Diziam que ele só queria era o malvado do TGV e os terríveis aeroportos, e a gente acreditou-se, prontos….

Não querendo meter a colher em discussão alheia, sabendo-se que muitos lêem estes comentários sem nunca se pronunciarem, gostaria apenas, não estereotipando conceitos, de perguntar a José Soares Pinto por que razão fala ele de «Auto-estradas que se pagavam [a] elas próprias, a festa da parque escolar, as energias renováveis, o investimento público mandado por Bruxelas, etc.…», a propósito de Sócrates, quando haveria tantas outras coisas de que poderia também falar?

Por que motivo só se invoca Sócrates a propósito destas e doutras coisas, como as PPP’s, o TGV, o Novo Aeroporto de Lisboa, ou o Aeroporto de Beja, sabendo-se que tudo isso já vinha de MUITO ANTES DE SÓCRATES, quando haveria coisas muito mais relevantes a falar sobre os seus Governos?

Estamos aqui a falar, creio eu, sem interesses não declarados, como Cidadãos interessados em falar verdade e com genuína preocupação com o Futuro do seu País.

José Soares Pinto, a minha pergunta concreta para si é: não considera mais relevante para caracterizar o tempo de José Sócrates à frente do Governo português a redução do défice do Estado para menos de 3% – quem o conseguiu antes dele, nas mesmas condições de normalidade? Ou a taxa de desemprego de Portugal nesse tempo? Ou os indicadores de esperança média de vida? De qualidade da Educação? Da (inexpressiva) Emigração? Do nível de Impostos? Ou dos próprios valores do PIB/capita?

Pense assim: se vir dois homens à sua espera para, por exemplo, uma qualquer reunião executiva, um de fato cinzento e gravata, com os documentos metidos numa pasta de pele, e outro de bermudas e sandálias, com a papelada à solta dentro de um saco do “Continente”. O primeiro tem uma ferida na testa com um penso, o segundo não.

Qual a descrição que irá fazer deles? “Tive hoje uma reunião com dois gajos, mas um era um energúmeno que parecia ter andado à porrada e o outro era uma pessoa normal”, é isto?

Já tentou fazer uma análise isenta, desapaixonada e séria aos dois períodos históricos que Portugal viveu mais recentemente, os Governos de José Sócrates e a era Passos Coelho? Faça-a. E depois tire as suas próprias conclusões.

Não tenha medo, pode sempre continuar a odiar o Sócrates à sua vontade. Emoções e raciocínos não têm que se contaminar, como bem sabe…


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Oferta do nosso amigo Odisseu

19 comentários a “Diziam que ele só queria era o malvado do TGV e os terríveis aeroportos, e a gente acreditou-se, prontos….”

  1. Muito agradecido pela distinção.

    O que me faz mais confusão no espaço de debate público português atual não são as opiniões contrárias à minha – isso geralmente até é muito estimulante -, mas sim as opiniões mal fundamentadas, causadas por ideias falseadas, míticas, deturpadas, ou por meros reflexos condicionados.

    Sobretudo quando essas opiniões são tão convictas e dogmáticas, que impedem a auto-regulação crítica – e a necessária tolerância para a quem não as possui… E isso começa quase a ser trágico, no nosso caso.

    Até porque quase juraria que, se encontrasse este comentador (que óbviamente desconheço) numa qualquer circunstância da vida e trocássemos algumas palavras casuais, até poderíamos concordar em muita coisa, porventura nas coisas essenciais! Mas em chegando a um tema como este, a conversa ficaria decerto completamente envenenada! E isto é uma das coisas que mais me entristece hoje, em Portugal, tenho de confessar.

  2. Ok, não tem que ser com homens. Pensemos por exemplo em dois carros para alugar, pelo mesmo preço/dia (o custo de um voto…): um Porsche cinzento, como novo, e um Fiat Punto “quitado”, amarelo torrado. O Porsche, contudo, tem os pneus gastos; o Punto, em contrapartida, está todo riscado e nem sequer pneus tem… O tipo de pensamento que eu critico é olhar-se para os dois carros e dizer: «Mal por mal, prefiro o Punto. Ao menos não tem os pneus quase carecas!».

    A opinião vulgar dos portugueses comuns (“despolitizados”) sobre José Sócrates e os seus Governos baseia-se num raciocínio em tudo idêntico. E infelizmente nem sequer estou a exagerar – é assim mesmo, sem tirar nem pôr…

  3. Melhor dito: a “opinião vulgar dos portugueses comuns” comparativa entre José Sócrates e Passos Coelho, como é evidente…

  4. mas então ambos os exemplos são péssimos: havias de comparar conhecimento e o discurso no primeiro caso e o motor no segundo – de outra forma estás a focar-te na aparência e era isso – por tanto o homem do fato cinzento como o porsche poderem, efectivamente, serem podres por dentro – que não estava a entender. é que há obra feita e em curso, não pode aplicar-se a leveza do parecer para as más escolhas.

  5. (mas não leves a mal, Odisseu, ou se quiseres leva. mas olha que não foi uma crítica ao texto mas apenas aos exemplos. acho que deves continuar a opinar sempre por cá) :-)

  6. Apenas um TGV seria o suficiente para pôr qualquer 1º num colete de forças.

    Já como foi feita a expo 98 merecia recriar um Tarrafal.

    E aqueles circos montados em Leiria, Aveiro, Luz Dragão Alvalade, deviam servir para enjaular banqueiros, empreiteiros e importadores de uruguaios, paraguaios e guaranis.

  7. “Nã percebi paravina”. Pois.

    Mas estarás mesmo interessado em perceber?
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    Olinda, Olinda,

    os meus exemplos são metafóricos, não são analogias. Exprimem apenas que o Cidadão comum foi sendo lentamente amestrado a escrutinar ao pormenor todo e qualquer erro, ou mera aparência disso, mesmo nos aspetos mais insignificantes, na pessoa de José Sócrates, ao passo que ignora grosseiramente todo e qualquer aspeto aberrante, por mais escandaloso e evidente que seja, em personagens de relevância política e mediática equivalente, vulgo Passos Coelho, Cavaco Silva, Paulo Portas, Gaspar, Maria Luís Albuquerque e Marcelo Rebelo de Sousa, entre dezenas de outros exemplos.

    Podes criticar à vontade as minhas metáforas (e olha que eu não sou uma central de propaganda, longe disso, tenho apenas breves minutos livres por dia disponíveis para te ler, refletir, congeminar e digitar uma resposta escrita, que para mais não me envergonhe muito perante críticos ferozes e de reconhecido peso como por exemplo o ignatz), sim, podes criticar e reinterpretar as minhas metáforas à tua vontade, mas por favor não mudes de assunto enquanto não tiveres tentado, pelo menos uma vez, entender a mensagem que elas tentam (desastradamente ou não, tu serás a melhor juíza) veicular. Combinado?

  8. Esta conversa sobre o que se fez ou não só dá para rir…!!! Enquanto nós lemos e ouvimos criticas a Sócrates ( o homem é mesmo muito bom para suscitar tanta inveja e tanto temor) , enquanto isso, dizia eu, ao espanhóis e os franceses inauguraram esta semana, o novo TGV ligando Barcelona a Paris, !!! E os burros são eles ???? Há quem queira manter-se orgulhosamente só, numa sonsice bacoca e provinciana, a modos que salazarenta…!!! Tenham paciência !!!! Se na era de quinhentos se desse valor ao velho do Restelo…….!!!! Ainda bem que houve quem lutou contra a maré dos ” derrotados da vida” e ousou….!!!!

  9. combinado, Odisseu, Odisseu: vou tentando entender as tuas metáforas – e por isso, até agora, discordo delas. podes sempre ires tentando outras até chegares à mensagem que queres passar – para eu a receber – em pleno. :-)

  10. Ó Celeste, os chineses já foram à lua e o Sócrates com isso?

    Os catalães já vão de TGV a Paris, e o Sócrates com isso?

    Só por mania das grandezas?

  11. É engraçado, mas já reparei que as poucas pessoas que defendem o Sócrates , utilizam metáforas…

    Creio que é a única maneira de conseguirem dizer bem desse tipo que nos lançou – literalmente- para o lixo

    Deixe lá os pregos, a pasta de cabedal , o saco de plástico etc. Primeiro, porque para utilizar metáforas é preciso ter um mínimo de inteligência e cultura o que não é , manifestamente o seu caso. Segundo, porque por mais que tente travestir o Sócrates , qualquer pessoa ,razoavelmente informada ,sabe como foi nefasto para o país tê-lo como governante. Isso desculpa a péssima governação de Passos Coelho ? Claro que não e estas dicotomias é que são perigosas porque ainda há pacóvios que caem nelas

  12. Acho o máximo culparem o Socrates por um TGV que não foi ele que aprovou (foi aprovado pelo governo do Borroso ) e que nem sequer construiu !
    Ser culpado de algo que nem sequer existe é o cumulo do super poder!
    Não admira a inveja e mesquinhice da direita quando falam de Socrates. Um pouco mais de tino nas criticas e talvez não se notasse tanto a figura de ressabiados.

  13. odisseu,só agora vi a tua argumentaçao.critica, mas fundamentando para podermos replicar. como és um homems serio, dá exemplos de incompetencia de socrates. faço a minha declaraçao de interesses.não devo nada a socrates,nunca com ele me cruzei.mas sei ,que o povo despachou um pm ministro, que mesmo debaixo de resgate tinha escolhido outro caminho.se perante os problemas com que nos debatemos,não podemos criticar quem governa e defender quem achamos pelo passado que faria muito melhor,merda para a democracia e para os democratas que querem condicionar a nossa voz. sem nunca terem tido responsabilidades governativas temos varios argumentos para criticar francisco louça e jeronimo de sousa.

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