Archive for the 'Fernando Venâncio' Category
Para o Z, nosso fiel e querido compagnon de route (conhecemos a sua identidade, mas não a daríamos nem a um pelotão de arma em riste), e isso por ser São Valentim, e por ele ter levado para longes ilhas (conta ele) o Spinosa de Deleuze, mais o Fédon de Platão, mais uns belos livros [...]
Cara Marina,
Falando-lhe do galego, tenho de falar-lhe também, e muito, do castelhano. Não é por acaso. O castelhano, não obstante ser idioma mais jovem que o nosso (e, para ser sincero, um tanto mais abrutalhado também, se comparado com o refinamento do galego e do português), o castelhano, dizia eu, cedo ganhou grande prestígio por [...]
Cara Marina,
Informa-me você de que é galega, e que até passou uns anos numa faculdade em Santiago. Pede-me, depois, que reproduza um texto de Daniel Castelao («Un ollo de vidro», um dos seus mais conhecidos), e isto «para que toda a gente perceba», diz você, «que galego não é castelhano, e muito menos, português». Eu [...]
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Lorca enamorou-se por Santiago de Compostela, ou por alguém de lá, e compôs, num galego a pingar de casticismos (de «enxebrismos», termo local, mas corriam os anos 30), uma série de seis belos poemas. O mais conhecido é «Madrigal á cibdá de Santiago», que inicia com o celebérrimo verso «Chove en Santiago». Meteorologicamente exacto, porque é [...]
Da crónica, hoje, no Público, de José Pacheco Pereira:
«Peguem numa lupa e vão ver as fotografias dos “palácios reais”, as fotografias dos grandes e médios eventos desses anos finais da monarquia e podem continuar pela República e pelo Estado Novo dentro e vejam o Portugal que lá está ao lado da Família Real nos vasos [...]
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Por enquanto nada sabemos do destino do homem que ali vai, em extremo concentrado no andamento das passadas que dá. Vemos que marcha atento e cabisbaixo, no gesto de quem poupa energias. Porém não tanto que perca de vista o andador que lhe vai na dianteira, obra de poucos metros, nem tão pouco que possa [...]
A boa notícia tem percorrido a imprensa e a net. A LER vai regressar. E, mais e melhor: voltará a ser dirigida pelo (entretanto assíduo e conceituado bloguista) Francisco José Viegas.
Esperam-se notícias, emoções, confidências, controvérsias. Porque tudo isto, e mais o resto, é literatura.
Tenho na mão um livro brasileiro dum português. Não acontece muitas vezes. Este chama-se Mansões abandonadas e é uma antologia da poesia do José do Carmo Francisco. Tem organização de Floriano Martins, ilustrações de Sérgio Lucena e introdução de Nicolau Saião. Edita-o a Escrituras, de São Paulo.
A recolha inclui algumas das melhores produções do poeta. [...]
Um dos melhores blogues portugueses (por mais bem feitos, mais úteis) é este, de nome atormentado: Letratura, de Helder Guegués. (O patronímico é inabitual, mas o possuidor é portuguesíssimo). Nesse blogue se examina e comenta o nosso idioma com erudição, com gosto, com leveza.
Um dos últimos temas é a súbita florescência em jornais do vocábulo [...]
Voos da CIA: Portugal ajudou a transferir mais de 700 prisioneiros para Guantánamo
Aqui.
Se vamos passar a escrever só (mas também sempre) os «c» e os «p» que pronunciarmos, há uma forma muito simples de conservá-los:
é passarmos a pronunciá-los sempre.
Até hoje, nunca pronunciei «espeCtadores», ou «caraCterística», como ouço tanta gente fazer. Pareceu-me parvoíce. Ah, como eu estava enganado!
Clique na imagem.
Andei com ele cinco, seis horas. Não na mão, não no bolso, mas entalado entre as calças e peça mais íntima. Sabia que ele era valioso, muito valioso. Para falar mais claro: era caríssimo.
Eu já o lera. E até sabia dele coisas de cor, como «O mostrengo que está no fim do mar», e [...]
Olivença é território nacional? É, diz o Ministério dos Negócios Estrangeiros. Pode ser mas não me interessa, faz perceber o Primeiro-Ministro, chamando ao tema «parte do folclore democrático».
Ora, nós sabemos - porque Sócrates dixit - que «não há uma política dos ministros, há uma política do Governo». O que, aqui, é lamentável.
Todos os 27 países [...]
Aqui está finalmente uma boa pergunta.
Na coluna de José Pacheco Pereira no Público, lia-se ontem:
«Espaço digital é o que mais há. Tempo é que não, continua terrivelmente analógico.»
Só se nos roubam ilusões, manos.
Comecei a ler Comboio da noite para Lisboa. Escreveu-o Pascal Mercier, romancista austríaco. Comecei-o ontem, num comboio já nocturno, a caminho da Suíça.
É a história (longa, 400 páginas em letra pequena) dum exemplar professor de línguas clássicas, de Berna, que um belo dia lê um livro (fictício) dum pensador português e larga tudo para ir [...]
A revista Os Meus Livros de Janeiro de 2008 traz uma citação do Aspirina. Trata-se de uma frase de José do Carmo Francisco, de 21-11-2007 : «Sei que nunca foi tão fácil publicar livros, mas também nunca foi tão difícil colocá-los no leitor». Humaníssimos - por pouco que possa parecer -, gostamos de ver-nos [...]
Quarta: descer o mapa, subindo o Reno. De comboio, «por causa do chique».
Quinta: mostrar como a História da Língua Portuguesa teve sempre, e só, uma leitura: a nacionalista.
Sexta: ouvir surpresas de outros e descansar das minhas.
Sábado: olhar em volta e reparar que estou em Basileia.
Domingo: descer, subindo. De comboio. Arre, que é chique a mais.
Auf Wiedersehen.
– Não te passa pela cabeça – disse ele – o que é andares fugido. Porque não tens papéis, porque arranjaste dívidas que nunca, mas nunca, conseguirás sanar, porque andam à tua procura para matar-te. Não, não te passa pela cabeça.
Eu sabia que uma vida humana não era fácil. Que a invenção do Planeta tinha [...]
- Não pude ir. Fiz uma nevralgia.
- Ah… E ficou bem feita?

