Cavaladas

Cavaco, hoje, a explicar ao povo aquilo que durante a era Sócrates se esqueceu sempre de explicar: “O sucesso não depende só de nós, mas também da conjuntura internacional e da capacidade que a União Europeia demonstrar para resolver a crise financeira da Zona Euro”.

Cada vez mais vamos ouvir estes gajos a falar da conjuntura internacional e da crise financeira da zona euro, que teimosamente ignoravam quando se tratava de culpar e deitar abaixo o governo de Sócrates.

Cavaco voltou hoje a dizer – grandíssima lata! – que “há limites para os sacrifícios que podem ser pedidos aos portugueses”. Estará a falar daqueles limites que, na opinião dele, já tinham sido ultrapassados pelo PEC que ele ajudou a chumbar, antes do assalto do Coelho ao país, especialmente aos funcionários públicos e aos pensionistas?

“Mudaram os governos mas não mudou a minha posição”, declarou Cavaco. É essa a patranha que agora quer fazer passar. Quando é que o fulano começa a vetar e a suscitar a verificação da constitucionalidade das medidas do governo? Esperem sentados!

Pretendendo dar a ideia bacana de que está quase a passar-se para a oposição, Cavaco declarou aquilo que já toda a gente sabe: que não há equidade fiscal no corte imposto pelo governo à função pública. Ainda anteontem o Gaspar dizia, tentando justificar o imposto iníquo, que os funcionários públicos estavam a ganhar 15 por cento acima do privado, agora vem o gajo de Belém sugerir que, para haver equidade fiscal, se tem que fazer no sector privado idêntico corte ao da função pública. É muito fácil resolver essa questão: é só o Cavaco mandar o Orçamento para o Tribunal Constitucional. Esperem sentados!

É tudo uma treta. Dividem o trabalho entre os dois – o Gaspar faz de pide mau, o Cavaco faz de pide bom.

E Gomes Canotilho, que se passou do PCP para o cavaquismo, faz de pide constitucionalista: disse hoje à rádio que em período de crise se tem que fechar os olhos às inconstitucionalidades do governo. Aos 70 anos, o professor laureado remata a sua carreira com uma cavalada destas.

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9 comentários a “Cavaladas”

  1. o gerómino que se cuide com os ventos marxistas que sopram de belém. o bagão já aderiu e quer taxar os ferraris achocolatados a 40%.

  2. Eu ouvi hoje (viagem a Caldas da Rainha) na rádio Antena Um esse pobre diabo a referir que é constitucionalista mas a constitucionalidade das leis não interessa perante a urgência da governação. É uma conversa da treta própria de um «lente». Safa!

  3. Ouvimos os dois, JCFrancisco. Eu tinha acabado de tomar o pequeno almoço e fiquei com vontade de vomitar. O pseudo-constitucionalista em questão despediu-se hoje do ensino. Ainda bem para a Universidade!

  4. O sôr pesidente da Repúbica o que quis dizer é que é injusto fanar os subsídios só na Função Pública, ele também quer exactamente o mesmo roubo na privada. Mas vai dizendo para a plateia que há limites para os sacrifícios e que tem muita peninha dos sacrificados. Simuladão! De facto, ele combinou tudo com o Coelho. «É pá, eu digo que lixar só alguns é injusto e depois tu, muito contrariado, dás-me razão e lixas também os outros, combinado? Eu fico com fama de justiceiro, hehehehe, e tu ficas com um argumento do quilé, que não estava previsto, hehehehe, para lixares o resto do pessoal.» O Coelhinho, perfeitamente siderado, aprovou: «Genial, Anibal» (o Coelhinho não pôs propositadamente o acento no i, para rimar).

  5. Pois é, só falta ddepois explicar porque é que todos os trabalhadores, públicos e privados, são gordura do estado e portanto, a solução é exterminá-los…a todos, igualmente, para bem do…Estado.

  6. O conselheiro de Estado do Presidente da República, Vítor Bento, afirmou que «enquanto sociedade não há limites para o sacrifício porque se não tivermos disponibilidade de financiamento vamos ter mesmo de ajustar por baixo». O economista discorda assim das declarações de Cavaco Silva que afirmou, esta quarta-feira, na abertura do congresso dos economistas, que «há limites para os sacrifícios» a pedir aos portugueses.

    O Bento é autor de um livrito que o Pingo Doce oferece aos clientes por 3 euricos, «Economia, Moral e Política». Não li, mas se o autor agora diz que não há limites para o sacrifício, também já não vou ler. Puta que o pariu mais quem o pôs no conselho de Estado!

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