Archive for the 'Susana' Category
À distância de vários quarteirões, em zona urbana, nada nos chega no meio do barulho. A igreja fica num núcleo desenhado por Cristino da Silva sem fazer parte desta arquitectura. É pena. Trata-se duma daquelas igrejas que não convidam o rezador relutante: luzes fluorescentes, excessivas, e arestas finas nos detalhes das superfícies polidas. Não há [...]
Já lhe chamam, no éter, o poeta do futebol. O nosso José do Carmo Francisco é uma espécie de arquivo falante do futebol português e faz gala disso. Autor de um livro com um título maravilhoso, Os Guarda-redes Morrem ao Domingo, jornalista desportivo, peca por uma certíssima parcialidade no respeito ao amor clubístico: o Sporting.
Aqui [...]
Se um dos elementos da rapaziada aspirínica tivesse colocado aqui um post com uma vulva exposta na maior descontracção, teria sido um malandreco. Como fui eu, devassidão. Não admira; apesar do andar dos tempos, à mulher continua a ser consignada uma dicotomia entre a santa e a flausina. Mulheres-putas só no uso privado.
A intrusão da [...]
Ontem um comentador que tudo faz para vir para a nossa montra, e por tanto fazer merece-o, escreveu que são os comentadores quem comanda o aspirina. Diz que nós ainda não o percebemos. Mas engana-se: nós sabemos dessa grande verdade. É o povo quem comanda os elevados desígnios do aspirina e nós somos apenas os [...]
As nossas amigas 8 e coisa 9 e tal precisam de levar uma das suas personalidades à Colômbia, para que possa defender tese de mestrado. Como não tem dinheiro para a viagem, as outras faces lembraram-se de dar uma ajudinha e pediram-me que colaborasse na divulgação da campanha. Um pouco de lirismo fica sempre bem [...]
As churinas têm pétalas finas e compridas, rosa vivo, que abrem ao sol, expondo anteras carregadas de pólen. Em tufos baixos formam um tapete refulgente, verdadeira ode à primavera. No choupal, até à beira do riacho, a vegetação está densa. É bom levantar os pés acima das ervas que chegam, algumas, à cintura, e deixá-los [...]
A rua é sossegada e o sentido único. Desisti de atravessar, na passadeira, ao ver que o automóvel vinha demasiado depressa. À última hora estacou. Seguiu-se ruidosa travagem de quem vinha atrás. Enquanto atravessava, o velhinho ao volante do primeiro carro dirigiu-me um sorriso apologético e baixou os olhos, envergonhado. Devolvi-lho, acenei que não, encolhi [...]
No momento em que todos se roem porque não irão ver o filme do último sopro de Marylin, diverte-me o estatuto atingido pela pornografia. Retirada dos confins de cotão entre colchão e estrado de machos com muito a esconder, a exposição dos genitais passou ao trívio da trivialidade. Do hábito saudável de damas que ostensivamente [...]
Uma senhora foi à escola falar sobre ciência. A Ciência Brilhante, contou-me o meu filho, valeu bem os dois euros que paguei, porque aprenderam muitas coisas. Aprenderam, por exemplo, que não é a poluição o que destrói a camada do outono; antes torna-a mais espessa. E depois é mau, porque a luz do sol vem [...]
Sou leitora deste blog desde o princípio, ainda recente. Histórias de um tribunal possível, em que a lei é a da reflexão sobre a humanidade, e o veredicto o da subjectividade individual. Oscilamos entre a comoção e o riso, com relatos tão pungentes quanto redentores.
Por vezes lemos por aí textos que são verdadeiras matrioskas de acerto. Desde o reconhecimento de já não haver bola sem tv ao princípio do bom pai, que conduz o filho à experiência iniciática do adepto leonino: ver o Sporting perder. Um gajo tem-se que se habituar (obituar?) a estas coisas.
Há um ano foi o Gigante Egoísta, numa altura em que ainda liam por socalcos. Hoje, um cadavre exquis, jogo que entusiasma os meus filhos na escrita como no desenho. Folhas de papel já preparadas, divididas em doze faixas horizontais e com as dobras vincadas, asseguraram número igual de participações. Não conheciam o exercício, [...]
de segundo grau… caraças.
Os menos distraídos terão assinalado uma alteração ocorrida, ontem, na barra lateral do blog, secção Autores. Aparecem, agora, os nomes dos participantes sem qualquer distinção hierárquica. Isto aconteceu na sequência do pedido que o Fernando me dirigiu: que retirasse o seu nome e o do Jorge Carvalheira da coluna dos activos. Com este gesto caiu-me [...]
Eles andem aí! Armai-vos dos vossos mais finos pentes.
O dia das meninas já tinha acontecido. As crianças agruparam-se de acordo com as amizades e o interesse pelos temas, e ninguém as obrigou ao conceito unissexo. Havia, então, grupos de meninas e grupos de meninos.
Nas cadeiras, dispostas em C ao fundo da sala, acomodaram-se os pais, e os meninos no chão, ao meio. Um [...]
Os homens cobardes deveriam ter a coragem de assumir a sua cobardia.
Aqui chove. As cores, cobertas de água, saturam-se. Cheira a terra molhada. A beleza é tão fácil. E aí?

