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Sorriso alemão – amarelo. “Aufwiedersehen, Schäuble!”

 

Outubro de 2016:

“Portugal estava a ser muito bem-sucedido até entrar um novo Governo, depois das eleições […], declarar que não iria respeitar o que os compromissos com que o anterior Governo se comprometeu”, disse o governante, respondendo a questões dos jornalistas em inglês, numa conferência em Bucareste.

As considerações do governante alemão não se ficam por aqui. Wolfgang Schäuble diz mesmo que avisou o governo português contra os riscos do caminho que está a ser seguido.

Está a acontecer da forma como eu avisei o meu colega português [Mário Centeno] porque eu disse-lhe que se seguirem esse caminho vão correr um grande risco e eu não correr esse risco”, afirmou o governante em Budapeste.

Outubro de 2017:

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, que participa hoje no Luxemburgo na sua última reunião do Eurogrupo, apontou Portugal como “prova” do sucesso da política de estabilização do euro e a ilustração de um “final feliz”.

Desandam assim

Passos – um que não percebeu nada.

Schäuble – um que finge não ter percebido nada e, na hora da despedida, tenta chamar sua a vitória dos outros, que dantes execrava e ameaçava.

Dijsselbloem –  um que não sei se terá percebido alguma coisa; o braço direito do anterior no Eurogrupo; o xenófobo (lembram-se dos gastos em mulheres e copos atribuídos aos países do sul?) que ainda se há-de enfrascar com o melhor vinho do mundo.  Oferecido pelo Augusto Santos Silva, um dos melhores ministros dos Negócios Estrangeiros que tenho visto. Citando-o:

Augusto Santos Silva, comentou que “é evidente para todos, todos que leem jornais, que (Schäuble) começou por exprimir desconfiança em relação a este Governo, e é claro para todos que terminou, ou terminará, o seu mandato como ministro das Finanças da Alemanha apresentando Portugal como um exemplo de como as coisas devem ser feitas”. (DN)

Diz que a luta vai ser dura*

Neste momento, olhando para o único candidato que se propõe liderar o PSD, Rui Rio, não se vislumbra ninguém – nem Montenegro, nem Marco António, nem Rangel, nem Poiares Maduro – que avance como candidato para dar seguimento às “ideias” de Passos. E quais são essas ideias? Convém recordar.

1) Redução/degradação dos serviços públicos, entre os quais a saúde e a educação, de modo a abrir portas à actividade de privados que, ironia, estabeleceriam acordos altamente lucrativos com o Estado para receberem os cidadãos descontentes. A isto chamam “diminuição do peso do Estado”. Como é óbvio, tal não diminuiria, porém, o peso financeiro para este mesmo Estado e, no que respeita à educação, poria seriamente em causa a igualdade de acesso e a laicidade do ensino e deixaria o Estado com o papel de garantir os serviços mínimos para os pobrezinhos.

2) Privatização de tudo o que é empresa pública – as que ainda restam: TAP, transportes públicos, vertentes da Justiça e da segurança, etc. Nem que seja a empresas estatais estrangeiras.

3) Redução acentuada dos impostos para as empresas, alegando que se criariam mais empresas e mais empregos (de preferência mal pagos e não qualificados).

4) Redução concomitante da TSU para os patrões e concomitante privatização dos fundos de pensões, alegando que o fundo da segurança social está depauperado (claro que nada, para eles, teria a ver com o mau desempenho da economia).

5) Desregulamentação das leis do trabalho, fim do salário mínimo, fim dos contratos colectivos, liberalização dos despedimentos.

6) Entrega dos “casos sociais” e dos casos de pobreza a organizações de caridade, de preferência católicas.

7) Indiferença total pela ciência e a investigação financiadas pelo Estado. Idem aspas para a cultura. E por aí adiante.

Bom, o programa da Troica acolhia e acolheu mais do que bem todas estas ideias, como vimos, embora no início não fosse tão longe. Foi por isso que Passos não só não viu qualquer obrigação, fardo ou contrariedade no cumprimento daquilo que apelida agora, com gigantesco descaramento, de “imposições”, como também fez questão de ir ainda mais longe.

Não sei, nem ninguém sabe, qual o programa de Rui Rio. Assim como não sei se chegará sequer a ser candidato – não é de excluir que se desculpe com a falta de adversários e desista também, dando oportunidade a Passos de viver o seu momento “irrevogável”. Ao contrário do Pacheco Pereira, não me parece que, com excepção do André Ventura, os passistas estejam desesperados por barrar o caminho a Rio, que representa, pelo menos para ele, Pacheco, a social-democracia. Pensarão que o próximo líder é para queimar. Acresce que, de Passos, não se pode dizer que tenha sido um caso de sucesso perante os portugueses. Depois do que se viu nas últimas autárquicas (e durante) e dos afastamentos que provocou, a sua mediocridade já não deixa dúvidas. O que aconteceu foi que ele e o seu staff conseguiram convencer boa parte do eleitorado, em 2011, mentindo como nunca dantes se vira, a votarem neles e, posteriormente, de que não havia alternativa ao que andavam a fazer. Mas havia, é claro. E que alternativa! Será, por isso, difícil alguém que não tenha a “lábia” do André Ventura (mas esse é tão ligeiro que dificilmente poderia ser levado a sério para uma função de responsabilidade), apresentar-se com um programa do género do lá acima referido. A não ser que minta, mas aí penso que já pouca gente estará desprevenida.

Portanto, não sei que luta dura será essa que se prevê para o PSD. Rui Rio sozinho? Não há luta nenhuma. Rio contra Santana? Uma luta de salamaleques, logo, uma não luta. E, a bem do respeito pela política e por si próprio, espero que Santana tenha juízo e continue na Santa Casa. Só mesmo se o Passos voltar atrás para desafiar Rio. Não é de todo impossível, atendendo ao choro convulsivo que vai pelo Observador e atendendo a que ninguém mais aparece. Além de que era essa a intenção inicial de Passos. A não ser assim, digam-me qual a luta dura, por favor, que eu não vejo lutador nenhum.

 

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*Ouvi e li, nos dois últimos dias, vários comentadores referirem-se assim à corrida para a liderança do PSD

Calma, Jerónimo. Acabou a autocrítica?

Quem irá compreender que o PCP “solte os cães” por ter obtido resultados decepcionantes nas autárquicas? O comité central não vê nenhum ridículo, ou pior, um enorme risco nessa hipótese de trabalho?

Jerónimo de Sousa, justificando a perda significativa de autarquias, está a enganar-se a si próprio e aos seus ouvintes, se acredita nisto que diz, e passo a citar (ver DN):

“Não se pode omitir o quadro de hostilização que acompanhou a intervenção do PCP e da CDU ao longo dos últimos meses e a sua negativa influência na afirmação do nosso trabalho, da nossa obra, da nossa intervenção e do nosso próprio projeto” .

Assim em retrospectiva, não dei por tamanha hostilização. Pelo contrário. António Costa trata o PCP com mais respeito do que a sua expressão eleitoral faria esperar. A não ser que Jerónimo se refira à Autoeuropa, onde, na ausência de comissão de trabalhadores, a influência do sindicato afecto à CGTP criou realmente um problema maior do que seria desejável. E toda a gente o percebeu. Embora só alguns comentadores o tenham dito. Acaso o PCP pretende convencer o pagode que não faz um feroz jogo político de auto-afirmação?.

«O líder comunista falou ainda de uma “campanha sistemática de ataque anticomunista que, com pretextos diversos, procurou avivar preconceitos, atribuir ao PCP posicionamentos e valores que não são seus” e de uma “ação persistente de desvalorização do papel do PCP na vida política nacional, silenciando a sua atividade e iniciativas, incluindo dando a terceiros e projetando noutros o que era o resultado da sua iniciativa e trabalho”.

Qual campanha, Jerónimo? Qual silenciamento? O que é que foi atribuído a outros, quando devia tê-lo sido ao PCP?

Mas há que concretizar os autores. É aqui, e não é bonito:

«Jerónimo de Sousa salientou que nesta “ação geral de ataque” e “desvalorização” do partido houve um “papel assumido pelos outros principais partidos”, nomeadamente PS e BE.

“Vimos uma intervenção do PS a desenvolver uma ação a partir dos seus candidatos e alguns dirigentes partidários, particularmente concentrada em municípios de maioria da CDU, de ataque à gestão da CDU baseada em argumentos falsos e muitas vezes ofensivos”, atirou o secretário-geral, criticando também a “opção do BE de fazer da redução da influência da CDU o seu objetivo principal, não olhando a meios para, por via da falsificação e mesmo da calúnia, denegrir a CDU e o poder local”.»

Bem, vamos por partes. Então, foram os candidatos. Foi durante a campanha. Jerónimo pretende que, em disputa eleitoral, os candidatos não procurem vencer apontando os erros e fraquezas dos adversários. Os candidatos do PCP não o fazem? Ou Jerónimo quer que acreditemos que em Beja, ou em Almada, ou em Castro Verde, os candidatos comunistas trataram os seus adversários com a delicadeza de um mordomo, nunca os acusando de nada, nem de “políticas de direita” e outras invenções convenientes que fazem parte do seu habitual vocabulário? Ou talvez devesse o PS não concorrer a câmaras “do PCP” para não “hostilizar”?

E que dizer do argumento de que o BE foi o culpado da perda de câmaras do PCP? Tenho reservas quanto ao Bloco, mas haja sentido da medida, camarada.

«Já sobre a derrota em 10 autarquias — nove municípios para o PS e uma para um movimento de independentes — o secretário-geral reiterou ser esta uma “perda, sobretudo para as populações, para o serviço público, para os direitos dos trabalhadores das autarquias”.

Paternalismo. O PCP arroga-se o exclusivo de defender “as populações” e “os trabalhadores”, pois mais ninguém o faz. Nem os eleitores o veem! Logo, quem não votou na CDU é burro. Empáfia.

«Ainda em análise aos resultados da noite de domingo, Jerónimo de Sousa assinalou o “falacioso argumento de combate a ‘maiorias absolutas’ concebido para retirar votos à CDU e que merecia uma mais ampla denúncia”. »

Eh, lá! Falácias? Como se o PCP nunca argumentasse contra as maiorias absolutas dos outros.

«Denunciou ainda como “muitas pessoas que dirigiam palavras de reconhecimento” pelo papel do PCP na derrota do governo de direita e que não “tinham tomado a consciência de que a possibilidade de assegurar que esse caminho prosseguisse, e se ampliasse, residia no reforço do PCP e do PEV, e não no PS”.

“E isso pesou no resultado eleitoral e ampliou-se à medida que o PS anunciava que precisava de mais força para prosseguir a sua ação governativa. Em certa medida, e para uma parte da população, as eleições locais foram transformadas em eleições de natureza nacional”, criticou.»

O PCP incompreendido. Jerónimo esquece o seu papel no derrube do governo PS em 2011 e a entrega do poder ao Passos. Jerónimo acha que o seu partido foi o grande autor das medidas do actual governo e que isso mereceria um reconhecimento, através do reforço do número de votantes. Não percebo. Está Jerónimo a dizer que o PS não queria melhorar a vida das pessoas? É que esse foi mesmo o ponto de partida para o entendimento a três! Ó Jerónimo, foram eleições locais, onde os dinossauros já estão fora de moda, homem. Mesmo os do PCP. Vai na volta, os candidatos do PS deveriam apelar ao voto no PCP. Era isso?

“aqueles que fazem o aproveitamento negativo dos resultados eleitorais contra o PCP, só podem esperar a nossa ainda mais decidida determinação na dinamização da ação política e do reforço do PCP para as batalhas futuras que aí estão”.

Não sei a quem se está a referir ou a que batalhas. Porém, se acha que é o PS que vai fazer “o aproveitamento negativo dos resultados eleitorais” e o PCP lhe faz uma declaração de guerra com os sindicatos, é melhor preparar-se para novas derrotas ainda piores. É que tudo estará clarinho como a água. «PCP furioso com derrota autárquica solta os sindicatos contra o Governo» dava um belo título de jornal. E verdadeiro. Para recuperar o eleitorado, não há melhor. Ou haverá?

Um chavão: a política tem muito de hipocrisia

Que desilusão, que hecatombe, que desgraça. Muito me divirto e também me espanto com o clamor de escândalo das pessoas ligadas ao PSD, e de vários comentadores, em relação ao resultado das autárquicas. Como se não estivessem nada à espera. Por favor, meus caros. Então a escolha de Teresa Leal Coelho para candidata à Câmara de Lisboa não era, desde o início, uma aposta perdida? A sério que não? Ainda por cima depois da antecipação de Assunção Cristas, feita carro de combate, e dos seus propósitos e discurso populistas impossíveis de bater por Teresa Leal Coelho? Alguém no seu perfeito juízo achou que Teresa poderia pontuar acima da Assunção, ela que desde o primeiro minuto e até durante a campanha não conseguiu disfarçar o cumprimento de um frete? E no Porto? Por acaso alguém tinha sequer ouvido falar no candidato do PSD? Ainda hoje apenas sei que tem Almeida no apelido. Por acaso é motivo para espanto a sua derrota com uma votação insignificante? E na Figueira, em Faro, em Oeiras, em Sintra, em Viana, em Gaia, em Coimbra, etc., etc., nunca ninguém imaginou que os candidatos do PSD pudessem ser atropelados? Claro que sim. Qual é então a grande derrocada, a grande hecatombe, a grande surpresa?

Não é, evidentemente, nenhuma. É farsa e simultaneamente um grito de impotência, que pode, ou não, ter consequências na liderança do partido. Não se sabe. A verdade é que há muito que o PSD de Passos está sem identidade e à procura de uma. É neoliberal ferrenho, como pretendia António Borges? É populista e demagógico como o CDS? É de extrema-direita? É como o André Ventura gostaria que fosse? É social-democrata, como desejam muitos dos seus mais destacados militantes, que também andarão às voltas com uma definição de social-democracia distinta da de António Costa? Neste momento, estamos sem saber. Certo é que todo este clamor não passa de um enorme charivari abstruso, a meus olhos. É impossível ninguém ter visto, até anteontem, o bom momento que o país atravessa e o quão mais importante seria, para o PSD, desenhar uma estratégia inteligente para contrapor à actual aliança governativa e sobretudo escolher candidatos fortes para derrotar os socialistas. É claro que toda a gente viu. O problema é que uns se recusaram a ver em Passos Coelho o bluff que sempre foi (os do Observador ainda não vêem e o João Miguel Tavares deseja-lhe, por hipocrisia ou insanidade, que faça a maratona do deserto e depois volte), se recusavam a ver que seria difícil ter do seu lado gente com qualidade, e outros precisaram de um motivo invocável para pressionar a saída de cena de um indivíduo que viveu sonhando que a maioria obtida em 2015 e o desastre que fatalmente se seguiria ao entendimento conseguido entre o PS e a extrema-esquerda o colocariam de novo no poder. Passos, pelo seu lado, não saiu porque não percebeu nada. Nada do que aconteceu ao PSD nestas autárquicas foi inesperado. É uma grande chatice, mas ou deixam lá o Passos, e para isso calam-se, ou pensam numa estratégia alternativa e mexem-se. Mas não se mexerem também é uma hipótese.

Catalunha: “I say Yes, you say No”

Oh, como é bom estar a observar o que se passa em Espanha sentada num cadeirão. Aquele senhor do risco ao meio e óculos, Puidgemont, Carles, parece-me demasiado exaltado. Haverá motivos para tanto? Estariam os catalães tão oprimidos que ninguém, nem eu, deu por nada? Que mal lhe terão feito os de Castela? Ou a Andaluzia, que até lhes fornece mão de obra barata? Os cravos vermelhos também ficam ali muito mal. Não gosto. É usurpação abusiva.

Por outro lado, o Rajoy onde pensa que vai a fazer-lhes o favor de pôr umas pessoas a sangrar? Não há diplomacia entre as autonomias? Devia haver.

Irónico que o “sangue quente” típico dos nosso vizinhos abranja afinal também os catalães. Vejam lá isso. Nós, sim, estamos de fora, “hermanos”. Ventos do Atlântico, estão a ver?

Bom, visto daqui, não me parece que a declaração unilateral de independência sobreviva às contas que teriam que ser saldadas (em desfavor da Catalunha), às purgas que teriam que ser feitas, às transferências de populações, ao imbróglio com a UE, à exclusão do FC Barcelona do campeonato espanhol, às eleições locais (enfim, nacionais). Uma coisa é criar um inimigo externo para criar unanimismo (vd. Coreia do Norte, Putin), outra bem diferente é haver-se com o que há, sem mais sacos para bater. Mas, ó gentes, admito estar enganada. Temos o exemplo do Brexit a lembrar-nos que o passo para a irreversibilidade não custa a dar.

E, no entanto, um dizer Sim e outro dizer Não não pode senão conduzir a uma mesa de negociações, que é por onde se devia ter começado, digo eu aqui do cadeirão. Arranja-se um mediador ou a mesa é para partir?

Os resultados vistos da colmeia passista

Há mais abelhinhas e vespas no Observador, cujas ressentidas e elaboradas análises aguardaremos com expectativa, mas estas foram, para já, as convidadas a tecerem um rápido comentário sobre as eleições autárquicas de Domingo.

 

Maria João Avillez: O meu PSD! Oh, como estou triste! Não, não pode ser. O PSD é eterno. O que aconteceu foi que o partido foi escolhido para bombo da festa, havia que o destruir, desse por onde desse. A culpa não foi da Teresa Leal Coelho nem de Passos nem das suas escolhas. O PSD era o alvo a abater, meus queridos. Houve uma “tentativa de destruição maciça do PSD”. Sem razão nenhuma, estão a ver! São os tempos.  Olhem lá para fora. O mundo está a ruir. A culpa é dos maus.

Alberto Gonçalves: O futebol. Porto! Porto! E aquele do aeroporto em Coimbra, ah, ah. Pensava que ganhava. E nunca mais recomeça o jogo?

Helena Matos: PCP, por favor, não acham que chegou a altura de soltar a Ana Avoila e o Mário Nogueira? Então? Não querem vingança? Vá lá, ajudem-me aqui, por favor. Dêem-me cabo da Geringonça e do Costa que eu já não posso mais.

Rui Ramos: Calma, o PSD, sozinho e em coligação, não ficou assim tão distante do PS a nível nacional. No Porto, a culpa do insucesso do PSD até foi do Rui Rio e do Paulo Rangel, ouçam o Rui Moreira. Mas os críticos no PSD que avancem, se tiverem coragem. Passos, I love you! Até marcaste conselho nacional e congresso antecipadamente, mais sério e honesto do que tu não há. Vais ganhar em 2019.

José Manuel Fernandes: O PSD perdeu. Uma derrota pesada. Há que dizê-lo. Estou de luto. Mas em 2013 também perdeu e nas legislativas de 2015 ganhou. Por isso, há esperança. No fundo, a culpa foi dos candidatos escolhidos, muitas vezes não da responsabilidade do Passos. Enfim, também, olhando para o país em geral, “os melhores” decidiram candidatar-se como independentes. Assim não admira!

Em Lisboa, Cristas provou ser muito diferente de Portas (!), mas pensa bem, Passos, se virmos bem, o CDS e o PSD somados têm maior percentagem de votos do que em 2013 e prova-se assim que um discurso popularucho-demagógico, pronunciado com mais convicção, como o de Assunção, pode levar a PàF de novo ao poder. Estás a ouvir, Passos? Tens que ser assim esganiçado, descarado, ousar propor 30 estações de metro, riscar da memória das pessoas, com frescura, tudo o que fizeste antes e descer de botas de safari até aos bairros populares. Ela é que a sabe toda.

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Passos, fica! (eu também quero)

O homem que queria voltar a ser primeiro-ministro

Podia Passos Coelho escolher candidatos de jeito para estas eleições autárquicas? Não só não podia como também não era essa a sua prioridade. Explico: com o actual governo a pôr o país na rota do crescimento, da criação de empregos e do desafogo para milhares de famílias e de empresas, seria difícil a qualquer candidato do PSD, por mais qualidades que tivesse, disputar a presidência das principais câmaras do país e até das restantes. Acresce a isto a inegável qualidade do trabalho do executivo da câmara de Lisboa (e do Porto).

Com o PS no poder, não só não aconteceu nenhum dos cataclismos vaticinados, como também, a nível local, o exemplo do governo central leva os eleitores a olharem para os candidatos consonantes ou pelo menos não hostis ao actual governo com “olhos de ver”, ou seja, alheios à propaganda dos anos em que “não havia alternativa”. Passos não podia, pois, fazer boas escolhas, inclusivamente porque os melhores não se identificam com ele  e muito menos ao ponto de “campanearem” alegremente ao seu lado para as autárquicas.

 

Mas também não era essa a sua prioridade, como a cada dia que passa se vê. As suas intervenções nos diversos pontos do país por onde andou (ai de mim, tenho ouvido a Antena 1)  puxaram sempre o tema das legislativas, que ganhou (esquece que este é um galão sem brilho), e das sementes que diz ter lançado à terra para que o PS colhesse os frutos. O incómodo é que, quanto às legislativas, a vitória de nada lhe serviu por não dispor de uma maioria na Assembleia que lhe aprovasse as políticas, começando desde logo pelo orçamento, pelo que estaria na rua muito antes de o diabo esfregar um olho, aí, sim, criando uma instabilidade perigosa para o país. Quanto às sementes, o próprio disse, durante meses a fio, que o actual governo estava a “estragar tudo o que fora feito” e que, não tardaria, estaríamos na bancarrota e a braços com novo resgate. Logo, deduz-se que, se fosse ele, teria feito muito diferente, o que equivale a dizer que continuaria tudo na mesma como nos anos dos cortes, das ordens para emigrar, da degradação e do subfinanciamento dos serviços públicos – a pagarem-se caro agora-, etc., etc.

 

A par da sua vacuidade, o problema de Passos é que é politicamente um mentiroso. Sempre foi e continua a ser. Não só não havia bancarrota nenhuma em 2011, pelo contrário, tinha-se conseguido um acordo com as principais instâncias europeias para evitar um resgate nos moldes dos da Grécia e da Irlanda, como também se comprometeu a respeitá-lo em reunião com Sócrates. Reunião que foi por ele ocultada, mas, como se fosse preciso para nos lembrar o seu recurso fácil à mentira, mais tarde confirmada e bem confirmada. Também o penoso que foi, para ele, tomar as medidas drásticas que tomou ao assumir o poder, é mentira, tendo o próprio confessado na altura que o FMI era uma oportunidade para pôr o país na ordem e que o radicalismo das suas políticas (dele e do Gaspar) não era nenhuma cruz que carregasse, porque acreditava que só os salários baixos tornavam o país competitivo e o Estado tinha mesmo que reduzir a despesa cortando nas pensões e nos subsídios, e nos direitos em geral, ao mesmo tempo que aumentava colossalmente os impostos. Dizia ele, então, que a classe média estava mal habituada, gastara acima das suas possibilidades e outras pérolas do género. Dizer que foi “obrigado” a alguma coisa pela Troica é, portanto, palhaçada de quem inventou aeródromos movimentadíssimos no interior do país para gamar uns cobres à Europa. Ainda hoje, para além das suas, uma mentira de outros que lhe dê jeito, ele agarra. Em Pedrógão, com os suicídios, foi o que se viu. O “relatório das secretas militares” sobre Tancos, plantado no Expresso, e que se provou ser uma falsidade com intenção, ele agarrou e bem cedinho.

 

Neste contexto, não é difícil perceber que o personagem deu tanta importância às autárquicas como a Voyager ao lixo cósmico. O homem mais não tem feito, à boleia dos seus candidatos, do que campanha para as próximas legislativas, ou o próximo congresso, vá lá. Por enquanto, pode até ser reeleito líder da agremiação PSD. Mas só porque o tempo é de vacas magras para a oposição. Não admira, como aqui já disse, que, em desespero, o André Ventura, no mínimo, lhe dê ideias e, no máximo, seja elevado à categoria de seu alter ego. Mais desenvolto ainda na charlatanice.

Passos não se inibe de afirmar e reafirmar que gostaria de voltar a ser primeiro-ministro. Chegará lá quando o André Ventura tiver mais audiência, mas, se for o caso, o Ventura estará mais fresco.

 

Ena! Perigo de “colapso da família saudita”

Parece que as mulheres na Arábia Saudita vão ser autorizadas a conduzir.

Vejo, porém, um problema grave de redução do campo de visão, se a indumentária continuar a ser a que se vê na foto. Quem sabe as seguradoras irão forçar a libertação da cabeça? O primeiro passo está dado (embora a medida só comece a vigorar em Junho do próximo ano, que isto não pode ser assim).

Será também preciso uma carta de condução e, para isso, aulas e um exame. Se as aulas só puderem ser ministradas por mulheres, dado o horror e o perigo que é ter um homem instrutor sentado ao lado de uma mulher, o processo poderá atrasar-se ou ser fatalmente impedido. Espero sinceramente que não. Mas há quem antecipe o fim do mundo:

 

Some said that it was inappropriate in Saudi culture for women to drive, or that male drivers would not know how to handle women in cars next to them. Others argued that allowing women to drive would lead to promiscuity and the collapse of the Saudi family. One cleric claimed — with no evidence — that driving harmed women’s ovaries.

Ventura – O que resta a Passos?

Não me espanta que Passos Coelho, a manter-se na liderança do PSD, transforme o partido num partido populista, arriscando-se, porém, a dividi-lo. E populista como? Com discursos contra os ciganos (ou outras etnias), contra os imigrantes, contra a linguagem politicamente correcta, até contra o “sistema”, como já vimos noutras paragens. Se virmos bem, Passos já era, para ser branda, um embrião de um populista – ignorante q.b. é a primeira característica que me ocorre, mas também o grande à-vontade que sempre demonstrou com as falsidades: antes de ganhar as eleições em 2011, mentia com quantos dentes tinha, não só com promessas que sabia nunca poder nem ter intenção de cumprir, mas também negando, por exemplo, factos importantíssimos, como a situação financeira do país ou como uma reunião com Sócrates num momento crucial em que este lhe comunicou o resultado das negociações com Bruxelas para evitar o resgate.

Enquanto primeiro-ministro, sempre acusou os que chamava de subsídio-dependentes (podiam ser ciganos, mas na altura eram outros, os mais pobres, o que era claramente uma generalização “à André Ventura”) e os portugueses que chamava de preguiçosos (que não deixavam a sua zona de conforto, convidando-os a emigrar, ironicamente para países onde dirigentes não populistas os acolhessem), sempre foi muito pouco contido na linguagem (sendo mesmo facilmente boçal e nisso se comprazendo) e só isto bastaria para nos esclarecer sobre aquilo a que vinha.

Agora que foi apeado do poder, não hesita em inventar suicídios em consequência de uma tragédia natural para produzir efeito mediático e político, em não reconhecer tudo o que não fez em matéria de segurança e prevenção, em negar que tudo o que fez em matéria orçamental e laboral durante o seu mandato o fez por convicção e não por obrigação (não tendo grande intenção de mudar de rumo, caso ainda governasse), em acusar Costa de austeridade e de falta de austeridade, enfim, alegres alarvidades e patetices ditas com a impune ligeireza de um Trump. Exemplos de afinidades com o André Ventura não faltam, portanto. Não percebo, pois, qual o espanto com o seu apoio ao candidato do PSD de Loures. Os dois são o futuro possível. Para o nível deles, claro está.

Quanto ao PSD, se é certo que, enquanto no poder, Passos não logrou dividir o partido, nem tal era previsível que acontecesse, aparecendo só as tradicionais válvulas de escape nas pessoas de Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Rui Rio e, por vezes, Marques Mendes, na oposição talvez as coisas não se passem exactamente assim. O problema para o PSD e a sorte para ele é que, enquanto o actual esquema de governo pragmático se mantiver e tiver sucesso, não haverá muitos interessados em liderar o principal partido da oposição. Creio, no entanto, que haverá uma linha vermelha para algumas facções do partido e Passos anda alegremente a testar a cor dessa linha. Desconfia, como eu desconfio, que mesmo essas facções terão dificuldade em formular propostas sociais-democratas muito diferentes das do actual partido socialista, mormente dados os resultados visíveis da política seguida. A única bandeira que restará a esses PSD não populistas será a recusa de entendimento com os chamados radicais de esquerda, no que têm um ponto pertinente. E aí António Costa poderá ter um problema, embora não demasiado grave se o PSD der lugar a dois partidos, dividindo-se a sua base de apoio.

Ao pateta alegre do Passos resta, pois, jogar com o populismo do seu coração enquanto não houver capacidade da ala não populista do seu partido para o afastar. Mas quem sabe se transformam todos, ou a sua grande maioria, em populistas, agora que o CDS parece ter pudor?

A velha estratégia ou a sério que a casa do Medina é mesmo notícia?

Fernando Medina, presidente da CM de Lisboa, era proprietário de um apartamento, onde habitava. Vendeu-o por um preço superior ao que tinha pago há uns anos – nada que surpreenda nos tempos que correm e mesmo nos que já correram, dependendo de melhoramentos que tenhamos feito – e comprou outro, com intermediação de uma imobiliária. Conseguiu um preço não barato mas razoável (foi em 2016) atendendo ao local e também aos tempos que correm (não tanto aos que corriam), em que, apesar da tendência de subida, os preços ainda variam consideravelmente em função de numerosos factores (o proprietário pode querer seleccionar o futuro comprador, por exemplo, não necessariamente com más intenções). E estávamos em 2016. É-nos também dito que havia outro interessado e que Medina até ofereceu mais um X para assegurar a casa. Também nos é dito que Medina comunicou ao Tribunal Constitucional o que devia ter comunicado. Portanto, foi isto. Ao que se lê, nada de mais nem digno de nota se passou. A não ser a grande sorte de uma família poder deixar os filhos aos avós na porta ao lado.

A falta de escândalo é, ademais, visível para quem leia a notícia desenvolvida no pasquim “Observador, mas não o título, obviamente. Pasmamos com a lata de quem resolveu construir um pseudo-escândalo com isto, ainda por cima antes que o “acusado” tivesse tempo sequer de esclarecer as dúvidas – pois a notícia acusatória saiu ontem. O facto de haver pressa em publicar ao ponto de não esperarem para ouvir o interessado já é um bom indicador do que se pretende.

O facto é que se lê aquilo tudo, hoje já incorporando alguns dos esclarecimentos entretanto prestados por Medina, e nada de chocante nem de ilegal se descortina naquela notícia.

O duplex comprado era de uma prima dos Teixeira Duarte, que, com os seus esmagadores 2% de quota, não tinha sequer voto na matéria na dita sociedade? Terá o pobre Medina encontrado a prima errada no local errado? E então? Não comprava o apartamento que lhe dá tanto jeito (segundo a notícia, Medina andava à procura há uns tempos) só porque “a prima” de uma empresa é a proprietária? É esse o escândalo? Será porque a Câmara fez um ajuste directo de não sei o quê com a Teixeira Duarte passados dez meses? E com quantas outras mais? Gostaríamos de saber.

Não sou advogada do Medina, mas claramente alguém está a recorrer aos métodos já conhecidos do espalhamento de lama para combater adversários.

Boa entrevista a Mariana Mortágua

 

Gostei da entrevista (no DN). Quero dizer, da forma como foi conduzida. O que diz a entrevistada é outra questão, mas muito dependeu, como sempre depende, das perguntas. Como é dito na introdução, a entrevista não é política mas não deixa de ser também política. As perguntas são bem colocadas. Dão para ver o “estilo da miúda” (passe a expressão) –  e se há aqui estilo, face ao conteúdo! Não se considera menina nem menino – cuidado que “maria-rapaz” pressupõe a existência de rapazes – , mas detecta preconceitos e condescendência para com as “meninas”, ou seja, as senhoras, como ela, na política. Sim, tem jeito e frieza q.b. para fazer perguntas em comissões de inquérito, mas a STASI também teria pessoas assim dotadas, digo eu. De resto, o Bloco em todo o seu esplendor – uma construção deveras artificial, que começou por girar à volta de Louçã (um intelectual citadino, aliás não mencionado na entrevista), e que agora não se percebe bem o que seja, para além de um agrupamento que recuperou visibilidade, e unidade, através de umas jovens bonitinhas, bem falantes e alentejanas (o Alentejo encantatório bem publicitado pela Mariana) e uns jovens ainda mais bonitos, como o candidato à Câmara de Lisboa. Nada contra! O grupo ganhou depois um pouquinho de seriedade ao ser trazido para o mundo dos adultos e da realidade com a actual solução governativa (que não é a deles, atenção). Porém, no que toca ao “sumo”, ao ideal político propriamente dito e de sociedade, quando o assunto incomoda e obriga a especificações, tergiversam e patinam, ficando tudo a pairar numa nebulosa: o Syriza e a Europa (ah, nós não somos o Syriza, mas deu para ver as instituições europeias…), o regime político pretendido/idealizado caso o BE tivesse maioria (espaço em branco), o programa da actual solução governativa “nada transformador”, a indefinição sobre o que seria um programa mesmo mesmo transformador (justiça social? Mas em que regime?), o combate ao terrorismo sem restrição de liberdades, etc, etc. Chavões. Engraçados. Ficámos foi sem saber, desta vez, se, com a sua “identidade”, tem ou gostaria de ter companheiro ou companheira, ou nada disso. E ficámos muito bem.

Meninos e meninas – este norueguês fez o trabalho

No vídeo que se segue, e que descobri no blogue “Natureza e Sociedade“, um norueguês, mais conhecido no país por programas de humor, resolve deixar o humor, mas não a boa disposição e a frontalidade, para ir investigar junto de cientistas do seu e de outros países a pertinente questão da igualdade ou desigualdade entre géneros. Entre o factor “biologia” e o factor “cultura e educação”, fica pouco por abordar. Devo dizer que o vídeo, que demora cerca de meia hora, vai ganhando interesse à medida que avança, uma espécie de thriller. Ora vejam lá (as legendas são em inglês).

 

 

** Só para que não restem dúvidas, está para mim fora de questão que livros de exercícios para miúdos e miúdas apresentem um maior grau de dificuldade para eles do que para elas. Assim como estou certa de que todos os intervenientes neste vídeo, seja qual for o seu ponto de partida, arrepelariam os cabelos com tal perspectiva.

O marketing é tudo

Para efeitos práticos, a revelação que a secretária de Estado da modernização administrativa decidiu fazer da sua orientação sexual é irrelevante, com tendência negativa. Podendo ter sido um desabafo ditado por razões interiores que só ela conhecerá, desabafo que tem ombro amigo numa jornalista que há anos faz da defesa dos homossexuais a sua grande causa, pode também ter sido, como a própria diz, embora por outras palavras, um imperativo político (embora tal obrigação moral escape ao comum dos mortais). Mas pode também ter sido uma resposta à pressão de uma certa esquerda (de que a dita jornalista faz parte), que defende que os políticos homossexuais devem assumir a sua orientação publicamente, satisfazendo assim um anseio antigo da comunidade LGBT. Apontam-se como exemplos os primeiros-ministros actuais da Irlanda e do Luxemburgo ou a ex-primeira-ministra da Islândia, todos eles homossexuais assumidos, com cargos de alta exposição mediática e em que se torna impossível manter a curiosidade ao largo e também o segredo, se fosse esse o desejo. Ora, não tendo Graça Fonseca que esconder nem que revelar nada se não quiser, ela não desempenha, porém, uma função com grande visibilidade. A sua discrição tem mesmo sido tal que aposto que a maioria dos portugueses nem saberia, até anteontem, quem era. Por isso, e não me chamem homofóbica por favor, não me surpreendem nem me chocam os comentários que vão no sentido de questionar se alguém estaria interessado em saber da novidade e se alguém lhe perguntou alguma coisa. Tal como outras pessoas, também achei bizarro que se desse uma entrevista para esse fim (sim, falou de outros assuntos, poucos, mas este foi sem dúvida o principal). Não tenho, no entanto, nada contra a necessidade que ela sentiu de o dizer. É uma decisão pessoal. Terá com certeza ponderado a razoabilidade de se arriscar a que agora a olhem como a secretária de Estado lésbica e não tanto como a secretária de Estado que ajudou a introduzir esta ou aquela melhoria genial na máquina estatal. Só espero é que, vingando o primeiro olhar, a própria não se considere vítima dos preconceitos homofóbicos. Dir-me-ão que uma coisa (ser lésbica)  não impede a outra (ser competente). Claro que não, mas repito que pouca gente a conhecia e que agora ficou a conhecê-la, não por aquilo que tem feito profissionalmente, mas apenas por um pormenor da sua vida privada que, por muito que lhe chame assunção de identidade, não interessa por aí além aos governados. Há tantas figuras públicas, bem mais públicas do que Graça Fonseca, que assumiram a sua homossexualidade! O Goucha, o Malato, o professor Quintanilha, para só mencionar alguns.

Dito isto, do pouco que tenho visto de Graça Fonseca, gosto. Tem uma presença serena e educada (vi-a como comentadora na televisão durante uns tempos) e acredito nela quando nos diz que gosta de fazer coisas, de estar no terreno, de melhorar o que pode e deve ser melhorado. Foi pena que na entrevista não lhe tenha sido perguntado o que anda a fazer de concreto.

Prova de que tinha razão em gostar dela foi quando, na primeira parte da entrevista, resistiu ao ataque cerrado da jornalista para que reconhecesse que os portugueses são violentamente racistas, a nível institucional como individual. Que as prisões estão cheias de “negros” porque os portugueses, os juízes, a polícia e sei lá quem mais são preconceituosos em relação às pessoas de pele escura e cabelo crespo que têm o azar de residir em Portugal. Com grande espírito de resistência, Graça não foi por aí. E teria sido fácil. Só por isso, 20 valores. Já a “grande revelação” me suscita algumas reservas. Ainda mais quando se assiste ao marketing pós-venda (neste caso pós-entrevista, mas também pode ser visto como controlo de danos) que está a ser feito com base em que foi a primeira vez que um político no activo se assumiu, blá, blá, blá, blá, blá, blá. Um feito, uma vitória! Mas para quem, senhores? Terá sido muito mais do que um “furo” jornalístico? Efémero, tão à moda dos tempos que correm?

As queridas operadoras andam demasiado à solta

A propósito da polémica que aí anda por causa da dificuldade de cancelamento dos nossos contratos com as operadoras de telecomunicações, com uma em particular, venho dar parte da minha experiência, pois talvez contribua para minorar a irritação mais do que justificada de muita gente e sublimar a minha própria.

No final do ano passado, dei-me conta de que a minha assinatura mensal dos serviços MEO aumentara. Como o meu período de fidelidade terminaria em meados de Fevereiro, enviei, em Janeiro, uma carta registada, com aviso de recepção, à operadora a avisá-la de que que a partir da data tal, podiam dar o contrato por rescindido. Não fui a nenhuma loja, não telefonei. Pouco tempo depois, um telefonema. Porquê, perguntavam eles. Ora, porque aumentaram a mensalidade sem dizer nada enquanto os novos contratos são mais baratos. Que não, tentaram eles, que o aumento não é mais do que uma actualização anual, uma prática comum a todas as operadoras, mas que, já que falo nisso, me fazem o preço que a nova operadora me irá fazer, etc. Uma mentira, como hoje se vê. Não há actualizações nenhumas. Eu, que cedera da última vez pude optar, mantive a minha decisão e mandei-os dar uma grande volta. Ainda pingaram mais uns telefonemas (muito menos do que da outra vez, diga-se), mas rapidamente desistiram. Limitei-me, no que toca a deslocações, a devolver-lhes o equipamento. Não são práticas aceitáveis. É explorar a boa-fé da maior parte das pessoas. É a técnica do “se não disseres nada, tanto melhor para nós”, ou seja, “quem não chora não mama”.  A chico-espertice autorizada.

Não tenho a certeza de que a nova operadora não persiga também essa prática. Para já, no que respeita ao pacote geral, nada o indica, mas ainda é cedo para avaliar. Soube de uma terceira operadora que contactou dois meses antes um amigo meu para discutirem a renovação do contrato. Parece-me bem mais correcto.

Porém, contudo, com esta minha operadora actual, passou-se há dias o seguinte: sou assinante da SporTV, um serviço caro, a rondar os 30 euros mensais, e, assim sendo, em meados de Julho, como iria estar fora durante um certo tempo, suspendi a assinatura – tudo muito fácil, desliga-se o serviço na própria televisão. Passado um mês, um telefonemazinho da operadora, não da SporTV, que não lida connosco directamente, a querer saber por que razão desligara o serviço e se pensava reactivá-lo e quando. Sim, por acaso pensava reactivar e já no próximo mês. Seguiu-se então, estranhamente, ou não, uma proposta sem dúvida atraente: o serviço seria reactivado daí a uns dias, eu pagaria apenas 19,99 euros por mês e teria direito aos cinco canais SporTV. Contrapartidas? – perguntei. Os canais não seriam em HD e, durante um ano, não poderia desactivar o serviço. Mas não era só. Findo o ano contratual, a mensalidade passaria a ser 23,99 euros e já não os 27,99 anteriores. Por bem ou por mal, tudo claro, ressalvo eu e atrevo-me a aplaudir.

No entanto, estes esquemas são difíceis de enxergar pela maior parte dos clientes. Imagino que exista um departamento nas operadoras designado “Manigâncias”. Depois de registar o nome do funcionário que me contactou, assim como o dia e a hora do contacto, aceitei a proposta, até porque não vejo uma diferença abismal entre a imagem em HD e a outra e sobretudo não pensava, aliás, não costumo, desligar o serviço ao longo do ano (se calhar faço mal). Mas pergunto-me o que teria acontecido se eu não tivesse decidido desligar o serviço em Julho. Pergunto e respondo: continuaria a pagar estupidamente 27,99 euros por mês à operadora, que estaria superconfortável com isso.

Estátua do general Lee: remover ou não

O jornalista Jean Quatremer publicou no Facebook o seguinte texto sobre figuras históricas da guerra da secessão dos Estados Unidos, que deixo à vossa apreciação (transcrevo também um comentário alusivo):

“L’actuelle polémique américaine autour des figures de la guerre de Sécession (1861-1865), le conflit le plus sanglant qu’aient connu les États-Unis, me sidère tant il témoigne d’une méconnaissance profonde de l’histoire. Encore une fois, les libéraux (la gauche outre-Atlantique) et leur politiquement correct borné font le lit des troupes trumpistes. Ces bien-pensants blancs en sont même à contester le droit d’une réalisatrice blanche (Katherine Bigelow) à parler des émeutes noires de Détroit de 1967. Je dois avouer que moi-même j’hésiterais à voter pour des démocrates défendant une telle oblitération de la mémoire collective, notamment celle du sud.
Car c’est un cliché ravageur que d’opposer une bonne Union abolitionniste face à une méchante confédération esclavagiste qui n’est rien d’autre qu’une réécriture de l’histoire par les vainqueurs. La chose est infiniment plus complexe. Le conflit ne prend pas sa source dans une volonté du nord d’abroger l’esclavage, mais dans le fait de savoir si les territoires qui n’ont pas encore obtenu le statut d’État (en gros le Middle West et l’ouest hormis la Californie) situés au sud de la ligne Mason-Dixon de 1820 pouvaient ou non librement instituer l’esclavage ou l’interdire.
Pour le sud (et les démocrates du sud), l’enjeu est vital: il s’agit de préserver à la fois les droits des États de décider en cette matière (thèse que la Cour suprême a soutenue dans un arrêt de 1857), mais aussi leur mode de vie. Pour le nord en pleine révolution industrielle, en revanche, il s’agit d’éviter qu’un modèle économique qui appartient au passé (la monoculture du coton et la dépendance totale à l’esclavage qu’elle implique) s’étende à de nouveaux États fédérés et entrave le développement industriel de l’Union tout entière. Le passé contre l’avenir si on veut. Mais en faire un affrontement sur les valeurs et sur l’esclavage est un contresens historique total selon la quasi-totalité des historiens.
En décembre 1860, Abrahma Lincoln (un Républicain) écrivait d’ailleurs à Yman Trumbull, membre du congrès: « ne soutenez aucune proposition de compromis portant extension de l’esclavage ». Et à John Gilmer, député de la Caroline du Nord: « vous pensez que l’esclavage est bon et devrait être étendu; nous pensons qu’il est mauvais et devrait être limité ». C’est sur cette question que la sécession a eu lieu : les États du sud considéraient que leur droit de décider de leur mode de vie était menacé par Washington qui voulait imposer aux nouveaux États l’interdiction de l’esclavage.
L’Union s’est ensuite battue contre la sécession, pas contre l’esclavage qui en a été l’un des éléments déclencheurs parmi d’autres. Rappelons d’ailleurs que huit États esclavagistes (sur quinze) sont demeurés dans l’union…
Lincoln lui-même n’était d’ailleurs pas anti-esclavagiste, même s’il n’était pas pour. Ce n’est pas un hasard s’il n’a pas remis en cause la monstrueuse loi sur les esclaves fugitifs qui obligeait les États abolitionnistes à les livrer à leur maître). En septembre 1858, il précisait ainsi dans un discours : “Je vais dire que je ne suis pas, et n’ai jamais été en faveur de donner l’égalité politique aux races noires et blanches. Que je ne suis pas ni n’ai jamais été en faveur de faire des nègres des électeurs ou des jurés. Ni de leur autoriser à être élus ou à avoir des mariages interraciaux avec des blancs ; et je dirai en sus qu’il y a une différence physique entre les races blanches et noires qui, je le crois, interdira pour toujours à ces deux races de vivre ensemble en termes d’égalité sociale et politique. Et puisqu’ils ne peuvent pas vivre ainsi, et tant qu’ils resteront ensemble, il doit y avoir une position de supériorité et d’infériorité, et autant que n’importe quel autre homme, je suis en faveur que la position de supériorité soit assignée à la race blanche.” (http://www.nytimes.com/…/mr-lincoln-and-negro-equality.html…).
En 1862, après le déclenchement de la guerre, il penchait pour une déportation de tous les noirs en Afrique ou en Amérique latine puisque, pour lui, la cohabitation était difficile voir impossible. Ce n’est qu’en 1863 qu’il proclama, après Gettysburg, l’abolition de l’esclavage afin d’affaiblir le sud, abolition qui fut inscrite à la fin de la guerre, en 1865, et non sans mal dans la Constitution américaine (qui jusque là l’admettait sans le proclamait comme la Constitution confédérée). On peut à ce titre voir l’excellent film de Spielberg « Lincoln ». Lorsque le général Grant, « héros » unioniste, fut élu à la présidence américaine, le statut des noirs connut d’ailleurs une régression qui se traduisit par la ségrégation qui ne prit fin que dans les années 60 avec Kennedy et Johnson.
Si Lincoln n’est pas le saint que l’on dépeint, Lee n’est pas non plus l’ordure que l’on veut faire de lui. Propriétaire du domaine d’Arlington dominant Washington DC (transformé dès le début de la guerre en cimetière militaire par l’Union), il est contre la sécession et contre l’esclavage. Lorsque Lincoln et Francis Blair lui proposèrent le commandement en chef de l’armée de l’Union, il refusa par fidélité à sa Virginie natale. Comme il le déclara à Thomas Scott, secrétaire adjoint à la guerre de Lincoln, « je ne crois pas à la sécession et si je possédais tous les esclaves du sud, je les libèrerais tous pour sauver la paix ». Mais « je ne peux me résoudre à lever la main contre mes proches, mes enfants, mon foyer ». Lors de la capitulation d’Appomattox, Lee, qui avait bataillé pour obtenir l’intégration des noirs dans l’armée contre leur liberté, s’est réjoui devant ses officiers de l’abolition de l’esclavage déclarant que le sud ne pourrait que s’en mieux porter.
Bref, pour le dire clairement, le démontage des statues de généraux confédérés est pour moi d’une rare stupidité (je suis plus nuancé pour Davis, le président de la Confédération, auteur d’une constitution ouvertement raciste). Qu’on les déplace, à la limite vue le symbole qu’en ont fait les suprémacistes, mais faire de Lee un quasi nazi est d’une bêtise sans nom et ne grandit décidément pas ce pays qui connait si mal son histoire.

Deux superbes ouvrages pour en savoir plus: « la guerre de Sécession » par James M. McPherson (LE classique), chez Robert Laffont (ou en anglais « Battle cry of freedom » chez Oxford University press, 1988) et « La guerre de Sécession », par Bruce Catton, 1976, Payot (un tome en français, trois en anglais…).”

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Um comentário escolhido por mim:
Alexis Torchet A Charlottesville, ces monuments commémoratifs ne datent pas de la période de la guerre de Sécession mais des années 1920. Celui de Lee a été érigée en 1924, l’année du Racial integrity act adopté par l’Assemblée de Virginie pour interdire les mariages interraciaux. C’est d’abord de cette mémoire-là qu’il s’agit, et ce n’est pas par hasard si les supremacistes blancs en font un symbole.

Os gostos discutem-se

Gostei de ler ontem no Público a entrevista ao dono da Taberna da Rua das Flores, André Magalhães. Sobretudo a parte em que diz que a cenoura ralada nas saladas, tão habitual nos restaurantes portugueses, não faz sentido nenhum (chama-lhe “a coisa mais parva”). Para mim também não faz. Em minha opinião, usa-se e abusa-se da cenoura ralada, talvez porque dê mais colorido ao prato (mas se é para ser cenoura, porque não assada, caramelizada, grelhada? E se é para ser amarelo, porque não pimento assado?), enquanto, digo eu, se desprezam outros tipos de legumes e tubérculos (igualmente existentes no nosso território e clima), que poderiam introduzir uma maior variedade, que já tarda e seria mais do que bem vinda, nas nossas saladas. Regra geral, nos restaurantes de gama média e baixa, que são a maioria, a componente “saládica” resume-se à alface e ao tomate, com ou sem cebola, e normalmente com a bendita da cenoura crua ralada.

Os meus aplausos, pois, para o senhor Magalhães, que parece ser alguém autorizado, por ter falado nesta problemática de urgente resolução.

Sem querer, recuei ao Paleolítico

Fiquei hoje a saber que o meu regime alimentar, ao qual fui chegando através de experiências e tentativas de eliminação de reacções estranhas e incomodativas no meu corpo, anda muito perto do que se chama “a dieta do Paleolítico”. Eis a lista do que se deve e não deve comer ao abrigo deste regime (vai em inglês, foi retirada do Daily Mail):

DO EAT

Fruit

Apples, bananas, oranges, avocados, pears, strawberries, blueberries etc

Vegetables

Broccoli, kale, peppers, onions, carrots, tomatoes etc

Lean meat

Beef, lamb, chicken, turkey, pork, veal etc

Seafood

Salmon, trout, haddock, shrimp, shellfish etc

Nuts and seeds

Almonds, walnuts, hazelnuts etc

Natural healthy fats

Lard, coconut oil, olive oil etc

DO NOT EAT

Dairy

Milk, cheese, ice cream, butter, milk and white chocolate

Grains

Bread, pasta, rice, wheat, spelt, rye, barley

Processed food

Burgers, hot dogs, pizza, donuts, breakfast cereals, chips

Processed sugar

Soda, fruit juice, table sugar, candy, cake, ice cream

Legumes

Beans, lentils etc

Alcohol

Unless it’s distilled liquor – but no mi

Aí está. No fundo, nunca me dei bem com a civilização que põe milhões de vacas indolentes a deteriorar a camada de ozono para nos causarem artrites e que adoça e faz inchar o trigo com o reforço ilimitado do glúten.

Obviamente, a ideia que os promotores deste regime têm do paleolítico é totalmente mítica. Como muito bem dizem os cientistas seus críticos, o regime alimentar dos homens das cavernas era basicamente o que se podia arranjar e sobretudo variava conforme a geografia. Para se chegar ao regime constante da lista seria preciso tomar como modelo hominídeos que vivessem em locais paradisíacos, com animais de caça, peixes, florestas, vegetação variada, água abundante, etc. Assim, é para mim também evidente que a designação dada a este regime alimentar, algo apelativa, é mais um apelo ao regresso à natureza pré-industrial e pré-agrícola (uma quimera) e ao repúdio dos alimentos processados, a maior parte dos quais faz comprovadamente mal, do que a recuperação de um regime saudável, cientificamente comprovado, que terá sido seguido há milhares de anos e que foi lamentavelmente abandonado graças à maldita da agricultura. Na verdade, o que acontecia naquela altura, quando os conhecimentos eram escassos e os medicamentos inexistentes, era que a esperança média de vida não passava dos 40 anos (e, mesmo assim, há provas de que já havia artrites e tendinites) e que a maior parte das crianças efectivamente nascidas não passava dos 5, máximo 15 anos. Por mais que fossem as nozes e os veados consumidos e por menos que se cultivasse a terra. E que a situação assim continuou durante milhares de anos e até há bem pouco tempo.

No entanto, dito isto, homens das cavernas idealizados à parte e plenamente consciente de que quase ninguém hoje em dia tem o privilégio de comer carne de animais que vivam saltitando ou cirandando pelos bosques e prados, e com base na minha experiência, os alimentos que constam da lista do permitido têm boas razões para lá estarem, assim como os proibidos. No meu caso, tornei-me pré-histórica por acaso e sem saber do que alguns crânios de nutricionistas andavam a inventar e a aconselhar a gente como manequins e celebridades de Hollywood. Não pretendi emagrecer. Simplesmente fui eliminando alimentos que percebi me faziam mal (chegada aos cinquenta, claro) – na forma de inflamações musculares, dores de cabeça, reacções alérgicas – e, verifico agora, acabei a eliminar precisamente os que constam da lista dos “Do Not”, excepção feita ao arroz e às batatas (mesmo assim raramente no meu prato, para não perder a linha), e dos cereais, que consumo sem glúten.

Sei que o processo evolutivo da espécie humana não se faz uniformemente, que há organismos mais receptivos do que outros às mudanças alimentares, que há pessoas mais alerta ou menos resistentes do que outras, e sei também que há milhões de homens e mulheres no planeta que vivem muito bem e longamente sem nunca se preocuparem com o que comem. Mais: muitos milhões não sabem sequer se comem, pouco importa o quê. A possibilidade de escolha de regimes alimentares é um luxo incompreensível aos olhos de boa parte da humanidade. Mas não é por isso que cada um, onde quer que se encontre e com os meios de que disponha, deixará de procurar o bem-estar, com dietas páleo ou sem gorduras ou sem hidratos de carbono ou sem nada disso e com tudo. Até com cenoura ralada na alface.

A discussão dos gostos começa por ser uma discussão a sós. Connosco.

 

Como defender Passos

Um dos modos é o do José Manuel Fernandes, infeliz. Juro que o ouvi dizer, ontem, na RTP3, nos cinco minutos que lá parei, que o discurso do homem no Pontal tinha sido cheio de substância e, ao mesmo tempo, que a única frase que verdadeiramente fica é a da comparação do SIRESP com a cara de António Costa. Isto enquanto sorria, desculpabilizador, por Passos se recusar a escrever os discursos (o que tem implícito serem uma desgraça). Ou seja, Passos disse coisas importantíssimas, embora mal enjorcadas, que não deu para reter, possivelmente nem para compreender – caso contrário seriam abundantemente citadas pelo JMF, para que não ficassem esquecidas. Mas houve imensa substância naquela intervenção comicieira. O pico dessa substância terá sido atingido com o SIRESP, que é “a cara de Costa”, uma comparação que, essa sim, todos compreendem. Esteve a um passo de dizer que o SIRESP é um sistema chamuscado. Mas ainda não chegou o tempo do André Ventura. Foi isto. A defesa.