte da população e quem a representa mediaticamente. Pergunta: o Zé é mesmo o que aparenta ser ou há um Zé secreto que anda a escrever uma biografia onde explica que tudo isto se deve a um trauma de infância por causa de um brinquedo roubado e ao infortúnio de não ter nascido rico?

– A partir dos indícios relativos à suposta corrupção que gerou o suposto envio de 17 milhões de euros de uma pessoa para outra passando por uma terceira, é obrigatório concluir que há um período onde essa tenha sido a prática generalizada. Exemplos desse despautério que chegaram ao conhecimento do Zé: “o interromper de uma OPA que tinha sido feita a partir do Norte, de uma família de empresários que estavam fora desta maneira de fazer negócios“; “depois uma venda de uma Vivo“; “depois uma compra de uma Oi“; “um primeiro-ministro que lançou o maior número de contratos do Estado, com tantos milhares de milhões de euros de valor, em rodovias, em saúde, em escolas, por aí fora, se não houve honorabilidade neste caso o que será dos outros“; “só me lembro de coisas como a aprovação dos RERT“; “lembro-me de coisas como a atribuição de concessões de barragens aos grandes operadores“. Pergunta: as centenas, se não forem milhares, de indivíduos envolvidos num qualquer grau de responsabilidade e conhecimento interno nesses casos aludidos pelo Zé, entre membros do Governo, funcionários do Estado, equipas dos privados, mais advogados e escritórios de advogados, também sacaram a sua parte na roubalheira ou Sócrates e Salgado trataram do assunto a mielas e por telepatia, não demorando muito até que esses dois génios do crime bazem do país para irem gozar as centenas de milhões (cálculo rasteiro) que estão à sua espera ninguém sabe onde apesar de a bófia já ter vasculhado tudo e mais alguma coisa nas suas contas, computadores, telemóveis e papelada e ainda nas contas, computadores, telemóveis e papelada de amigos e familiares?

– Não há interesse no Parlamento pela criação legal da delação premiada (que o Zé quer que se passe a chamar “colaboração premiada”, et pour cause + c’est tout un programme), porque isso iria permitir descobrir mais crimes e mais criminosos do tal período em que a corrupção apareceu em Portugal pela primeira e última vez. Pergunta: o Zé não seria capaz de nos informar com mais detalhe acerca daqueles que no PSD, CDS, BE e PCP querem proteger os ladrões do PS?

Este vendaval de insinuações, difamações e retintas calúnias em modo sonso e aldrabão, sensacionalista e hipócrita, cínico e manipulador, teve da parte do mano Costa o mais eloquente apoio através do silêncio. Só que apoiar o Zé era curto para esta vedeta da “imprensa de referência”, pelo que fez questão de nos dizer outras duas coisitas: (i) que não tinha medo de Carlos Alexandre e de Rosário Teixeira como tantos outros (mas quem?), tinha era “respeito” (o tipo de respeito, ficamos a imaginar, que um bacano de prancha de surf debaixo do braço igualmente sente ao contemplar as ondas da Nazaré durante uns minutos antes de voltar para o carro sem sequer ter molhado os pezinhos), e que (ii) era desta que Sócrates ia ser apanhado, pois graças ao último depoimento do Bataglia já dava para entalar o cabrão. Ou seja, o mano Costa falou como se tivesse tido acesso às declarações prestadas às autoridades e à restante documentação coligida, acrescentado-lhe uma avaliação de perito em direito penal. Percebe-se o entusiasmo, pois no Expresso e na SIC há uma campanha em curso para reclamar os louros da captura da besta via “Panama Papers”, no que rivalizam com o esgoto a céu aberto para o título de órgão oficial da judicialização da política portuguesa.

Em relação ao sórdido espectáculo, tenho só uma curiosidade: haverá alguém a estudar academicamente esta época da comunicação social e o regime de poderes fácticos que defende e promove?

Revolution through evolution

Research Finds Link Between Immigration Coverage, Partisan Identity
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Political affiliation can predict how people will react to false information about threats
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Teens, young adults explore differently
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To lose weight, and keep it off, be prepared to navigate interpersonal challenges
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Study Reveals Substantial Evidence of Holographic Universe
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Founding Fathers Used Fake News, Racial Fear-Mongering to Unite Colonies During American Revolution, New Book Reveals
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Polling is still best predictor of election outcomes, study suggests

Só sábios éramos bué

Nós — e quando digo “nós” refiro-me a jornalistas, analistas, colunistas, historiadores — estamos a gastar tempo de mais a caricaturá-lo e tempo de menos a compreendê-lo.


Caluniador pago pelo Público

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A clássica anedota académica tem no João Miguel Tavares a sua mais recente personificação in vivo. Este profissional das “polémicas” semanais com os alvos da sua sanha anti-esquerdolas (há quem lhe dê conversa, é o que temos e o que somos) considera-se parte de um colectivo, uma corporação, que junta jornalistas, analistas, historiadores e colunistas. Jornalistas e colunistas, enfim, passa com um bocejo porque a enorme maioria dos jornalistas portugueses o que ambiciona mesmo é verter sobre as ocas cabeças do povoléu as suas preciosas opiniões em vez de reportar factos o mais relevante e factualmente possível. Analistas e colunistas, a coisa começa a cheirar muito mal. O que será um analista para o nosso magnífico colunista? Alguém que analisa cenas com ou sem sangue, certamente, mas de acordo com que objecto de análise, metodologia e corpo teórico? Enigma que ele não irá resolver por falta de tempo, está demasiado ocupado a lutar contra a diabólica corrupção socrática. Historiadores e colunistas, eis a parolice no seu esplendor, com o caga-sentenças a equiparar-se ao cientista porque acha que a actividade de ambos se reduz exactamente ao mesmo: dizer uns disparates que lhes passem pelo bestunto e ser espertalhão o suficiente para conseguir que alguém pague por eles.

A mediocridade intelectual do JMT não o impede de ser um colunista de sucesso, daqueles que chegam à televisão e tudo, antes parece ser condição sine qua non. Estudos, discursos um bocadinho mais elaborados, estudos, procura de módica objectividade, estudos, respeito pela honra alheia, e estudos, estas características só tornam mais improvável a agilidade mental para despachar os simplismos caricaturais e sectários com que mostra serviço. Daí a satisfação exibida por este penduricalho de uma indústria que esvai de inteligência o espaço público. É tão fácil imaginar-se par dos jornalistas, analistas e historiadores. E poderia ter continuado, pois igualmente os políticos, os investigadores, os juízes, os médicos e quase todos os mecânicos automóveis o que fazem não passa do que o JMT igualmente poderia fazer se lhe pagassem: abrir a boca e falar, mexer os dedinhos e escrever.

Ele tem razão. E a culpa não é dele.

João Araújo exemplar

Nesta entrevista, constate-se como Clara de Sousa faz todas, mas todas, as perguntas de acordo com a lógica de que está a falar com alguém que partilha com ela, e com aqueles cujas posições representa na sua actividade profissional, o conhecimento de que Sócrates cometeu crimes de corrupção. Quanto a irregularidades, e até ilegalidades, do Ministério Público, a sua atenção é nula. O único tópico de interesse, a sua única motivação, é a intriga a partir de suspeitas caluniosas e ao serviço de adensar a intriga inicial. Perante a fúria perversa do interrogatório, João Araújo reage como se estivesse na sala de uma turma da 4ª classe (sim, já não existe) a explicar os fundamentos dos direitos e garantias dos cidadãos num Estado de direito democrático.

Há espaço para isto, e pior, na comunicação social tomada como mercado. E só se expõe nestes números quem quiser, mas não lhe chamem jornalismo. Chamem-lhe o que é, decadência ao serviço do lucro e/ou de agendas políticas.

Arendt para os tempos que correm

Totalitarianism

Totalitarianism begins in contempt for what you have. The second step is the notion: “Things must change — no matter how, Anything is better than what we have.” Totalitarian rulers organize this kind of mass sentiment, and by organizing it articulate it, and by articulating it make the people somehow love it. They were told before, thou shalt not kill; and they didn’t kill. Now they are told, thou shalt kill; and although they think it’s very difficult to kill, they do it because it’s now part of the code of behavior. They learn whom to kill and how to kill and how to do it together. This is the much talked about Gleichschaltung — the coordination process. You are coordinated not with the powers that be, but with your neighbor — coordinated with the majority. But instead of communicating with the other you are now glued to him. And you feel of course marvelous. Totalitarianism appeals to the very dangerous emotional needs of people who live in complete isolation and in fear of one another.

Evil

When I wrote my Eichmann in Jerusalem one of my main intentions was to destroy the legend of the greatness of evil, of the demonic force, to take away from people the admiration they have for the great evildoers like Richard III.

I found in Brecht the following remark:

The great political criminals must be exposed and exposed especially to laughter. They are not great political criminals, but people who permitted great political crimes, which is something entirely different. The failure of his enterprises does not indicate that Hitler was an idiot.

Now, that Hitler was an idiot was of course a prejudice of the whole opposition to Hitler prior to his seizure of power and therefore a great many books tried then to justify him and to make him a great man. So, Brecht says, “The fact that he failed did not indicate that Hitler was an idiot and the extent of his enterprises does not make him a great man.” It is neither the one nor the other: this whole category of greatness has no application.

“If the ruling classes,” he goes on, “permit a small crook to become a great crook, he is not entitled to a privileged position in our view of history. That is, the fact that he becomes a great crook and that what he does has great consequences does not add to his stature.” And generally speaking he then says in these very abrupt remarks: “One may say that tragedy deals with the sufferings of mankind in a less serious way than comedy.” This of course is a shocking statement; I think that at the same time it is entirely true. What is really necessary is, if you want to keep your integrity under these circumstances, then you can do it only if you remember your old way of looking at such things and say: “No matter what he does and if he killed ten million people, he is still a clown.”


Hannah Arendt made the comments in 1974 during an interview with the French writer Roger Errera