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O João Galamba maça-o? Vá queixar-se para o Observador

E aproveite para pedir à TVI que corte o pio ao deputado do PS. A avaliar pela recente postura do director de informação do canal, Sérgio Figueiredo, é bem possível que lhe dêem ouvidos.

O João Galamba a debater o orçamento na televisão e a desmontar as falácias da direita parece que “maça” o Vasco Pulido Valente, agora contratado pelo Observador para expelir pesporrência e fel aos domingos, num jornal onde estes ingredientes já se encontravam concentrados em doses maciças, indigestas e, quer-me parecer, contraproducentes, nas pessoas dos seus azedos colunistas. Só mesmo a menção de João Galamba me levou a abrir a crónica, que, vamos lá a isto, encerra assim o assunto:

“Quinta-feira na TVI, Pedro Pinto [o jornalista] foi uma desgraça. Por que raio protegeu ele o abominável Galamba? São ordens da estação? Representa esse demagogo de feira o PS oficial ou directamente o governo? Seria bom que isto se esclarecesse ou que se impedisse o indivíduo de uma vez para sempre de maçar as pessoas.”

(in Observador)

Um duelo, já. Calma, não com ele, evidentemente. Mas esperem, duelos já era. Ministério Público já, para esclarecer tão dilacerante dúvida. A Joana, onde pára a Joana?

O Vasco gostaria de beber o uísque descansado enquanto escuta o ramerrame dos avençados da direita, a toda a hora a debitarem aldrabices frente às câmaras. Isso é que era vida! Em vez disso, leva com um homem de esquerda, jovem e a falar bem,  e fica fulo. Vai daí, do alto da sua exímia educação e com grande espírito democrático, chama-lhe “abominável” e pede que o despeçam.

Pois é. “Não existe intervalo algum entre as pessoas estarem fartas de Vasco Pulido Valente e perceberem que estão fartas dele” (cito com uma enorme liberdade o próprio). É imediato. VPV foi contratado para dizer mal, que é a sua especialização. Mas não da direita. Essa é a dona do jornal. O João Galamba está, claro, mais uma vez, de parabéns.

 

Liberdade democrática

Há poucas coisas que ainda me chocam, nesta altura da minha vida. Mas, aquilo que tenho ouvido e lido, nestes últimos dias, sobre conceitos tão básicos (ou deveriam ser!) como "democracia", "república parlamentar", "Constituição", e "idoneidade", não pode deixar de me chocar.

É certo que Portugal é uma democracia jovem, com pouco mais de 40 anos. Mas, ainda assim, acalentava a esperança de que um povo que viveu 50 anos em ditadura tivesse mais afecto por ela. Mais conhecimento sobre ela, e, acima de tudo, mais fome dela.

O que vejo é um povo animado pelos Midia direitolas, que, perante o exercício legítimo da democracia, a condena e achincalha usando, para isso, ou argumentos absurdos ou (pior!) argumentos primitivos e bacocos invocados por Marcelo Caetano e toda a trupe que, em nome de "cofres cheios" (frase também apadrinhada já pelo governo Passos) deixou o país com 75% de analfabetismo, milhares de estropiados de guerra e o terror semeado em cada esquina.

A verdade, é que, esse tempo, não difere muito para o que o anterior governo fez. Em nome dos tais "cofres cheios" (que não existem nem nunca existiram), substituiu os analfabetos por desempregados, os estropiados de guerra pela emigração e o terror pela austeridade.

Vejamos: não fez comichão política aos que agora rezam por um Salazar que apareça numa manhã de nevoeiro o facto de o PSD e o CDS, coligando-se ao PCP e ao Bloco de Esquerda, chumbarem e derrubaram o último governo do PS. E menos comichão fez esse chumbo ser feito a meio de uma legislatura (com todas as consequências mais graves que acarreta), ser feito em nome de "não ao PEC, não à austeridade" e logo a seguir orgulharem-se de ser "mais troikista que a troika" e afundarem o país em mais austeridade. Não fez comichão a ninguém, os midia direitolas manipularem a opinião pública querendo fazer parecer que a Troika chegou porque o PS queria muito que isso acontecesse, ao invés de explicarem a nua e crua realidade: a Troika chegou porque o PSD e o CDS ao chumbarem o PEC que era a única forma de não pedir ajuda externa naquela altura, obrigaram o governo do PS já condenado a assinar o acordo externo.

Muito menos comichão fez quando um importante militante do PSD insinuou que a política manipula a justiça, numa confissão inequívoca da conduta muito pouco idónea das forças políticas colocadas à direita.

Nada disto fez comichão a ninguém. Tudo isto era e foi, para todos, respeitoso exercício democrático.

Mas, mal se vislumbra a possibilidade de os deputados com assento no Parlamento exercerem uma prerrogativa constante na Lei Fundamental, toda a gente se sente incomodada. Ouvem-se os maiores diaparates e insultos a uma coisa que nos levou anos a conquistar, que nos custou muito caro a conquistar: a liberdade democrática.

Eu não sei se o acordo à esquerda é bom ou mau, politicamente, o que eu sei é que é legítimo e que a direita pode espernear, pode estalar todo o verniz e mostrar a sua falta de chá democrático, que nada disso retira a legitimidade do panorama político actual.

Os meus cumprimentos,

Sofia Sobreira Calado

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Oferta desta nossa amiga, por email.

(e ainda anda por aí)

Também aconselho a leitura da coluna de opinião “A Lagartixa e o Jacaré” na revista SÁBADO (2ª metade, discretamente intitulada).

É interessante notar os mitos que José Pacheco Pereira alimenta em torno de si próprio e do que pretende que seja visto como a sua integridade como comentador político sem mácula, porque raiam o ridículo.

Será possível, por exemplo, que alguém ignore as ininterruptas e violentas campanhas de difamação de Sócrates ao longo de muitos anos? É, e é até possível inverter a coisa. Passo a citar:

«Poucas pessoas em Portugal criticaram com mais dureza José Sócrates, muitas vezes sózinho, sujeito aos violentos ataques de uma claque de fãs de José Sócrates que não poupava nos insultos (e ainda anda por aí)…»

A «claque que ainda anda por aí» devia lembrar-lhe as cobras e lagartos que ele, o caluniador José Pacheco Pereira, rei e senhor das intervenções mediáticas em tudo o que é media e mexe, dizia do direito à vida das pobres lagartixas no seu tempo de jacaré dos «blogues socráticos», que ele assegurava saber que eram pagos pelo pilantra Sócrates com o dinheiro do povo e desapareceriam assim que lhes fosse cortada a árvore das patacas…

Mas diz mais:

«… desde que Sócrates foi preso — e eu tenho uma convicção interior de culpabilidade, o que não tem qualquer valor em si — tenho evitado entrar no gozo e na humilhação que muitos mostram com o destino do homem e penso continuar a fazê-lo — claro que Sócrates não ajuda, porque ao colocar a ênfase numa defesa política, justifica que a sua condição seja discutida politicamentre no espaço público. Isso inquina o debate …»

Não é engraçada esta suspeita quase subliminar, difícil de confessar com todas as letras, senão mesmo de arrancar aos lapsos inconscientes, de que as suas «convicções interiores» (alicerçadas nas campanhas de difamação da imprensa Cofina?) afinal correm o risco de se revelar uma boa trampa que não vale nada? Note-se que não está a emitir um truísmo óbvio acerca do valor jurídico de uma opinião individual enquanto tal, i.e. perante a lei, e sim a falar da coisa interior, i.e. do que uma secreta sensibilidade instintiva lhe sussurra ao ouvido, senão não lhe teria fugido a pena para a palavra «interior», teria escrito «e eu tenho uma convicção de culpabilidade».

Eu costumo dizer que faço o meu melhor para que as minhas convicções valham o que valer o conhecimento e a lógica que as informam. Mas parece que para Pacheco Pereira a culpabilidade de Sócrates, independentemente dos factos, não passa de uma fézada. Bem me parecia…

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Oferta do nosso amigo Gungunhana Meirelles

Aspirina marada

aspirina2

Temos estado em mudanças de servidor, e o processo gerou alguma confusão editorial. Tentaremos repor os 2 textos e respectivos comentários neste momento em falta. Esperamos que, a partir daí, o blogue seja um oásis de estabilidade no meio do caos que assola o reino.

Seguro confia na matemática, na falta dela

Sobre António Costa e o vídeo da Quadratura do Círculo, vamos deixar o problema da interpretação de lado, pois esse é mais difícil de resolver. Que algumas pessoas tenham problemas com a matemática, eu até compreendo. Admito e aceito a ignorância nesse campo. Mas quando essa ignorância é motivada pela preguiça (seja preguiça no uso da matemática mais básica – subtracção ou adição – ou preguiça na busca da informação, aquela que tolda o raciocínio) então ai a coisa fia mais fino.

Parece que agora se quer condenar um candidato a candidato a Primeiro-Ministro por este, no dia 13 de Outubro de 2011, repito, 13 de Outubro de 2011, defender a ideia a aplicar em situações gerais e consideradas normais, isto é, um compromisso de abstenção em Orçamentos do Estado constitucionais que não firam qualquer dos princípios básicos ou ideológicos do PS.

António Costa, como facilmente se perceberá (preguiça?), se se vir o video todo e não só o pedaço que circula por blogs e redes sociais, não se estava a referir ao OE2012. É que se o estivesse, mesmo não sendo deputado na AR e já não sendo o “n.º 2″ do partido, significaria que estava muito melhor informado que o grupo parlamentar do PS na AR ou que o próprio Secretário-Geral do PS que, como sabemos tem uma boa relação com Pedro Passos Coelho.

É que, pela boca do líder parlamentar na altura, no dia 12 de Outubro de 2011 (matemática básica: 13-12=1), isto é, no dia anterior à emissão do programa Quadratura do Círculo, os portugueses eram brindados com as seguintes palavras:”Nós tivemos agora conhecimento de algumas ideias muito genéricas e, por isso, consideramos que devemos aguardar a entrega do documento globalmente para depois nos pronunciarmos sobre ele” – estas sim, referências directas ao OE2012!

Ora se até então, isto é, a 12 de Outubro de 2011, as ideias eram muito genéricas sobre um OE entregue globalmente na AR a 17 de Outubro de 2011, debatido com o Vítor Gaspar a 26 de Outubro de 2011, aprovado na generalidade a 11 de Novembro de 2011, aprovado na especialidade a 14 de Novembro de 2011 e, finalmente, aprovado globalmente a 30 de Novembro de 2011 com a abstenção “violenta” do PS (que mesmo com o voto contra seria na mesma aprovado), sinto-me no dever de perguntar: afinal, será que Costa se referia a 13 de Outubro ao Orçamento do Estado de 2012 que só viria a ser conhecido na integra (pois até ai era “genérico”) 4 dias depois?

Afinal, estamos perante um problema com a matemática, logo ignorância, ou politiquice?

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Oferta do nosso amigo PMatos

Revolution through evolution

Study Finds Less Domestic Violence Among Married Couples Who Smoke Pot
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Pig pheromone proves useful in curtailing bad behavior in dogs
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A long childhood feeds the hungry human brain
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Self-deceived individuals deceive others better
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Expectant Parents’ Play with Doll Predicts Later Parenting Behavior
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Learning by Watching, Toddlers Show Intuitive Understanding of Probability
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A Touching Story: The Ancient Conversation Between Plants, Fungi and Bacteria

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As gorduras da Cultura

O ministro da Cultura tem feito prodígios para combater as chamadas gorduras do Estado. Por exemplo, na Biblioteca Nacional de Portugal, que não é propriamente uma agremiação cultural de bairro, nunca se viu uma coisa assim: a primeira biblioteca portuguesa, que cobra oito euros a cada leitor para validar o seu cartão, deixou de atender pedidos entre as 13 e as 14 horas. Os pedidos acumulam-se nesse intervalo e depois de almoço começam a ser novamente satisfeitos, lentamente, porque não há pessoal suficiente. A direcção da casa não tem dinheiro para assegurar um serviço que SEMPRE prestou à hora do almoço.

Hoje a Biblioteca Nacional tem menos de metade do pessoal que tinha há vinte anos. O enclave de deficientes da mesma biblioteca, criado nos anos 80 com o meritório objectivo de criação de postos de trabalho útil para pessoas com capacidades diminuídas, está a ser actualmente utilizado como reserva de mão-de-obra para substituir funcionários não-deficientes que se reformam e cujo lugar não é preenchido. Os deficientes fazem o seu melhor e alguns até são tão competentes como os outros, mas tal situação parece uma completa deturpação da lei que criou os enclaves de deficientes.

A suspensão dos pedidos à hora do almoço é só um problema. Vários serviços prestados pela BN são afectados pela falta de funcionários. Lutando com cada vez maiores dificuldades para assegurar as suas funções mais elementares, a BN parece-me estar na situação daquele cavalo cujo dono decidiu dar-lhe todos os dias menos ração. A coisa a princípio ia muito bem, mas quando o cavalo estava já quase a habituar-se a não comer, morreu…

No tempo de Sócrates, a BN sofreu cruciais obras de ampliação e renovação que implicaram o (inevitável) fecho da sala de leitura por uns meses. Pois fizeram-se petições contra o fecho e a comunicação social foi invadida por gente histérica, intelectuais e aparentados, sobretudo aparentados, muitos dos quais não punham os pés na biblioteca, mas que acharam oportuno vociferar contra o governo. Quem fala agora em defesa da Biblioteca Nacional?

Foi você que votou nos vândalos?

Para além de concordar com o texto… Eu já aqui escrevi, há uns anos atrás, que apesar de não concordar com algumas opções políticas de Sócrates, em matéria de crescimento da dívida pública Sócrates não tem a culpa que o PSD lhe põe nos ombros. De facto, olhando para a trajectória de crescimento da dívida, a tendência de crescimento (exponencial) da mesma vem do tempo do último governo de Cavaco Silva. Basta fazer um gráfico logaritmico da dívida, que logo esse facto se torna evidente.

Por outro lado… será que a actual consolidação orçamental é mesmo real? Isto apesar de toda a fanfarra laranja, que assim vai tentando dar sentido ao enorme custo social da mesma. Será que as finanças públicas se tornaram sustentáveis? Os números, na verdade, não favorecem o governo de Passos Coelho. Eis uma reflexão que deveria ser feita com seriedade, evitando-se a propaganda baseada em bodes expiatórios ou em europeismos ingénuos.

O europeismo ingénuo lusitano tem sido aquele sentimento de que queremos ter para nós todos os confortos da Europa do Norte, mas sem entender como configurar a nossa economia (que é, ou era, a de um país emergente) para os poder alcançar. Aliás, nisso de não entender como lá chegar a direita é muito, muito pior, que o PS. O PS, como sabemos, sucumbiu ao erro da moeda única. Mas não sem Vitor Constâncio, então Secretário-Geral do PS, de facto ter dado luta. Por outro lado, o PS tem a noção da importância do desenvolvimento social e humano de uma sociedade. Como hoje se observa, tal noção é algo que sempre iludiu o PSD e o CDS profundos que são, aparentemente, herdeiros dos temas políticos anti-revolucionários liberais: miguelistas, sidonistas, salazaristas, etc.

Assim, o pensamento europeista da direita nacional é como o pensamento pró-romano dos germânicos do século V que, também eles, desejavam tomar posse dos confortos romanos. Mas, apenas com saques a Roma e à sua economia, nunca puderam alcançar o que tanto almejavam. O europeismo ingénuo poderá levar a nossa nação à ruína. O nosso mal tem sido o de que muitos dos programas políticos do chamado “arco do poder” assentam na exploração ad nauseam dessa pulsão simplista dos portugueses.


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Oferta do nosso amigo joaopft

Irra!

Síntese lapidar! Estava ao lado da Isabel e senti/pensei o mesmo. Obviamente os que condenam a uma velhice miserável milhares de reformados não vacilam face a propostas como a ontem derrotada. Com uma diferença: no OE o voto é vinculado; e aqui tb, mas com uma capa cínica de liberdade de consciência.

Lobo de Ávila reencarnou o deputado Morgado, o do truca-truca sinalizado pela verve da Natália, no seu tratado do pensamento totalitário em 2m (bem apanhado, IM). Mas Montenegro ofereceu no mesmo formato um tratadito do cinismo, meticulosamente manuscrito em 3 cartõezinhos que declamou com ênfase meli-melo, jurando que não sabia, repito não sabia o desfecho da votação. Careca de saber, já que tinha apertado os parafusos da consciência dos soldados laranja, proibindo-os de sair (a via da abstenção tímida), pressionando um a um, uma a uma, as almas que tinham tido a má ideia de, há meses, votar sim na generalidade (” ao menos, recuem para abstenção”) ou de se absterem (“vá lá, com um esforcito, recuem para o voto contra!”). Posto o que, com uma serenidade espectral, proclamou não haver bancada onde reine maior liberdade de consciência.

Irra! É preciso topete para fazer este número diante das futuras vítimas!

Há uma dimensão ética no combate político, muito avivada quando se tem de ouvir isto com certeza de que é prelúdio de uma sacanice.

A luta continua!

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Oferta do nosso amigo José Magalhães

O Virgílio é boa gente

A minha licenciatura católica demorou bastantes anos a tirar, baptismo, primeira comunhão, profissão de fé e, finalmente, crisma mas, tal como outras tantas licenciaturas por aí, não me serve para nada, não exerço, pronto e ponto. Pior ainda, não exerço e há muito que esqueci tudo o que me ensinaram tendo até desenvolvido alguma alergia às pessoinhas da igreja e à igreja das pessoinhas. Dito isto, assim em espécie de disclaimer, quero aqui defender, publicamente e cheia de convicção, o Virgílio.

Encontrei o Virgílio há uns dois meses numa espécie de almoço popular na mais pequena das aldeias do concelho. Tinha ouvido falar dele aqui em casa, que andava por cá naquilo a que chamavam de visita pastoral, mas que ele era gente estranha, não se dava com as beatas do costume, tinha passado a primeira noite com os homens do lixo, almoçado na cantina municipal, as visitas que fazia eram de surpresa para fugir à pompa e circunstância da pequena província, jantava em casa de gente humilde e desconhecida dos ilustres da terra e iria encerrar a visita ao concelho na tal aldeia pequenina, e tantas vezes por aqui esquecida, com uma almoçarada popular no Largo da Igreja. A pedido do Virgilio a ementa devia ser simples e igual para todos, nada de cabazes de gente rica armados em mete nojo ao lado do farnel de broa e couratos dos pobres. Hummm, gajo porreiro, cheira-me…. Fiquei curiosa, juntei-me com a empregada aqui de casa, sim, sou herege mas gente fina, peguei na minha mãe e nas minhas filhas e fui ao almoço do Virgílio levando a única coisa que me tinham pedido, um bolo para sobremesa e mais o que não tinham pedido, uma enorme vontade de ir às falas com o homem.

Domingo de sol, adro da Igreja, mesas corridas, um porco a assar no espeto, alguidares de salada servida com a mão, pão a sair do forno, muito vinho e, lá pelo meio da populaça, sem um único ilustre ou doutor mais apessoado a acompanhar, de bucha na mão, um tipo extremamente alto, olhos azuis fulminantes e chapelinho vermelho ridículo equilibrado na cabeça. Peguei numa garrafa de carrascão, dois copos de plástico e fui medir tensas com o Virgílio. Um copo para ele, outro para mim, beiças vermelhas do tintol e a primeira pergunta a sair disparada – por alma da santa, como consegue segurar essa coisa na cabeça? O Virgílio atirou a cabeça para trás numa gargalhada, a coisada vermelha não mexeu um milímetro, e tentou explicar-me que talvez fosse a careca a segurar a mitra, mitra, era isso, mitra! e por baixo da mitra, escondida dos olhares dos crentes, estava a careca salvadora que prontamente destapou. Sem lhe dar espaço para respirar e aproveitando a boleia achega-se a minha filha adolescente e bruta que nem casas quer saber se Virgílio quando foi para padre já era com o fito de chegar a bispo, nova gargalhada e a resposta pronta, é bispo porque nem para padre serve, não sabe fazer mais nada. Temos gajo, habemus conversa. Continuámos por ali fora, conversa mais ou menos séria, vinho à mistura, gordura da febra a escorrer pelo queixo. Gostei do tipo, era fácil de conversar. E o porco estava bom, e o pão estalava e o vinho escorregava.

Val, estás enganado. O Virgílio é boa gente, está longe, muito longe, da igreja ortodoxa, tradicionalista, fechada que conhecemos e acredito que, por aqui, tenha encontrado boa gente também, mesmo que enxertada em corno de cabra como eu. O Virgilio foi optimista, quis deixar uma palavra de esperança na entrevista que deu? Sim, foi, mas ele é bispo e, pelo que diz, tem de ser sempre bispo porque mais nada sabe fazer e a fé das gentes para quem fala tem de ser feita, sobretudo, de esperança.

(Virgílio, bacano, gostei de ti, não ligues ao Val, ele nunca bebeu uns copos contigo)

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Oferta da nossa amiga Teresa

Contra badocos

Sempre te leio com grande prazer, por desfrute pessoal, e posso dizer que é justo valorizar a quem sabe dar tão bem amanho, qual alfareiro o barro, as palavras da lingua portuguesa. Ora bem, não é só quem sabe repartir palavras como semente de centeo numa leira, o que escreve bem. Escreve bem quem saber dizer muito em pouco e quem sabe colocar as palavras para fluirem sob o texto resbalando sossegadas à olhada do leitor.

Leio-te por isso e sob de tudo por post como este. Cheio de força social, pungente, que nos deixa ficar contentes con nós e agir para irmos contra badocos. Pôr ajudarnos á andar de olhos abertos, e por saber fazer da tua palestra virtual um altofalante contra à imbecilidade e à insensibilidade.

Acredito em quanto dizes, aliás sinto-o tal qual o dizes. Ouví o personagem na TSF, reli à escrita e o teu comentario e gostei mais uma vez que alguem dixera como a min me gostaría dar uma resposta a tão grande palhaçada.

O homem acha que teve um bom pensamento, que nos engana a todos, que teve uma ideia feliz, que ele pode converter o dor em alegrías. Com segurança, ele não está a sofrir no seu ámbito familiar tal diáspora. Como se isso fosse bom para o país, para os jovens, para as familias. Só lhe faltou dizer também que é bom porque se conhece mundo e isso abre à mente das pessoas. Sim que é bom conhecer mundo pero a ser possivel, não servendo cafés em Londres um engenheiro, ou lavando carros em Berlim um psícologo, ou trabalhando no Carrefour portando caixas um economista. Tudos eles gastaram muitos cartos o país e os paes, e à sociedade deu-lhe umas expectativas convertedas num falhanço.

E isso bom?. Numca poderá ser bom, será inevitavel, e haverá que lutar para sairmos adiante e que esta diáspora educativa poda dar-se a se mesmo e a sociedade o que sería desejo de todos.

A diáspora educativa é muito grande para que chegue algum día á terra prometida da prosperidade, como o nosso Duque gosta de dizer. Iste cavalheiro será mais um dos que cheiram o lucro em tudo o que bule perto deles, e principalmente o aparecer a desgraça colectiva. Concordo que mamou na oligarquía e despreço porque não pertece a sua caste, principalmente pelos pobres que o rodearam na sua vidinha. O que tal vez não sabe, ou sim que sabe, que ele está bem assentado numa sociedade na que o seu engorde vai sempre depender da fome de outros, embora parceiros de caminhada. Como se não explicar-nos-emos que em Espanha, por ponher como exemplo, o número de grandes fortunas aumentou um treze por cento dende o principiar da crise?.

A diáspora educativa e uma tragedia que vivimos no nosso arredor. E uma tragedia que não sabemos ainda valorizar. São custos que serão vistos lá num longo tempo e se escreva nos livros de Historia. Os países que sempre tivemos diáspora,os galegos sabemos disso, sempre achamos que numca sería como agora e que leva esse nome tan eufemístico de educativa. Na nossa sociedade houve, há, um falhanço.

Andivemos a educar, a formar os jovens e os melhores, os que podem fazer evoluir na investigação, na tecnología no desenrolo, tenhem que ir fora procurar sustento, nem fortuna. E não todos vão a fazer aquilo para o foram formados,¡o desgraça!.
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Oferta do nosso amigo reis

Diziam que ele só queria era o malvado do TGV e os terríveis aeroportos, e a gente acreditou-se, prontos….

Não querendo meter a colher em discussão alheia, sabendo-se que muitos lêem estes comentários sem nunca se pronunciarem, gostaria apenas, não estereotipando conceitos, de perguntar a José Soares Pinto por que razão fala ele de «Auto-estradas que se pagavam [a] elas próprias, a festa da parque escolar, as energias renováveis, o investimento público mandado por Bruxelas, etc.…», a propósito de Sócrates, quando haveria tantas outras coisas de que poderia também falar?

Por que motivo só se invoca Sócrates a propósito destas e doutras coisas, como as PPP’s, o TGV, o Novo Aeroporto de Lisboa, ou o Aeroporto de Beja, sabendo-se que tudo isso já vinha de MUITO ANTES DE SÓCRATES, quando haveria coisas muito mais relevantes a falar sobre os seus Governos?

Estamos aqui a falar, creio eu, sem interesses não declarados, como Cidadãos interessados em falar verdade e com genuína preocupação com o Futuro do seu País.

José Soares Pinto, a minha pergunta concreta para si é: não considera mais relevante para caracterizar o tempo de José Sócrates à frente do Governo português a redução do défice do Estado para menos de 3% – quem o conseguiu antes dele, nas mesmas condições de normalidade? Ou a taxa de desemprego de Portugal nesse tempo? Ou os indicadores de esperança média de vida? De qualidade da Educação? Da (inexpressiva) Emigração? Do nível de Impostos? Ou dos próprios valores do PIB/capita?

Pense assim: se vir dois homens à sua espera para, por exemplo, uma qualquer reunião executiva, um de fato cinzento e gravata, com os documentos metidos numa pasta de pele, e outro de bermudas e sandálias, com a papelada à solta dentro de um saco do “Continente”. O primeiro tem uma ferida na testa com um penso, o segundo não.

Qual a descrição que irá fazer deles? “Tive hoje uma reunião com dois gajos, mas um era um energúmeno que parecia ter andado à porrada e o outro era uma pessoa normal”, é isto?

Já tentou fazer uma análise isenta, desapaixonada e séria aos dois períodos históricos que Portugal viveu mais recentemente, os Governos de José Sócrates e a era Passos Coelho? Faça-a. E depois tire as suas próprias conclusões.

Não tenha medo, pode sempre continuar a odiar o Sócrates à sua vontade. Emoções e raciocínos não têm que se contaminar, como bem sabe…


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Oferta do nosso amigo Odisseu

Um país expulso de um orçamento

Lê-se o OE e falta lá uma variável: Portugal. Já faltava na receita da troica elevada a programa de governo de cariz religioso, o “ir além” do acordado, roubar dois subsídios e duas pensões, desígnio “insultado” pelo Tribunal Constitucional (TC). A religião insistiu nos alvos fáceis, e mais uma vez o roubo, rouba-se uma pensão e um salário, aos mesmos, os diabos, os funcionários públicos e os privilegiados, os pensionistas, gente que se chama “despesa do Estado”. Junta-se um colossal aumento de impostos que atinge todos e, em dose dupla, os tais roubados: o desígnio é novamente “insultado” pelo TC.

Corta-se no RSI, faz-se de uma prestação social uma “remuneração” e põe-se o “peso morto da sociedade” a trabalhar sem salário na Administração Pública, a tal que tinha funcionários a mais, pois, o que certamente será uma ideia mais vendável com esta medida que, no século XXI, reintroduziu a escravatura em Portugal. Alteram-se os regimes jurídicos das prestações sociais – não foi só cortar, foi humilhar – de maneira que o ónus de demonstrar tanta coisa que está demonstrada no sistema informático do Estado é do cidadão, presumivelmente aldrabão, e que perde os seus 200 euros ou 100 porque não entregou o papelinho de difícil decifração.

A receita da austeridade pela austeridade teve resultados desastrosos, como sempre teve noutras experiências históricas. Mas persistiu a ligeireza de quem defende a lei dos despejos, a extinção de juntas de freguesia, o aumento do preço de transportes, as falências diárias, sempre sem uma pálida ideia de quem é o cidadão que ficou algures sem amparo, enterrado na acumulação de medidas que não o deixam ver no horizonte a sua pertença ao Estado, a sua ida a uma consulta, a sua condição de pai de bolsos vazios, nada para ajudar os filhos, desempregados, emigrados, persistiu a ligeireza de quem ou é fanático ou não conhece o país real ou sabendo da desesperança não é empático ou, pior, de quem é tudo isso. As palavras mentirosas para dizer a verdade que tem o nome de “desemprego”, de “despedimentos”, de “cortes retroativos de pensões”, são palavras de uma estética agarrada a regimes de má memória.

Um dia, Vítor Gaspar deu a estratégia por falhada. Mas continuou-se. Sem reforma do Estado, sem projeto: uma prostituição intelectual. Ideias avulsas: flexibilizar ainda mais a lei laboral, sem um estudo a dizer que isso é coisa que gera postos de trabalho, mas porque sim, e aumentar ainda mais o período dos contratos a termo, o contributo do ministro “democrata-cristão”. Tal como na “mobilidade”, o TC tramou o Governo, porque está sempre, sempre, tudo bem até às decisões do tribunal cuspido pela comissão europeia sem um sobressalto de quem diz representar uma pátria.

Por tudo isto este OE nasce morto. É que Portugal não está lá inscrito. O Portugal que sacrificou mais de 5.000 milhões de Euros para uma consolidação transformada em recessão. O mesmo défice, uma dívida pública a subir e mais 54 mil desempregados. A reforma do Estado de Portas está nos 4.000 milhões de Euros de novas medidas de austeridade, presume-se. E então volta-se à carga aos diabos e aos dispensáveis: cortes nos rendimentos dos funcionários públicos e cortes retroativos de pensões, a partir de 600 euros, boas notícias, dizem, porque anunciam os que se safam, celebrando assim a miséria e a divisão incutida na sociedade.

Ouve-se gente a agarrar-se a banalidades: não há direitos absolutos; não há princípios constitucionais absolutos; o TC tem de ter em conta o contexto. É verdade e o TC frisou o contexto atual em todos os acórdãos que zangam “democratas”. Coisa diferente é dizer-se que o TC não pode declarar normas inconstitucionais seja em que contexto for, porque o princípio que alguma gente tem na cabeça é outro: estão convencidos de que a interpretação que o Governo faz, através de leis, do tal contexto e das medidas que tem por adequadas é um princípio supraconstitucional. Não é coisa nenhuma. Eu sei que tentam, mas o Portugal expulso do OE é uma democracia.

O país não merece isto. Merece uma política nova e palavras antigas, como respeito e dignidade.

No Público de hoje

Se isto é o mal menor, Pedro Tadeu

Comentando a entrevista de Sócrates ao Expresso, Pedro Tadeu escreve hoje no seu artigo de opinião no DN que o ex-primeiro-ministro foi vítima da teoria que defende, segundo a qual governar é quase sempre escolher o mal menor. Pois bem, segundo Tadeu, em 2011, os portugueses não elegeram Sócrates porque puseram em prática uma teoria semelhante e escolheram o mal menor, restabelecendo-se assim a harmonia universal que, pelos vistos, convém à sua consciência. Não duvidando que Pedro Tadeu votou escolhendo o Bem Maior, provavelmente o Partido Comunista, muito gostaria que o jornalista explicasse o quão menor mal foi a alternativa escolhida pela maioria dos portugueses. Muito conformado está este jornalista de esquerda. Mais do que isso. Parece que gosta. Ou antevejo um sorrisinho nervoso?

Eis, no seu esplendor, os últimos parágrafos:

Mas a “ética da responsabilidade” do político, o imperativo ditado pela medição previsível do que produz mais felicidade do que sofrimento implicava – acharam, nessa altura, todos os outros, unânimes – o derrube do Governo. O “chefe democrático que a direita sempre quis ter”, nesse dia, era o produto do mesmo “cálculo do mal menor” que tanto o inspira.

O estudante de Filosofia, sem ética da convicção e sem imperativo categórico, não devia, portanto, queixar-se do resultado final, lógico, da sua tese teórica.

Da quinta-coluna

Na rentrée, Passos deu o mote no comício aos Jotas com os conselhos de bom senso ao Tribunal Constitucional, Nessa altura, tivemos também a rábula pulha sobre os desempregados e a Constituição. Depois, a capa do Expresso com a chantagem do cheque da troika sobre o Tribunal Constitucional. Seguiu-se o spin internacional – via associated press e outros, veiculando a ideia de radicalismo do Tribunal Constitucional.

Na campanha das autárquicas, Passos veio associar o eventual chumbo de normas do Orçamento de Estado pelo Tribunal Constitucional a um segundo resgate. Entretanto, Portas e sus señoritos reforçam a ideia e dizem que tal implicará igualmente um pacto constitucional para retirar qualquer obstáculo às medidas da troika. De seguida, o “nosso” Durão subiu a parada com a ameaça do “caldo entornado” (como se vê dá imenso jeito ter um português na Presidência da Comissão Europeia, não é?). Agora, a crítica ao “ativismo político” do Tribunal Constitucional por parte de mais um obscuro funcionariozeco português de Bruxelas, daqueles que – tal com os estarolas radicais do Banco de Portugal – têm os seus ordenados protegidos do tsunami austeritário que está a destruir Portugal.

Tudo para condicionar a ação do Tribunal Constitucional, neste momento, o último garante da efetiva independência política de Portugal, a última sede de soberania de Portugal. Com um Presidente da República comandado por controlo remoto pelo Governo e instituições europeias, uma comunicação social em larga medida submissa e/ou condicionada pelos grupos económicos dominantes, com uma oposição liderada por uma nulidade genérica de marca branca, a população portuguesa, já de si com uma intervenção política passiva ou muito pouco informada, encontra-se num estado quase catatónico, conformada com o retrocesso civilizacional que os “senhores da televisão” lhes dizem ser o único caminho possível para finalmente podermos voltar a ser um “País de bem”, empobrecendo cada vez mais para conseguirmos pagar uma dívida cada vez maior.

Mais tarde ou mais cedo, Passos ou Marco António Costa, no seu estilo destrambelhado, ou Maduro, no seu estilo mais viscoso, atravessarão o que ainda falta (ainda falta?) do Rubicão Constitucional, com novas intervenções que colocarão definitivamente em causa o Tribunal Constitucional, coagindo de forma objetiva o livre exercício da sua ação e incorrendo mesmo num crime punível por lei. (Artigo 10.º da Lei n.º 34/87, de 16 de Julho “Crimes de Responsabilidade dos Titulares de Cargos Políticos”, Coacção contra órgãos constitucionais – 1 – O titular de cargo político que por meio não violento nem de ameaça de violência impedir ou constranger o livre exercício das funções de órgão de soberania ou de órgão de governo próprio de região autónoma será punido com prisão de dois a oito anos, se ao facto não corresponder pena mais grave por força de outra disposição legal).

O Tribunal Constitucional é, pois, neste momento, o último grande adversário antes de se conquistar Roma… Compete a todos os democratas que acreditam que Portugal deve continuar a ser um Estado de Direito independente denunciar estas pressões e ingerências brutais e inadmissíveis do Governo e das instituições europeias sobre o Tribunal Constitucional. Até porque, se o Tribunal Constitucional acabar por capitular, esta história, tal como em Roma, vai acabar mal, muito mal para todos nós…

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Um colectivo de realizadores anónimos sírios, os confrontos do verão passado no Egipto, os movimentos sociais na Turquia e no Brasil e a lei contra a propaganda gay na Rússia são algumas das realidades abordadas na secção que o Doclisboa estreou no ano passado – “Cinema de Urgência”.