Confirma-se um caso invulgar – Gaspar desempenha em Portugal o papel de um Mario Monti, ou seja, um governante, um “técnico”, destacado pela UE, só que sob a cobertura democrática de um primeiro-ministro eleito. Estamos esclarecidos sobre o papel de palhaço do Passos.
Arquivo mensal: Abril 2013
Os “swaps” – tanto talento, Fernando Medina
Testa aqui o teu QI*
Lê o texto abaixo e diz-nos de tua justiça: é de direita ou de esquerda? Ou não será nem de uma coisa nem de outra?
A consolidação orçamental delineada neste [XXX], ao criar um quadro de estabilidade e sustentabilidade financeira, robustece os “fundamentais” macroeconómicos e gera maior confiança na nossa economia. As políticas estruturais em que assenta a sustentabilidade desta consolidação orçamental permitem, por sua vez, promover a Ciência, a Tecnologia e a sociedade da informação, melhorar a qualificação dos portugueses e, através de uma profunda reforma da administração pública, reduzir a burocracia e simplificar o sistema fiscal. Criam-se, assim, condições para um ambiente no qual a iniciativa privada, dos cidadãos e das empresas, possa afirmar-se cumprindo o seu papel primordial e incontornável no relançamento da economia, identificando oportunidades, assumindo riscos, investindo e criando emprego. Só com este contributo decisivo será possível colocar de novo Portugal na rota do desenvolvimento económico e da coesão social, uma rota que nos aproxime dos padrões, mais elevados, da União Europeia.
*QI: Quociente de ideologia
Tradutor Google
Nos tempos que correm, traduzir de qualquer língua para uma língua qualquer é quase tão fácil como ser convidado para secretário de Estado deste Governo. Basta usar um tradutor jeitoso e é uma limpeza. Isso quer dizer que já não há desculpa para, por exemplo, deixar de ler artigos em inglês. Como este, “Psychotic Individualism”, o qual é mais um pertinente retrato da decadência da actual direita.
A imbecilidade também afecta os muito inteligentes e muito engraçados
Gaspar é surdo?
Não sei se o Gaspar ouviu isto e, se ouviu, o que pensa fazer no(s) próximo(s) Conselho(s) de Ministros. Extraordinário(s) e dedicado(s) aos cortes. Também não sei se Schäuble se referia à economia espanhola, alemã ou europeia em geral. Nada é claro nesta Europa às aranhas com preconceitos, fantasmas, heranças genéticas de grandeza e uma crise bancária.
Se se refere à economia espanhola, não se percebe por que razão não é Portugal contemplado por um programa bilateral semelhante, urgente, que não espere pela Comissão, pois se há economia deteriorada é a nossa. Também não se percebe a razão de mais cortes.
Se se refere à economia alemã, ah, ah, os ratos entraram nos aposentos reais e o rei teve que saltar da cama.
Seja como for, há motivos de sobra para suspender o Conselho de Ministros.
Atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher
Podemos perder votos, mas não vendemos ilusões. E é esta cultura que queremos levar para o novo Governo de Portugal. Uma nova cultura do exercício do poder, um princípio que já aplicamos hoje na oposição: o de não prometer nada na oposição que não tenhamos a certeza que não possamos vir a fazer quando formos Governo. Honrar as promessas feitas é o melhor contributo que temos a dar para aumentar a confiança dos portugueses no sistema político. […] Só através do bom exemplo – e como está carenciada a vida pública portuguesa de bons exemplos por parte dos governantes e dos políticos… – nós podemos aspirar a merecer a confiança dos portugueses.
Seguro, discurso de encerramento do XIX Congresso Socialista, minuto 35
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O actual secretário-geral do Partido Socialista não poupa na farronca: anuncia-se como o “bom exemplo” para o conjunto dos governantes e políticos portugueses. Antes dele, a miséria moral. Com ele, a salvação messiânica. Uma consulta rápida à memória confirma que esta auto-confiança e apreço por si próprio constitui o núcleo principal da sua visão para a sociedade. Na prática, o que Seguro pretende é viver rodeado de indivíduos que lhe confirmem através de movimentos basculantes da cabeça e palmadinhas nas costas que sim, que é ele e só ele quem dá os bons exemplos.
Há dois anos, no XVIII Congresso, Seguro prometeu obrigar os membros do secretariado nacional do PS, assim como todos os candidatos socialistas às futuras eleições autárquicas, europeias e legislativas, a assinarem um código de ética. Nunca mais se ouviu falar desse documento, daí não se saber o que poderia conter, mas à partida seria um manual para que qualquer dirigente, candidato e militante pudesse dar bons exemplos sem ter de estar sempre a perguntar ao Seguro como se faz. O desaparecimento de tão valioso código está envolto em denso enigma. A menos que se trate já, afinal, de um daqueles exemplos bons com que Seguro vai trazer para a sua base de apoio as multidões desiludidas com a política. De facto, o problema de termos muita gente a dar bons exemplos é o de isso gerar uma indiferença generalizada. O povo deixaria de valorizar o esforço, acabando por se afastar. “Não”, pensou Seguro, “que se lixe a imposição de um compromisso de honra à rapaziada – tenho de ser eu a mostrar o caminho, a conduzir as massas, a suportar sozinho o homérico peso da exemplaridade”.
No fundo, tudo se resume ao princípio proclamado com pompa:
não prometer nada na oposição que não tenhamos a certeza que não possamos vir a fazer quando formos Governo
Sejamos elevados o suficiente para esquecer que esta fórmula com três negativas quer dizer, se o plano ainda for o de respeitar a lógica, que estará em causa prometer na oposição apenas aquilo sobre o qual exista a certeza que não vai ser feito, e fiquemo-nos com o que, aparentemente, Seguro queria transmitir. Trata-se, segundo afiança, de “uma nova cultura do exercício do poder“, pelo que dá ideia de ser uma cena bué importante. Pelo menos, ficamos logo a saber que os anteriores secretários-gerais do PS não a perfilharam, caso contrário ela não seria nova, a estrear. Quem antecedeu Seguro na liderança do partido, garante Seguro ao partido que lidera pelo exemplo, andou a vender ilusões para não perder votos. Onde, quando e de quem é que ouvimos cassete igual?…
Há algo, ou há muito, de estouvado em conceber a governação como uma prova de apego a promessas eleitorais só pelo facto de terem sido apresentadas. Isso parece colidir com o princípio de realidade, e levado às suas consequências máximas acabava com a própria necessidade de um Governo. Contudo, Seguro não se atrapalha com estes aspectos mais aborrecidos da questão, e cá estaremos para ler o seu programa eleitoral a essa luz ofuscante. Lembremos, só para terminar o devaneio, a nobre inspiração que está na origem de tão ambicioso projecto de regeneração da política portuguesa:
A presidente do PSD criticou este domingo as novas promessas de apoio social anunciadas por José Sócrates, considerando que o secretário-geral do PS devia ter «vergonha» das promessas que fez e não cumpriu nos mais de quatro anos de Governo.
«Pois não só não tem vergonha como ainda por cima agora anuncia outras tantas promessas para depois não cumprir caso ganhe as eleições», afirmou Manuela Ferreira Leite, citada pela agência Lusa, que falava no decorrer na Festa de Verão do PSD de Vila Real.
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«Não prometo nada que não tenciono fazer e digo apenas aquilo que considero possível fazer e que está de acordo com as prioridades que o País enfrenta (…) eu como potencial responsável por um governo não devo, não quero nem faço promessas que não tenciono cumprir por não ter essa possibilidade», afirmou Manuela Ferreira Leite
Revolution through evolution
Are Women Our Most Undervalued Resource?
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Humans Feel Empathy for Robots: fMRI Scans Show Similar Brain Function When Robots Are Treated the Same as Humans
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Workplace Stress Poses Risk to Health
Apontamentos sobre um congresso
O maior elogio a Seguro veio ontem do respeitável Correia de Campos, embora no quadro de uma comparação de Seguro com o “panhonha sem alma” Passos Coelho. Grande elogio, sem dúvida, mas enfraquecido pelo termo da comparação.
Seguro, esse, continua a querer congregar pessoas de todos os quadrantes políticos.
Mas hoje pediu uma maioria absoluta do PS para governar.
E disse que, mesmo com essa maioria absoluta, quer governar em coligação.
Para fazer o pleno, só lhe faltou dizer que também quer estar na oposição.
O Passos Coelho ainda faz parte do Governo?
Nos últimos dias, os jornais têm dado notícia da guerra em que se transformaram os muitos Conselhos de Ministros, publicando os desabafos de alguns dos participantes. Não sabemos se são verdadeiras as notícias, mas o facto destas reuniões se terem transformado em autênticas maratonas e de apesar disso os porta-vozes das mesmas nunca terem nada de concreto para anunciar ao País revela que as notícias não devem andar muito longe da verdade. Segundo os tais desabafos, de um lado da barricada está Gaspar e do outro Portas, que não concorda com os cortes propostos pelo ministro das Finanças. Apesar de não ser novidade, consta que a coligação tem estado “por um fio”, mas Portas não está sozinho nesta guerra, têm surgido nomes de ministros do PSD que estarão do seu lado.
O que não tem sido notícia, o que pelos vistos ninguém desabafa, é qual tem sido o papel do primeiro-ministro no meio disto. É como se não participasse nas reuniões, ou como se o que pensa não contasse para nada. Parece que está para o Gaspar como a Cristas e o Mota Soares estão para Portas, eles que resolvam. A coisa chega ao ponto de já nem ser o primeiro-ministro a assinar as cartas dirigidas ao líder do PS, mas sim o novo ministro-adjunto que, dizem as más-línguas, está muito próximo de Cavaco. Aparentemente, isto já não incomoda ninguém e é visto como normal neste Governo anormal, onde já são mais do que as mães os que mandam mais do que o primeiro-ministro. A verdade é que isto não é um Governo, é um bicho de sete cabeças, literalmente.
Exactissimamente
Socorro!
Depois do “balde de água fria” da intervenção de Sérgio Sousa Pinto, os elogios de Álvaro Beleza.
O dirigente socialista dirigiu um voto de confiança a António José Seguro: “Conseguiste unir o partido, vais unir o país”, disse-lhe. Para, depois, o classificar como “honesto, dedicado, humano, rigoroso, atencioso”. “Um homem de caráter execional”, resumiu.
Seguro comoveu-se.
Já nada nos surpreende, mas mesmo assim
É estranho que o Governo precise, através de Poiares Maduro e Álvaro Santos Pereira, de chamar o PS para um diálogo com vista a um consenso sobre crescimento. Crescimento, repare-se. Provavelmente a única matéria no mundo que suscita o consenso nacional, planetário, galático e até universal, pois sabe-se que até o universo se encontra em expansão.
Dir-se-ia que um governo com maioria absoluta apenas apelaria à colaboração do maior partido da oposição caso precisasse de garantir uma certa paz social para aplicar medidas difíceis e impopulares e fosse forçado a garantir a vigência dessas medidas para além da legislatura por imposições externas, dado estar em curso um programa de ajuda. Chamar o PS para subscrever medidas de crescimento é, no mínimo, desnecessário e sem virtude aparente. Pelo que o mais certo é tratar-se de uma estratégia assente em esperteza saloia.
Suponhamos que Seguro aceita dialogar e até subscrever as medidas em causa. Seria esse gesto interpretado como tendo igualmente subscrito os cortes que se anunciam a todo o momento, embora tardem? Para efeitos de Troika e de paz social, são afinal esses que importam.
E se, para precaver tal interpretação a todos os títulos abusiva, Seguro recusar o convite? Passará a ser acusado de não querer medidas para o crescimento? Aí temos que rir, mas, do que conhecemos do personagem, seria útil Seguro ser aconselhado, para a resposta, por gente inteligente.
Ou será que, indo ainda mais longe, uma vez entrado em São Bento atraído pelo isco da discussão sobre crescimento à volta de umas torradas, a ideia seja sequestrar o homem até ele assinar a próxima austeridade do Gaspar?
Aguardemos, pois, para ver se o Tozé quer mesmo ir lanchar com os meninos daquele Jardim Infantil. Fazer amigos, sei lá.
Em declarações aos jornalistas à entrada para o XIX Congresso Nacional do PS, que decorre no Europarque, em Santa Maria da Feira, o secretário nacional dos socialistas para a organização declarou que se o “convite é sério não faz sentido que se meta nos jornais antes de o interlocutor responder”.
Memórias da coligação Passos-Gaspar
Nas muralhas da cidade
Para quem não milite num partido, nem simpatize com algum partido, nem seja evangelista nem sectário de alguma ideologia de funda convicção ou epidérmica adesão, e que, mesmo nesse abandono e plasticidade, se saiba e queira apaixonado pela cidade – o meu caso – a situação é esta e só esta:
– PCP e BE propõem um modelo de sociedade com laivos românticos, utópicos ou alucinados (riscar o que não interessa), o qual, em coerência, não lhes suscita qualquer exercício de demonstração de viabilidade. Se a fizessem, ganhariam logo as próximas eleições com 90% dos votos. Como não a fazem, contentam-se em boicotar a democracia e chularem a República, resignados e acomodados ao tribalismo que lhes dá a identidade e o sustento.
– PSD e CDS não propõem qualquer modelo de sociedade, pela simples razão de já se encontrarem a viver no seu modelo favorito, este em que detêm a superioridade económica, financeira e social. Só se preocupam, em coerência, com o projecto do poder pelo poder. Esta condição conduz inevitavelmente a uma decadência intelectual e moral, terreno fértil para a baixa política, a cultura da calúnia e a praxis conspirativa a que reduzem o “fazer política”.
– O PS propõe o cumprimento da democracia liberal, a qual é inerentemente um processo de ininterruptas reformas. As reformas são inevitáveis pelo próprio sucesso da liberdade democrática e pela ontologia do devir histórico, os quais geram constantemente estruturas e circunstâncias novas que pedem correspondente adaptação do regime e da comunidade. No PS encontra-se o melhor do legado romântico da esquerda com o melhor da tradição pragmática da direita. Daí o PS ser atacado à vez, ou em simultâneo, pelas extremidades do sistema dado ocupar o centro agregador da comunidade agente.
Ora, este é o retrato do bloqueio que nos faz mal. Não vemos nos protagonistas, em nenhum deles, as capacidades, sequer o intento, para alterar o status quo. Que fazer? Um desfecho benéfico seria o enfraquecimento do PCP e do BE até ao ponto em que uma de duas coisas acontecesse: ou aceitavam governar em democracia, passando a negociar soluções com o PS, ou desapareciam do Parlamento, acabando o seu disfuncional papel. Igualmente benéfica seria a chegada à liderança do PSD e do CDS de uma geração de líderes que recusasse a decadência e passasse a ter o interesse nacional no centro das suas prioridades. Muito provavelmente, essa alteração de cultura seria ela própria suficiente para longos períodos de supremacia eleitoral a sós ou em coligação com o PS dada a concentração de inteligências e vontades no desenvolvimento de propostas para o enriquecimento do País.
Se nada do que atrás foi exposto acontecer, e para aqueles que continuarem a querer honrar o seu estatuto de seres livres, a terceira alternativa é a de todos os tempos e lugares: saírem de casa, chegarem-se à frente de peito cheio e descobrirem nos vizinhos os amigos com quem vão lutar nas muralhas da cidade.
Vamos pegar o mundo pelos cornos da desgraça
Mas Cavaco alguma vez foi neutro?
Não percebo o espanto que para aí vai por causa do discurso de ontem de Cavaco. Até parece que foi a primeira vez que, em vez de discursar como Presidente da República, discursou como presidente do PSD. Menos ainda se percebe o espanto de alguns socialistas. Será que já esqueceram o nome do principal responsável pela queda do último governo socialista? Ah, espera, nessa altura a culpa da péssima relação entre Belém e S. Bento era do antigo primeiro-ministro e do seu lendário mau feitio. Portanto, Cavaco podia dizer o que quisesse nos seus discursos, afinal, estava a agir em legítima defesa.
Então e a culpa agora é de quem? Nunca se tinha visto um líder do PS tão bonzinho, tão responsável e, sobretudo, tão diferente do anterior. Coitadinho, não merecia isto. E ainda não viu nada. Mas já ficou com uma ideia de como seria liderar um governo socialista e ter de se deslocar semanalmente a Belém para reunir com o verdadeiro líder da direita.
Curtas, quentes e boas
I- Teorias e práticas
A atuação de Gaspar até pode basear-se em teorias e modelos económicos considerados ciência certa (e agora, ó desastre, dados como falsos). Mas a atuação dos líderes alemães nesta crise no que respeita aos países em dificuldades pouco tem a ver com elaboradas teorias económicas que explicam as recessões e o crescimento. Tem exclusivamente a ver 1) com a melhor maneira e a mais rápida de recuperarem o dinheiro emprestado e darem solidez aos seus próprios bancos, que também tinham alinhado nas práticas de casino, e 2) com a preservação do euro por enquanto, dadas as consequências catastróficas previstas, por enquanto, repito, para a Alemanha em caso de desmembramento do clube da moeda única.
Assim sendo, é utópico pensar que a queda em desgraça de uma certa teoria sobre a relação da dívida pública com o crescimento leve os alemães a reverem as suas posições e a inverterem o rumo da política europeia. A última coisa com que estão preocupados é mesmo com a maneira de pôr os países do sul a crescer. A primeira todos sabemos qual é.
II – Um líder encravado
Segundo uma sondagem divulgada hoje pelo jornal i, o PS de Seguro perde 8 pontos percentuais num só mês. Esta sondagem pode ser disparatada, eventualmente inventada ou, pelo contrário, estar muito correta e os inquiridos estarem apenas a atravessar um momento de mau humor. No entanto, confesso que me surpreendia o Seguro e o seu partido atual serem 8 pontos mais bem vistos do que Passos Coelho e o atual governo. Apresentar uma moção de censura e no mesmo dia escrever uma carta à Troika como que a pedir desculpa é de uma estupidez (mais uma) a toda a prova. Conviria o PS ter presente que, para o povo, se a política a seguir for a mesma, mais vale que o seu executor seja amigo íntimo do credor, sobretudo se este tiver garras.
III – Grau máximo da amizade é, pelos vistos, fazer figuras tristes só para defender um amigo
Manuela Ferreira Leite, no seu espaço de comentário de ontem, meteu literalmente as mãos pelos pés ao tentar não ver no discurso de Cavaco nada de contraditório com o que ela própria nos tem dito na televisão sobre as políticas do Governo. Quando abandonou o assunto «Cavaco e o discurso do 25 de abril», ficou outra e retomou a linha combativa anti-austeridade, sem se preocupar minimamente com as contradições. Chegará isto para ascender ao patamar de popularidade comentarista de Marcelo?
Mais um feriado para o galheiro
Os sabujos da linhagem de Miguel de Vasconcelos que acabaram com os feriados da Implantação da República e da Restauração da Independência – apenas e só para que dessa forma os “mercados” ficassem a saber que tinham a sua gente a tomar conta da piolheira e disposta a roer os ossos dos portugueses – conseguiram destruir mais um feriado: o 25 de Abril.
Em 2013, a maioria dos deputados presentes no Parlamento para a sessão solene de comemoração dos 39 anos da “Revolução dos Cravos” aplaudiu e aclamou com urros e espasmos mais um comício do Golpista de Belém. Disse esse activíssimo e poderosíssimo reformado que as eleições são um instrumento ultrapassado, inútil, face à superioridade da Troika. O que a Troika quer é o que deve ser feito, mesmo quando o que quer está errado, e até muito errado. Por exemplo, explicou aquele que alguns reconhecem como primeiro magistrado da Nação, a realidade mudou muito, tanto que em dois anos os pressupostos do Memorando perderam sentido. Que pode fazer o Governo de Portugal nessa ingrata situação? Segundo o homem que desconfia da segurança dos seus emails, nada de nadinha de nada. Já ele, o Comandante Supremo das Forças Armadas, está em condições de resgatar a honra perdida. Ora pasme-se com a bravura:
Assim, alguns dos pressupostos do Programa não se revelaram ajustados à evolução da realidade, o que suscita a interrogação sobre se a «troika» não os deveria ter tido em conta mais cedo.
Pimba. Tomem lá uma interrogação. Catrapau. É desta fibra a nossa direita, aprendam. Ah, vocês da Troika estão a dar cabo disto tudo porque nem sequer com a realidade conseguem atinar? Então, olhem, vamos interrogar-nos acerca disso… E depois não se queixem… Estamos a avisar, ok?… Ok???…
Antigamente, o 25 de Abril servia para reviver na comunidade o ideal de soberania, democracia e liberdade onde já nasceram duas gerações de portugueses e têm vivido milhares de imigrantes. Agora, o 25 de Abril serve para o Presidente da República ir à Assembleia da República informar os deputados da suspensão de um país chamado Portugal – e já não por 6 meses mas por tempo indeterminado.
Cidadãos avisados começarão de imediato a recolher assinaturas para que em 2014 o feriado seja oficialmente abolido de modo a não voltarmos a passar por tamanha humilhação.
