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Quando o desnível também ofende

Ontem, ao ver estas cenas, pensei que alguém se ia levantar e ir embora do estúdio. Tal não aconteceu. Mas foi uma oportunidade para Mário Crespo usar e abusar do tom seboso, pretensamente conciliador (tantas vezes bajulador), com que dirige aqueles debates e que nos faz desejar que aqueles minutos de serpenteio viscoso passem depressinha (isto quando o entrevistado merece a nossa paragem naquela estação).

Se Alfredo Barroso, apesar da argumentação certeira e pertinente, se deixou exaltar demasiado sem necessidade, Teresa Caeiro mostrou-se em todo o seu esplendor: de uma vacuidade confrangedora, “tia” até dizer chega, incapaz de se olhar politicamente ao espelho e, no geral, mal-criada e com observações despropositadas, como a do “chafurdar na lama” (!).

Tanta mansidão

O que se está a passar com a reestruturação da administração da Caixa Geral de Depósitos, já devidamente criticada por Pedro Santos Guerreiro, que lhe chama um Albergue Espanhol, e outros comentadores da imprensa, devia merecer a mais contundente crítica da oposição, PS incluído. Mas não ouvi até agora uma única palavra partidária oficial sobre isso. Ontem, com a polémica já instalada na imprensa, no Telejornal ouvi zero sobre o assunto. Ocorreu-me até que o princípio do “respeitinho” que a privatização da RTP está à porta é o que agora dita os alinhamentos.
De acordo com o que tenho lido, todos os quadrantes do governo designaram um seu representante para a nova administração da CGD, o Presidente da República também e os interesses privados ligados ao PSD idem. Conflitos de interesses parece haver vários – desde escritórios de advogados de que são clientes grandes grupos económicos até administradores de empresas da área da saúde. Trata-se de um assalto ao tacho demasiado ostensivo para se deixar passar em claro. A Caixa é um banco público e os seus dirigentes são pagos com dinheiro dos contribuintes. Passos Coelho, que apregoou extrema contenção e combate às clientelas, não se ensaiou duas vezes para aumentar com elementos da sua confiança política, a que nunca chamará “boys”, o número de membros do Conselho de Administração do banco do Estado. Irão estes gestores/administradores preparar o terreno para a privatização? Colher os últimos frutos enquanto é tempo?

Gostaria de ver o governo confrontado com as perguntas incómodas que se impõem. Seria fundamental para começo de “conversa”. A táctica deste governo parece ser a do silêncio até onde for possível. Nunca mais se ouviram Álvaro ou Assunção. Gaspar só interveio mais uma vez depois da célebre conferência de imprensa que anunciou a sobretaxa do IRS. E outra vez, com a solenidade de uma leitura. O ministro da Saúde anda desaparecido, em retiro certamente. Passos não se ouve. Dir-se-ia que toda esta gente teme ser confrontada com perguntas. Mas lá vão cumprindo a praxis habitual. Uma oposição forte precisa-se. Seguro acaba de ser eleito Secretário-Geral do PS e, no seu jeito manso, declarou-se em público amigo pessoal de Passos. Amigo, amigo, portanto. A parte do provérbio que reza “negócios à parte” não convence. Tenho as mais fundamentadas dúvidas sobre a sua capacidade para confrontar este governo com a devida acutilância e desde já.

O quê? Outro SMS?

“António Nogueira Leite, que acaba de ser eleito administrador da Caixa Geral de Depósitos, demonstrou-se surpreendido por não aparecer no comunicado da CGD como vice-presidente do banco, avança o Diário Económico.

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Que nervoseira, não é, Dr. Nogueira Leite? Da lista de cargos que lhe propuseram e que o imaginamos a recusar com ar displicente, este era o primeiro a agradar-lhe mesmo…

(Um aparte: apesar do jornalista nos contar que se DEMONSTROU surpreendido, nós compreendemos que se tenha mostrado surpreendido)

Questionado sobre a composição da próxima Comissão Executiva da CGD, à margem do IX Fórum da Banca e Mercado de Capitais, em Lisboa, Faria de Oliveira disse que “ainda não está decidido o modelo da nova liderança nem quantos vice-presidentes terá. Mas provavelmente Nogueira Leite será vice-presidente da instituição”.

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Nervoseira agravada: “provavelmente”? Que desprezo por tão brilhante personalidade…!

Perguntas embaraçosas

Primeira pergunta – A nossa direita não se coibiu de tecer loas a Barak Obama desde a sua eleição. Agora, o jogo dos republicanos em relação ao limite da dívida, que se arrisca a mergulhar de novo a América e o mundo numa crise, assemelha-se muitíssimo às rábulas por aqui também representadas por PSD e CDS no último ano. Em que campo estarão agora? Rejeitarão a imagem que vêem no espelho?

Segunda pergunta – A propósito do 93.º aniversário de Nelson Mandela, afirmou o nosso presidente da República, em tom enfático de veneração, que, apesar dos 27 anos de prisão, nunca o mais ligeiro grão de “ressentimento ou vingança” (fim de citação) aflorou à mente daquele ser superior. Não faz parte da moral cristã, que sua excelência pretensamente pratica, seguir os bons exemplos?

Mau Maria. Afinal em que é que ficamos?

O primeiro-ministro anunciou hoje que o Governo vai apresentar até ao final de agosto um conjunto de medidas de contenção para colmatar o «desvio» de cerca de «dois mil milhões de euros» encontrados nas contas públicas.”

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Porque é que isto me cheira a “pensando melhor, vamos levar para a frente esta boca dos 2000 milhões”?
O ministro das Finanças não referiu qualquer desvio deste calibre. A Troika não o detectou. Será que as críticas ao carácter preventivo do imposto extraordinário levam agora Passos a encontrar uma justificação a posteriori para a aplicação do imposto e, eventualmente, outras medidas que aí vêm, como encerramento de serviços e despedimentos?
O Expresso dava a notícia dos 2000 M€ em título, mas, como já é prática habitual, no desenvolvimento da mesma, a jornalista apenas se fundamenta em afirmações do PM, segundo as quais “se tudo continuasse como até agora, havia expectativas fundadas de chegar ao final do ano com um desvio de 2,1 a 2,3 mil milhões de euros”. Esta frase é bastante ambígua. Expliquem-se de uma vez por todas, se fazem favor.

E se a Antártida era isto…

…como seria a paisagem por aqui?

Não resisti a mostrar esta imagem para dar a sonhar a quem esteja na praia, com desejos de que o faça com o prazer acrescido de quem vive um privilégio.

Segundo os últimos estudos da professora Jane Francis da universidade de Leeds, há 55 milhões de anos, o pólo Sul, para nós o continente gelado, era um local extremamente agradável para se viver, uma zona tropical, onde habitavam mamíferos, como castores e outros. A equipa chegou a esta conclusão depois de, num projecto de perfuração e com a ajuda de tecnologias de satélite, ter encontrado sedimentos de pólen de plantas que só florescem nos trópicos. As quantidades astronómicas de CO2 presentes na atmosfera durante milhões de anos são a explicação. Clima e dióxido de carbono, definitivamente, não se largam. E o que provocou a existência de uma quantidade astronómica de CO2 (1000 ppm (partes por milhão)) na atmosfera de então? O Guardian foi a Edimburgo saber e disse-nos.

Felizmente para nós, o tempo geocósmico é lento. Os cientistas são, no entanto, unânimes a dizerem que estamos a acelerar perigosamente os ciclos climatológicos.

Haverá margem?

A comunicação de ontem do nosso Ministro das Finanças suscita-me uma série de questões sobre política actual que conviria discutir com a máxima abertura. Para além do estilo inédito do novo governante, acabado de chegar da “Europa”, e do qual se gosta ou não ou, se não se gosta, até se pode considerar encobridor de uma certa crueldade, ele não deixa de ser um liberal, imbuído de um forte espírito privatizador e apologista de um capitalismo totalmente transfronteiras. No fundo, aceita de bom grado, se é que não advoga, a perda de independência. “O capital não tem fronteiras” parece ser a sua casa. Aparentemente, mas só do seu ponto de vista, está em total consonância com a corrente política actualmente dominante nas países europeus, maioritariamente de direita. Chamo, no entanto, a atenção para o facto de os principais dirigentes europeus, ao contrário do senhor Ministro, serem altamente zelosos e protectores dos interesses dos seus países, acima de tudo.

Ora eu pergunto se haverá, se haveria, margem, neste momento, para um governo de esquerda num país da zona Euro? Se haveria margem, por exemplo, para um José Sócrates, com uma visão mais “soberana” do país e directrizes de desenvolvimento próprias. Penso que seria difícil. Em sede do Conselho Europeu seria sempre visto como um pária. Ou então, para satisfazer os ditames dos seus parceiros europeus mais ricos, seria sempre visto como um traidor pelos seus eleitores em Portugal. Uma questão na qual o PS deverá reflectir.

O tal governo económico que muitos acham indispensável existir para dar estabilidade ao euro não poderá nunca ser separado de uma visão politico-ideológica para a Europa no seu conjunto. Enquanto os países com mais peso tiverem governos de orientação neo-liberal, um país com um governo de esquerda será sempre mal visto. E o curioso é que os próprios cidadãos desse país entenderão que terão mais interesse em votar em partidos da linha dominante na Europa. Tudo pensado, verão nisso uma vantagem. Veja-se o que acontece neste momento em Portugal. A maioria acata pacificamente as decisões desta espécie de “delegação” do governo federal da Alemanha. Será isto uma ante-câmara de um governo europeu? Não estará o eleitorado a ser instruído para vender a sua autonomia e identidade em troco de paz e pão?

Como se fosse possível

FMI critica debate público na Europa sobre nova ajuda à Grécia

O Fundo Monetário Internacional (FMI) diz que o debate na zona euro sobre a ajuda adicional à Grécia e a participação dos credores privados no segundo pacote de resgate é um «enorme problema» à geração de confiança na economia helénica.

Fonte

Esta é boa. Não é que eu não admire os «mercados» e os especuladores pelo bem que fazem à sociedade, mas então agora os analistas, comentadores, economistas, simples cidadãos, políticos, etc. não podem discutir, adivinhar, vaticinar, defender, criticar ou chafurdar no novo pacote de ajuda à Grécia? Ou a Portugal, ou à Irlanda! Pretenderiam mantê-lo em segredo? Esta gente passa-se.
A menos que queiram dizer que, como os decisores não se entendem, o melhor é calarem-se. Pois… Veja lá se consegue, Madame Lagarde. Teremos que contratar o Assange? É que a pressão da opinião pública e publicada perante a cacofonia que por aí vai pode ser uma maneira de dar um pontapé para a frente nesta Europa.

Que raio de métodos

Segundo o jornal britânico The Guardian, a CIA organizou, com a colaboração de um médico e de uma enfermeira de Abbottabad, no Paquistão, uma campanha de vacinação generalizada contra a hepatite B apenas para obter o ADN dos familiares de Bin Laden, suspeito de habitar a povoação. As vacinas ficaram-se pela primeira dose das três obrigatórias. Espero que, apesar disso, tenham surtido efeito.

Mas não posso deixar de lembrar-me do evangelho de S. Mateus, segundo o qual e cumprindo-se uma pofecia do Antigo Testamento, Herodes, rei da Judeia, terá mandado assassinar todas as criancinhas de Belém no intuito de impedir, na fonte, que o seu trono fosse usurpado pelo recém-nascido “Rei dos Judeus”.

Ai, as fontes de inspiração da CIA! Vá lá que não se tratou do extermínio de uma população. Mas ao menos podiam ter administrado as três doses…

Passaremos agora a olhar as campanhas de vacinação nos países mais pobres com outros olhos. É ou não é? Que a agulha entrava, já suspeitávamos, mas que também trazia alguma coisa de volta já demorariamos mais a pereceber.

A que preside este presidente?

RTP

Já sabíamos que Durão Barroso pouco se tem afirmado à frente da Comissão Europeia. Ontem, em entrevista ao canal 1 da RTP, veio confirmar não só isso mesmo, mas também a total ausência de visão própria da Europa e dos últimos acontecimentos e até o desconhecimento de muito do que se tem dito sobre eles, parecendo Barroso viver noutro planeta. Serão efeitos da irrelevância a que os principais líderes europeus o votam? O homem, no entanto, deixa transparecer que assume o seu papel de joguete “com inteira responsabilidade”. A entrevista foi medíocre. Não pelas perguntas, que até não foram mal colocadas, embora tenham deixado de fora alguns assuntos e pudessem ter ido mais longe noutros, nomeadamente a questão do PEC 4 e da reacção da UE. Mas sobretudo pela falta de qualidade das respostas: vagas, desinteressantes, sem chama, circulares. Em suma, uma entrevista batante inútil e que só serviu para expor o total servilismo de Barroso e a descoordenação e desorientação que paira na Comissão, que parece mais intrigada com tudo o que se passa do que competente para o enfrentar.

Acordaram tarde, não são unânimes e parecem delirar

“A Europa não pode permitir que o euro seja destruído por três empresas privadas norte-americanas”, disse a comissária luxemburguesa, exigindo mais transparência e mais concorrência na avaliação de Estados pelas referidas agências.

“Só vejo duas soluções, ou os Estados do G-20 decidem desmantelar o cartel das três agências de ‘rating’ norte-americanas, e de três agências fazer seis, por exemplo, ou criar agências de ‘rating’ independentes na Europa e na Ásia”, acrescentou Reding.

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1. Das três agências referidas, uma tem propriedade francesa – a Fitch. Existem centenas de agências de notação, mas estas são as mais influentes. Até uma agência ganhar credibilidade passarão muito anos.

2. A Moody’s mais não fez do que reconhecer oficialmente que os planos de austeridade impostos pela Troika aos Estados em apuros não resolvem a situação e, pelo contrário, a agravam. A conclusão de que a análise feita pela agência e a consequente decisão visam atacar o euro é baseada na susceptibilidade de quem sabe perfeitamente que aquilo é verdade (como está demonstrado pelo exemplo da Grécia) e não gosta que lho lembrem.

3. Na Comissão, já ouvimos Olli Rehn a defender a criação de uma agência europeia, Barroso a não achar boa ideia, preferindo regulamentar as existentes, e agora a comissária Viviane Reding a defender a divisão das três para dar lugar a seis e nenhuma nos Estados Unidos. Eis o que me parece já próximo do delírio.

4. É evidente que estas agências têm muito de questionável, começando pela notação excelente dada a instituições financeiras à beira da falência, em 2008. Mas só agora que se sentem “às aranhas” para resolver a crise das dívidas soberanas europeias é que se lembram de atacar as agências de notação financeira? O próprio BCE se tem orientado pelas suas notações!

Our man in Saint Benedict

Para além dos protestos ridículos das alimárias que nos governam contra as agências de notação e dos comentadores seus apoiantes que parece só agora terem visto a realidade, provocando-nos uma imensa vontade de rir, e para além da austeridade plus plus que este governo se propôs adoptar (a ver vamos) com grande entusiasmo e amadorismo, convém não perder de vista o programa político e a missão de que se incumbiu Passos Coelho e para os quais os aparentes “murros no estômago” são meros acidentes de percurso.

Por estes dias, muitas empresas, sobretudo as mais importantes no mercado, devem andar eufóricas e com mal contida ansiedade perante as benesses que aí vêm, apesar e por causa da degradação da posição do país. Ele é a TSU que baixa mais do que esperavam, ele é as empresas públicas à venda a preço de saldo, ele é a privatização de centros de saúde, ele é a venda das acções douradas, ele é o desmantelamento do Estado com que sempre sonharam, ele é a mão-de-obra barata, ele é a rédea solta, ele é uma ministra da Justiça “amiga”, enfim, o paraíso está bem perto.

Pedro Passos Coelho, por mais empenho que exiba (o homem parece-me cínico) em pôr na ordem as contas públicas para o país voltar a crescer (olha a Grécia, querem que ria ou que chore?) é claramente o seu agente. Depois de devidamente afundado o país em dívida, mais dívida, recessão e desemprego, restará a Passos ser corrido e, depois do interregno e da missão cumprida, retomar a sua florescente carreira de empresário numa das empresas cujos interesses tão diligententemente foi defender para São Bento. Haverá várias, agradecidas, à escolha. E assim tudo acabará bem. Para ele, claro está.

“Murro no estômago”, diz ele

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, classificou hoje como um “murro no estômago” a decisão da agência Moody´s de cortar em quatro níveis o “rating” de Portugal, colocando a dívida do país na categoria de “lixo”.

Fonte

Deixem-me rir! Então e o murro no estômago dado pelo senhor com o chumbo do PEC IV? Lembra-se da imediata subida em flecha das taxas de juros da dívida soberana e da descida drástica da notação dos bancos portugueses e do próprio país? Lembra-se do consequente pedido de empréstimo? Foi ou não foi dado um murro nessa altura? E não pela Moody’s. Agora aguentem-se, porque vai haver mais. Estamos todos atentos. O circo ainda agora vai a meio… E era isto mesmo que desejavam, não era? Ou pensavam que o FMI vinha aí ajudar e tal, vocês seguiam rigorosamente a receita e pronto, Portugal seria uma história de sucesso. Santa ignorância!

Aí vamos nós

Apesar do novo governo, dos seus propósitos “bom aluno”de cumprir o défice e até, ansioso por aplicar a ciência dos manuais de neo-liberalismo, de o fazer mais rapidamente “indo mais além” das medidas acordadas com a Troika, a nossa dívida acaba de ser considerada lixo, com ameaça de nova descida, talvez para esterco. Sócrates já não está, para servir de bode expiatório. O governo diz-se colhido de surpresa e decepcionado. Entrámos, portanto, na via, não romana infelizmente, mas grega! A da tragédia.
Acho tudo isto extraordinário.

O governo, apesar do ar pesado de Gaspar, uma “mente brilhante”, deve achar que assim é que está bem. Parece confortável com o destino miserável do país.

Sabemos o que se vai seguir: cortes atrás de cortes, encerramento de serviços e organismos públicos, privatizações, despedimentos, inclusive na função pública, dado que é inútil reduzir e fundir serviços se não se dispensar pessoal e com isso poupar salários. Menos poder de compra, logo, menos consumo e mais recessão. Mas nenhuma daquelas medidas vai chegar. Não vai chegar nunca! Toda a gente sabe disso e não se faz nada. Tamanha subserviência perante uma Europa indiferente, implacável e arrogante devia ser inaceitável. Há pouco estava um senhor a perorar na SIC-N que o Brasil também já passara por situações de bancarrota no passado e acabou por recuperar. Portanto, a gravidade da situação seria relativa. Por favor! Nós não somos o Brasil nem temos moeda própria que possamos desvalorizar.
O que se passa com esta Europa? Parece-me tudo uma gigantesca hipocrisia.

Debate fechadinho

A candidatura de Seguro insistia nos três debates: um em cada uma das maiores federações – Lisboa e Porto -, em princípio apenas para os militantes (e por isso fechado a jornalistas), e outro organizado por um canal de televisão.

Além de Lisboa e Porto, Francisco Assis pretendia debates com António José Seguro em duas outras grandes federações, Braga e Coimbra, numa televisão e uma rádio. Como se mantinha oimpasse, candidatura de Assis, sabe o PÚBLICO, prometeu uma resposta até ao fim do dia de ontem, o que aconteceu já depois das 22h.

Fonte

Parece que muito a custo se arrancaram três debates públicos a António José Seguro, que, ao que parece também, só na presença da “família” se sente à vontade e protegido. Como se o partido e as ideias do seu futuro secretário-geral não interessassem ao país. Tem razão Assis. Como se compreende que, nas televisões, apenas um canal de cabo, a SIC-N, acolha um frente-a-frente? E como se compreende que não haja qualquer debate a dois nas rádios? O que teme Seguro? Ainda não ganhou nenhuma liderança e já se mostra tímido. O PS existe para governar o país segundo determinadas linhas ideológicas e, para isso, deve mostrar aos portugueses as linhas que se encontram neste momento em confronto no partido, não é uma espécie de grupo de teatro experimental na sua pior acepção, aquela em que se despreza por completo o público.

“She was a hooker”

Under oath, she told the grand jury that indicted Strauss-Kahn that she cowered in fear after the attack in the hallway on the 28th floor of the Sofitel New York hotel until he had left the room — and then immediately notified her supervisors.

In fact, embarrassed prosecutors disclosed yesterday, “she proceeded to clean a nearby room and then returned to Suite 2806” — the alleged crime scene — “and began to clean that suite before she reported the incident.”

Fonte com link a outra fonte

Perante o que agora se conhece, e que deixa a competência de Cy Vance muito em causa, Strauss-Kahn pode ficar completamente limpo. É claro que a “tara” não lhe vai passar e, pior, é agora conhecida em todo o planeta.
E a camareira? Irá haver quem a olhe com compreensão – mulher pobre, coitada, faz pela vida. O mundo é injusto. E quem a olhe como uma reles pega, que arma uma trama monumental, arruína a carreira de um homem e deveria, ela sim, ir presa.

Conhecendo nós a moral pública americana, estou curiosa em saber o que irá decidir o “prosecutor” de Nova Iorque 1) para salvar a face, 2) para não deixar de tirar partido do caso para dar um sinal à sociedade de que “abusos sexuais” não serão tolerados (mesmo que disso não se trate) e 3) para reparar a terrível injustiça feita a DSK, se é que isso importa.

Ainda falta muito? (e outros assuntos)

1. A líder transitória – mas até quando? até Setembro? – da bancada parlamentar do PS deve rapidamente dar lugar a alguém definitivo, mais aguerrido. É que o governo começou desde cedo a proporcionar matéria para questionamento (a chamada “malhação”). Não deveria, portanto, haver tempo a perder.

2. Não tenho visto muita televisão, mas vou passando por lá. Não verifico que esteja a ser dada importância às eleições no PS. Hello, canais! Trata-se do maior partido da oposição. Mais depressa do que se pensa este governo perde apoio popular e há que saber quem está do outro lado. Estamos todos lembrados do período eleitoral no PSD: dia sim, dia não, lá estavam ou o Paulo Rangel, ou o Aguiar Branco ou o Passos a ser entrevistados. Estou em crer que os portugueses gostariam de conhecer melhor o que têm Seguro e Assis a dizer e como o dizem. Eu própria também estou!

3. Ouço pessoas ligadas ao PS dizer que o Seguro “sabe ouvir as bases” e “sabe atrair quadros”. Quanto aos quadros, passo, porque temo curto-circuito na minha mioleira se procurar descortinar de que maneira Seguro atrairia o que quer que fosse fora daquelas federações. Quanto a ouvir as bases, eu não digo que não ouça. A questão é se o que dizem merece ser ouvido, e se não deveriam antes elas próprias ouvir o que alguém inteligente e atento lhes terá para explicar sobre actualidade política e sobre a encruzilhada em que se encontra a esquerda (e o mundo em geral, em que a direita também não escapa). E a questão é também se o que as bases dizem, pressupondo que há alguma unanimidade nisso, é passível de ser tido em conta num programa de governo para o país na hora actual. Em suma, mesmo na hipótese de Seguro poder ser eleito por ser bases-“friendly”, não interessará mais ao PS ter como líder alguém carismático e lutador, com propósitos novos, que conquiste os portugueses em geral? Os chamados “quadros” aproximar-se-ão se virem credibilidade e determinação em alguém.

Thriller internacional – outros contornos?

Esta história chegou-me um dia antes das últimas notícias da libertação de DSK. Pode ou não ser verdade. Que Omar foi preso, foi. Talvez mereça a pena acompanhar as próximas notícias.

“Na manhã de 14 Maio, o dia em que foi preso, Dominique Strauss-Kahn (DSK) tinha sido aconselhado pelos serviços secretos franceses (DGSE) a abandonar os EUA e regressar rapidamente à Europa, descartando-se do telemóvel para evitar que pudesse ser localizado. A delicadeza da informação secreta que lhe tinha sido entregue por agentes “d…elatores” da CIA justificava tal precaução.
Strauss-Kahn tinha viajado para os Estados Unidos para clarificar as razões que levavam os norte-americanos a protelar continuamente o pagamento devido ao FMI de quase 200 toneladas de ouro. A dívida, com pagamento acordado há vários anos, advém de ajustes no sistema monetário – “Special Drawing Rights” (SDR’s).
As preocupações do FMI sobre o pagamento norte-americano ter-se-iam avolumado recentemente. Nesta viagem Strauss-Kahn estaria na posse de informação relevante que indiciava que o ouro em questão já não existe nos cofres fortes de Fort Knox nem no NY Federal Reserve Bank.

Mas Strauss-Kahn terá cometido um erro fatal: ligou para o hotel, já da plataforma de embarque, pedindo que o telefone lhe fosse enviado para Paris, o que permitiu aos serviços secretos americanos agir nos últimos minutos. O resto dos factos são do conhecimento público.
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Sentemo-nos

Vai ser giro observá-los a descalçar esta bota:

Questionado pelos jornalistas sobre o facto de o Governo português ter decidido suspender a construção do TGV, Siim Kallas sublinhou que os fundos comunitários disponibilizados para projectos da rede trans-europeia de transportes “não podem ser realocados”.
“Sempre encorajámos os Estados-membros a não cancelarem os grandes projectos em infra-estruturas”, disse o comissário europeu dos Transportes, lembrando o seu contributo para a criação de emprego
.

Para já não falar dos espanhóis.