Estás aqui, estás a levar uma cabeçada!

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Há um fenómeno que me intriga na internet e nos blogues: as transformações psicológicas que os seus autores sofrem. Lendo amigos e desconhecidos, verifiquei que se dá uma transformação similar aos condutores de carro quando protegidos pela quentinha armadura do carro ganham palavrão fácil. Tenho estimáveis amigos que rompem o casulo habitual das pacíficas criaturas e aparecem com ademanes de Rambo. Ligados à rede, não há violência verbal ou possível violência física que não sejam capazes.
Quando leio, nos blogues, textos que prometem tabefes e bengaladas penso sempre num velho professor de Judo que tive, o mestre Vasco. Certo dia, estávamos à espera dele, já tinham passado 20 minutos da hora do início do treino. O mestre chegou afogueado e bastante alterado como se tivesse corrido a maratona. Perguntamos preocupados: mestre o que sucedeu! Contou-nos que tinha discutido com um homem numa paragem de autocarro, palavra puxa palavra e o sujeito tentou-lhe dar um murro. E nós ainda mais preocupados: mestre o que é que fez? Projectei-o sobre o ombro e atirei-o ao chão, disse o experimentado judoca. E nós todos em coro: e a seguir? A seguir, respondeu o mestre serenamente, dei-lhe um pontapé e fugi não fosse o gajo levantar-se.

5 comentários a “Estás aqui, estás a levar uma cabeçada!”

  1. É o problema do judo. Também o pratiquei e nas poucas “brigas” em que participei tive sempre esse problema – atirava o outro ao chão e depois? O gajo não se tinha aleijado e ameaçava bater-me quando o largasse! Essa ideia do pontapé e fuga em seguida é muito boa!

  2. O tae-kwon-do é muito mais jeitoso. Quando se atira um gajo ao chão, ele já não fica em condições de se levantar.

  3. Estou a ver que o judo é uma modalidade comum à blogosfera. Eu próprio pratiquei judo durante vários anos, mas acabei por desistir a favor de uma (gorada) tentativa de afirmação no futebol. Agora, com a idade, limito-me aos desportos de ginásio e aos privilégios do capitalismo. A vantagem de praticar desporto é que se aliviam as tensões de uma forma saudável, evitando a necessidade de desabafar com as teclas, dedilhando ferneticamente tudo o que nos vem à cabeça.
    Um grande abraço,
    Rodrigo Adão da Fonseca

  4. Gostei da expressão “quentinha armadura do carro”. Dada a minha condução dentro dos limites da legalidade, irrito muito condutor com o pé pesado. Ainda hoje uma senhora de cabelo armado, pendura, me gritou qualquer coisa que acabava em “passear”. No outro dia, vi um senhor bem vestido num jipaço chamar “gorda” a outra que andava um bocado centrada. Quando alguém pastela nos passeios, em frente às montras, no shopping center ou no supermercado, onde for, ninguém lhe chama nada, não há insultos. As pessoas dizem “com licença” e ultrapassam. A seguir não dá jeito carregar no acelerador ou fugir, não vão eles levantarem-se.

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