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Liberdade democrática

Há poucas coisas que ainda me chocam, nesta altura da minha vida. Mas, aquilo que tenho ouvido e lido, nestes últimos dias, sobre conceitos tão básicos (ou deveriam ser!) como "democracia", "república parlamentar", "Constituição", e "idoneidade", não pode deixar de me chocar.

É certo que Portugal é uma democracia jovem, com pouco mais de 40 anos. Mas, ainda assim, acalentava a esperança de que um povo que viveu 50 anos em ditadura tivesse mais afecto por ela. Mais conhecimento sobre ela, e, acima de tudo, mais fome dela.

O que vejo é um povo animado pelos Midia direitolas, que, perante o exercício legítimo da democracia, a condena e achincalha usando, para isso, ou argumentos absurdos ou (pior!) argumentos primitivos e bacocos invocados por Marcelo Caetano e toda a trupe que, em nome de "cofres cheios" (frase também apadrinhada já pelo governo Passos) deixou o país com 75% de analfabetismo, milhares de estropiados de guerra e o terror semeado em cada esquina.

A verdade, é que, esse tempo, não difere muito para o que o anterior governo fez. Em nome dos tais "cofres cheios" (que não existem nem nunca existiram), substituiu os analfabetos por desempregados, os estropiados de guerra pela emigração e o terror pela austeridade.

Vejamos: não fez comichão política aos que agora rezam por um Salazar que apareça numa manhã de nevoeiro o facto de o PSD e o CDS, coligando-se ao PCP e ao Bloco de Esquerda, chumbarem e derrubaram o último governo do PS. E menos comichão fez esse chumbo ser feito a meio de uma legislatura (com todas as consequências mais graves que acarreta), ser feito em nome de "não ao PEC, não à austeridade" e logo a seguir orgulharem-se de ser "mais troikista que a troika" e afundarem o país em mais austeridade. Não fez comichão a ninguém, os midia direitolas manipularem a opinião pública querendo fazer parecer que a Troika chegou porque o PS queria muito que isso acontecesse, ao invés de explicarem a nua e crua realidade: a Troika chegou porque o PSD e o CDS ao chumbarem o PEC que era a única forma de não pedir ajuda externa naquela altura, obrigaram o governo do PS já condenado a assinar o acordo externo.

Muito menos comichão fez quando um importante militante do PSD insinuou que a política manipula a justiça, numa confissão inequívoca da conduta muito pouco idónea das forças políticas colocadas à direita.

Nada disto fez comichão a ninguém. Tudo isto era e foi, para todos, respeitoso exercício democrático.

Mas, mal se vislumbra a possibilidade de os deputados com assento no Parlamento exercerem uma prerrogativa constante na Lei Fundamental, toda a gente se sente incomodada. Ouvem-se os maiores diaparates e insultos a uma coisa que nos levou anos a conquistar, que nos custou muito caro a conquistar: a liberdade democrática.

Eu não sei se o acordo à esquerda é bom ou mau, politicamente, o que eu sei é que é legítimo e que a direita pode espernear, pode estalar todo o verniz e mostrar a sua falta de chá democrático, que nada disso retira a legitimidade do panorama político actual.

Os meus cumprimentos,

Sofia Sobreira Calado

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(e ainda anda por aí)

Também aconselho a leitura da coluna de opinião “A Lagartixa e o Jacaré” na revista SÁBADO (2ª metade, discretamente intitulada).

É interessante notar os mitos que José Pacheco Pereira alimenta em torno de si próprio e do que pretende que seja visto como a sua integridade como comentador político sem mácula, porque raiam o ridículo.

Será possível, por exemplo, que alguém ignore as ininterruptas e violentas campanhas de difamação de Sócrates ao longo de muitos anos? É, e é até possível inverter a coisa. Passo a citar:

«Poucas pessoas em Portugal criticaram com mais dureza José Sócrates, muitas vezes sózinho, sujeito aos violentos ataques de uma claque de fãs de José Sócrates que não poupava nos insultos (e ainda anda por aí)…»

A «claque que ainda anda por aí» devia lembrar-lhe as cobras e lagartos que ele, o caluniador José Pacheco Pereira, rei e senhor das intervenções mediáticas em tudo o que é media e mexe, dizia do direito à vida das pobres lagartixas no seu tempo de jacaré dos «blogues socráticos», que ele assegurava saber que eram pagos pelo pilantra Sócrates com o dinheiro do povo e desapareceriam assim que lhes fosse cortada a árvore das patacas…

Mas diz mais:

«… desde que Sócrates foi preso — e eu tenho uma convicção interior de culpabilidade, o que não tem qualquer valor em si — tenho evitado entrar no gozo e na humilhação que muitos mostram com o destino do homem e penso continuar a fazê-lo — claro que Sócrates não ajuda, porque ao colocar a ênfase numa defesa política, justifica que a sua condição seja discutida politicamentre no espaço público. Isso inquina o debate …»

Não é engraçada esta suspeita quase subliminar, difícil de confessar com todas as letras, senão mesmo de arrancar aos lapsos inconscientes, de que as suas «convicções interiores» (alicerçadas nas campanhas de difamação da imprensa Cofina?) afinal correm o risco de se revelar uma boa trampa que não vale nada? Note-se que não está a emitir um truísmo óbvio acerca do valor jurídico de uma opinião individual enquanto tal, i.e. perante a lei, e sim a falar da coisa interior, i.e. do que uma secreta sensibilidade instintiva lhe sussurra ao ouvido, senão não lhe teria fugido a pena para a palavra «interior», teria escrito «e eu tenho uma convicção de culpabilidade».

Eu costumo dizer que faço o meu melhor para que as minhas convicções valham o que valer o conhecimento e a lógica que as informam. Mas parece que para Pacheco Pereira a culpabilidade de Sócrates, independentemente dos factos, não passa de uma fézada. Bem me parecia…

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Oferta do nosso amigo Gungunhana Meirelles

Aspirina marada

aspirina2

Temos estado em mudanças de servidor, e o processo gerou alguma confusão editorial. Tentaremos repor os 2 textos e respectivos comentários neste momento em falta. Esperamos que, a partir daí, o blogue seja um oásis de estabilidade no meio do caos que assola o reino.

Seguro confia na matemática, na falta dela

Sobre António Costa e o vídeo da Quadratura do Círculo, vamos deixar o problema da interpretação de lado, pois esse é mais difícil de resolver. Que algumas pessoas tenham problemas com a matemática, eu até compreendo. Admito e aceito a ignorância nesse campo. Mas quando essa ignorância é motivada pela preguiça (seja preguiça no uso da matemática mais básica – subtracção ou adição – ou preguiça na busca da informação, aquela que tolda o raciocínio) então ai a coisa fia mais fino.

Parece que agora se quer condenar um candidato a candidato a Primeiro-Ministro por este, no dia 13 de Outubro de 2011, repito, 13 de Outubro de 2011, defender a ideia a aplicar em situações gerais e consideradas normais, isto é, um compromisso de abstenção em Orçamentos do Estado constitucionais que não firam qualquer dos princípios básicos ou ideológicos do PS.

António Costa, como facilmente se perceberá (preguiça?), se se vir o video todo e não só o pedaço que circula por blogs e redes sociais, não se estava a referir ao OE2012. É que se o estivesse, mesmo não sendo deputado na AR e já não sendo o “n.º 2″ do partido, significaria que estava muito melhor informado que o grupo parlamentar do PS na AR ou que o próprio Secretário-Geral do PS que, como sabemos tem uma boa relação com Pedro Passos Coelho.

É que, pela boca do líder parlamentar na altura, no dia 12 de Outubro de 2011 (matemática básica: 13-12=1), isto é, no dia anterior à emissão do programa Quadratura do Círculo, os portugueses eram brindados com as seguintes palavras:”Nós tivemos agora conhecimento de algumas ideias muito genéricas e, por isso, consideramos que devemos aguardar a entrega do documento globalmente para depois nos pronunciarmos sobre ele” – estas sim, referências directas ao OE2012!

Ora se até então, isto é, a 12 de Outubro de 2011, as ideias eram muito genéricas sobre um OE entregue globalmente na AR a 17 de Outubro de 2011, debatido com o Vítor Gaspar a 26 de Outubro de 2011, aprovado na generalidade a 11 de Novembro de 2011, aprovado na especialidade a 14 de Novembro de 2011 e, finalmente, aprovado globalmente a 30 de Novembro de 2011 com a abstenção “violenta” do PS (que mesmo com o voto contra seria na mesma aprovado), sinto-me no dever de perguntar: afinal, será que Costa se referia a 13 de Outubro ao Orçamento do Estado de 2012 que só viria a ser conhecido na integra (pois até ai era “genérico”) 4 dias depois?

Afinal, estamos perante um problema com a matemática, logo ignorância, ou politiquice?

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Oferta do nosso amigo PMatos

Foi você que votou nos vândalos?

Para além de concordar com o texto… Eu já aqui escrevi, há uns anos atrás, que apesar de não concordar com algumas opções políticas de Sócrates, em matéria de crescimento da dívida pública Sócrates não tem a culpa que o PSD lhe põe nos ombros. De facto, olhando para a trajectória de crescimento da dívida, a tendência de crescimento (exponencial) da mesma vem do tempo do último governo de Cavaco Silva. Basta fazer um gráfico logaritmico da dívida, que logo esse facto se torna evidente.

Por outro lado… será que a actual consolidação orçamental é mesmo real? Isto apesar de toda a fanfarra laranja, que assim vai tentando dar sentido ao enorme custo social da mesma. Será que as finanças públicas se tornaram sustentáveis? Os números, na verdade, não favorecem o governo de Passos Coelho. Eis uma reflexão que deveria ser feita com seriedade, evitando-se a propaganda baseada em bodes expiatórios ou em europeismos ingénuos.

O europeismo ingénuo lusitano tem sido aquele sentimento de que queremos ter para nós todos os confortos da Europa do Norte, mas sem entender como configurar a nossa economia (que é, ou era, a de um país emergente) para os poder alcançar. Aliás, nisso de não entender como lá chegar a direita é muito, muito pior, que o PS. O PS, como sabemos, sucumbiu ao erro da moeda única. Mas não sem Vitor Constâncio, então Secretário-Geral do PS, de facto ter dado luta. Por outro lado, o PS tem a noção da importância do desenvolvimento social e humano de uma sociedade. Como hoje se observa, tal noção é algo que sempre iludiu o PSD e o CDS profundos que são, aparentemente, herdeiros dos temas políticos anti-revolucionários liberais: miguelistas, sidonistas, salazaristas, etc.

Assim, o pensamento europeista da direita nacional é como o pensamento pró-romano dos germânicos do século V que, também eles, desejavam tomar posse dos confortos romanos. Mas, apenas com saques a Roma e à sua economia, nunca puderam alcançar o que tanto almejavam. O europeismo ingénuo poderá levar a nossa nação à ruína. O nosso mal tem sido o de que muitos dos programas políticos do chamado “arco do poder” assentam na exploração ad nauseam dessa pulsão simplista dos portugueses.


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Oferta do nosso amigo joaopft

Irra!

Síntese lapidar! Estava ao lado da Isabel e senti/pensei o mesmo. Obviamente os que condenam a uma velhice miserável milhares de reformados não vacilam face a propostas como a ontem derrotada. Com uma diferença: no OE o voto é vinculado; e aqui tb, mas com uma capa cínica de liberdade de consciência.

Lobo de Ávila reencarnou o deputado Morgado, o do truca-truca sinalizado pela verve da Natália, no seu tratado do pensamento totalitário em 2m (bem apanhado, IM). Mas Montenegro ofereceu no mesmo formato um tratadito do cinismo, meticulosamente manuscrito em 3 cartõezinhos que declamou com ênfase meli-melo, jurando que não sabia, repito não sabia o desfecho da votação. Careca de saber, já que tinha apertado os parafusos da consciência dos soldados laranja, proibindo-os de sair (a via da abstenção tímida), pressionando um a um, uma a uma, as almas que tinham tido a má ideia de, há meses, votar sim na generalidade (” ao menos, recuem para abstenção”) ou de se absterem (“vá lá, com um esforcito, recuem para o voto contra!”). Posto o que, com uma serenidade espectral, proclamou não haver bancada onde reine maior liberdade de consciência.

Irra! É preciso topete para fazer este número diante das futuras vítimas!

Há uma dimensão ética no combate político, muito avivada quando se tem de ouvir isto com certeza de que é prelúdio de uma sacanice.

A luta continua!

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Oferta do nosso amigo José Magalhães

O Virgílio é boa gente

A minha licenciatura católica demorou bastantes anos a tirar, baptismo, primeira comunhão, profissão de fé e, finalmente, crisma mas, tal como outras tantas licenciaturas por aí, não me serve para nada, não exerço, pronto e ponto. Pior ainda, não exerço e há muito que esqueci tudo o que me ensinaram tendo até desenvolvido alguma alergia às pessoinhas da igreja e à igreja das pessoinhas. Dito isto, assim em espécie de disclaimer, quero aqui defender, publicamente e cheia de convicção, o Virgílio.

Encontrei o Virgílio há uns dois meses numa espécie de almoço popular na mais pequena das aldeias do concelho. Tinha ouvido falar dele aqui em casa, que andava por cá naquilo a que chamavam de visita pastoral, mas que ele era gente estranha, não se dava com as beatas do costume, tinha passado a primeira noite com os homens do lixo, almoçado na cantina municipal, as visitas que fazia eram de surpresa para fugir à pompa e circunstância da pequena província, jantava em casa de gente humilde e desconhecida dos ilustres da terra e iria encerrar a visita ao concelho na tal aldeia pequenina, e tantas vezes por aqui esquecida, com uma almoçarada popular no Largo da Igreja. A pedido do Virgilio a ementa devia ser simples e igual para todos, nada de cabazes de gente rica armados em mete nojo ao lado do farnel de broa e couratos dos pobres. Hummm, gajo porreiro, cheira-me…. Fiquei curiosa, juntei-me com a empregada aqui de casa, sim, sou herege mas gente fina, peguei na minha mãe e nas minhas filhas e fui ao almoço do Virgílio levando a única coisa que me tinham pedido, um bolo para sobremesa e mais o que não tinham pedido, uma enorme vontade de ir às falas com o homem.

Domingo de sol, adro da Igreja, mesas corridas, um porco a assar no espeto, alguidares de salada servida com a mão, pão a sair do forno, muito vinho e, lá pelo meio da populaça, sem um único ilustre ou doutor mais apessoado a acompanhar, de bucha na mão, um tipo extremamente alto, olhos azuis fulminantes e chapelinho vermelho ridículo equilibrado na cabeça. Peguei numa garrafa de carrascão, dois copos de plástico e fui medir tensas com o Virgílio. Um copo para ele, outro para mim, beiças vermelhas do tintol e a primeira pergunta a sair disparada – por alma da santa, como consegue segurar essa coisa na cabeça? O Virgílio atirou a cabeça para trás numa gargalhada, a coisada vermelha não mexeu um milímetro, e tentou explicar-me que talvez fosse a careca a segurar a mitra, mitra, era isso, mitra! e por baixo da mitra, escondida dos olhares dos crentes, estava a careca salvadora que prontamente destapou. Sem lhe dar espaço para respirar e aproveitando a boleia achega-se a minha filha adolescente e bruta que nem casas quer saber se Virgílio quando foi para padre já era com o fito de chegar a bispo, nova gargalhada e a resposta pronta, é bispo porque nem para padre serve, não sabe fazer mais nada. Temos gajo, habemus conversa. Continuámos por ali fora, conversa mais ou menos séria, vinho à mistura, gordura da febra a escorrer pelo queixo. Gostei do tipo, era fácil de conversar. E o porco estava bom, e o pão estalava e o vinho escorregava.

Val, estás enganado. O Virgílio é boa gente, está longe, muito longe, da igreja ortodoxa, tradicionalista, fechada que conhecemos e acredito que, por aqui, tenha encontrado boa gente também, mesmo que enxertada em corno de cabra como eu. O Virgilio foi optimista, quis deixar uma palavra de esperança na entrevista que deu? Sim, foi, mas ele é bispo e, pelo que diz, tem de ser sempre bispo porque mais nada sabe fazer e a fé das gentes para quem fala tem de ser feita, sobretudo, de esperança.

(Virgílio, bacano, gostei de ti, não ligues ao Val, ele nunca bebeu uns copos contigo)

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Oferta da nossa amiga Teresa

Contra badocos

Sempre te leio com grande prazer, por desfrute pessoal, e posso dizer que é justo valorizar a quem sabe dar tão bem amanho, qual alfareiro o barro, as palavras da lingua portuguesa. Ora bem, não é só quem sabe repartir palavras como semente de centeo numa leira, o que escreve bem. Escreve bem quem saber dizer muito em pouco e quem sabe colocar as palavras para fluirem sob o texto resbalando sossegadas à olhada do leitor.

Leio-te por isso e sob de tudo por post como este. Cheio de força social, pungente, que nos deixa ficar contentes con nós e agir para irmos contra badocos. Pôr ajudarnos á andar de olhos abertos, e por saber fazer da tua palestra virtual um altofalante contra à imbecilidade e à insensibilidade.

Acredito em quanto dizes, aliás sinto-o tal qual o dizes. Ouví o personagem na TSF, reli à escrita e o teu comentario e gostei mais uma vez que alguem dixera como a min me gostaría dar uma resposta a tão grande palhaçada.

O homem acha que teve um bom pensamento, que nos engana a todos, que teve uma ideia feliz, que ele pode converter o dor em alegrías. Com segurança, ele não está a sofrir no seu ámbito familiar tal diáspora. Como se isso fosse bom para o país, para os jovens, para as familias. Só lhe faltou dizer também que é bom porque se conhece mundo e isso abre à mente das pessoas. Sim que é bom conhecer mundo pero a ser possivel, não servendo cafés em Londres um engenheiro, ou lavando carros em Berlim um psícologo, ou trabalhando no Carrefour portando caixas um economista. Tudos eles gastaram muitos cartos o país e os paes, e à sociedade deu-lhe umas expectativas convertedas num falhanço.

E isso bom?. Numca poderá ser bom, será inevitavel, e haverá que lutar para sairmos adiante e que esta diáspora educativa poda dar-se a se mesmo e a sociedade o que sería desejo de todos.

A diáspora educativa é muito grande para que chegue algum día á terra prometida da prosperidade, como o nosso Duque gosta de dizer. Iste cavalheiro será mais um dos que cheiram o lucro em tudo o que bule perto deles, e principalmente o aparecer a desgraça colectiva. Concordo que mamou na oligarquía e despreço porque não pertece a sua caste, principalmente pelos pobres que o rodearam na sua vidinha. O que tal vez não sabe, ou sim que sabe, que ele está bem assentado numa sociedade na que o seu engorde vai sempre depender da fome de outros, embora parceiros de caminhada. Como se não explicar-nos-emos que em Espanha, por ponher como exemplo, o número de grandes fortunas aumentou um treze por cento dende o principiar da crise?.

A diáspora educativa e uma tragedia que vivimos no nosso arredor. E uma tragedia que não sabemos ainda valorizar. São custos que serão vistos lá num longo tempo e se escreva nos livros de Historia. Os países que sempre tivemos diáspora,os galegos sabemos disso, sempre achamos que numca sería como agora e que leva esse nome tan eufemístico de educativa. Na nossa sociedade houve, há, um falhanço.

Andivemos a educar, a formar os jovens e os melhores, os que podem fazer evoluir na investigação, na tecnología no desenrolo, tenhem que ir fora procurar sustento, nem fortuna. E não todos vão a fazer aquilo para o foram formados,¡o desgraça!.
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Oferta do nosso amigo reis

Diziam que ele só queria era o malvado do TGV e os terríveis aeroportos, e a gente acreditou-se, prontos….

Não querendo meter a colher em discussão alheia, sabendo-se que muitos lêem estes comentários sem nunca se pronunciarem, gostaria apenas, não estereotipando conceitos, de perguntar a José Soares Pinto por que razão fala ele de «Auto-estradas que se pagavam [a] elas próprias, a festa da parque escolar, as energias renováveis, o investimento público mandado por Bruxelas, etc.…», a propósito de Sócrates, quando haveria tantas outras coisas de que poderia também falar?

Por que motivo só se invoca Sócrates a propósito destas e doutras coisas, como as PPP’s, o TGV, o Novo Aeroporto de Lisboa, ou o Aeroporto de Beja, sabendo-se que tudo isso já vinha de MUITO ANTES DE SÓCRATES, quando haveria coisas muito mais relevantes a falar sobre os seus Governos?

Estamos aqui a falar, creio eu, sem interesses não declarados, como Cidadãos interessados em falar verdade e com genuína preocupação com o Futuro do seu País.

José Soares Pinto, a minha pergunta concreta para si é: não considera mais relevante para caracterizar o tempo de José Sócrates à frente do Governo português a redução do défice do Estado para menos de 3% – quem o conseguiu antes dele, nas mesmas condições de normalidade? Ou a taxa de desemprego de Portugal nesse tempo? Ou os indicadores de esperança média de vida? De qualidade da Educação? Da (inexpressiva) Emigração? Do nível de Impostos? Ou dos próprios valores do PIB/capita?

Pense assim: se vir dois homens à sua espera para, por exemplo, uma qualquer reunião executiva, um de fato cinzento e gravata, com os documentos metidos numa pasta de pele, e outro de bermudas e sandálias, com a papelada à solta dentro de um saco do “Continente”. O primeiro tem uma ferida na testa com um penso, o segundo não.

Qual a descrição que irá fazer deles? “Tive hoje uma reunião com dois gajos, mas um era um energúmeno que parecia ter andado à porrada e o outro era uma pessoa normal”, é isto?

Já tentou fazer uma análise isenta, desapaixonada e séria aos dois períodos históricos que Portugal viveu mais recentemente, os Governos de José Sócrates e a era Passos Coelho? Faça-a. E depois tire as suas próprias conclusões.

Não tenha medo, pode sempre continuar a odiar o Sócrates à sua vontade. Emoções e raciocínos não têm que se contaminar, como bem sabe…


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Oferta do nosso amigo Odisseu

Da quinta-coluna

Na rentrée, Passos deu o mote no comício aos Jotas com os conselhos de bom senso ao Tribunal Constitucional, Nessa altura, tivemos também a rábula pulha sobre os desempregados e a Constituição. Depois, a capa do Expresso com a chantagem do cheque da troika sobre o Tribunal Constitucional. Seguiu-se o spin internacional – via associated press e outros, veiculando a ideia de radicalismo do Tribunal Constitucional.

Na campanha das autárquicas, Passos veio associar o eventual chumbo de normas do Orçamento de Estado pelo Tribunal Constitucional a um segundo resgate. Entretanto, Portas e sus señoritos reforçam a ideia e dizem que tal implicará igualmente um pacto constitucional para retirar qualquer obstáculo às medidas da troika. De seguida, o “nosso” Durão subiu a parada com a ameaça do “caldo entornado” (como se vê dá imenso jeito ter um português na Presidência da Comissão Europeia, não é?). Agora, a crítica ao “ativismo político” do Tribunal Constitucional por parte de mais um obscuro funcionariozeco português de Bruxelas, daqueles que – tal com os estarolas radicais do Banco de Portugal – têm os seus ordenados protegidos do tsunami austeritário que está a destruir Portugal.

Tudo para condicionar a ação do Tribunal Constitucional, neste momento, o último garante da efetiva independência política de Portugal, a última sede de soberania de Portugal. Com um Presidente da República comandado por controlo remoto pelo Governo e instituições europeias, uma comunicação social em larga medida submissa e/ou condicionada pelos grupos económicos dominantes, com uma oposição liderada por uma nulidade genérica de marca branca, a população portuguesa, já de si com uma intervenção política passiva ou muito pouco informada, encontra-se num estado quase catatónico, conformada com o retrocesso civilizacional que os “senhores da televisão” lhes dizem ser o único caminho possível para finalmente podermos voltar a ser um “País de bem”, empobrecendo cada vez mais para conseguirmos pagar uma dívida cada vez maior.

Mais tarde ou mais cedo, Passos ou Marco António Costa, no seu estilo destrambelhado, ou Maduro, no seu estilo mais viscoso, atravessarão o que ainda falta (ainda falta?) do Rubicão Constitucional, com novas intervenções que colocarão definitivamente em causa o Tribunal Constitucional, coagindo de forma objetiva o livre exercício da sua ação e incorrendo mesmo num crime punível por lei. (Artigo 10.º da Lei n.º 34/87, de 16 de Julho “Crimes de Responsabilidade dos Titulares de Cargos Políticos”, Coacção contra órgãos constitucionais – 1 – O titular de cargo político que por meio não violento nem de ameaça de violência impedir ou constranger o livre exercício das funções de órgão de soberania ou de órgão de governo próprio de região autónoma será punido com prisão de dois a oito anos, se ao facto não corresponder pena mais grave por força de outra disposição legal).

O Tribunal Constitucional é, pois, neste momento, o último grande adversário antes de se conquistar Roma… Compete a todos os democratas que acreditam que Portugal deve continuar a ser um Estado de Direito independente denunciar estas pressões e ingerências brutais e inadmissíveis do Governo e das instituições europeias sobre o Tribunal Constitucional. Até porque, se o Tribunal Constitucional acabar por capitular, esta história, tal como em Roma, vai acabar mal, muito mal para todos nós…

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Oferta do nosso amigo PG

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A organização pede-nos para divulgar a seguinte informação:

Um colectivo de realizadores anónimos sírios, os confrontos do verão passado no Egipto, os movimentos sociais na Turquia e no Brasil e a lei contra a propaganda gay na Rússia são algumas das realidades abordadas na secção que o Doclisboa estreou no ano passado – “Cinema de Urgência”.

Aspirina marada

Ao longo da noite de ontem, problemas técnicos que nos ultrapassam levaram a que alguns comentários desaparecessem, voltassem a aparecer e voltassem a desaparecer, pelo meio também apagando uma publicação. Os comentários desaparecidos são irrecuperáveis, salvo melhor informação.

Não sabemos porquê nem se o problema voltará. Mas desconfiamos que há coisas piores na vida.

“As escolhas de Cavaco Silva”

A pedido do nosso amigo M.G.P. Mendes:

Há pessoas com propensão para escolhas infelizes. Cavaco Silva, quando líder do PSD, escolheu Dias Loureiro para secretário-geral do partido e apadrinhou Duarte Lima no percurso que o levou a líder do respectivo grupo parlamentar. Já presidente da República, Cavaco Silva convidou João Rendeiro para dirigir a EPIS – Empresários pela Inclusão Social. Dias Loureiro não é propriamente alheio às trapalhadas que originariam a gigantesca burla do BPN. Duarte Lima é presidiário de luxo e suspeito de crime de homicídio. A fraude BPP tem um responsável: João Rendeiro.

A 10 de Julho, quatro dias antes da comemoração da tomada da Bastilha (quem sou eu para lhe sugerir que revisite a França de 1789?), Cavaco disse branco e fez negro. Gritou por estabilidade e afundou todos em mais instabilidade: partidos, Governo em gestão e país em agonia. Não aceitando nenhuma das soluções que tinha, inventou a pior que alguém podia imaginar. O raciocínio que desenvolveu é mais uma das infelizes escolhas em que a sua vida política é pródiga. O compromisso que pediu significaria que votar no PS, no CDS ou no PSD seria votar num programa único de Governo. O compromisso que pediu significaria o varrimento liminar do quadro democrático dos restantes partidos políticos, que desprezou. A escolha que fez significa que se atribuiu o poder, que não tem, de convocar eleições antecipadas em 2014, sem ouvir os partidos políticos nem o Conselho de Estado. Para quem jurou servir a Constituição, é, generosamente, uma escolha infeliz.

A monumental trapalhada política, em que Gaspar, Portas, Passos e Cavaco mergulharam o país, tem múltiplas causas remotas e uma próxima. Esta chama-se reforma do Estado e apresentaram-na ultimamente sob forma de número mágico: 4700 milhões de euros. Mas tem história. Como elefante em loja de porcelana, Passos Coelho começou por a associar à sua indefectível revisão constitucional e nomear revisor: Paulo Teixeira Pinto, artífice emérito da desgraça do BCP, apoiante da monarquia, conselheiro privado de D. Duarte Pio de Bragança e presidente da Causa Real. Escolha adequada, via-se, para cuidar da Constituição da República. Quando explicaram a Passos Coelho que a revisão da Constituição não podia ser decretada pelo putativo presidente da Assembleia da República, que o génio de Relvas arrebatou à Assistência Médica Internacional e ele, Passos, já havia elegido em nome dos deputados que ainda não tinham sido eleitos, a reforma do Estado mudou de rumo: o objectivo passou a ser “enxugar” o monstro por via da exterminação de organismos. O desastre ficou para os anais do insucesso, sociedades de advogados e consultores contentes, parcerias público-privadas presentes, rendas da energia crescentes e empresas parasitárias resistentes. Como camaleão que muda de ramo pachorrentamente, a reforma do Estado foi-se metamorfoseando: Passos chamou-lhe “refundação do memorando com a troika”, a seguir “refundação do Estado”, depois, para chegar ao simples corte acéfalo, cego, bruto, da despesa pública, com que se estatelou no muro da realidade. Relvas ridicularizado. Gaspar em frangalhos. Portas de reputação mínima irrevogável. Povo exausto. Portugal pior. O que uniu desde sempre estes Irmãos Metralha da reforma do Estado foi a sua insubordinação militante relativamente à legalidade, à confiança dos cidadãos no Estado, à prevalência do interesse público sobre o privado. Foi o seu preconceito ideológico contra o Estado social, servido pelo vazio total de ideias sobre o funcionamento seja do que for, da Educação à Saúde, da Justiça à Segurança Social, da Economia à Cultura.

Afogado em tanta lama, quando as circunstâncias parecem pesar mais que a ética e o carácter, o país está suspenso e alheio à educação dos seus filhos.

Os resultados dos exames nacionais do 12.º ano são preocupantes. São baixíssimas as médias nacionais em muitas disciplinas. Seria motivo para alarme nacional. Mas não foi.

No site da Direcção-Geral da Administração Escolar, relatórios médicos sensíveis e confidenciais, relativos às doenças incapacitantes de que sofrem cerca de três centenas de professores ou familiares deles dependentes, estiveram expostos à devassa pública. Não tentem rotular de acidente aquilo que a tecnologia actual, definitivamente, pode impedir. Trata-se de incompetência inqualificável, que devia ser punida. Mas não foi.

O mesmo Ministério da Educação, que exigiu a crianças de nove anos um termo de responsabilidade, escrito, garantindo que não eram portadores de telemóveis, antes de se sentarem a fazer o exame nacional do 4.º ano, permitiu que alunos do 6.º e 9.º, chumbados em cumprimento das regras vigentes, por o terem usado durante a prova de Português, a repetissem na 2.ª fase. Quem assim decide, começa cedo a industriar os pequenos no caminho da corrupção. Devia ser punido. Mas não foi.

Santana Castilho

No meio da tempestade

Se você acha o Sócrates um político competente, honesto e, no fundo, tem uma opinião relativamente boa dele, experimente dizer isso em Portugal e verá o que lhe acontece.

Se estiver entre camaradas esquerdistas, o ambiente gela e você será olhado, no mínimo, como um perigoso “amarelo”. E de seguida escarnecido, vituperado e, por último, escorraçado de qualquer discussão.

Se estiver entre maltosa do PS, muita da que eu conheço, militantes de reuniõezinhas semanais, vai logo ter de levar com o catárctico “mas fez muitos erros, olha as PPP’s, o TGV, o Aeroporto de Lisboa…” e alarvidades do mesmo estilo.

Por outro lado, se estiver à saída de alguma Missinha e falar em Sócrates à frente de velhotas beatas, ou catequistas jovens, o mais certo é o céu abrir-se e cair um raio fulminante! Ou chamarem piedosamente o 112 para lhe enfiarem uma camisa-de-forças…

Garanto-lhe que, se não quiser causar problemas, ferir susceptibilidades, ou gerar empecilhos ao harmonioso desenvolvimento de situações sociais ou profissionais, é de maior etiqueta em Portugal que o nome Sócrates nunca seja, nem ao de leve, pronunciado. E espero que acredite em mim, que não sou filiado em nenhum Partido, nem votei no Sócrates em 2005.

Acha isto uma doença mental? Pois também eu, mas é real.

Quem alimentou esta patologia aberrante? Os meios conservadores, sim, as Corporações e os Sindicatos, também, mas igualmente a Esquerda parlamentar, o Bloco e a CDU, e os blogues marxóides.

Quem ampliou ao insuportável esta disfunção colectiva? Os meios de comunicação de massas, os opinadores e os intelectuais mais prestigiados. Uns pela palavra, outros pelo silêncio.

É-lhe possível, apesar disso, continuar a discutir racionalmente o Sócrates e a unidade da Esquerda, abstraindo-se deste clima doentio e crispado? É, mas só porque vive no Estrangeiro, garanto-lhe. Ou melhor, a mim também é, sobretudo consigo, porque não sinto no ar essa crispação, mas aqui é muito difícil.

Compreende agora melhor a virulência pró-Sócrates que às vezes aflora em alguns dos textos deste “blogue”? Se você estiver no meio de uma tempestade fortíssima, a sua posição será normal e vertical, ou antes procurará inclinar-se para contrariar o efeito do vento na gravidade?

Se conseguir ultrapassar o seu afastamento e vislumbrar esta contextualização que nós aqui sentimos tão fortemente, talvez consiga dar “o desconto” e adoptar a mesma “inclinação” que nós, que lutamos para não sermos arrastados para a demência há mais de três anos.

E admitir que, nestas condições, se torna quase impossível não só pôr as pessoas dos vários Partidos de Esquerda a falar entre si (e mesmo falando já não seria fácil atingir consensos…), como sobretudo pôr as PESSOAS NA RUA a falar entre si com abertura de espírito. É isso que falta a Portugal, sabe? O clima de fraternidade e união que se viveu, no seu expoente máximo, nos primeiros meses de 1974, mas que no essencial durou até à Expo’98, ou talvez mesmo até ao Euro’2004. E que se perdeu completamente a partir de 2007-2008…

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Oferta do nosso amigo Júlio de Matos

A política dos que atacam os políticos

A propósito da histórica entrevista de Teixeira dos Santos à “simpática”… que como uma alarve levou quase toda entrevista a ver se conseguia arrancar no entrevistado a mínima palavra em que pudesse pegar para colocar na balança da diabolização de Sócrates, gostaria de deixar aqui um pequeno texto acerca deste tema: a diabolização de Sócrates e do PS mas, mais do que isso, da classe política “tout court” com intuitos e visando fins em que, ao fim e ao cabo, só a direita está interessada.

De facto, estou cada vez mais cansado, desta universal e demagógica tendência, de atirar as culpas de tudo quanto de desgraçado acontece neste pobre pais para a “classe política”, assim medindo tudo pela mesma rasoira. Infelizmente esta tendência atinge até camadas da população de gente honesta e de cujo nível intelectual seria de esperar menos simplismo e maior discernimento. Os políticos todos eles, sem a mais pequena exceção, são uma cambada de corruptos que mais não vêm do que a dois palmos das suas miseráveis barrigas! E prontos! Acabemos com todos eles e teremos salvo o mundo!

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Um país de mansos

O achincalhamento da governação Sócrates serviu (mas agora deixou de servir) como alibi para as políticas desastrosas da Direita. Já ninguém se atreve a usar tal alibi, sabendo que Domingo à noite a coisa seria desmontada.

Sócrates readquiriu um estatuto político excepcional num contexto em que o caos parece estar para durar. E enquanto os portugueses não disserem basta ao actual desgoverno, enquanto a contestação não se impuser, o presidente da República permanecerá “a mão por detrás do arbusto”.

Mas o que mais espanta na actual situação é a passividade dos portugueses, tanto mais que nos locais de trabalho as chefias parecem “mais papistas que o papa”. Mimetiza-se, um pouco por todo o lado, o estilo autoritaresco e persecutório da governação Cavaco / Passos / Portas e a malta encolhe-se.

Não sei exactamente a que se deve este fenómeno de um povo apático, preocupado mas condescendente, que não exerce o seu imenso (contra)poder perante ameaças impensáveis a cada dia que passa. Será que deveríamos ter em conta uma espécie de trauma após-Sócrates, uma espécie de culpabilidade colectiva daqueles que se deixaram enredar na tramóia que fez de Sócrates o bombo da festa, e não sabem agora como salvar a face?

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Oferta do nosso amigo Roteia

Vencidos da Troika

É inútil acreditar que exista um “socratismo”, ainda para mais messiânico, à semelhança do muito lusitano sebastianismo. Assim como não existem – nunca existiram – “socráticos”.

Tudo isso são apenas categorias da impotência moral da Direita – que esperneia e relincha grotescamente sempre que a superioridade moral de Sócrates a vexa e a humilha da forma que mais lhe dói, isto é, nos seus próprios termos – e da impotência intelectual de certa Esquerda – que passa ao lado de qualquer mensagem política relevante por manifesta incapacidade cerebral, a menos que algum piedoso Lobo Xavier a ilumine caridosamente com uma lanterna a pilhas, dois anos depois de as coisas acontecerem e a percepção das mesmas ter relevância.

Por isso é que este pobre País do Lixo – Pacheco “dixit” – está condenado a viver uma situação de sub-desenvolvimento, material e cultural, e uma agonia de protestos anémicos e indignações pífias, comandadas por inúteis e estéreis, cuja eficácia política se resume à colaboração com a potente e demagógica narrativa da velha Direita de sempre, aliada à nova Direita deslumbrada do novo-riquismo bolsista, financeiro, especulativo, mediático e pedantemente anglófilo.

Estamos todos muito próximos, historicamente, da Geração de 70 do Séc. XIX, que lucidamente constatou o falhanço português do seu tempo, incapaz de acompanhar o surto de desenvolvimento que acompanhou a industrialização europeia e que prenunciou, entre o estertor do Rotativismo aristo-burguês e a decadência duma Monarquia ligada à máquina desde a Ditadura de Beresford, o levantar de um novo Portugal renascido das cinzas do Passado e com base numa realidade política completamente nova e risívelmente marginal no Séc. XIX – a República!

Só uma reviravolta desse calibre poderá de novo dar gás a uma Nação gasta e cansada como a nossa. A menos que estejamos já no derradeiro ciclo da sua existência, hipótese que também é bastante prudente ter em conta…

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Oferta do nosso amigo Baltazar Garção

Até que enfim!

Apetece-me dizer “até que enfim!”. Já tardava um post assim. Não desvalorizando o que por aqui se vai escrevendo, precisamos de intervenções como esta do Vega como de pão para a boca! E que raras são.

Excelente post, a abrir caminhos de debate e reflexão. Começa a ser tempo de nos deixarmos de conversas sobre as pequenezes da vida como chonés e companhia Lda e de nos concentrarmos no que verdadeiramente importa. Os tempos mudaram e os desafios estão aí à porta. Como mudarmos nós também? O que queremos para o futuro?

Saltaram-me à vista duas ideias. Em primeiro, a necessidade de justificação para a presença numa actividade do partido de que se é militante. Não comungo da ideia “sendo que na vida partidária activa deve estar gente com bastante mais talento do que eu”. Os partidos afastaram-se das pessoas (ou afastaram as pessoas) e isso é uma das razões para esta situação ao estilo “tempestade perfeita” que vivemos hoje. Se acreditamos na democracia então está na hora de intervir e, para quem não vê solução no arremesso do calhau, contribuir para a mudança dentro dos partidos é o único caminho. Claro que esta é uma estrada de duas vias e também tem que partir de dentro das organizações partidárias a reflexão acerca da necessidade de renovação e de cativar militância. Mas podemos sempre dar o primeiro passo.

Em segundo, o parágrafo sobre o que significa uma esquerda moderna. É urgente despir os preconceitos e começar a sacudir o pó e os dogmas. Há muito que a direita percebeu isto e actualizou o discurso. E a mensagem passa. É preciso que passe, também, a mensagem da esquerda.

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Oferta da nossa amiga SAlves