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Toca a dinamizar o mercado de transferências televisivo + crítica musical

 

Programação da noite das quintas-feiras da TVI24 e da SIC N. Serei eu a única a achar que o Pedro Silva Pereira tem nível a mais para estar a aturar o Paulo Rangel no programa “Prova dos Nove”? Eu sei que ninguém merece “levar” com tão impertinente e mal-comportada personagem em contexto de debate político, mas Pedro Silva Pereira tem um discurso demasiado claro, bem articulado, responsável e sério para tão básico e demagógico oponente. O Fernando Rosas também sofre com a incontinência verbal do tripeiro. Ainda ontem ameaçou abandonar o programa se a criatura não se calasse. Em suma, Paulo Rangel tem provado que estará sempre definitivamente a mais num painel de debate com adversários políticos. A sua argumentação oscila entre um estilo tentativamente rebuscado, e totalmente artificial, que lhe advém do exercício da advocacia, e um estilo menino Acácio malcriado e respondão. Não convence ninguém e só perturba. E não me refiro a perturbações profundas.

Por sua vez, ali ao lado no comando, o programa “Quadratura do Círculo”, na SIC Notícias, que começa pouco depois, está um tanto ou quanto estagnado e sonolento. Penso que o Pedro Silva Pereira na Quadratura, ao lado do Pacheco Pereira e do “pipi” do Lobo Xavier iria dar o picante necessário para voltarmos a olhar para aquilo com interesse. Muito gostaria de ver a postura do Pacheco caso aceitasse o desafio.

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Gosto de música e consumo todos os géneros. Depende da hora do dia, do local e da disposição. De manhã, por exemplo, ninguém me verá a ouvir música clássica. À tarde ou à noite já sim, e de preferência em salas de concertos. Já os últimos “hits” da pop, do rock, do rap, do hip hop e por aí fora é de manhã ou nunca. Nada (ou tudo) a ver, mas aqui há um ano, mais ou menos, a fadista Carminho e os HMB, uma banda dita “soul”, resolveram conjugar vozes e estilos e o resultado foi muito bom na interpretação de “O amor é assim”. Agora, não sei se por imitação, ouve-se por aí na rádio, felizmente poucas vezes, uma “canção” que junta também uma fadista, a Ana Moura, e o rapaz das argolas, o Agir (aliás, com uma boa voz). O resultado desta combinação é um desastre. Não percebo como é que a Ana Moura não cortou a tempo esta parceria e deixou sair a produção.

 

 

 

 

 

Não é tempo de alguém pôr ordem nisto?

Onde está a decência destas pessoas?

Tenho estado fora do país. Mas li que velhas práticas se repetem. Depois de umas incursões noutros jornais e revistas, o Ministério Público continua alegre e impunemente a manter viva a parceria com o Correio da Manhã para a divulgação das teses que não consegue provar no que respeita à Operação Marquês. Li até, e quase não acreditei, que estavam a ser transmitidas numa televisão as gravações dos interrogatórios.

Eu diria que isto é demais e que já dura há demasiado tempo. “Eu diria”, não. Eu digo. Mas a Ministra da Justiça o que tem a dizer sobre isto? Achará bem e normal o que se está a passar com a Justiça? Com os prazos que não são prazos, mas um apontamento anedótico da lei? Os atropelos descarados ao Estado de Direito não lhe merecem um reparo? Quem é afinal o responsável por este esquema viciado, que desrespeita por completo os direitos dos arguidos, condenando antes de acusar? Nada lhe é apontado, de nada é acusado? É possível ouvir sem rir e sem agarrar no telefone a Procuradora-Geral dizer que vai abrir um inquérito interno? Não há nenhuma conversa a ter com esta senhora sobre esta matéria? O Presidente da República, que em tudo intervém, não acha que é tempo de tornar a Justiça séria, digna, imparcial, racional e, enfim, competente?

Porque o que se passa de aberrante é o seguinte: o MP prende um indivíduo porque lhe apetece, já lhe apetecia há algum tempo, instigado pelo ambiente político e por raiva corporativa, e porque entende que o povo vai adorar. A comunicação social é avisada para o “show”. Não há a mínima prova consistente para o acusar, mas isso parece não interessar. O indivíduo é mantido preso durante meses e apenas libertado a contragosto do senhor juiz, que, por ele, o manteria preso até ao fim dos seus dias. O MP, obrigado a investigar, patina nas investigações. Chamam-se então uns jornalistas e combina-se que se lhes passa um determinado material, neste caso as suas teses, suposições e desconfianças. Os jornalistas aceitam, olá se aceitam!, e publicam. Publicam, aliás, sabendo que tais teses e desconfianças devem ser lidas como verdades. Não discutem. O negócio é comprar e depois vender da maneira mais atraente. Aliás, os que menos discutem e contrapõem, e pelo contrário acentuam por todos os meios a mensagem pretendida pelo “fornecedor”, são os que terão garantido o prolongamento da parceria e, logo, maiores receitas para o seu jornal. Assim, pobres dos jornais que não queiram entrar no esquema. E triste o dia em que o esquema acabar!

O objectivo é sempre o mesmo: destruir a imagem não só do, mas também dos arguidos até já não ser possível alguém decidir pela sua inocência, sobretudo “do” arguido por excelência. Mas entretanto, o que sabemos nós do que diz Carlos Santos Silva, por exemplo, o alegado depositário da fortuna de Sócrates? Nada. Zero. Era sequer rico?? Por que razão dá o MP crédito ao que disse Helder Bataglia? O homem não estava sujeito a um mandado de captura internacional? Não estaria disposto a dizer tudo o que agradasse aos ouvidos dos procuradores para poder circular em liberdade? No meio disto tudo e para reforçar a seriedade do processo, a defesa não tem acesso ao material fornecido aos jornalistas. Não conhece o que dizem as pessoas ouvidas, não conhece a acusação. Não pode exercer os seus direitos. Acresce que a classe dos juízes ri-se em peso de cada vez que é interposto um recurso e afasta os colegas que com eles não riem. Isto é uma autêntica bandalheira. Uma pouca-vergonha. E quando a pouca-vergonha vigora na Justiça, há ou não há algo a fazer? Tem que haver.

 

“Eu vejo-os todos entendidos e chateio-me, claro que me chateio!”

A Helena Garrido (aqui, no Observador), dando voz à direita em geral, continua sem compreender o porquê de terem perdido os seus aliados tradicionais no combate aos socialistas – o PCP e o Bloco. Está inconsolável. Vai daí, carrega nas hipérboles e diz que Costa tem mais poder do que qualquer outro anterior primeiro-ministro em democracia; chama, pasme-se, guardiões da democracia aos dois partidos – “críticos e escrutinadores da democracia, da liberdade, do cumprimento da lei e da ética” (ena!).

Lamenta-se da seguinte maneira trágica: “O que nos pode restar? Quem pode impedir que este Governo se transforme numa espécie de “o Estado sou eu”?

Ah, Helena, que triste, parte-se-nos o coração de a ver tão angustiada, como se, no governo anterior, aqueles dois partidos tivessem algum poder de fogo contra os abusos dos passistas e portistas!

Surpreende porém que, apesar do choro, mantenha ainda algum sentido de humor, como aqui:

“[…] quem acompanhava a economia lembra-se como era importante ouvir as análises dos comunistas aos Orçamentos e como se devia estar sempre atento ao que afirmava o Bloco, primeiro com Francisco Louçã e depois com Catarina Martins.” Ah, sua maluca. Danada para a brincadeira. Mas eles continuam a pronunciar-se!

Mas Helena acaba por tocar num ponto sensível e muito importante da actual situação: pelos vistos, o PSD e o CDS não podem fazer o papel que ela considerava atribuído aos comunistas e bloquistas, a saber, o de escrutinadores e guardiões das liberdades. Mas e não podem porquê? Ela responde: porque já foram poder. Ora bem, aqui é que bate o ponto. Se tivessem exercido bem esse poder, e sido um bom governo, a actual solução não teria tido sucesso. Se não tivessem feito figuras tristes no panorama europeu, por exemplo, ou na condução da governação, ou a nível da moral e da ética, estariam agora em muito boas condições para darem lições aos outros. É um facto, não estão. Choremos, portanto.

Engraçado é que, por muitos encómios que teça aos seus ex-chuchus da extrema-esquerda, Helena acaba por lhes dizer que eles estão bem é na contestação e no protesto. Nunca na assunção de responsabilidades. Para elogio não está mal.

 

Forte humor partidário e situação da oposição

Hoje de manhã, no carro, ouvi, na Antena 1, Luís Montenegro, do PSD, dizer que, em caso de rompimento definitivo do acordo que estabelece a base de apoio ao Governo PS, não era obrigatório irmos para eleições. “Em tese, não é?”, dizia a jornalista e ele corroborou, acrescentando que, como o PS é actualmente minoritário no Parlamento, poder-se-ia formar um governo de coligação PSD-CDS com o apoio do PS. É claro, ó Montenegro! Como é que ninguém vê tal evidência? (Esta anedota já se encontra relatada aqui)

Percebe-se que as eleições são a última coisa que lhes interessa, dadas as sondagens. Então, dedicam-se ao anedotário, procurando convencer-nos de que ainda vivem na ilusão de que a vitória obtida em 2011 lhes vale para mais alguma coisa do que para darem o lugar a outros.

A questão é a seguinte: a tropa passista continua a ser actualmente o PSD; não há outra gente. Com ela, continuaríamos com as mentiras, com a submissão à linha única de pensamento austeritária, com a destruição da escola pública, da Caixa pública, os esquemas esquisitos na banca, com o desprezo pelo Estado social, de regresso à caridade e à emigração, etc. Além de que é difícil descortinar quem, na direita, com um mínimo de credibilidade, gostaria de se lhes associar. A estes, aos mesmos.

Por mim, podem continuar a manter o Passos como líder do partido e, portanto, da oposição. É a melhor garantia de que não haverá desentendimento à esquerda. O PSD tem dificuldade em perceber isto. Ou talvez não, pelo menos o PSD que ainda disponha de algumas cabeças pensantes, pois é verdade que, neste tempo de vacas magras para eles, alguém tem que estar na liderança e agradecem que esta direcção aprecie o sacrifício. Mas esta tropa está convencida de que a táctica passada da pulhice, da chicana e da irresponsabilidade os há-de levar ao poder de novo. Já são conhecidos, é impossível.

Pouca uva

Quinta-feira, 2 de Março. Pelos alertas da véspera, o dia previa-se carregado, com ameaça de cataclismo. A Operação Marquês, qual Etna, entraria novamente em erupção, cuspindo desta vez o BES, a PT, o Sócrates; um magma amalgamado de ligações e verdades irrefutáveis, acusações assassinas, guilhotinas escorreriam pelo Marquês abaixo perante o nosso olhar incrédulo. Atingira-se a cabeça do polvo, que, antes de estrebuchar, falara e confessara.

Confessara? Calma. Fomos ler. Não foi exatamente assim. Por alguma razão já não muito estranha, é-nos divulgado, com certeza parcialmente, o interrogatório feito em Janeiro a Ricardo Salgado no DCIAP. Visão, Sábado e Observador (?) foram os veículos utilizados pelo Ministério Público para nos “escandalizar”. Pensei francamente ir encontrar um prenúncio sério de acusação. Enganei-me. Salgado classifica a narrativa do Ministério Público, que lhe foi laboriosamente lida, como um rol de mentiras e dispõe-se a dar aos senhores procuradores um curso acelerado de banca e estratégias de crescimento. E sim, por meios e através de relacionamentos muito pouco ortodoxos.

Mas prosseguindo, se o objectivo do MP é o efeito dos títulos e do tamanho dos mesmos na opinião pública, o Correio da Manhã quase teve substitutos à altura. Porém, lendo os conteúdos, o caso muda de figura. Deixo de fora a revista Sábado, que não li. Li a Visão e o “site” Observador. A Visão resolve gastar a maior parte do espaço disponível a transmitir a versão do Ministério Público. Três euros e tal, o equivalente a uma posta de salmão assado, deitados ao lixo. O Observador (não sei se baseando-se na Sábado se também no correio  directo do MP) desenvolve mais a parte do depoimento de Salgado, o que torna a coisa mais interessante. De facto, pelo que nos é dito, a procissão deve estar no adro, de onde provavelmente não irá sair, pelo menos do adro daquela igreja. Talvez mudando de igreja. Ou de diácono. Ou de culto. E já que das coisas publicadas, por regra, se espera uma opinião, aqui está a minha: o Ministério Público elabora demasiado e precipita-se sobre teses em domínios que aparentemente não compreende ou com os quais não está familiarizado. Tudo lhe parece um deslumbramento. Mas está a aprender muito, talvez para um próximo processo que envolva a banca e grandes empresas. No que respeita a Ricardo Salgado, isto parece-me óbvio. Estou em crer que, se os investigados fossem os administradores de outros bancos, sobretudo numa altura de crise financeira grave, as operações e os esquemas identificados não seriam muito diferentes. O que não quer dizer que sejam lícitos. E é pena que as descobertas do MP se façam à custa da destruição na praça pública de pessoas que podem não ter cometido crime algum. Podem ter, mas também podem não ter. Se não tiverem, o dano é irremediável. Nunca este efeito é tido em conta.

No que respeita a Sócrates, nada do que li me demonstra minimamente, quanto mais claramente, que o GES ou o BES, ou lá quem seja a entidade desse universo, lhe andou a pagar luvas. Até porque não se consegue perceber o que ganhava ou ganhou o BES com esse alegado acto de corrupção. Neste momento, não percebemos. Salgado afirma que nada lhe pagou (é um facto que nunca foi mencionada até à data qualquer conta em nome de Sócrates em lado nenhum), muito menos a Santos Silva, que não conhece. Mas admitamos que conhece e que pagou: foi para quê exatamente?  Salgado remete para Helder Bataglia o envio dos hipotéticos milhões para Carlos Santos Silva (que acontece não ser Sócrates), mas isso pode ter milhentas explicações. Santos Silva era um homem de negócios e é um facto que Salgado pôs nas mãos de Bataglia, além de exagerada confiança, avultadas quantias. Aqui, nada está esclarecido, apesar das “denúncias” de Bataglia, feitas, tanto quanto podemos deduzir, para salvar a pele. Qual a ligação de Bataglia a Santos Silva? Não sabemos. Aliás, de Santos Silva nunca se ouviu nem leu uma palavra. Qual o interesse de Bataglia em subornar Sócrates? Ricardo Salgado mente? Mas a relação com Bataglia, tal como descrita por Salgado, parece-me verosímil, e ninguém terá muitas dúvidas de que os negócios em Angola sejam todo um mundo de regras ainda mais próprias do que por cá. Tudo no adro.

Portanto, eu faço o meu julgamento com base no que leio, e penso ser essa a ideia de quem põe cá fora estas informações. Eventualmente não estarei a fazer a leitura que se pretendia, mas tive o cuidado de não me ficar pelos títulos. Até à data, não vejo qualquer tese irrefutável da parte do Ministério Público.

Sem acusação, este processo que envolve Sócrates, assim como os métodos de actuação do MP, de que estas ofertas de conteúdos a certa comunicação social são um exemplo, são muito duvidosos. Ou seja, por mais que libertem dados da investigação que as defesas não conhecem, as dúvidas e o cepticismo iniciais não são dissipados. Não digo que mandem mais porque isto não chega. Digo que parem com as fugas (que aliás, ironicamente, nunca arrasam o principal arguido), acusem e se deixem de tácticas.

Viver com dúvidas quatro anos…

… e nunca as esclarecer com a ministra das Finanças. “A publicação dos dados conferiria vantagem aos infractores”(?), os mesmos que já tinham transferido o dinheiro há mais de um ano. “Os dados vinham em bruto”, o que era uma uma chatice para os destrinçar. Mas estão o que estava Núncio a fazer ali? Eis os esclarecimentos de Paulo Núncio na Assembleia há uns minutos. Quão mais sem noção se pode ser?

Este senhor está nitidamente a gozar connosco. Se é com esta prestação de absurdos que pensa estancar as especulações sobre o porquê da sua decisão e dissipar (estas sim, legítimas) as nossas dúvidas, está profundamente enganado. Ainda não sabemos o resultado da fiscalização ao que não foi fiscalizado. Lê-se entretanto que desapareceram documentos da AT. Eu espero que as nossas dúvidas não perdurem nem quatro dias. E pressinto que acabarão por se  dissipar mas no sentido menos agradável para ele.

O homem deles na SIC, que já é deles*

Acabei de ouvir o José Gomes Ferreira, na SIC N, dizer que a demissão de Paulo Núncio de cargos partidários no CDS foi um gesto nobre, mas que não chega. Faltam explicações.

Embora estas observações tenham sido acompanhadas pelo relambório de que pode ser tudo legal, etc., tudo bem, José. Olé, José! Não faltava mais nada do que este artista se dar por satisfeito com tão fácil e barato gesto do ex-Secretário de Estado. Só que depois, não querendo deixar uma imagem de choninhas da direita, de que se lembra o rapaz? Saca de uma portaria do Ministério das Finanças de 30 de Dezembro de 2016 que retira da lista negra dos offshores, ou seja da lista dos não cooperantes, as ilhas de Man e de Jersey e o Uruguai, por terem subscrito entretanto tratados ou acordos internacionais, ou mesmo bilaterais, que obrigam à colaboração e à troca de informações. Esta espada assim brandida brilha, pois Gomes Ferreira vê aqui uma decisão muito lamentável e suspeita do actual governo, tão suspeita que sugere a sua abordagem nas audições de amanhã na Assembleia. Já que lá vai estar o actual Scretário de Estado dos Assuntos Fiscais, há que aproveitar (digo eu) para de alguma forma o “entalar”, então não? Ouviste, Hugo Soares?

Entalar com o quê, sigam-me por favor.

É esta a ligação que falta para se entender o brilhante plano: é que, diz ele, esses offshores, ou agora ex-offshores, até podem colaborar, a questão é como, se as transferências por cá não são controladas nem publicadas? Desculpe?? Então isso não foi durante o governo dos seus amigos?

Link para a Portaria.

Excerto de uma notícia do Expresso sobre a Portaria.

A opção pela eliminação de Jersey, Ilha de Man e do Uruguai da “lista negra” dos paraísos fiscais é justificada pelo Governo “tendo em conta os desenvolvimentos entretanto ocorridos ao nível da implementação de mecanismos antiabuso no plano da tributação internacional, os quais tornam, nalguns casos, desnecessária a manutenção de determinados países, territórios e regiões na lista”, lê-se na Portaria nº 345-A/2016, publicada no passado dia 30 de dezembro, pelo Ministério das Finanças.

A AT frisa que “no caso de Jersey, Ilha de Man e Uruguai (…) são todos membros do Fórum Global sobre Transparência e Troca de Informações para efeitos Fiscais e que de acordo com a avaliação realizada por esse organismo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Jersey e o Uruguai foram considerados largely compliant e a Ilha de Man compliant”. Acresce que “Jersey e a Ilha de Man assinaram um ATI (Acordo sobre Troca de Informações em Matéria Fiscal) com Portugal em 2010, e no caso do Uruguai está em vigor uma Convenção para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre o Rendimento e sobre o Património, o qual inclui uma norma sobre troca de informações em matéria fiscal”.

As três jurisdições também aderiram “plenamente” ao Acordo Multilateral das Autoridades Competentes para a Troca Automática de Informações de Contas Financeiras, celebrado ao abrigo da Convenção relativa à Assistência Mútua em Matéria Fiscal da OCDE, adotada em Estrasburgo, em 25 de janeiro de 1988, conforme revista pelo Protocolo de Revisão à Convenção relativa à Assistência Mútua em Matéria Fiscal, adotado em Paris, em 27 de maio de 2010.

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*Esclarecimento/correcção

Erradamente, não me pareceu que com a saída da “lista negra” de uma offshore ela deixava de ser considerada offshore para efeitos de registo e fiscalização das transferências para esses territórios. Só assim se compreende a afirmação de JGF de que as operações não seriam fiscalizadas. Se assim é, as minhas desculpas. No entanto, a demagogia que é feita por JGF com a eliminação destes paraísos fiscais pelo actual governo não passa disso mesmo, demagogia, pois o facto é que esses territórios deixam de ser atraentes para operações obscuras, inclusivamente dadas as suas condições fiscais e regras de cooperação.

Claramente não chega

Assumir a responsabilidade política pelo caso das transferências não fiscalizadas para paraísos fiscais, um passo que pode ser interpretado de diversas maneiras, implica muuuuuitas explicações e não apenas o abandono de funções no pequeno CDS. É sábado e no domingo é dia do senhor, mas há já perguntas a fervilhar na mente de muita gente que não se importa de esperar por segunda-feira. Por exemplo, agiu com conhecimento da ministra das Finanças e do primeiro-ministro ou foi uma decisão pessoal e à revelia da hierarquia? Suspeito que há aqui mais alguém a sentir-se instável.

Asfixiados à séria, mas ai de quem queira mudar as coisas

A notícia hoje vinda a público, a da transferência de cerca de 10 000 milhões de euros para paraísos fiscais sem o controlo do Fisco entre 2011 e 2014, aparece logo no jornal que a publica – o Público – com uma importante omissão no título – a do período a que se refere – e vem acompanhada, no interior do jornal, pela fotografia de Fernando Rocha Andrade, actual Secretário de Estado das Finanças dos Assuntos Fiscais. A omissão das datas foi deliberada e a escolha de Rocha Andrade em vez de Paulo Núncio para a ilustração deliberada foi. David Dinis anda armado em habilidoso. Podia não dar a notícia e seria bem pior? Não sei se podia. Mas, se a deu, devia evitar equívocos. O objectivo é que quem só ler as gordas e só olhar para as fotos associe de imediato os factos revelados ao actual governo. Depois, como lá acabam por mencionar as datas e dar pormenores, dirão que ninguém os pode acusar de falta de rigor. Espertezas saloias que só servem para que muita gente, mais uma vez, se indigne e chame a atenção para os truques e o comprometimento da nossa imprensa, assim como o respectivo controlo financeiro e político.

Mas o caso é grave. Se não, vejamos o panorama nos restantes jornais: à hora a que escrevo, o JN e o DN em linha nem uma linha dedicam ao assunto, idem para o Correio da Manhã; o “site” Observador reproduz a notícia lá para os confins do lençol, só detectável por quem esteja munido de uma lanterna. Apenas o Expresso lhe dá um certo destaque. No entanto, estranhamente, a SIC Notícias escolheu como tema do Opinião Pública o importantíssimo problema da tolerância de ponto no dia de Carnaval… A TVI24 chamou o tema a uma Antena Aberta (não sei se se chama assim), mas convidou o jornalista Pedro Sousa Carvalho, do Público, para responder em estúdio aos participantes. E é assim que estamos.

Talvez o Paulo Rangel nos queira agora falar com propriedade da asfixia democrática.

Por regra, o Fisco recebe todos os anos informação dos bancos a identificar as transferências de dinheiro realizadas de Portugal para contas sediadas em paraísos fiscais. Porém, durante aqueles quatro anos uma enorme quantidade de fundos passou ao lado do controlo – nem foram declarados pela Autoridade Tributária, como era obrigatório.

O ministério liderado por Mário Centeno confirma ao matutino que estas “omissões” foram detetadas quando, entre finais de 2015 e o início de 2016, foi “retomado o trabalho de análise estatística e divulgação” dos valores das transferências para offshores. Ou seja, quando o Governo de António Costa assumiu funções.[…]

[…]A publicação destas estatísticas foi implementada em 2010, por ordem de Sérgio Vasques, então secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do Governo de José Sócrates. Contudo, nos anos em que Paulo Núncio foi secretário de Estado do executivo de Passos Coelho, os dados nunca voltaram a ser publicados. Tal só voltou a acontecer em abril de 2016, quando o seu sucessor Fernando Rocha Andrade mandou divulgar os dados de 2014 e os números dos anos anteriores que estavam em falta. “

Fonte: Expresso

Fui paga para dizer isto

Se as quintas-feiras de Cavaco foram desconfianças, avisos de cátedra, discordâncias e sensações de deslealdade permanentes, imaginem as do Sócrates, obrigado a aturar com compostura, ali sentada à sua frente, a criatura mais sinistra, rancorosa, dissimulada, invejosa e mau-carácter da nossa democracia, que, todos os dias, incluindo às quintas, urdia planos para o derrubar, desejando obter dele informações privilegiadas para aperfeiçoar as tramóias?

Para quem queria discrição e alegava independência, Domingues está completamente mediatizado e politizado e pelos piores motivos

O PSD e o CDS andam destrambelhados com a boa execução orçamental e os dados da economia e entraram em delírio, mas este lado do país felizmente ainda não perdeu a noção da realidade. O senhor António Domingues (ele, a sua equipa ou só a sua equipa, pouco interessa, porque havia solidariedade nessa questão) não queria apresentar as declarações de rendimentos e de património ao Tribunal Constitucional enquanto administrador do banco público. Não queria. Não queria, ouviram?! Com isso, criou um problema ao Governo. Para o tentar resolver, a esse e ao problema do salário, o Governo aceitou alterar o estatuto do gestor público, na convicção de que tal bastaria para a dispensa pretendida. O Presidente da República fez saber que a lei 4/83 continuaria a aplicar-se apesar da alteração do dito estatuto. Domingues sabia da posição de Marcelo. Domingues sabia também da contestação política que poderia surgir no Parlamento. Quando percebeu as vicissitudes da democracia e a impossibilidade de o ministro das Finanças satisfazer o seu pedido (como se dependesse só dele), demitiu-se, foi-se embora. Não gostou, não comeu. Assunto encerrado.

Mas afinal não. Ao passar a Lobo Xavier as mensagens de telemóvel trocadas com o Ministro, António Domingues entra claramente na luta político-partidária à qual o julgávamos alheio. E fá-lo porquê? Porque, como alega Xavier, não gostou de ouvir o ministro dizer que não existia acordo algum com ele sobre a dispensa das obrigações para com o TC? Mas, esperem aí, tendo em conta o que se disse acima, esse acordo, a existir, alguma vez poderia ser firme e irreversível? Um acordo por SMS? Então e o Presidente, então e a Assembleia? Então – ironia das ironias – e o jogo político dos seus amigos PSDs e CDSs? A vitimização de Domingues é absolutamente ridícula!

Nesta história, falta ainda perceber se Domingues se foi queixar ao amigo do BPI para se vingar – e de quem, senhores? – ou se foi Lobo Xavier que viu ali uma boa oportunidade para fazer chicana política e tentar fragilizar o Governo. Resta saber. Mas a nova comissão de inquérito não deixará de lhe exigir a troca de mensagens que ele, administrador de um banco privado, efectuou com o então administrador e depois ex-administrador do banco público.  Estamos a assistir à génese de um atoleiro da direita.

O António Domingues ficou furioso ao ponto de andar a passar SMS privadas ao Lobo Xavier?

Em defesa de Mário Centeno

A António Domingues e aos restantes novos administradores da Caixa deu-lhes para não quererem apresentar a sua declaração de rendimentos e de património ao Tribunal Constitucional por não gostarem que os jornais fizessem parangonas com a sua situação patrimonial. Podia dar-lhes para pior, como gerir a caixa a partir das torres giratórias do Dubai. Felizmente, queriam apenas discrição. De certo modo, e conhecendo os jornais, compreendo-os. É também sabido que já estavam obrigados por lei a apresentar as ditas declarações ao Banco de Portugal. E acresce que, segundo li, o TC pode, de facto, decidir não tornar públicas as declarações entregues, a serem entregues. Por conseguinte, a exigência da nova equipa, embora bizarra e atrevida, merecia, pelo menos, ser analisada, estudada e equacionada. Não creio que devesse ser imediatamente rejeitada, tanto mais que não brotam do chão, com a chuva, trezentos gestores competentes para o banco público em Portugal.

Agora, para sermos francos, a demora no estudo das soluções mais adequadas para o problema, assim como, a partir de certo momento, o protelar do seu fatal desfecho, não era prejudicial, antes pelo contrário, ao bom desenrolar das negociações com Bruxelas, para “quem” o pormenor das declarações era irrelevante, ridículo ou desconhecido.

Assim, não me surpreende que o ministro das Finanças, com outros problemas bem mais importantes para resolver lá fora, como o da autorização e o das condições e implicações da recapitalização do banco público, e a necessidade de entretanto apresentar e garantir uma equipa competente, entendesse que poderia satisfazer aquela exigência de alguma maneira. E mais, que, se não conseguisse, conseguiria outras coisas bem mais importantes entretanto em Bruxelas. Parece-me que foi o que aconteceu.

Onde está, neste contexto, o problema de Centeno tentar manter a equipa até garantir em Bruxelas uma luz verde para uma capitalização pública que não afectasse o défice? Onde está o problema de trocar SMS com o dr. Domingues dando-lhe a entender que a sua exigência poderia vir a ser resolvida (se é que foi isto que aconteceu)? Quer isto dizer que o iria ser? Não, não quer. É essa a relatividade de uma prova como uma conversa telefónica ou uma mensagem. Não conhecemos a intenção por trás das palavras. Tratava-se de uma negociação. A resposta final, aliás, nem dependia do ministro! Por outro lado, a equipa de Domingues sabia ou não sabia dos entraves e até da opinião do Presidente? É claro que sabia. Mas manteve-se até ao fim do ano! Seria, portanto, melhor não se meter em vinganças parvas. Mudar de advogados ou de ambições seria bem mais sensato e decente.

Mas por que alimenta o governo a chicana destes decadentes?

António Domingues demitiu-se há mais de dois meses. Teve as suas razões – uma delas porque o que exigiu não foi possível passar no Parlamento, apesar de o Governo lhe ter dito que satisfaria a sua exigência de mudança do estatuto do gestor público (pela via legal, claro), compromisso que cumpriu, eventualmente prevendo, ou garantindo-lhe, consequências improváveis. António Domingues foi à sua vida, seguramente lamentando que a política se tenha metido no seu caminho, como se o banco público lhe pudesse ser oferecido como privado de bandeja. Foi embora e parece-me que em boa hora.

O ministro Mário Centeno esteve, durante uns meses, entalado entre a urgência de dar uma administração independente, competente e credível à CGD – ao mesmo tempo que negociava com Bruxelas as condições da recapitalização-, e as exigências dos novos gestores, que exageraram na noção da sua imprescindibilidade.

Esclarecida e mais do que esclarecida está também a questão de o PSD e o CDS mais não quererem do que criar confusão com aspetos secundários e ultrapassados, insistir numa tecla por não terem mais nenhuma, tocá-la com mais força de cada vez que ouvem as boas notícias da economia e das contas públicas. É isto e nada mais do que isto. Como se as discussões entre Centeno e Domingues tivessem de ser fáceis e 100% do domínio público!

Mas agora, senhores, agora o assunto está encerrado. Já chega, já percebemos, a Caixa já seguiu em frente, basta!

António Costa e Mário Centeno deviam acabar com isto. O que é que Mário Centeno ainda tem que responder mais? E se o PSD está a querer fazer chantagem com a demissão do ministro para aprovar futuras medidas, tornem-na pública e, se for caso disso, vamos para eleições ou proponham-nas ao presidente e ele, se não as entender como benéficas, que venha pôr ordem na desmiolada direita. Não foi bem o que fez.

Lembro que esta oposição está constituída pelo maior grupo de aldrabões que jamais passou por um governo democrático em Portugal, daqueles mesmo aldrabões em assuntos importantes, que chegaram ao poder com base em mentiras e que nenhum pudor tiveram em continuar a mentir em várias etapas da governação, e que nenhum deles foi demitido. São pessoal mais do que rodado em jogadas oportunistas e irresponsáveis. Portanto, olhando para as sondagens, o melhor é mesmo mandá-los bugiar. Neste momento, só eles próprios se gramam e mais ninguém tem paciência para o espectáculo que dão.

O vibrador da direita

Ler a caixa de comentários à crónica do Alberto Gonçalves no Observador é testemunhar o grau de excitação e a qualidade orgasmática que (ainda) faltava à direita atingir naquele jornal digital (blogue é outro nome que se lhe pode dar; outro ainda é blogue de avençados) . Pazinhos, paguem-lhe bem, não o deixem fugir mesmo (sim, confirma-se que este é o medo de alguns comentadores). A vossa alegria sofreria rude golpe e seria uma pena. Pão e circo (e por que não sessões de pornografia!) são fundamentais para as hostes deprimidas da direita.

A quem, por questões de saúde, se recusar a ir ler, não posso deixar de informar que o tema que inspira e acompanha a vibração é o seguinte: quem defende governos de centro-esquerda é pago para o fazer. Quem defende governos de direita ou extrema-direita fá-lo por convicção e amor.