Eça agora…

O Jorge Palinhos, num dos derradeiros posts do BdE, aponta certeiro às meninges sempre febris da malta que gasta os seus dias a maldizer a “choldra” que é Portugal. Depois de inventariar as litanias preferidas das lusas carpideiras, conclui: “criticar sem ideias ou convicções ou acções, pelo simples fundamento de que Portugal não é a França e Lisboa não é Paris, não é colocar-se acima dos burgessos ou apresentar-se como uma elite aristocrática. É apenas ser um burgesso que cita Eça.”
É impossível não concordar. Mas resta um curioso e desconcertante paradoxo: o fulano que melhor cultivou uma certa postura hiper-crítica e luso-céptica — e que até citava Eça como ninguém — veio, apesar de tudo, a transformar-se num verdadeiro tesouro nacional. É hoje um farol que ilumina os caminhos brumosos do rarefeito orgulho pátrio que por aí ainda ande perdido.
Falo, claro está, do próprio Eça.

10 comentários a “Eça agora…”

  1. A solução para o paradoxo é simples: os originais têm certos privilégios que os imitadores não têm.

    Especialmente os imitadores rascas, como é geralmente o caso.

  2. já viste no que dá ter carisma, luís? mal abrem a casa nova, a clientela big. entra logo de rompante. um dia destes ainda vou descobrir quem é a quitéria barbuda.

  3. Então é aqui? Bom, aqui ando com o primeiro comentário. Já vi que mantêm o bom ritmo do último dia do BdE. E também já vi que este vai ser local de reencontro de muita gente. Inclusive da RIAPA, coitadinhos…

  4. Estes Bigornas são uma espécie de amuletos, como os ratos num navio. Se não aparecerem ou fugirem é que a coisa está para ficar negra.

  5. Tal e qual. Nós lemos o post e esse paradoxo ( ? ) era bem interessante. Por outro lado dá-nos um certo orgulho – o homem que tão bem criticava esse “portuguesismo” também o sendo… era português. Enfim…

  6. Ja’ me aconteceu pensar que as “elites” portuguesas sofrem do sindroma “Eca”. O Eca usava aquele truque sempre eficaz de escrever um texto critico enquanto se pisca um olho ao leitor e deixa-se este descansado com a mensagem subliminar: “nos somos tao espertos, nao somos, mas o resto e’ tudo uma choldra”. E, ironia das ironias, caimos quase sempre. No caso dele, talvez tenhamos uma boa desculpa… e’ que ele escrevia tao bem.

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