Pontos de contacto

Liberais e Marxistas têm bastante mais em comum do que se pensa:

Campeões da portugalidade

Pinto da Costa e João Jardim, que revelam de nós, Portugal e portugueses? São dois vencedores supremos, com décadas de poder incontestado, total. Cresceram como líderes a partir de regiões e entidades menorizadas face ao centralismo e arrogância lisboetas. E fizeram dessa fraqueza a alavanca dos seus históricos sucessos.

Ambos se especializaram numa retórica primária onde exploram as identidades locais com o entusiasmo e subtileza dos vendedores de atoalhados. Pinto da Costa percebeu que a dimensão política do futebol seria um dos pilares das vitórias no relvado. Jardim percebeu que a rivalidade desportiva seria a lógica ideal para aplicar nas relações com a República. O povo adora-os e não quer saber do que fizeram ou fazem para continuarem a ganhar.

Outra característica comum, e aquela mais interessante para a reflexão a respeito da portugalidade que eles consubstanciam e representam, está no facto de ninguém lhes conhecer sucedâneos à altura dos feitos passados, ou tão-só do carisma presente. À volta de Pinto da Costa vemos figuras pardas, perfeitamente adaptadas ao ambiente de reclusão que faz a imagem de marca do FCP. À volta de Jardim vemos figuras folclóricas, cópias boçais da boçalidade kitsch e estratégica do chefe. E isso tanto pode significar um traço cultural deste país, a incapacidade para criar legados de liderança, como uma consequência da mudança de paradigma ocorrida desde 1974, finalmente pronta para trazer ao poder uma nova e mais democrática geração de campeões.

Vinte Linhas 773

Miguel Garcia não estava em Bilbau; está na Turquia

Na recente derrota amarga do Sporting em Bilbau houve quem comentasse a hipótese de no último minuto surgir um golo como em Alkmar. Mas com uma diferença: em Alkmar estava o Miguel Garcia, o mesmo Miguel Garcia que no dia 24-10-1999 jogou no velho campo pelado do CADE (Entroncamento) e assistiu de longe à reviravolta no resultado que os dez restantes jogadores fizeram em seu nome. Expulso muito cedo num lance que deu grande penalidade contra o Sporting, Miguel Garcia sofreu por fora e viu os outros (todos foram leões) transformar um empate numa saborosa vitória por 5-2. O treinador José Lemos teve que inventar um jogador que não estava lá mas o Ricardo Quaresma e todos os restantes jogadores desdobraram-se nas tarefas defensivas e atacantes como se em vez de dez os leões fossem de facto onze. Como o CADE.

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Good food for good thought

A flexible workplace initiative improved employees’ health behavior and well-being, including a rise in the amount and quality of sleep and better health management, according to a new study by University of Minnesota sociology professors Erin Kelly and Phyllis Moen, which appears in the December issue of the Journal of Health and Social Behavior.

“Our study shows that moving from viewing time at the office as a sign of productivity, to emphasizing actual results can create a work environment that fosters healthy behavior and well-being,” says Moen. “This has important policy implications, suggesting that initiatives creating broad access to time flexibility encourage employees to take better care of themselves.”

Using longitudinal data collected from 608 employees of a white-collar organization before and after a flexible workplace initiative was implemented, the study examined changes in health-promoting behaviors and health outcomes among the employees participating in the initiative compared to those who did not participate.

Introduced at the Best Buy headquarters in Richfield, Minn. in 2005, the workplace initiative – dubbed the Results Only Work Environment (ROWE) – redirected the focus of employees and managers towards measurable results and away from when and where work is completed. Under ROWE, employees were allowed to routinely change when and where they worked based on their individual needs and job responsibilities without seeking permission from a manager or even notifying one.

KEY FINDINGS:

– Employees participating in the flexible workplace initiative reported getting almost an extra hour (52 minutes) of sleep on nights before work.

– Employees participating in the flexible workplace initiative managed their health differently: They were less likely to feel obligated to work when sick and more likely to go to a doctor when necessary, even when busy.

– The flexible workplace initiative increased employees’ sense of schedule control and reduced their work-family conflict which, in turn, improved their sleep quality, energy levels, self-reported health, and sense of personal mastery while decreasing employees’ emotional exhaustion and psychological distress.

– “Narrower flexibility policies allow some ‘accommodations’ for family needs, but are less likely to promote employee health and well-being or to be available to all employees,” says Kelly.

Flexible Workplaces Promote Better Health Behavior And Well-Being

Cineterapia


Un amour de jeunesse_Mia Hansen-Løve

Conheciamo-nos há muito pouco tempo e ela ofereceu-me o Siddhartha, de Hermann Hesse, avisando que só oferecia esse livro a pessoas especiais e que o voltava a ler sempre que o voltava a dar. O livro é, ou era nos anos 80, um clássico das preferências adolescentes naqueles um bocadinho mais dados à leitura. E a obra, depois de um périplo existencialista, termina em apoteose mística com um êxtase fluvio-contemplativo. Nunca mais nos voltámos a ver, rios transbordados fugazmente num abraço de margens e separados pelos acidentes da paisagem.

A releitura, suscitada a cada nova atracção, era para ela a finalidade secreta das paixonetas, o contexto e o pretexto para o mergulho no subtexto onírico que fluía daquelas palavras sempre as mesmas e outras. Tal como nos efémeros namoricos, sempre diferentes mas cada vez mais iguais, o encanto imorredouro estava guardado alhures, nesse espaço sem tempo e nesse tempo sem espaço da imaginação. Um mundo imobilizado na correnteza das páginas.

Logo ao começo de Un amour de jeunesse, o rapaz diz à rapariga que o seu corpo é lindo, perfeito. Ele olha para ela, ela observa-se no espelho. É quanto baste para o destino. O que se segue são as variações deste acontecimento fundante, contadas pelos olhos cinematográficos de uma mulher de 30 anos que vai ajudar a rapariga de 15, embevecida frente ao seu narcisismo, a compreender qual é o sentido e a densidade dessa fonte de enamoramento caudaloso.

Este é um filme onde se ensina, delicada e pacientemente, a reconhecer que o amor ao corpo é um amor do corpo. Este é um filme que mostra a profundidade sem fundura das superfícies, o brilho da especulativa juventude. Este é um filme de alguém que aprendeu que o amor pode ser pesadamente vazio e algo que deva ser trocado pelo Sol. Este filme é um rio.

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Revolution through evolution

Tablet Computers: A New Tool to Stop Domestic Violence?
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Why the Engineering, Computer Science Gender Gap Persists
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Pay-What-You-Want May Deter Consumers
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Your Dog Wants YOUR Food
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Can Your Mental Health Affect Your Longevity?
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Researchers Find Additional Evidence That Families That Eat Together May Be the Healthiest
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A Serving a Day of Dark Chocolate Might Keep the Doctor Away
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Maintain Your Brain: The Secrets to Aging Success
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Thinking in a Foreign Language Helps Economic Decision-Making

Vinte Linhas 772

Manchester United – um outro olhar sobre a derrota

A propósito das duas derrotas recentes do Sporting e do Real Madrid ambas em Espanha contra o Atlético Bilbau e o Bayern Munique lembrei-me dum poema de Vítor Matos e Sá e deste livro. O poema que cito de cór diz que não há diferença entre derrota e vitória quando nenhuma vem presa à grande angústia. No caso do Sporting a derrota surgiria naquele ou noutro lance, o esquema estava montado, o lunático Platini estava por detrás e queria uma final assim. A arbitragem repugnante ficou à altura dos acontecimentos. Por sua vez a equipa do Real esticou-se para vencer poucos dias antes a equipa da UNICEF e o esforço não foi recuperado a tempo contra os alemães; faltou frescura mas mesmo assim Cristiano Ronaldo marcou dois golos o que em alta competição costuma ser suficiente para vencer.

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É bem verdade, ainda ninguém percebeu o que se passou com o Freeport

A oposição desapareceu. O PS não existe, nem sei o que é aquilo. O líder não tem carisma, não sabe o que há-de fazer, está condicionado pelo acordo com a troika. E sucede a um delinquente político chamado Sócrates, o pior exemplo que jamais, na História de Portugal, foi dado ao país: ir para Paris tirar um curso de “sciences po”, depois daquela malograda licenciatura – à qual não dou a menor importância, pois há muitos excelentes políticos que não são licenciados. O engenheiro Sócrates foi o pior que a política pode produzir. Depois de tantos processos em que mentiu, aldrabou, não depôs, ninguém percebeu o que se passou com o Freeport, os portugueses perguntam-se onde foi ele buscar dinheiro para estar em Paris. Quem é que lhe paga as despesas e o curso?

Maria Filomena Mónica

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Filomena Mónica representa o que há de mais típico na oligarquia portuguesa, a qual se alimenta da sarjeta que é o Correio da Manhã, o qual serve os interesses do PSD e CDS. É um círculo vicioso e viciante. O à-vontade com que trata como criminoso um ex-primeiro-ministo, ex-secretário-geral do PS e cidadão na posse dos seus direitos, sem sequer se dar ao trabalho de justificar seja o que for, mostra à saciedade o sentimento de impunidade que a habita.

Portugal é um país de analfabetos e de analfabrutos, o resultado de séculos com esta oligarquia no poder e seus exactos simétricos na esquerda sectária nas últimas 4 décadas. E não foi um acaso termos lido tantos direitolas a maldizer o 25 de Abril neste ano, permitindo-se escrever distorções grotescas e dementes a respeito do que acontecia antes e veio a acontecer depois da queda do anterior regime. Este tipo de ignorância não é só atrevido, é também sórdido e rapace.

Sócrates provocou a ira descontrolada das oligarquias, à direita e à esquerda. Quem tiver neurónios, que pense.

Alívio para dentro da área

Os nossos heróis caíram em terras espanholas. Cristiano, o melhor futebolista do mundo, falha penalidades decisivas. Mourinho, o melhor treinador do mundo, é incapaz de eliminar alemães mesmo jogando contra eles em casa durante 120 minutos. Sá Pinto, o mago da mística, não convenceu os deuses a darem-lhe a sorte do jogo.

É um alívio. Vamos ser poupados a dias, semanas e meses de nacionalismo esférico produzido em doses industriais pelas nossas rotundas classes jornalística e comentarista. Carlos Moedas não dirá que a presença nas finais era um sinal de confiança dos mercados. Relvas não irá a Bucareste dizer que a sua filha tem muito orgulho no pai viajado que tem. Cavaco não fará um comunicado a enaltecer a sua gloriosa visão para Portugal: um imenso relvado, com rapazes em calções a correr atrás de bolas fabricadas na China e vaquinhas a sorrir.

Vinte Linhas 771

Cristiano Ronaldo – o que eu gostaria de lhe dizer

Força Cristiano! A poucas horas do jogo com o Bayern pego numa velha fotografia que testemunha uma reportagem por mim assinada no jornal do Sporting Clube de Portugal. Algures em Alcântara durante uma vaga de frio em Lisboa o jovem jogador mostrou-se disponível para ajudar os sem-abrigo de Lisboa e eu estava lá. Se pudesse continuar a conversa gostaria de te lembrar que já com doze anos tu fazias aquele gesto de «calma!» depois de marcar um golo decisivo e que, como nada acontece por acaso, o mesmo senhor Aurélio Pereira que fez tudo para o Dr. Simões de Almeida assinar a tua vinda da Madeira para Lisboa foi o mesmo que ajudou a descobrir (entre outros) o Paulo Futre, o Ricardo Quaresma, o Simão Sabrosa, o Luis Figo e o Luís Carlos Cunha – Nani. Depois da tua vitória no sábado regalei-me com a derrota da equipa da UNICEF às mãos do Chelsea por causa das 4 grandes penalidades de 2009 em Stamford Bridge – tão óbvias que até o meu amigo Cruz dos Santos exigiu a irradiação do juiz desse jogo. Desta vez a expulsão de Terry (37m) lembrou-me a de Motta (28m) quando o Inter de Mourinho lá foi vencer e eles ligaram os sistemas de rega. E os do Chelsea perderam Cahill aos 12 m. adaptando então Bosingwa a central ao lado de Ivanovic e com Ramires em defesa direito. O árbitro ainda arranjou uma grande penalidade a lembrar as outras de Stamford Bridge mas nada feito. O tal jogador imortal não acertou na baliza.

Força Cristiano! Por todos os sonhos que se perderam nos corredores do velho «Lar do Jogador» onde vieste encontrar a D. Isabel, o teu patrício Leonel Pontes e o Paulo Cardoso. Pelo senhor Aurélio Pereira, pelo senhor Juca, pelo senhor Atanásio, pelo senhor Rui Vide, por todos os teus amigos, um pouco também por mim e por todos nós, Força Cristiano!

Não é ser ingrata ou estúpida; é não ter a noção. Nenhuma. Valha-nos respostas como esta

“A verdadeira revolução foi a entrada na CEE”
(Maria Teixeira Alves)

“Não deu pelas comemorações porque não passou na Avenida da Liberdade nem no Rossio, onde apesar da chuva por vezes intensa encontrava cravos, milhares de pessoas, cravos, chaimites, cravos e música. Ah, e cravos, já disse?

Quanto ao resto, de facto não ter memória é uma coisa chata. Mas pior do que isso é fazer por esquecer. Pois não acredito que não saiba, ainda que só tenha aprendido mais tarde, que havia uma série de traços do Portugal anterior a 74 cujo desaparecimento no dia 25 de Abril se pode considerar revolucionário: uma ditadura, censura, uma ditadura, ausência de eleições, uma ditadura, guerra colonial, uma ditadura, polícia política, uma ditadura, repressão sobre os estudantes, uma ditadura, ausência de direitos laborais sérios, uma ditadura, inexistência de sindicatos livres, uma ditadura, isolamento internacional, uma ditadura, inexistência de serviços de saúde universais e uma taxa de mortalidade infantil medieval, uma ditadura, analfabetismo galopante, uma ditadura… E, é verdade, já me esquecia, uma ditadura…

Se calhar para si era só um senhor com programas de televisão cinzentos como o regime. Para muitos era a prisão, a devassa da vida privada, os ossos partidos, a miséria de não ter pão e a negação da dignidade elementar. Acabar com isso, revolucionário? Concerteza que não.

Aposto uma sardinhada em como não vai publicar o comentário. Mas mesmo ficando só entre nós, espero poder ter pelo menos motivado uma necessidade de pensar duas vezes antes de voltar a insultar quem foi libertado a 25 de Abril de 74. Para os carcereiros e seus amigos é que, de facto, a diferença se calhar foi pouco notória”.

Pedro Delgado Alves

PS: Diz que ser uma ditadura também não facilitava entrar na CEE, já que se fala nisso. Aparentemente o folclore ajudou qualquer coisinha.

Elogio e incentivo à concorrência

Todos os que circulam pelos templos da blogosfera se deram já conta de que algo de estranho calou subitamente o Câmara Corporativa, o mais poderoso blogue do centro-esquerda, apoiante das candidaturas de José Sócrates, e plataforma de excelência de um duplo contrapoder: perante os chamados estarolas que agora nos governam e perante os meios de comunicação social em geral medíocres e/ou preguiçosos e/ou domesticados que nos informam. O CC tornara-se, há anos, um local de visita diária obrigatória. Muitas notícias só fazem sentido depois de lermos o Miguel Abrantes, o João Magalhães ou o Afonso.

Não nos é difícil imaginar o empenho e o trabalho dos seus autores para produzirem peças daquela qualidade e com aquela cadência. Nem o desgaste que tal implica. Mas se for o cansaço físico ou intelectual a razão do silêncio, possivelmente deveríamos sabê-lo. Gostamos deles.

Tudo indica que a suspensão da atividade, apenas interrompida ontem, seja por tempo indeterminado, sem que ninguém perceba porquê. Os comentários que continuam a ficar registados na caixa de correio são bem testemunho do interesse, do apoio e do carinho, quando não da dependência e da orfandade, dos leitores. É desolador e também preocupante.

Quem já estranhou terá decerto engendrado múltiplas e variadas hipóteses, algumas provavelmente delirantes, outras nem tanto, outras plausíveis mas inaceitáveis, num processo absolutamente compreensível. Se estou a dramatizar, os autores que me desculpem e, já agora, que regressem, caraças.

Uma pomba em Óbidos

(foto de Abílio Leitão)

Na estrada velha a caminho das muralhas,

de súbito,

uma pomba da paz fazia alto aos condutores na subida.

Pomba da paz ou mão aberta como lhe chamou o escultor José Aurélio.

Muito se discutiu o conteúdo da mensagem

mas o presidente da Câmara aceitou a versão do artista.

Veio gente de Lisboa para lembrar que o país estava em guerra

e a pomba não podia ser.

Hoje é tudo veloz na pressa da auto-estrada

e quase ninguém repara na mão aberta à esquina

de quem sobe a estrada velha.

No silêncio da pedra uma pergunta que se repete nos dias:

pomba da paz ou mão aberta?

Da importância do simbólico

Contra o hipócrita senso-comum a bailar em tantas bocas: neste 25 de Abril houve uma coisa boa. Mário Soares decidiu não ir às comemorações do dia na Assembleia. Choque! Está a solidarizar-se com os outros, que também não vão. E o Manuel Alegre também não vai!
Pois é. Centro-me em Mário Soares, porque lhe devo uma luta contra o fascismo e a luta determinante pós-25 de Abril contra a tentação totalitária. Devo-lhe a liberdade. Foi PR, o que indigna mais a ausência.
Pois é. Diz Passos que “está habituado a ver pessoas quererem ganhar protagonismo em certas datas”. O tecnocrata não percebe nada de nada, sabe bem que Mário Soares não precisa de nada de nada, mas num momento de desesperança de milhões de pessoas, num momento de desmantelamento do contrato social que nos une há décadas, Mário Soares fez mais não indo do que proclamando o Estado Social de uma varanda.
Temos todos de concordar? Não. Claro que não.
Pois é. A questão é outra, enquanto a direita clama que o voto é livre, esquecendo-se que deve obediência a uma Constituição, Mário Soares dá um murro na mesa e diz: – “este ano não vou”.
Não há agenda. Este gesto omissivo releva do simbólico, tão importante da vida e do discurso político.
E tão esquecido.