Não se arranja uma licença sabática de 1 dia, ou tão-só de 5 minutinhos, para que Paulo Portas possa vir espalhar o legítimo pânico entre a população a respeito da actual falta de controlo alimentar?
Arquivo mensal: Julho 2012
Como não adorar a Alemanha?
São fantásticos. A circularem na loja de porcelanas que é a Europa, batem um elefante aos pontos. Prova de que há sempre uma terceira vez, quase cem anos depois da primeira.
Na dívida de Itália, a maior subida verifica-se nas obrigações a dois anos. A taxa implícita nestes títulos sobe 19,6 pontos base para 3,946%, enquanto a das obrigações a cinco anos ascende 8,6 pontos base para 5,463%. No prazo de 10 anos, a subida é de 5,1 pontos base para 6,079%.
A impulsionar a “yield” das obrigações dos dois países que se têm debatido para contrariar o risco de contágio da crise orçamental estão declarações de um porta-voz de Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças da Alemanha.
“O novo mecanismo não dispõe de tal licença, e não vemos necessidade de a ter”, disse em Berlim um porta-voz do ministro Wolfgang Schäuble, comentando assim notícias de que sobretudo a França e a Itália avançaram com esta iniciativa, para que o MEE tenha um capital praticamente ilimitado.
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Mãos amigas
Diz Paulo Rangel hoje no Público que a utilização de linguagem “menos cuidada ou rude” ou de “muletas de vulgaridade” por Passos Coelho é, ou pode ser, uma estratégia deliberada de comunicação. Não concordo. Sobretudo porque tal implica a existência na personagem em causa de uma capacidade de comunicação já não digo erudita mas sustentavelmente correta, que seria deliberadamente abandonada. Tal capacidade não existe.
A expressão “pôr porcaria na ventoinha” utilizada na Assembleia, o “saem-nos do lombo” (os sacrifícios) ou “a barata tonta” (que o governo não pode ser se quiser chegar a algum lado) são formas de falar espontâneas, aliás, nunca são lidas, na realidade as únicas que afloram àquela cabeça inculta e «simples» sempre que necessita de usar uma imagem qualquer ou simplesmente terminar uma frase mais enredada, em que o esforço para «falar bem» e educadamente está a atingir os limites e os conhecimentos não dão para mais. Imaginamo-lo perfeitamente a trocar impressões com Relvas num registo similar. Com Relvas e não só, que aquilo na geração dos 40 do PSD é só diplomados «lusíadas» e «lusófonos». Estratégia deliberada? Nada disso. O que acontece é que, a posteriori, esta debilidade é transformada e aproveitada para enaltecer a proximidade do povo de tão fraquinho dirigente, demonstrada por esta via. Está à vista que é isso que os comentadores amigos fazem.
Tendo sido adversário de Passos na corrida à liderança do partido, mas não querendo hostilizar quem conquistou o poder, é o que Paulo Rangel faz com comovente ternura. Embora criticando este tipo de linguagem, arranja-lhe uma explicação elaborada, forçadamente elaborada, na qual nem ele próprio acredita. E nota-se.
E porque tem sido mais frequente ultimamente esta falta de polimento (a expressão “que se lixem as eleições” é apenas a última de uma série já longa)? Há duas explicações: ou porque, ao fim de um ano, o homem se sente mais à vontade, baixa a guarda e fala como em casa ou no restaurante (as sondagens ajudam), tendo-lhe sido penoso o esforço até aqui, ou porque está convencido de que, a par de lhe ser mais fácil, mostrando-se como é, o povo adere às suas políticas mais facilmente. Com a ajuda de Nuno Crato, arriscamos a que assim seja. E se assim for e as pessoas cegarem pela via auditiva, triste povo.
Arqueologia do “Como chegámos aqui?”
Gastemos 1 minuto a ler esta notícia:
A chave do seu significado está por cima da fotografia, à direita: 5 de Março de 2011. Estamos ainda a quatro dias da tomada de posse de Cavaco e na imprensa já se sabe que o PSD sabe que vem aí o PEC 4. Ao longo do mês de Fevereiro passaram por Belém todos os cromos mais difíceis da política nacional, incluindo Barroso, um cromo da política internacional. Assim, Cavaco sabia tanto ou mais do que o PSD. A situação era cristalina: nos idos de Março de 2011, o Governo português preparava uma solução com o alto patrocínio da Alemanha de modo a evitar que a indomável crise das dívidas soberanas conhecesse novo capítulo espectacular com mais um resgate que só iria aumentar o perigo sistémico para toda a Zona Euro. A direita portuguesa não podia deixar escapar essa oportunidade, pois a última coisa que suportariam era um Sócrates ufano de ter evitado a chegada do FMI à Portela. E a direita acreditava que ele seria capaz de o fazer, como esta maravilha comprova:
O presidente da Comissão Europeia comunicou privadamente ao líder do PSD que discordava por completo da estratégia do partido depois de Passos Coelho ter anunciado que era intenção dos sociais-democratas chumbar as medidas de austeridade do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) IV, apresentado pelo executivo em Bruxelas em Março.
Viabilizando o PEC e pré-anunciando um chumbo ao Orçamento de 2012, Passos Coelho conseguiria, na opinião de Barroso, evitar um crise política nesta fase, ganhar tempo para que fosse o actual governo a fazer o pedido de ajuda externa e conquistar capital político na opinião pública para precipitar posteriormente eleições.
“Mas Passos Coelho estava a ser pressionado internamente”, disse ao i fonte próxima do presidente da Comissão Europeia, “e respondeu que não havia garantias de que o governo fosse mesmo pedir ajuda”.
Durão Barroso pressionou Passos Coelho para aprovar PEC IV
Até ao dia 5 de Junho de 2011, PSD, CDS e Presidente da República apagaram por completo o contexto internacional da crise e disseram que a causa dos problemas de financiamento era apenas do foro moral, o preço a pagar por termos uma primeiro-ministro desprezado pelos mercados visto ser um mentiroso e um esbanjador, o castigo que todo um povo suportava por não estarmos nas mãos limpas de Passos Coelho – o qual assim que fosse anunciado como o novo homem do leme levaria os aliviados mercados a subirem-nos o rating passados poucos meses, quiçá dias ou horas, tamanha a sua credibilidade.
Estas pessoas mentiram aos portugueses como não há memória de alguma vez ter sido feito nem se imaginava possível vir a acontecer. Quatro dias depois de se começar a preparar a golpada, ouvimos banzados um Presidente da República a declarar guerra aos “sacrifícios” e a pedir às massas para saírem à rua em protesto contra um Governo que não era de gente séria. E durante as semanas seguintes foi prometido aos portugueses nada mais, nada menos do que esta “garantia” e este “compromisso”:
Se ainda vier a ser necessário algum ajustamento, a minha garantia é de que seria canalizado para os impostos sobre o consumo, e não para impostos sobre o rendimento das pessoas’, disse à entrada de uma cimeira do Partido Popular Europeu (PPE), em Bruxelas.
O líder do PSD garantiu mesmo que, desde já, ‘fica o compromisso expresso do PSD em como não haverá recurso a medidas que afectem as pensões mais degradadas ou as reformas, tal como estava prevista no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC)’.
CHUMBO DO PEC PODE TER CONSEQUENCIAS PARA PORTUGAL
Os mais mentirosos são os que mais acusam os outros de mentirem. E, nessa mesma infalível lógica, os que mais querem criminalizar terceiros são os que mais e maiores crimes praticam. Mas não creio que a dimensão do prejuízo e dos danos que a direita portuguesa causou a Portugal e aos portugueses só para conquistar o poder total seja passível de contagem.
Good food for good thought
“Society’s tendency is to maintain what has been. Rebellion is only an occasional reaction to suffering in human history: we have infinitely more instances of forbearance to exploitation, and submission to authority, than we have examples of revolt.” (Zinn, 1968)
Have you ever wondered why society hardly ever changes? I think most of us have.
One answer is that humans have a mental bias towards maintaining the status quo. People think like this all the time. They tend to go with what they know rather than a new, unknown option.
People feel safer with the established order in the face of potential change. That’s partly why people buy the same things they bought before, return to the same restaurants and keep espousing the same opinions.
This has been called the ‘system justification bias’ and it has some paradoxical effects (research is described in Jost et al., 2004):
– Poor people don’t strongly support the sorts of political policies that would make them better off. Surveys find that low-income groups are hardly more likely than high-income groups to want tax changes that mean they will get more money. Generally people’s politics doesn’t line up with their position in society.
– Oddly, the more disadvantaged people are, the more they are likely to support a system that is doing them no favours. This is because of cognitive dissonance. In one US example of this low-income Latinos are more likely to trust government officials than high-income Latinos.
– Most disturbing of all: the more unequal the society, the more people try to rationalise the system. For example in countries in which men hold more sexist values, women are more likely to support the system.
People seem to rationalise the inequality in society, e.g. poor people are poor because they don’t work hard enough and rich people are rich because they deserve it.
Incredibly, this means that some (but not all) turkeys will keep on voting for Christmas.
O que verdadeiramente os lixou

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As medidas anunciadas por Lisboa são “um passo muito importante para convencer os mercados”, disse Ângela Merkel a um grupo de jornalistas antes do início da cimeira da Zona Euro ao fim da tarde.
Entretanto, uma fonte alemã acrescentou que a situação em Portugal é “melhor do que se esperava” e que o governo de Lisboa vai “na direcção certa”, prevendo que os líderes da zona euro irão “carimbar” o esforço de Portugal. A mesma fonte mostrou ainda a esperança de Portugal não ter de recorrer ao apoio dos restantes países da Zona Euro nem do FMI.
As conclusões da missão de técnicos do BCE e da Comissão Europeia que visitou Lisboa há duas semanas para analisar a implementação das medidas tomadas até à altura por Lisboa apontam no mesmo sentido e deverão ser apresentados na cimeira da zona euro, de acordo com a mesma fonte.
Revolution through evolution
How Our Brains See Men as People and Women as Body Parts: Both Genders Process Images of Men, Women Differently
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Why Aren’t There Any Openly Gay Astronauts?
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Local Weather Patterns Affect Beliefs About Global Warming
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Identifying the Arrogant Boss
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Physicists Study Homer’s Iliad and Other Classics for Hidden Truths
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Many Employers Use Facebook Profiles to Screen Job Applicants
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Attraction between Friends of Opposite Sexes
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Rethinking Labels Boosts Creativity
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Spatial Skills May Be Improved Through Training, Including Video Games
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Mind Vs. Body? Dualist Beliefs Linked With Less Concern for Healthy Behaviors
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Strong Partnerships Fuel Curiosity
100.000 € sonegados a Cavaco
Dizem hoje os jornais que, de Novembro de 2003 a Agosto de 2005, Oliveira e Costa comprou 7,8 milhões de acções da SLN a 1 € e vendeu-as a 2,8 €, com um ganho de 1,8 € por acção, obtendo assim mais-valias superiores a 14,1 milhões, de acordo com dados dos autos do caso BPN. Como se sabe, era o próprio Oliveira e Costa a fixar o preço de compra e venda das acções. Era como jogar o Monopólio sozinho, com a banca à disposição. Detendo as acções por 12 meses antes de as vender, as mais-valias não eram sequer sujeitas a tributação, ao abrigo da legislação então em vigor (revogada em Julho de 2010).
Ora o negócio que Oliveira e Costa por essa época proporcionou a Cavaco e família foi a compra de 250.000 acções a 1€ cada e a venda das mesmas, dois anos depois, a 2,4 €, com um ganho por acção de escassos 1,4 € e um mísero lucro total de 350.000 € – livres de imposto, pela razão indicada. Como o preço de compra e venda das acções foi estabelecido arbitrariamente por Oliveira e Costa, fora da bolsa, podemos concluir que Cavaco foi discriminado e prejudicado pelo amigo em 40 cêntimos por acção, o que na transacção em causa representa a bonita soma de 100.000 €.
Este tratamento de segunda a que Cavaco e família foram submetidos é muito condenável, sobretudo conhecendo-se hoje os apertos financeiros do homem de Belém. Sugiro daqui a Cavaco que mova um processo contra Oliveira e Costa e a SLN, para reaver os 100.000 € de mais-valias que lhe foram sonegados. Com um parecer dum catedrático talvez pingue qualquer coisa…
Toma cuidado, Amado
A Universidade de Verão do PSD é uma iniciativa promovida pela JSD, pelo PSD, pelo Instituto Francisco Sá Carneiro e pelo Partido Popular Europeu e tem como director o eurodeputado Carlos Coelho. Fiquemo-nos pela JSD. A JSD é uma organização política subsidiária do PSD. O que ela faz, adentro da sua autonomia, representa por inerência o partido de que é a juventude institucional. Logo, se a JSD quer levar o Governo anterior, ou pelo menos Sócrates, a um tribunal criminal, esse propósito manifesta concomitantemente o juízo político feito pelo PSD. Muito para além das bocas no mesmo sentido de Ferreira Leite, Paula Teixeira da Cruz e Marques Mendes, entre tantos outros barões do laranjal, ver o presidente da JSD deslocar-se à Procuradoria-Geral da República entregar provas a Pinto Monteiro para que este abra processos-crime contra governantes socialistas só é concebível com a anuência prévia da própria liderança do PSD.
Eis o que Duarte Marques se considera no direito de afirmar publicamente:
O líder da Juventude Social Democrata, Duarte Marques, defende que “é tempo de responsabilizar criminalmente quem levou o país a esta situação”, entendendo que “José Sócrates e os restantes membros do seu Governo devem ser julgados”.
O também deputado social-democrata à Assembleia da República insistiu, ainda, que “doa a quem doer a má gestão não pode passar impune”, sublinhando que “neste momento milhares de portugueses vão perder qualidade de vida graças ao desvario que ocorreu em Portugal nos últimos seis anos”.
Duarte Marques diz que a má gestão e a má governação já foram confirmadas pelo Tribunal Constitucional e “é tempo de as pessoas serem sentadas no banco dos réus, é tempo do anterior primeiro-ministro José Sócrates e toda a sua equipa ser co-responsabilizada por esta situação”.
“Deve acabar o tempo em Portugal em que as pessoas passam impunes, gerem mal a coisa pública e vão para casa descansados e outros vão para Paris estudar Filosofia.”
Para Duarte Marques, está na altura do procurador-geral da República, Pinto Monteiro, “não andar apenas preocupado em julgar o Hulk ou o Sapunaru por agressões no futebol e preocupar-se claramente com o que aconteceu no país nos últimos anos”.
Não é uma beleza de rapaz? Trata-se da nata da nata da JSD, o exemplo cívico supremo para a juventude da gente séria ou para a gente séria cheia de juventude, um futuro primeiro-ministro de altíssimo potencial. Tão depressa se confessa fiel zelador das considerações do Tribunal Constitucional como tem excelentes e oportunos conselhos para dar a um Procurador-Geral da República que não mostra o respeitinho devido ao Futebol Clube do Porto. Está destinado a dar grandes alegrias à política nacional, como o seu pedido de responsabilização de Mariano Gago pelo fulminante percurso académico de Relvas já confirma para além de qualquer dúvida.
Pois esta luminária vai receber em Castelo de Vide um desses criminosos que pretende castigar: Luís Amado vai à Universidade de Verão do PSD
O facto de Amado se prestar à participação numa iniciativa de um partido que gostaria de vê-lo no tribunal pela única razão de ter servido o Estado, a República e a Democracia dá que pensar. Por exemplo, fica-se a pensar que o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros considera normal, quiçá irrelevante, a perseguição de que é alvo, juntamente com todos os seus companheiros de Executivo. E isso é bizarro, no mínimo incómodo. Mas que pensar desses trastes que convidam para sua casa alguém que ofenderam e continuam a ofender de forma canalha?
Não se pensa nada, obviamente, porque já não estamos no plano da lógica. Luís Amado manteve-se ao lado de Sócrates de 2006 até ao último dia do XVIII Governo Constitucional, mesmo para além do último dia. Consta, embora não haja certezas, que terá sido informado das difamações, insultos, calúnias e campanhas de assassinato de carácter que PSD e JSD lançaram ininterruptamente contra os seus colegas de Governo e de partido. Que terão dito uns aos outros aqueles que decidiram convidar este pilar do odiado socratismo para ir doutrinar as tenras mentes dos filhos-família alaranjados? Como é que terão racionalizado as antinomias, a escabrosa contradição entre o que dizem e o que fazem? Ou não terão sequer discutido o assunto, tendo esse nome sido atirado para cima da mesa por chalaça de um bêbado e acabando aprovado num silêncio cúmplice e envergonhado?
O PSD exibe-se assim como um partido orgulhosamente desmiolado, no que não será propriamente uma novidade. A menos que a ideia seja outra, ardilosa: apanharem o Amado, atarem-lhe as mãos e os pés e julgarem-no num tribunal popular. Enfim, sempre era um socrático a menos e tem de se começar por algum lado.
Cada cavadela, cada minhoca
O conselheiro do rapaz Pedro

E se até o Correio da Manhã o refere…
“Dias Loureiro aconselha Passos
Há mal-estar nos círculos sociais-democratas.”
Vasquinho, és lixado
Vasco Pulido Valente, num exercício de puro desfastio típico da silly season, pegou numa frase rasca, rasca no estilo e no intento, e divertiu-se a imaginar que continuava o grande alquimista da nossa praça, conseguindo transformar merda em ouro sempre que lhe desse na veneta. Quem é que foi logo a correr beijar-lhe os pés? O Zé Manel, selando o episódio com o seu brilho intelectual e a sua autoridade moral.
Acontece que Pulido Valente talvez seja o maior especialista vivo em PSDismo. Como prova trago um texto com 25 anos. O que nele se encontra pode sem dificuldade ser comparado com o PSD actual, o tal que Passos estaria a pôr na ordem entre uns aperitivos e a chegada dos bifes. Acima e antes de tudo, o texto é uma cápsula do tempo que permite compreender o fenómeno Cavaco e o percurso de todas as suas vedetas. Na pena ultra-lúcida do escriba, o filho de Boliqueime era o testa-de-ferro ideal para manter a direita dos privilégios no poder, aliando o simbolismo da matriz ditatorial que Portugal tinha celebrado ao longo do século XX com uma retórica modernista de sobre-humana competência técnica.
Mas sim, pois, nem o Vasquinho conseguiria antecipar o BPN, a “Inventona de Belém” e a procissão de misérias políticas que Cavaco – sem qualquer mistério, apenas a mais soberba opacidade – despeja numa sociedade que tem exactamente o Presidente da República que merece.
O MISTÉRIO DE CAVACO
Uma pessoa senta-se, na sede dos tempos de antena do PS, com todos os discursos, entrevistas e declarações de Cavaco Silva desde 1980. Todos. O objectivo do exercício, praticado num espírito de absoluta malevolência, consiste em descobrir coisas comprometedoras: gaffes, contradições, sinais inquietantes de reaccionarismo. Ao fim de uma tarde inteira, nada. Não vão acreditar: nada por nada ser. Seis ou sete horas de convivência com a alma mais desértica que o Ocidente produziu e chega-se ao fim de mãos vazias. O homem é certamente uma invenção. Não pode existir. O homem diz o que faz e faz o que diz. Diz que tem princípios e tem princípios. Diz que é social-democrata e é social-democrata. Pede rigor e fala com excruciante rigor. Nunca se engana. A sério, nunca se engana. Ele bem preveniu!
E, no entanto, não se gosta dele. Pelo contrário, gosta-se cada vez menos dele. Acaba-se mesmo com um sentimento muito próximo do horror. Porquê? Não há razões aparentes. As ideias são simpáticas e sensatas, os propósitos impecáveis, a competência óbvia, a vontade impressionante. Concorda-se bastante mais do que se discorda e às vezes até se concorda com prazer (exemplo: “O Estado não é Deus e o mercado não é salvador”). Que mal, então, nos faz a criatura? É um mistério.
Visto da América, lido de cá
Apinocados, prontos para sair de casa, mas sem sítio onde ir dançar – diz Paul Krugman dos investidores (tradução muito livre).
Porque se financiam alguns países a um custo negativo? Porque, com meio mundo em contenção, os investidores não têm onde investir com garantias mínimas de vendas.
Estados Unidos (-0,6%), Alemanha, Bélgica e Holanda são exemplos de países a quem pagam para lhes guardarem as poupanças. Há dinheiro. Algumas empresas têm os cofres cheios. Os paraísos fiscais estão a abarrotar de depósitos. E então, porque não investem? E mais do que isso, porque têm alguns países de ser asfixiados quase até à morte?
Krugman é crítico da política de austeridade seguida na Europa. Este artigo gira principalmente em torno da situação dos Estados Unidos, mas não deixa de referir a situação europeia e de classificar a adesão da Espanha, ou da Grécia, à moeda única de erro que se está a pagar caro.
Portugal é um dos países que supostamente está a tentar pagar a dívida, fadado a não o conseguir, e onde é proibido contrair empréstimos para investimentos na economia e no desenvolvimento. Tudo está, portanto, a degradar-se. A Troika assim o impõe. Antes dela, os investidores/especuladores assim o impuseram com as yields incomportáveis. Caso decidíssemos dar um valente piparote na Troika e nos troikos que os representam e, ainda no euro, fôssemos ao mercado, não nos emprestariam dinheiro a juros aceitáveis.
Há algo de muito absurdo na economia ocidental hoje em dia. Uns são forçados a empobrecer, outros não têm onde investir porque os pobres não compram e, entretanto, o dinheiro é depositado, se não nos paraísos fiscais, nas dívidas de alguns países, que agradecem. Agradecem e continuam a impor a outros uma austeridade assassina, justamente porque, como se demonstrou, lhes interessa. Um interesse muito acima de zero, ao contrário dos juros que (não) pagam, e que tem tendência a prolongar-se. E assim não saímos do impasse desta história hipócrita.
As ameaças da Moody’s pregam um susto apenas relativo à Alemanha, se os investidores continuarem a elegê-la para cofre-forte. O que parece estar a acontecer.
Não é do interesse dos espanhóis o país entrar em bancarrota. Mas poderia ser a única maneira de alguma coisa mudar na Europa. Começo a ter as minhas dúvidas. O pior que pode acontecer e que provavelmente acontecerá é a Espanha pedir um resgate, este ser-lhe concedido e o país dispor-se a percorrer o calvário dos outros três, ficando tudo o resto na mesma. A bem do Reich.
O que nos Vale é o Azevedo
Vale e Azevedo disse à Lusa que em 2004 esteve à beira do suicídio em Portugal, quando ficou “14 segundos em liberdade”. Apesar das ideias suicidas, não largava o cronómetro… E como é que um tipo se mata em 14 segundos?
Mas o que é mais de reter das declarações do ex-presidente do Benfica, que vive há 5 anos “exilado” num condomínio de luxo em Knightsbridge, Londres, é aquela frase segundo a qual não esquece. Não esquece quem lhas fez. Referia-se ao juiz Ricardo Cardoso (o do laço vermelho, lembram-se?) que o teria lixado – desculpem-me o plebeísmo coelhino. E querem saber porque é que o desembargador o teria lixado? Porque Ricardo Cardoso pertencia ao grupo dos “notáveis do Benfica da oposição”. O que a gente vai aprendendo sobre a justiça portuguesa e sobre o Benfica… E eu a pensar que os juízes safavam os notáveis dos seus clubes… Sou mesmo ingénuo. O que nos Vale é o Azevedo.
E ontem deu entrada o projeto de lei que Consagra a possibilidade de co-adoção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo
Um problema dramático, fácil de compreender, fácil de quebrar barreiras ideológicas e, sobretudo, tão fácil de resolver.
Neste caso, ao contrário da adoção recentemente chumbada – infelizmente -, está em causa, como se pode ler na exposição de motivos que escrevemos, “evitar, por exemplo, situações conhecidas e dolorosas de descrever pela sua crueldade: basta imaginar uma criança, educada por dois homens casados, até aos 10 anos de idade, morrendo nessa data o pai biológico num acidente.
Aquela criança, que não distingue a nenhum nível qualquer dos pais, não tem, no entanto, o mais ténue vínculo jurídico com o, para si, pai sobrevivente. Pode mesmo vir a ser arrancada dos seus braços pela família do pai falecido, mesmo que não tenha tido qualquer contacto com ela ao longo da sua vida.
(…)
“Faça-se um teste à coerência do nosso sistema jurídico à luz do princípio da justiça e das realidades familiares já existentes: num casal de sexo diferente recém-casado, por exemplo, o cônjuge – mesmo que conheça o filho há um mês – pode co-adotar, caso a criança só esteja legalmente registada no nome da mãe. Mas numa família em que duas mães planearam e levaram a bom termo a gravidez, a criança não tem, nem pode ter em Portugal, um vínculo legal de qualquer espécie à mãe não biológica. Isto não faz sentido. Salta aos olhos.
O projeto que apresentamos faz apenas isto: introduz coerência valorativa no sistema jurídico português, reconhecendo as famílias diversas com crianças cujos interesses superiores não estão acautelados; permite a co-adoção por parte do cônjuge ou unido de facto do pai ou mãe da criança, desde que não exista outra parentalidade anteriormente estabelecida.(…)
No site da Assembleia da República encontram o texto integral do projeto-lei
Portugal, viveiro de populistas
Desde que Luís Filipe Menezes tirou o tapete a Marques Mendes, o qual ainda ensaiou uma tímida e avulsa morigeração do partido, que o PSD se entregou todo na mão de estratégias populistas. Derrotados à partida perante um PS ocupando firmemente o centro com políticas sociais relevantes, espírito reformista inaudito e resultados económicos, a crise internacional e a crise da Europa foram as condições sine qua non para a vitória nas legislativas de 2011.
O PSD cavalgou desenfreado o ódio aos políticos e a desconfiança nas instituições da República. Tal postura não é paradoxal, sequer contraditória, pois o PSD pós-Sá Carneiro não é igualmente um partido no sentido militante e representativo, antes uma agremiação de interesses pecuniários e um circo de individualidades. Foi assim que vimos Ferreira Leite e Cavaco Silva a erguerem a bandeira da “verdade” à falta de um qualquer programa, por mais básico que fosse, capaz de ter valor para o eleitor. Não havia programa mas havia uma campanha com séculos e séculos de gasto e de provas dadas, a qual passava por atacar o carácter do adversário a um ponto tal que ele fosse considerado inimigo do Estado e, portanto, merecedor de ostracismo. A inépcia da Manela e do Pacheco deu o belo resultado de 2009, mas não impediu a segunda dose da receita.
Passos e Relvas prolongaram o ataque à classe política, confundida para efeitos de difamação com os governantes de então. Tratava-se de aproveitar o pânico de uma situação internacional completamente imprevisível e indomável, juntamente com as carências intelectuais da população portuguesa e respectiva fraca cidadania, para apontar as armas contra o modelo do Estado Social. Ao pintarem Sócrates como um monstro que na sua loucura e maldade tinha causado os sofrimentos da austeridade, a retórica permitia igualmente vender as benesses de uma redução do papel do Estado. E ao ensaiarem a tentativa de criminalização de governantes socialistas, tendência revanchista que chegou a níveis inimagináveis até há poucos anos, revelaram a irresponsabilidade feroz que neles habita. Foi assim que também vimos, a partir de 6 de Junho do ano passado, a concretização hilariante e pífia desta política de vão de escada, primeiro com a formação de um Governo disfuncional por ter ministros e ministérios a menos, depois com esses hinos ao ridículo que foram os cortes nas viagens em 1ª classe, a expulsão das gravatas para se poupar no ar condicionado, a abolição de feriados, a inibição de férias no estrangeiro e um sem-número de episódios onde o farisaísmo de pacotilha já nem dá vontade de rir tamanha a decadência que expõe.
Há muitas, e óbvias, razões para se utilizarem estratégias e tácticas populistas em democracia. Aliás, se não fosse o endémico populismo do PCP e do BE jamais Cavaco e Passos teriam tido sucesso em 2011. O populismo recusa ou boicota o sistema partidário democrático, ora pela direita num moralismo judicialista, ora pela esquerda num moralismo ideológico. Contudo, importa assinalar uma sua característica essencial: o populismo é consumido por estúpidos e, na maior parte dos casos, produzido por estúpidos. Assim, é comum vermos analfabrutos, por azares na vida passada ou degenerescência na vida presente, a salivarem e urraram a toque das cassetes populistas que lhes garantem soluções simplistas e imediatas, juntamente com espectáculos públicos onde os “políticos” seriam finalmente castigados pela populaça e a “gente séria” inauguraria uma nova idade de pureza e verdade. Mas não menos comum é vermos governantes populistas de uma estupidez galáctica, bastando recordar o desempenho de Relvas desde que foi para a Assembleia da República mentir sob juramento a respeito da sua correspondência com o super-espião e toda a sequência de acontecimentos a partir daí. Um estúpido normal, daqueles que se limitam a comprar o Correio da Manhã ou a escrever os discursos de Passos Coelho, não seria capaz de produzir num mês e meio a colossal estupidez que Relvas generosamente ofereceu ao seu povo.
Lembra-te
“You don’t need more hours; you need better hours.”
Contrary to many companies’ beliefs, an employee who has plans after work is more efficient than one who has no life at all. When they need to get to their families or have other hobbies, they make sure they get their work done on time so they won’t have to stay late.
“You shouldn’t expect the job to be someone’s entire life – at least not if you want to keep them around for a long time.”
Mensagens subliminares
contidas na famosa boca do Coelho “Que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal”:
– Que se lixem as eleições autárquicas, o que interessa é o governo.
– Que se lixe o PEC IV, o que interessou foi saltar para o poleiro.
– Que se lixe Portugal, o que interessa é S. Bento.
– Que se lixe a Constituição, o que interessa é esmifrar a saloiada.
– Que se lixe a recessão, o que interessa é a troika.
– Que se lixe o desemprego, o que interessa é cumprir as metas do déficit.
– Que se lixe o déficit, o que interessa é o Ângelo Correia.
– Que se lixe a jornalista ameaçada, o que interessa é o Relvas.
– Que se lixe a licenciatura do Relvas, o que interessa é o Relvas.
E à noite, em Massamá:
– Que se lixem as eleições, Portugal, a Constituição, os funcionários públicos, o desemprego, o déficit, a troika, os jornalistas, o Relvas e o camandro, o que interessa é que sou o primeiro ministro desta merda.
Para chorar
Os “relvas” a distribuírem-se sem vergonha nenhuma
Nomeações para agrupamentos de centros de saúde. (Jornal Público, não disponível em linha; destaques meus)
“Terá sido a presidência do Moto Clube do Corgo ou a coordenação das Festas de Vila
Pouca de Aguiar que impressionaram o sr. presidente da ARS-Norte e o sr. ministro da Saúde?” – pergunta o Sindicato dos Médicos.
Dos 12 nomeados, apenas dois são médicos. Currículos de alguns dos nomeados novos diretores executivos para presidirem a agrupamentos de centros de saúde (Aces):
«- Luís Filipe do Nascimento Teixeira, antigo chefe de gabinete da Câmara de Vila Pouca
de Aguiar e atual presidente da direção do Moto Clube do Corgo e Sport Clube de Vila Pouca;
coordenador na organização de diversos eventos culturais/económicos, nomeadamente as Festas de Vila Pouca de Aguiar, Feira do Granito, Feira do Mel e Artesanato e Feira Gastronómica, Luís Filipe Teixeira licenciou-se em Direito pela Universidade Moderna.
– Jorge Oliveira Cruz. Na década de 90 foi diretor comercial da Maquitrofa, Ld.ª, onde era responsável pelas compras e vendas desta empresa do setor têxtil. Em 1997 Jorge Oliveira Cruz foi tesoureiro do Centro de Bem-Estar Social de Barqueiros.
– Francisco Félix foi administrador da Geo Future, Ld.ª (empresa informática, comunicação e imagem). No período de 2003-2009, “foi assessor de vereador”, tendo como “principais atividades: gestão económica e financeira, aprovisionamento, gestão do património, proteção civil, recursos humanos, modernização administrativa, trânsito e transportes”. O novo diretor executivo foi consultor financeiro da Plastécnica, Ld.ª (indústria de reclamos luminosos), corresponsável pela conceção, instalação e coordenação do Festival Internacional de Filmes de Turismo, estagiou na Direção-Geral de Contribuições e Impostos e, no final da década de 90,“foi informático e administrativo” de uma empresa de cerâmica decorativa. Licenciado em Contabilidade com 13 valores pela Universidade Lusíada, Francisco Félix Araújo Pereira inscreveu-se em Outubro de 2010 em Gestão das Organizações, ramo de Gestão de Empresas no Instituto Politécnico do Cávado e do Ave.»
Pergunto-me se os médicos se vão calar.
Acrescento apenas que não considero indispensável ou obrigatório que tais cargos sejam exercidos por médicos. Mas, por favor, isto é demais.
Estapafurdismos
Freeport
Crespo: Como explica a decisão do coletivo de juízes do Barreiro de extrair certidão?
PSM: Não conheço o processo Freeport. Essa decisão justifica-se quando existem factos novos, dados muito fortes que indiciem um crime de corrupção. Só assim o compreendo. Não admito outra explicação que não essa. Ao mesmo tempo, os juízes consideraram certamente que ficaram aspetos importantes do processo por investigar.
Tribunal Constitucional
Crespo: Quer dizer-nos a sua opinião sobre a decisão do TC de declarar inconstitucionais os cortes dos dois subsídios aos funcionários públicos e pensionistas?
PSM: Discordo.
Crespo: E por que discorda?
PSM: Porque, para haver Constituição, tem de haver Estado e, como não há Estado porque está falido, a Constituição não é de aplicação.
Advogado Paulo Saragoça da Matta. (citações resumidas, forçosamente não literais)
Observações:
1. O que vale a Mário Crespo é ter os olhos pequenos e óculos, logo, não ser totalmente visível o deleite com que conversa com convidados como este.
2. PSM não leu jornais recentemente. Quem acedeu ao texto da sentença mais não noticiou do que as declarações de 3 testemunhas de que tinham ouvido um dos arguidos dizer que para as bandas do Ministério do Ambiente e/ou da administração pública tinham sido exigidos pagamentos para a aprovação do projeto. Um «diz que ouviu dizer» totalmente novo, novinho em folha, portanto. Novas provas documentais?! Diz quem sabe que no julgamento estaria obrigatoriamente presente pelo menos um magistrado do Ministério Público, que estranhamente não ouviu nada que lhe merecesse uma reação como a dos juízes. E o que têm dito os plausíveis «veículos» Charles Smith e Manuel Pedro acerca disso? O que é que ainda não foi suficientemente investigado? O que andou a fazer a judiciária com cartas rogatórias para várias partes do mundo, deslocações a Londres, investigação de contas durante 7 anos? Era tudo relativo a Charles Smith e Manuel Pedro? Então por que razão dirigiram os magistrados aquelas surpreendentes perguntas a Sócrates após o arquivamento? E o que é que foi arquivado exatamente em 2011? (nada disto Crespo perguntou, obviamente)
3. Para este causídico, um Estado que se encontre numa situação económica e financeira difícil deve suspender a democracia e o Estado de direito. Ponto.
Porque é que as argumentações sobre os dois casos em discussão têm um nexo tão claro? Porque é que quem entende ser conveniente suspender a democracia também concorda com o arrastar infinito do caso Freeport?
