Todos os artigos de Júlio

Se, se, se…

“Se me perguntam se eu soube? Claro que soube. Se me perguntam se eu tive uma opinião diferente? Tive uma opinião diferente. Se me perguntam se eu alertei? Alertei. Se me perguntam se eu defendi que havia outros caminhos? Defendi. Se me perguntam se eu bloquei a decisão? Não bloqueei”. (Paulo Portas, 16 de Setembro de 2012).

E se te perguntarem se não tens vergonha, o que é que respondes? Que nunca a tiveste?

O povo na rua

Bom, parece que foram todos para as manifs.

Nunca esquecerei a maior manif em que participei: Alameda D. Afonso Henriques, 19 de Julho de 1975. Fez história.

Espero, sinceramente, que as de hoje, por todo o país, também façam história. Por razões muito diferentes…

Mau em tabuada

Hoje, os passageiros que entravam no 46 da Carris eram recebidos por um efusivo “Boa-tarde a todos!” do jovem motorista, que usava óculos escuros de ski e era particularmente expansivo. Sentei-me perto e observei como palrava animadamente com toda a gente que ia entrando. Metia conversa, fazia perguntas, ajudava quem não lhe pedia ajuda. Em S. Sebastião, entra um rapaz de mochila às costas e é recebido com o sacramental “Boa-tarde a todos!” O rapaz devolve-lhe o cumprimento inesperado, mas o motorista engraça com ele e trata-o por tu:

– Então já começaram as tuas aulas?

– Ainda não, sou estudante universitário – responde o rapaz.

– És estudante universitário? Muito bem, muito bem. Então, diz-me lá uma coisa: sete vezes oito?

O rapaz fica atrapalhado, não consegue responder e sorri envergonhado. O motorista consola-o:

– Não és muito bom em contas, pois não? Deixa lá, o nosso ministro das Finanças também não…

Banqueiro laranja foge aos impostos e ameaça pirar-se

Atenção Direcção-Geral de Impostos! Nogueira Leite acaba de confessar que do dia 1 de Agosto até 31 de Dezembro de 2012 foge totalmente aos impostos. Num texto publicado no Facebook, o ex-conselheiro de Passos Coelho, que fez um sacrifício enorme em ir para administrador da Caixa, confessa que durante os últimos cinco meses do ano corrente não paga impostos:

 “Em 2012 o meu dia de libertação de impostos foi 1 de Agosto. Ou seja, até esse dia tudo o que ganhei entreguei ao Estado.”

Solicito à DGI que verifique a veracidade desta alegação e que tome providências urgentes, pois no mesmo texto do Facebook o banqueiro ameaça pirar-se, não sabemos se da Caixa Geral de Depósitos se do país:

“Se em 2013 me obrigarem a trabalhar mais de 7 meses só para o Estado, palavra de honra que me piro, uma vez que imagino que quando chegar a altura de me reformar já nada haverá para distribuir, sendo que preciso de me acautelar.”

E porque não se pira já?

Comentando esta tomada de posição, Francisco Louçã escreveu, também no Facebook:

“Eu fico. Porque é preciso enfrentar o governo, correr com a troika, não desistir de recuperar os salários e as pensões.”

Afinal sempre fica. Já avisou o Semedo e a Catarina?

O enterro de Portugal

Uma cegada tradicional portuguesa organizada em Agosto em Guimarães, berço da nacionalidade, acabou na demissão do comandante da GNR de Braga. O enterro de Portugal, num caixão feito por medida (video aqui), tinha sido apoiado pela Capital Europeia de Cultura 2012 e contou com a participação de um aprimorado grupo de militares da GNR armados de espingardas, por sinal disparadas para o ar no final de féretro da falecida nacionalidade.

As ótoridades iam tendo um fanico e, não havendo verba para bombardear Guimarães, demitiram de imediato o comandante da GNR da região. Ainda não foi divulgada justificação oficial da demissão, mas, de facto, não se pode deixar que se espalhe a notícia do falecimento de Portugal. Imagine-se que a troika sabia…

Post-scriptum:

A GNR participa todos os dias em procissões da Igreja católica por esse país fora, apesar do regime vigente de separação entre o Estado e a Igreja, mas pelos vistos não pode participar num acto cultural. Afinal é a cultura que está separada do Estado, não a Igreja?

O medo de criticar

O Público cedeu ontem duas páginas ao historiador Diogo Ramada Curto para fazer o balanço da polémica Loff-Ramos. Foi de bom augúrio a escolha de um verdadeiro historiador e investigador para comentar a troca de galhardetes entre dois militantes políticos que escrevem sobre história contemporânea. Sabia-se de antemão que Ramada Curto torce o nariz (é dizer pouco) a obras como as dos historiadores Ramos e Loff. A coisa prometia. Quebrando uma jura, fui levado a investir 1,60 € na compra de um exemplar do jornal de Belmiro de Azevedo – o tal que se ri dos que querem “mandar” politicamente no seu pasquim “sem pôr lá dinheiro nenhum”.

Pois bem, o artigo de Ramada Curto é uma relativa desilusão. Apostando numa alegada “serenidade académica” que, me parece, o faz abdicar da sua própria sinceridade académica, Ramada Curto declara-se pouco interessado em abordar os pontos quentes da polémica – a questão do “branqueamento” ou não do salazarismo e a questão do fanático e estapafúrdio denegrimento do republicanismo e da 1.ª República por Rui Ramos na sua parte da História de Portugal. Em lugar disso, afirma ser necessário recentrar o debate sobre essa obra de que Ramos é co-autor. Ramada Curto recusa, pois, entrar nos temas concretos da polémica suscitada entre Loff e Ramos, mas aproveita a ocasião para falar do que lhe interessa e tentar erguer, ao mesmo tempo, um modelo de debate alegadamente despolitizado, centrado em “aspectos analíticos”. Dito de outra maneira, Ramada Curto propõe-se analisar uma obra politizada e de fins políticos recentrando a atenção em aspectos criteriosamente seleccionados para evitar uma execrável politização do debate, a que ele chama “mera guerra de bandeiras à esquerda ou à direita”. Como se a própria politização de uma obra de história não fosse susceptível de ser estudada ou analisada.

Ramada Curto escolhe, assim, livremente um único tema da obra de Ramos, a guerra colonial, para em torno desse assunto tecer um punhado de considerações críticas que oferece à comunidade dos historiadores como modelo da boa e necessária crítica, que, segundo ele, tem estado ausente do panorama académico nacional. As críticas que tece à obra de Ramos são todas certeiras, valha-nos isso. Pelo tema que seleccionou para servir de modelo (a guerra colonial), adivinham-se as críticas que Ramada Curto poderia fazer às tais teses de Ramos sobre o salazarismo e a 1.ª República. Adivinham-se só, pois não as faz. O que causa mais perplexidade é que o próprio Ramada Curto denuncia neste artigo do Público o “medo de criticar” que segundo ele existe no mundo académico português. Será que Ramada Curto tem medo de criticar a politização de direita da obra de Rui Ramos? Ou terá medo de ser emparceirado com Fernando Rosas no campo esquerdista apoiante de Loff? O medo raramente é bom conselheiro…

Freitas ganha pouco

Há muito tempo que não se falava de Freitas do Amaral, o que em ex-celebridades desse calibre costuma provocar engulhos e obstipação. Anteontem Freitas dormiu mal, sempre a ruminar no seu nulo protagonismo na era Coelho – uma injustiça que só vem confirmar a ingratidão congénita do partido laranja e do gajo de Belém. Freitas nunca esquecerá que, nos anos 80, o mangas de Boliqueime se baldou a participar nas despesas da campanha Prá frente Portugal e o obrigou a trabalhar à noite durante dez anos para pagar as dívidas. O fabricante dos chapelinhos de plástico também o vigarizou, mas isso são outros contos.

Ontem, entre o peido contrito do pequeno almoço e a água de Colónia, Freitas voltou a meditar em tudo isto três vezes, o que nele costuma preceder explosões de génio. Vai daí, nasceu-lhe uma ideia poderosa. Foi ao armário roupeiro e procurou nos cabides de trás aquela camisola proletária que já não vestia desde que o filho, o futuro escritor pimba, o tratou de burguês. Sacou do telefone, convocou a RTP e largou a bomba:

“Uma pessoa que ganha mais que 15 mil euros é privilegiada. Os que ganham 50 são muito privilegiados. E os que ganham 200 mil euros mensais – porque os há – são os tubarões. Devia haver, por parte do Governo, um imposto, uma tributação especialmente pesada sobre essas pessoas”.

Que ninguém se engane. O que rigorosamente se pode inferir desta bocarra mediática do fundador da democracia cristã lusitana é isto, e só isto:

1. Que Freitas ganha actualmente menos de 15 mil por mês.

2. Que supostos amigos de Freitas, que ele secretamente despreza e inveja, ganham mais de 15 mil euros por mês.

3. Que alguns dos mais perniciosos inimigos de estimação de Freitas ganham todos, por um caprichoso acaso do destino cruel, mais do que 200.000 euros por mês. Por exemplo, o merdas do Pires de Lima quanto ganha?

 

Cara Cândida Almeida

Excelentíssima Senhora Procuradora-Geral Adjunta:

Continuamos sem saber, e gostaríamos que a Senhora Procuradora procurasse, que destino foi dado aos 30 milhões de Euros que o GSC – German Submarine Consortium pagou à ESCOM, do grupo Espírito Santo, a empresa que fez “assessoria” (lindo nome) na negociação das contrapartidas e que até criou uma empresa offshore para receber as massas.

Continuamos sem saber, e gostaríamos que a Senhora Procuradora procurasse, se alguns militares, políticos e partidos portugueses abifaram parte ou a totalidade desses 30 milhões – em suma, quem, quais e quanto.

Continuamos sem saber, e gostaríamos que a Senhora Procuradora procurasse, se o então presidente da ESCOM, Luís Horta e Costa, o “Luís das Amoreiras”, já respondeu a estas perguntas e, se sim, como respondeu. Já agora, Luís Horta e Costa ainda está em liberdade e, se sim, porquê?

Continuamos também sem saber, e gostaríamos que a Senhora Procuradora procurasse, se Paulo Portas não terá fotocópias – ou porventura os originais – dos tais documentos relacionados com os contratos dos submarinos que, segundo o DCIAP, desapareceram do Ministério da Defesa.

Alguém da escolinha da JSD se lembrou de lhe fazer perguntas sobre estas matérias, cara Senhora Dona Cândida Almeida? E se não, porque não?

 

Os amanhãs que cantam, segundo Louçã

No chamado “Fórum de Ideias” do Bloco de Esquerda em Vila da Feira (rebaptizada Santa Maria da Feira), Louçã voltou a defender a necessidade de um governo de esquerda para o país. Ouçamos o grande líder, agora demissionário após ter ajudado a direita portuguesa a deitar abaixo o governo de Sócrates (já não havia mais nada para fazer depois disso):

“A pergunta que a esquerda tem que fazer para merecer ser esquerda é porque é que o povo não há-de governar? Esse governo de esquerda, que é a grande luta que temos que travar, criará muitos debates certamente, muita contraposição, muitas dúvidas. Mas uma coisa ele fará, perante toda a oposição social [sic], ele dirá que luta pela igualdade e pelo respeito [re-sic]. Sim senhor, nacionalizará a EDP e as redes energéticas nacionais por mais que isso incomode o Partido Comunista chinês; nacionalizará serviços financeiros por mais que isso incomode a família presidencial angolana, trará os hospitais públicos para o Serviço Nacional de Saúde por mais que isso incomode os Mellos e os Espíritos Santos”.

Leram bem, é tirado da esquerda.net.

O peralvilho lunático, que não deve conhecer os resultados das últimas eleições legislativas portuguesas, quer agora, mediante intensa luta a travar em sonhos, empossar um governo do povo, perdão, um “governo de esquerda”, para “incomodar” os comunistas chineses, a família Dos Santos e os interesses dos grupos Melo e Espírito Santo no sector da saúde.

Nacionalizar os investimentos dos chineses, dos poucos estrangeiros que têm investido em Portugal, parece-lhe uma excelente ideia. Com indemnização ou de assalto, camarada Louçã? Para indemnização o putativo governo do povo, perdão, o “governo de esquerda” não terá um tostão. Resta o assalto, pelo modelo de 12 de Março de 1975. O mesmo esquema se aplica aos “serviços financeiros” dos angolanos. Para os nacionalizar, ou o tal “governo de esquerda” lhes devolve o que cá investiram ou os rouba. Não há mais hipóteses. Os Mello e os Espírito Santo aparecem na lista das futuras nacionalizações de Louçã como o diabo no Credo.

O que o Bloco de Louçã deixa em herança é esta salgalhada vomitada após uma bebedeira de alucinogénios soviéticos em terceira mão comprados na Feira da Ladra.

Um caso de histeria colectiva

Basta ler os comentários que por todo o lado se fazem à notícia das recentes declarações da procuradora-geral adjunta Cândida Almeida para nos apercebermos bem de como está difundida em Portugal uma certa histeria paranóide em torno do tema da corrupção. A senhora disse afinal meia dúzia de coisas muito simples e claras, por vezes óbvias, mas a histeria epidémica impede até de ouvir o que ela diz, quanto mais tentar entendê-lo. E quem não alinhar nessa onda colectiva histérica é logo considerado suspeito ou chalado.

Quem não disser que Portugal é um país profundamente corrupto não é patriota!

 Para o cidadão médio, Portugal é um país corrupto e a grande maioria dos políticos e funcionários são corruptos, pelo facto de os media falarem quase diariamente de casos de alegada corrupção, geralmente não provada. Basta referir-se um caso, uma acusação, uma suspeita, fica logo provado não só esse caso como todos os outros. A simples distinção entre corrupção (peculato, suborno, extorsão, nepotismo, abuso de poder, etc.) e os chamados crimes económicos e financeiros (muito mais difundidos estes) devia ser ensinada desde a escola primária, tal a confusão que reina na cabeça das pessoas. As comparações internacionais também não interessam aos paranóicos nem os consolam, porque eles têm a certeza de que a corrupção é generalizada em Portugal, uma certeza baseada não em factos, mas em conjecturas e boatos, alimentados pela sanha política, pelo sectarismo e pelo bota-abaixismo.

 Primarismo e insanidade mental é o que caracteriza este fenómeno de massas, simultâneo e complementar da peste anti-política e da aversão aos políticos, que sempre foram as antecâmaras mentais da aceitação pública das ditaduras e dos autoritarismos de todas as cores. Aliás, para gente primária e paranóica, política = corrupção, consequentemente acabar com a corrupção é acabar com a política.

 Uma das consequências mais negativas desta histeria paranóide em torno do fenómeno da corrupção é que, com tanta gente a gritar ao lobo, as pessoas acabam por se desinteressar da real ameaça de corrupção e achá-la natural e inevitável. Os verdadeiros casos de corrupção atravessam incólumes por entre esta gritaria pública e, no fim, são relativizados e perdoados. Se a corrupção é supostamente “geral”, porque não se haveria de desculpar este ou aquele caso provado? “Eles são todos iguais” – diz a bacoqueira nacional.

O ping-pong de Loff e Ramos

 Sobre a polémica entre os historiadores Rui Ramos e Manuel Loff, que tem andado nos jornais e na blogosfera, por exemplo aqui  ou aqui , apetecia-me quase dizer que estão bons um para o outro. Não o digo, porém, porque sendo ambos cultores duma história ideologicamente orientada e politicamente militante, que não me agrada, é-me contudo mais antipática a obra do relativizador-edulcorador-amnistiador do salazarismo, Rui Ramos. Em vários livros, Ramos consegue ir mais longe do que os velhos historiadores monárquicos no denegrimento sistemático da I República, raiando frequentemente o delírio. A visão alucinada que Ramos tem da I República serve-lhe precisamente para adocicar a imagem da Ditadura Militar e do salazarismo que lhe sucederam. Não me parece duvidoso que Ramos obteria um prémio do SNI com a sua História de Portugal (na parte da sua autoria), se o saudoso organismo da propaganda salazarista tivesse durado até hoje, com alguma inevitável “renovação na continuidade” pelo caminho. De Loff conheço menos obra, é certo − apenas dois ou três capítulos de um seu antigo livro, além de entrevistas em que expõe a sua visão sobre o fascismo e o salazarismo. Não li O Nosso Século é Fascista!, nem desejo ardentemente lê-lo.

 São precisamente o conceito de fascismo e o qualificativo de fascista que mais têm andado às bolandas neste chato ping-pong entre Ramos e Loff. Na raiz do problema, para Ramos, parece estar a facilidade com que em Loff salta o qualificativo de fascista; em compensação, o que enfurece Loff é o rebuscado branqueamento do salazarismo que o Ramos faz na sua história do Estado Novo. Se calhar têm ambos razão, o que sói acontecer nestes casos.

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União a três oficializada

Duas mulheres e um homem que viviam juntos na mesma casa há três anos formalizaram a sua união civil num cartório do estado de São Paulo, no Brasil – lê-se aqui.

A notária defendeu o direito a reconhecer as três pessoas como uma família, mas a advogada Regina Beatriz Silva, presidente da Comissão dos Direitos da Família Brasileira, disse à BBC que a decisão é “um absurdo e totalmente ilegal”. E adiantou: “Isto é algo completamente inaceitável que vai contra os valores morais brasileiros”.

Então e a Santíssima Trindade?

 

Branco é, galinha o põe

O bispo de Angra deu directrizes de voto aos católicos:

O bispo de Angra, D. António de Sousa Braga, divulgou uma nota pastoral onde destaca a importância do voto, apelando aos católicos que votem “segundo os princípios da doutrina social da Igreja” nas eleições regionais de Outubro nos Açores. […] D. António de Sousa Braga salienta que “não há partidos de Igreja ou da Igreja”, mas refere que “o Magistério assinala critérios e directrizes para cada um votar, em consciência, segundo os princípios da doutrina social da Igreja”. […] A promoção dos direitos humanos e a defesa e proteção da instituição familiar, “fundada na complementaridade homem-mulher”, assim como o “respeito incondicional pela vida humana em todas as suas etapas e a proteção dos mais débeis” são alguns dos critérios que os eleitores cristãos devem ter em consideração.

(Açoriano Oriental, 29 de Agosto de 2012).

Os católicos açorianos devem pois votar nos partidos que defendem a família fundada na complementaridade homem-mulher e que condenam a interrupção voluntária da gravidez. Ou seja, os católicos açorianos devem votar nos partidos da direita.

Os bispos do Continente costumam dizer algo muito semelhante, pelo mesmo modo sinuoso e divinatório.

Mas porque será que a Igreja Católica se põe sempre com estas fosquinhas, com estes ademanes, com estas adivinhas de cacaracá, e não diz abertamente aos católicos para votarem na direita?

Demissão, já!

Mais um episódio da escabrosa saga da avaliação das fundações pelo governo Coelho/Relvas. A pontuação marada que pôs a fundação de Paula Rego (tal como a Gulbenkian) muito abaixo da fundação mafiosa de Alberto João, afinal é resultante de um erro crasso de contas! De contas de somar, valha-nos a senhora de Fátima! Deram-lhe 40 pontos, mas pelos seus próprios critérios, aliás muito discutíveis, deveriam ter dado 55. A filha da pintora denunciou-o hoje aqui.

É o descrédito completo e definitivo da operação fundações. Demitam-se já os idiotas e cabotinos do governo responsáveis por semelhante desconchavo!

Qual destas duas notícias foi hoje publicada?

A. O ministro da Solidariedade e Segurança Social garantiu ontem que os benefícios atribuídos aos elementos de um gang violento – nomeadamente o Rendimento Social de Inserção (RSI) – vão ser suspensos. Seis dos oito elementos do grupo – suspeito de 54 assaltos, de Norte a Sul do País, à mão armada, só este ano – ficaram em prisão preventiva. Um saiu em liberdade, com apresentações, e outro nem foi presente a tribunal por ter apenas 15 anos e não poder ser julgado criminalmente. O grupo, recorde-se, roubou mais de 500 mil euros, mas todos continuavam a beneficiar do RSI.

B. O ministro das Finanças garantiu ontem que os benefícios fiscais até agora atribuídos aos elementos de uma rede de fraude e evasão fiscal, facturas falsas e branqueamento de capitais vão ser suspensos e exigido o pagamento dos impostos devidos e a devolução dos benefícios ilegalmente auferidos no passado. Um dos oito elementos do grupo – suspeito de 54 crimes económicos e financeiros – ficou em prisão preventiva. Seis saíram em liberdade, com apresentações, e outro nem foi presente a tribunal por ter imunidade diplomática. O grupo, recorde-se, apropriou-se indevidamente de mais de 50 milhões euros, mas todos continuavam a beneficiar de benefícios fiscais.

Continuar a lerQual destas duas notícias foi hoje publicada?

Para uma Constituição laranja

“Às vezes gostava que a Constituição fosse outra e não perdi a esperança” (Coelho no Aquashow).

Que tal esta:

Art.º 1.º
O crescimento da economia é obrigatório e começa impreterivelmente em 2013, logo a seguir ao champanhe do réveillon.
a) Serão dadas ordens terminantes para que a economia europeia e mundial reanime a tempo das próximas eleições legislativas.
b) Se as ordens previstas na alínea precedente não forem acatadas pela economia mundial, a frota nacional de submarinos entrará em acção.
c) O combustível dos submarinos acima mencionados será pago por uma nova taxa sobre os vencimentos dos funcionários públicos.

Art.º 2.º
As crises financeiras internacionais são expressamente proibidas em território nacional e punidas como crime de lesa-pátria.
a) Enquanto não se conseguir a sua extinção definitiva, as crises financeiras internacionais serão atribuídas à péssima gestão do governo anterior.

Art.º 3.º
O controlo do défice público faz-se roubando os subsídios dos trabalhadores e reformados do Estado.
a) O produto do roubo será colocado a render em paraísos ficais, aproveitando o know-how dos banqueiros laranja.
b) O rating da dívida pública portuguesa será substituído por um rating dos discursos do primeiro ministro.

Art.º 4.º
Esta Constituição substitui a de 1976.
a) Se os objectivos patrióticos fixados neste articulado não surtirem o efeito desejado, reactivar-se-á a Constituição de 1933, com leves actualizações.

Um passo em frente

«Há um ano o país estava à beira do estampanço e hoje está-se a discutir a melhor forma de criar condições para desenvolver Portugal», disse hoje Aguiar-Branco.

Faz-me lembrar aquela tirada de um político brasileiro: «O país estava à beira do abismo. Connosco, deu um passo em frente».

O Produto Interno Bruto de Portugal diminuiu 3,3% no segundo trimestre de 2012 relativamente ao mesmo período do ano anterior. A taxa de desemprego portuguesa atingiu os 15 por cento da população activa no segundo trimestre de 2012, o nível mais alto de sempre.

Sim, mas «hoje está-se a discutir a melhor forma de criar condições para desenvolver Portugal». Faz muita diferença! Quando se está a cair no abismo, não há nada melhor do que uma bela discussão.