Amnésia

Perguntou a revista NS’ (suplemento de sábado do DN) a António Mega Ferreira, director do Centro Cultural de Belém: «Qual foi o acontecimento do ano em Portugal?»
Respondeu António Mega Ferreira, director do CCB: «Não se passou nada de muito excitante, de facto. Não me lembro de nada marcante.»
Curiosa amnésia. Mesmo desvalorizando tudo o que aconteceu cá no burgo (da febre reformista de Sócrates à Presidência soft de Cavaco, da OPA da Sonae sobre a PT à morte de Cesariny), Mega sempre podia lembrar-se de algumas coisas que aconteceram à instituição que dirige: cortes substanciais do orçamento, perda do módulo de exposições para o Museu Berardo (em condições desfavoráveis para o CCB, que passa a ser uma espécie de montra dourada do espólio interessante, mas tematicamente limitado, que o comendador pretende valorizar a todo o custo), programação de espectáculos reduzida ao mínimo exigível e fim abrupto da Festa da Música, o acontecimento que mais espectadores trouxe a Belém nos últimos anos.
«Não me lembro de nada marcante», diz Mega Ferreira. Pois, pois.

1 comentário a “Amnésia”

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *