Vencidos da Troika

É inútil acreditar que exista um “socratismo”, ainda para mais messiânico, à semelhança do muito lusitano sebastianismo. Assim como não existem – nunca existiram – “socráticos”.

Tudo isso são apenas categorias da impotência moral da Direita – que esperneia e relincha grotescamente sempre que a superioridade moral de Sócrates a vexa e a humilha da forma que mais lhe dói, isto é, nos seus próprios termos – e da impotência intelectual de certa Esquerda – que passa ao lado de qualquer mensagem política relevante por manifesta incapacidade cerebral, a menos que algum piedoso Lobo Xavier a ilumine caridosamente com uma lanterna a pilhas, dois anos depois de as coisas acontecerem e a percepção das mesmas ter relevância.

Por isso é que este pobre País do Lixo – Pacheco “dixit” – está condenado a viver uma situação de sub-desenvolvimento, material e cultural, e uma agonia de protestos anémicos e indignações pífias, comandadas por inúteis e estéreis, cuja eficácia política se resume à colaboração com a potente e demagógica narrativa da velha Direita de sempre, aliada à nova Direita deslumbrada do novo-riquismo bolsista, financeiro, especulativo, mediático e pedantemente anglófilo.

Estamos todos muito próximos, historicamente, da Geração de 70 do Séc. XIX, que lucidamente constatou o falhanço português do seu tempo, incapaz de acompanhar o surto de desenvolvimento que acompanhou a industrialização europeia e que prenunciou, entre o estertor do Rotativismo aristo-burguês e a decadência duma Monarquia ligada à máquina desde a Ditadura de Beresford, o levantar de um novo Portugal renascido das cinzas do Passado e com base numa realidade política completamente nova e risívelmente marginal no Séc. XIX – a República!

Só uma reviravolta desse calibre poderá de novo dar gás a uma Nação gasta e cansada como a nossa. A menos que estejamos já no derradeiro ciclo da sua existência, hipótese que também é bastante prudente ter em conta…

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Oferta do nosso amigo Baltazar Garção

3 comentários a “Vencidos da Troika”

  1. tenho pena de nãosaber a idade dos posteiros que andam no aspirina e outros que se aproximam.se saõ novos filhos da geraçao rasca,não posso deixar de os felicitar,porque escrever bem, para dizer coisas importantes,pouco vemos nos media.ponto final.depois de passos dizer que não tem medo dos portugueses! diga-se de passagem que é preciso ter muita coragem para conviver e foder “esta matilha de animais ferozes”! é efetivamente um valentão este coelho, que até acompanhado vai ao wc, para buscar inspiriçao! como isto não chega para nossa desgraça e saude dos portugueses,temos um freitas do amaral a navegar em aguas turvas na quinta da marinha! a condenarmos à prisaõ perpetua, quando diz que ainda não há alternativa a este governo.dizer isto depois da desgraça que semeou no pais, por falta de alternativa politica ás imposiçoes da troika .lembro-me que foi dito em devida altura pelos donos do “pacto de agressaõ” encomendado pelo pcp e pelo bloco para não perder o comboio fantasma que o atormenta!que as medidas podiam ser outras, desde que os resultados fossem os mesmos. a direita ignorou o recado, para poder fazer o ajuste de contas com que sonhavam há 38 anos. bendita constituiçao que os impede de ir mais longe do que o desejado!

  2. Excelente, o título.

    Obrigado, “aspirinas” e nuno cm (já agora, e para satisfazer a tua salutar curiosidade, digo-te que já não sou nada novo, muito menos filho da “geração rasca”: tenho 53 e sou filho de gente simples do Povo, alentejanos, migrantes para Lisboa nos anos 50…).

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