Da quinta-coluna

Na rentrée, Passos deu o mote no comício aos Jotas com os conselhos de bom senso ao Tribunal Constitucional, Nessa altura, tivemos também a rábula pulha sobre os desempregados e a Constituição. Depois, a capa do Expresso com a chantagem do cheque da troika sobre o Tribunal Constitucional. Seguiu-se o spin internacional – via associated press e outros, veiculando a ideia de radicalismo do Tribunal Constitucional.

Na campanha das autárquicas, Passos veio associar o eventual chumbo de normas do Orçamento de Estado pelo Tribunal Constitucional a um segundo resgate. Entretanto, Portas e sus señoritos reforçam a ideia e dizem que tal implicará igualmente um pacto constitucional para retirar qualquer obstáculo às medidas da troika. De seguida, o “nosso” Durão subiu a parada com a ameaça do “caldo entornado” (como se vê dá imenso jeito ter um português na Presidência da Comissão Europeia, não é?). Agora, a crítica ao “ativismo político” do Tribunal Constitucional por parte de mais um obscuro funcionariozeco português de Bruxelas, daqueles que – tal com os estarolas radicais do Banco de Portugal – têm os seus ordenados protegidos do tsunami austeritário que está a destruir Portugal.

Tudo para condicionar a ação do Tribunal Constitucional, neste momento, o último garante da efetiva independência política de Portugal, a última sede de soberania de Portugal. Com um Presidente da República comandado por controlo remoto pelo Governo e instituições europeias, uma comunicação social em larga medida submissa e/ou condicionada pelos grupos económicos dominantes, com uma oposição liderada por uma nulidade genérica de marca branca, a população portuguesa, já de si com uma intervenção política passiva ou muito pouco informada, encontra-se num estado quase catatónico, conformada com o retrocesso civilizacional que os “senhores da televisão” lhes dizem ser o único caminho possível para finalmente podermos voltar a ser um “País de bem”, empobrecendo cada vez mais para conseguirmos pagar uma dívida cada vez maior.

Mais tarde ou mais cedo, Passos ou Marco António Costa, no seu estilo destrambelhado, ou Maduro, no seu estilo mais viscoso, atravessarão o que ainda falta (ainda falta?) do Rubicão Constitucional, com novas intervenções que colocarão definitivamente em causa o Tribunal Constitucional, coagindo de forma objetiva o livre exercício da sua ação e incorrendo mesmo num crime punível por lei. (Artigo 10.º da Lei n.º 34/87, de 16 de Julho “Crimes de Responsabilidade dos Titulares de Cargos Políticos”, Coacção contra órgãos constitucionais – 1 – O titular de cargo político que por meio não violento nem de ameaça de violência impedir ou constranger o livre exercício das funções de órgão de soberania ou de órgão de governo próprio de região autónoma será punido com prisão de dois a oito anos, se ao facto não corresponder pena mais grave por força de outra disposição legal).

O Tribunal Constitucional é, pois, neste momento, o último grande adversário antes de se conquistar Roma… Compete a todos os democratas que acreditam que Portugal deve continuar a ser um Estado de Direito independente denunciar estas pressões e ingerências brutais e inadmissíveis do Governo e das instituições europeias sobre o Tribunal Constitucional. Até porque, se o Tribunal Constitucional acabar por capitular, esta história, tal como em Roma, vai acabar mal, muito mal para todos nós…

__

Oferta do nosso amigo PG

13 comentários a “Da quinta-coluna”

  1. Estou na Irlanda e houve aqui recentemente um referendo para abolicao do senado, que segundo o que me apercebi e uma especie de “tribunal constitucional” dos Irlandeses, o referendo foi ganho o senado mantem-se, mas o que achei interessante era os politicos que eram a favor de manter o senado dizerem que este referendo que o governo trouxe nao e mais que um cavalo de troia da uniao europeia uma especie de coup de etat, pelos vistos a investida e em varias frentes…

  2. Muito obrigado, Daniel, pela pertinente informação.

    Neste Brutogal dos Pecaninos nenhum órgão de comunicação social nos informou ainda de nada disso. Pudera!

    Esta espécie de Evropa burrosa vai acabar mal, ai vai, vai…

  3. Já comentei no post original, mas aqui fica, de novo o meu testemunho:
    “Sou um zé ninguém e não conheço o “PG”, mas faço-lhe uma vénia e descubro a minha cabeça perante a qualidade e sobretudo perante o conteúdo do seu texto acima. Muito bom, excelente mesmo.”

  4. Espero sinceramente que me possa orgulhar de ainda ter no meu país um Órgão de soberania que respeita os cidadãos e se respeita a si próprio.
    Quando nenhum dos outros cumpre o seu dever resta me este se assim não acontecer depois de rasgarem todos os compromissos que salvaguardavam os meus direitos reservo-me o direito de não respeitar a autoridade de ninguém deste país.

  5. Mário Soares e as suas ideias:

    Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a
    única coisa a fazer é apertar o cinto”.
    DN, 27 de Maio de 1984

  6. “… única coisa a fazer é apertar o cinto.”

    no tempo de mário soares fazia sentido apertar o cinto para as calças não cairem, agora que te roubaram as calças e te mandam apertar o cinto, não faz sentido algum.

  7. É uma mistura de campónio boçal, ignorante e presumido, retornado analfabruto, bilioso e vingativo, patrão sádico e ressabiado com Abril e novo-rico suburbano e auto-mobilizado, com pretensões a só querer putas e vinho verde à pala de fundos comunitários, incentivos fiscais e bacalhauzadas a parentes com conhecimentos em alguma secretaria de estado.

  8. Literatura? Li bem, LITERATURA?

    Essa besta é funcionalmente analfabeta, completamente iliterata e radicalmente inumerata!

    A única “literatura” de referência que existe sobre a besta Reaça é o correio da manha (qualquer dia serve, diz sempre o mesmo), os “romances” do J. Rodrigues dos Santos e da Rebelo Pinto, os “ensaios” do Jaime Nogueira Pinto, os “tratados” do Nuno Rogeiro, as teses de doutoramento do Roggoff, os despachos do erudicto Vasco Graça Moura (irmão do outro bandido que está preso, mas é menos mediático que o famoso Isaltino) na Presidência do cêcêbê, os opúsculos do Camilo Lourenço e do Gomeszinho Ferreira, os gráficos martelados do “fiscalista” (?) Medina Carreira e, também, o Compêndio da 1ª Classe com as quinas na capa e agora re-editado, após sessenta anos de relevantes serviços prestados A Bem da Nação.

    Para começar, chega, não?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *