Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

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Este já não é o «post» número 2500, nem o 2501, mas o 2502 do Aspirina. Pois é, aqui trabalha-se.
Só não se sabe é por onde andam o João Pedro da Costa e o Jorge Carvalheira. Eu até gosto do Porto e da sua trabalhadeira gente. Mas a sinceridade obriga-me a confessar que começo a descrer um nadinha [...]

Morreu Alain Robbe-Grillet. Oitenta e seis anos. Eu sabia-o velho, mas não tanto. Parei com ele no tempo, com La Jalousie, com Les Gommes, com La Maison de Rendez-vous. No primeiro, faltava o protagonista. No segundo, o clímax da história tinha sido ‘apagado’ (mas sentia-se que ele tinha acontecido). No terceiro, faltava o próprio lugar de [...]

Há um poema. Um certo poema. Julgo-o feito a partir de memórias sedimentadas nas mais pequenas gavetas do teu coração. Assim como um guarda-jóias invisível, um estojo antigo, passado de mão em mão, na mesma família, por sucessivas gerações de mulheres.
Há um poema. Um poema algures onde deixaste o pó das brincadeira da infância, os [...]

Cara Marina,
Há uma teoria da conspiração que diz andar o Estado Espanhol empenhado numa castelhanização do galego para afastá-lo do português. Para simplificarem (as teorias da conspiração simplificam o mais que podem), os conspirativos apresentam a própria vontade dos galegos de conservarem quanto os distingue do português como um conluio com o inimigo. Em desespero [...]

Cada poema é uma oração no santuário do teu olhar. Eu sei. A tua palavra pode ser a última. O nosso encontro pode não se repetir. Basta um gesto teu e vou-me embora. Estou sempre pronto para pegar no cajado do peregrino. De um momento para o outro pode acontecer. Sei que não posso fingir. [...]

Cara Marina,
Falando-lhe, outro dia, no nosso assalto aos fartos celeiros do vocabulário espanhol (bom, nosso assalto, não exactamente, mas o dos nossos antepassados dos séculos XV a XVII), eu prometi-lhe alguns exemplos. Aqui vão eles agora. Não darei muitos. É que, sabe, os portugueses são um tanto ou quanto nacionalistas. E algum deles que lesse [...]

Lembrarás então o pai aqui sentado
A máquina de escrever no chão
Os discos na parede entre a luz e o pó
Irão passar talvez muitos anos
Farás promessas que não vais cumprir
E dirás ruas para voltar noutras horas
Será como quem percorre um caminho
Iluminado pela luz do teu olhar
À procura das palavras subterrâneas
Lembrarás então o pai aqui sentado
Um gelado [...]

Para o Z, nosso fiel e querido compagnon de route (conhecemos a sua identidade, mas não a daríamos nem a um pelotão de arma em riste), e isso por ser São Valentim, e por ele ter levado para longes ilhas (conta ele) o Spinosa de Deleuze, mais o Fédon de Platão, mais uns belos livros [...]

Cara Marina,
Falando-lhe do galego, tenho de falar-lhe também, e muito, do castelhano. Não é por acaso. O castelhano, não obstante ser idioma mais jovem que o nosso (e, para ser sincero, um tanto mais abrutalhado também, se comparado com o refinamento do galego e do português), o castelhano, dizia eu, cedo ganhou grande prestígio por [...]

Cara Marina,
Informa-me você de que é galega, e que até passou uns anos numa faculdade em Santiago. Pede-me, depois, que reproduza um texto de Daniel Castelao («Un ollo de vidro», um dos seus mais conhecidos), e isto «para que toda a gente perceba», diz você, «que galego não é castelhano, e muito menos, português». Eu [...]

E porque o nome do poeta veio à baila no Aspirina B, nada melhor que recordar um dos seus poemas, «Para os meus alunos», que integra O Trabalho – antologia poética, e que devia estar em todas as salas de aula deste País (atrevo-me eu, «jcfrancisco», a pensar).
Após tantos anos a ver-vos chegar
e a deixar-vos [...]

*
Lorca enamorou-se por Santiago de Compostela, ou por alguém de lá, e compôs, num galego a pingar de casticismos (de «enxebrismos», termo local, mas corriam os anos 30), uma série de seis belos poemas. O mais conhecido é «Madrigal á cibdá de Santiago», que inicia com o celebérrimo verso «Chove en Santiago». Meteorologicamente exacto, porque é [...]

Da crónica, hoje, no Público, de José Pacheco Pereira:
«Peguem numa lupa e vão ver as fotografias dos “palácios reais”, as fotografias dos grandes e médios eventos desses anos finais da monarquia e podem continuar pela República e pelo Estado Novo dentro e vejam o Portugal que lá está ao lado da Família Real nos vasos [...]

*
Por enquanto nada sabemos do destino do homem que ali vai, em extremo concentrado no andamento das passadas que dá. Vemos que marcha atento e cabisbaixo, no gesto de quem poupa energias. Porém não tanto que perca de vista o andador que lhe vai na dianteira, obra de poucos metros, nem tão pouco que possa [...]

José Mário Silva assinou no passado dia 2-2-2008 no Diário de Notícias um trabalho jornalístico no qual divulga o «caso» do poeta Amadeu Baptista. Autor de vasta obra poética cuja publicação se iniciou em 1982 (com As passagens secretas), este poeta tem mais de vinte livros publicados e uma antologia intitulada Antecedentes criminais.
Desempregado desde Setembro [...]

A boa notícia tem percorrido a imprensa e a net. A LER vai regressar. E, mais e melhor: voltará a ser dirigida pelo (entretanto assíduo e conceituado bloguista‏) Francisco José Viegas.
Esperam-se notícias, emoções, confidências, controvérsias. Porque tudo isto, e mais o resto, é literatura.

Descobri hoje no Alfarrabista Bocage na Calçada do Combro a cópia de uma carta de Pascoaes a Unamuno de 2-10-1908. Depois de saudar o «querido amigo», Pascoaes afirma:
«A tragédia de Lisboa foi o desenlace duma luta travada entre o gato e o rato. E, coisa curiosa, o rato matou o gato! João Franco subiu ao [...]

Tenho na mão um livro brasileiro dum português. Não acontece muitas vezes. Este chama-se Mansões abandonadas e é uma antologia da poesia do José do Carmo Francisco. Tem organização de Floriano Martins, ilustrações de Sérgio Lucena e introdução de Nicolau Saião. Edita-o a Escrituras, de São Paulo.
A recolha inclui algumas das melhores produções do poeta. [...]

Um dos melhores blogues portugueses (por mais bem feitos, mais úteis) é este, de nome atormentado: Letratura, de Helder Guegués. (O patronímico é inabitual, mas o possuidor é portuguesíssimo). Nesse blogue se examina e comenta o nosso idioma com erudição, com gosto, com leveza.
Um dos últimos temas é a súbita florescência em jornais do vocábulo [...]

Voos da CIA: Portugal ajudou a transferir mais de 700 prisioneiros para Guantánamo
Aqui.




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