Esquizologia

Não queremos que pensem que somos esquizofrénicos.

Passos

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O uso de esquizofrénico como adjectivo no discurso político está em alta neste mês de Fevereiro e atingiu políticos e comentadores por igual, na direita como na esquerda. Começou com a entrevista de Relvas à RDP, no dia 2, termina a 29 com o Primeiro-Ministro.

Alguém, de preferência na área da saúde mental, devia dizer uma palavrinha sobre o assunto, nem que fosse para aliviar o estigma que permanece como factor escondido de agravamento da doença dos verdadeiros doentes.

Como é que aqui chegámos e para onde vamos (momento verde)

Ultimamente, notícias da vida passada neste planeta não faltam.
Ele são as flores ressuscitadas da Sibéria (bem bonitas) a partir de material genético de tecidos congelados com mais de 30 000 anos, ele são os pinguins da Nova Zelândia com 4 1,20 metros de altura, que viveram há 25 milhões de anos e cuja reconstituição foi possível a partir de fósseis recentemente encontrados; hoje, são informações sobre o Homem do Gelo, uma múmia muito completa de um antepassado nosso, com 5300 anos, encontrada em 1991 nos Alpes italianos. Segundo as últimas análises, o homem teria 46 anos à altura da morte (um resistente), 1,50 m e olhos castanhos, ah! e, como esta sua descendente, era intolerante à lactose (não sei mesmo que mutação genética terá tornado os humanos não bebés tolerantes a tal substância).
Não tarda muito, poderemos estudar ao vivo um homem de neandertal e ensinar-lhe inglês ou oferecer-lhe um gelado e ver se fica indisposto (todas as experiências em aberto, incluindo o seu acasalamento com um homo sapiens sapiens).

Também fomos lembrados de que há vacas a mais no planeta, requisitam 30% das terras não geladas, o que deteriora consideravelmente a camada protetora de ozono devido ao metano que expelem, havendo já quem se dedique a investigar maneiras de produzir bifes, vá lá, hambúrgueres, sem necessidade de tamanha quantidade de bovinos, que consomem uma quantidade inimaginável (mas já medida) de recursos naturais preciosos. Apenas 15% da matéria vegetal que consomem se transforma em carne. Os novos “bifes” seriam produzidos a partir de células estaminais do animal, transformadas depois em tecido muscular e gordura e depois enriquecidas com nutrientes. Uma mesma vaca poderá produzir o mesmo número de hambúrgueres que um milhão delas atualmente. Será seguramente a ruína do setor agropecuário, sobretudo se admitirmos que, em breve, será também possível produzir pele de vitela em laboratório especialmente destinada à indústria do calçado e marroquinaria… De notar que o hambúrguer resultante da experiência científica custa presentemente 250 000 euros e que o cientista responsável ainda não foi abatido nem pediu guarda-costas.

Shame on you, Bloco Central

Marcelo Rebelo de Sousa esteve hora e meia no Bloco Central e nenhum dos três bravos companheiros de palestra aproveitou para lhe pedir a sua professoral opinião a respeito da “Inventona de Belém”. Tendo em conta a inaudita gravidade do caso, o seu picaresco e a superioridade analítica do convidado, perdeu-se uma oportunidade de ouro para finalmente recebermos de alguém com autoridade jurídica, política e moral um esclarecimento definitivo a respeito.

Compreendendo eventuais melindres nessa matéria que justifiquem a timidez interrogativa, já acho inaceitável que os estimados feitores do Bloco Central não tivessem repescado esta passagem da mais recente lavagem cerebral:

Ah, e a Espanha quer mudar as metas do défice… Mas a Espanha não está com um programa com a troika. Ainda está na fase anterior, está na fase que nós estávamos com o Sócrates, que era discutir se realmente o défice pode ser um bocadinho maior ou menor.

Marcelo estava aqui a justificar o discurso do Governo de recusa de qualquer alteração ao acordo com a troika enquanto outros países europeus já iniciaram negociações para atenuarem as medidas de austeridade, dessa forma facilitando a obtenção de crescimento ou diminuindo o risco de recessão. E saiu-se com esta verdade: a Espanha poderá adoptar políticas mais inteligentes porque não se enfiou no beco sem saída do resgate. Ora, se na TVI não houve ninguém para continuar o raciocínio, esperava eu na minha santa ingenuidade que o melhor espaço de debate político no País não deixasse fugir os corolários. E que são estes: se o acordo com a troika impede Portugal de estar agora a fazer o mesmo que Espanha e Irlanda, então estávamos melhor sem esse acordo; e se teria sido preferível não ter recorrido à “ajuda externa”, então aqueles que a pediram insistentemente, mais aqueles que a provocaram ao boicotarem uma alternativa, são os responsáveis por estarmos fatalmente incapacitados de defender os nossos interesses.

A pergunta a fazer seria, pois, a seguinte: quantos valores dá o professor àqueles que impediram Sócrates de continuar a lutar por melhores condições para os portugueses tal como agora Rajoy está a lutar por melhores condições para os espanhóis?

Um livro por semana 278

«O Mundo que eu vi» de Genuíno Madruga

Oriundo de uma família de emigrantes, Genuíno Madruga (n. 1950) não seguiu o exemplo dos irmãos e da irmã («A minha América foi a pesca») e aos 13 anos vendeu o seu primeiro peixe (um congro) por 30 escudos. No Peter Café Sport (Horta) Genuíno Madruga conheceu, entre muitos aventureiros do mar, Marcel Bardiaux, cujos livros foram fundamentais para a sua passagem pelo Cabo Horn e pela sua entrada na reservadíssima confraria dos Capitães do Cabo Horn (Chile).

Depois de referir a frase de Bardiaux («Que cemitério de barcos!») sobre os canais da Patagónia, vejamos as memórias da página 91 do livro: «Naveguei sempre que possível pelos mesmos sítios por onde Bardiaux navegou. Por um lado procurei ver e comparar, quais as diferenças ocorridas após cinquenta e seis anos. As ilhas descritas ainda lá estavam, quando ao cascos de navios, nada. Em dois ou três locais, vi restos de navios encalhados, certamente bem mais recentes.»

Este volume de 210 páginas, regista em texto e imagem a segunda viagem de Genuíno Madruga dobrando o cabo Horn do Atlântico para o Pacífico. Iniciada em 25-8-2007 e terminada em 6-6-2009, já antes o grande navegador português tinha efectuado outra viagem de circum-navegação começada em 28-10-2000 e concluída em 18-5-2002. No seu veleiro «Hemingway» deu a segunda volta ao Mundo e só lendo página a página se entende o alcance de um feito como este: mesmo sendo um homem do Mar procura sempre em Terra inteirar-se da vida da comunidades portuguesas por onde passou. Em suma – uma Peregrinação no século XXI.

(Editora: Ver Açor, Prefácio: Carlos César, Testemunho: Fernando Menezes, João Gomes Vieira, João Bosco Mora Amaral, Sidónio Bettencourt, Nota final: Fernando Ranha, Design: Helder Segadães, Fotos: Nuno Sá, Pedro Madruga, Marco Dutra, Margarida Madruga, Beatriz Madruga e André Brandão)

Enquanto Portugal aprova o CPMS e diz porra, também já chega

Depois do Ministério Interior Indiano anunciar a penalização das relações homossexuais, temos o Uganda: a polêmica lei anti-homossexuais proposta por um deputado ugandense em 2009 será revisada no Parlamento do país africano, incluindo algumas remodelações, como a substituição da pena de morte pela prisão perpétua..
Conheço alguns preceitos da lei, como este: os pais que se recusem a denunciar um filho homossexual também são criminosos.
Estas são as leis que consideram que há algo de profundamente errado com a homossexualidade.
Por cá não há nem uma, pois não?

Uma pergunta que ganha importância a cada dia: como é que chegámos aqui?

A comunicação social tinha-lhe perguntado se tinha esperado por esta campanha eleitoral para assumir todas as divergências que tem com o Governo do PS.

O candidato presidencial apoiado pelo PSD, CDS-PP e MEP acrescentou: “Eu já disse, e repito, que, em relação a qualquer Governo, serei muito exigente pela situação crítica em que o país se encontra, mas sempre aberto a cooperar com o Governo para resolver os grandes interesses nacionais”.

Depois, alegou que não se tem pronunciado sobre “medidas concretas”, porque não quer “entrar na luta político-partidária”, preferindo “ficar pelo enunciar de princípios, de orientações gerais, de estratégias para o futuro”.

Referindo que “um Presidente da República não tem programa, tem compromissos traduzidos sob a forma de orientações gerais para a sua atuação”, Cavaco Silva convidou os portugueses a lerem o manifesto que lhes dirigiu: “Aí eu digo claramente como me proponho atuar no futuro”.

Cavaco, declarando na última semana de campanha vir a cooperar com o Governo em exercício para juntos encontrarem soluções para a crise

«As medidas que agora aparecem são melhores para os portugueses» do que as do PEC 4, afirmou, recordando contudo que «é um programa de austeridade, que é preciso por causa de seis anos de Governo socialista, que levou o país à beira da bancarrota».

Eduardo Catroga critica a atitude do Governo que se «apresenta como vítima e como vencedor de uma negociação que foi sobretudo negociada pelo maior partido da oposição». «O PSD deu um grande contributo para este processo. Portugal vai ter uma grande oportunidade para fazer as medidas que se impõem, para dar esperança», disse ainda.

«Tivemos uma reunião altamente frutuosa com a troika, que percebeu a nossa atitude diferenciadora, de defesa do Estado social. O PEC 4 ataca pensões, não falava em reduzir o gordo estado paralelo…»

Catroga, no final das negociações, declarando que o PSD defendeu o Estado social junto da troika e que Portugal vai entrar em crescimento com o acordo alcançado

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24 de Fevereiro de 2012 – a “consciência” que assolou o Parlamento

Decorreu no dia 14 na Assembleia da República a discussão e a votação dos projetos-lei do Bloco de Esquerda e do Partido Ecologista “Os Verdes” sobre o alargamento da possibilidade de adoção a casais do mesmo sexo. Foi também votado o projeto do BE que previa a alteração do Código do Registo Civil de forma a acolher a possibilidade de uma criança ser registada com dois pais ou duas mães. Pela segunda vez este ano, o Parlamento votou a favor da discriminação.
Como parlamentar, tenho vergonha desse dia. A casa da democracia, no debate mais pobre a que assisti nos últimos tempos, invocou a “consciência” para que cada Deputado, exceto os proponentes, votassem livres como passarinhos.
Consciência? Do quê?
A possibilidade de adoção por casais do mesmo sexo permitida em muitos mais países e estados do que o CPMS é uma questão que a democracia devolve à “consciência”? Da minha consciência faz parte um leque de coisas, como uma fronteira entre o moralmente aceitável e o seu inverso, não faz, não lhe pertence certamente, o fim de uma discriminação fundada no preconceito e na ignorância.
Todos os Deputados sabem que há famílias homoparentais, todos os Deputados sabem da agonia de essas famílias não terem por parte da lei uma proteção da criança idêntica à das famílias em que há um pai e uma mãe, todos os Deputados receberam estudos que já cansam de barbados favoráveis à admissão da adopção por casais do mesmo sexo.
Por quê? É bom para o tão exclamado interesse da criança quer quando a família já existe de facto quer quando se coloca a abertura de mais candidatos à desinstitucionalização de crianças.
Consciência? Talvez do preconceito e da ignorância, impedindo a proteção das crianças e a adoção, naturalmente avaliada caso a caso (havia quem não soubesse isso).
Consciência? Dizia-se no debate que “só está em causa o interesse superior da criança”, não há um “direito a adotar”.
E se fossem passear os neurónios?
Sim, no processo de adoção tem-se em conta o superior interesse da criança, mas também, até porque o adensa, a vontade inabalável de quem quer adotar. E por isso sim, há um direito a ser-se candidato à adoção, e por haver esse direito, essa vontade, esse desejo de fazer alguém feliz e nessa felicidade a sua, o interesse da criança sai beneficiado, pelo que a lógica é circular.
Que vergonha saber que tenho um direito que para mal de tantas crianças e de tantos casais faz parte de um condomínio, por causa da “consciência”.
Vamos ver quantas questões de direitos fundamentais serão catalogadas como sendo de consciência.

Vinte Linhas 741

Coisas insólitas que acontecem no Aspirina B

O facto de ter atingido o texto «Vinte Linhas 740» veio chamar a atenção para um comentário maluco que foi editado aquando do «Vinte Linhas 500» quando um parvalhão qualquer escreveu o seguinte – «Pronto, já chegaste ao quinhentos, já te podes pôr na alheta». Esta ideia de que eu poderia desistir por causa de um comentário maluco está completamente fora de questão. Eu não desisto por um comentário de um atrasado mental qualquer mas compreendo a ausência de outros comentários aos comentários malucos. E isto porque falo com diversas pessoas que de um modo geral me transmitem uma ideia sobre o Blog Aspirina B – «Leio mas não comento». Almocei nas portas de Santo Antão com um leitor habitual, tomei um café nos Armazéns do Chiado com outro, recebo informações de um outro leitor em Santarém mas há um ponto comum a todos eles: «Vejo mas não perco tempo com comentários». Seja em Ponta Delgada, no Porto, na Ericeira, em Angra do Heroísmo, em Amsterdão, em Londres, em Madrid ou em Paris, os vários leitores e leitoras dispensam comentários para não se misturarem com o lixo humano que por aqui aparece. Mas não deixam de testemunhar esse facto perante mim.

Outro comentário maluco surgiu há pouco tempo no texto «Vinte Linhas 739» sobre o livro «Trabalhos e paixões de Fernando Assis Pacheco» em que alguém, de modo louco, confundiu FAP (Fernando Assis Pacheco) com FAP (Força Aérea Portuguesa). O que eu escrevi foi que tendo FAP nascido em 1937 não poderia ter feito a tropa com HH nascido em 1930. HH é obviamente o poeta Herberto Helder. Mas a vida continua e amanhã é outro dia – esta gente não conta para nada, nada decide nem nada influencia. Ainda bem.

Futebol não é metáfora, é metonímia

Condeno os amarelos por palavras dirigidas aos árbitros, já conversámos sobre isso no grupo, e ficou claro que esses cartões têm de ser evitados ao máximo.

Vítor Pereira

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É das coisas mais estúpidas que se vê em campo, os protestos contra as decisões dos árbitros. Evidência de que o futebol não é uma actividade profissional, pois esses jogadores que protestam cresceram a ver que os protestos nunca produzem o efeito desejado, aumentando o risco de levarem a um cartão de imediato ou na repetição da estupidez. Ora, já muito jogador dito profissional acabou expulso, ou a não poder jogar na partida seguinte, por causa das suas infantilidades. Se os clubes supostamente profissionais fossem geridos e/ou treinados por verdadeiros profissionais, jamais esses jogadores repetiriam as irracionalidades que só causam prejuízos a quem lhes dá aquilo com que se compram os melões a troco de andaram a correr em calções aos domingos.

Parabéns, pois, ao Vítor Pereira por estar a trazer o assunto à baila e a mostrar que pretende ser um profissional do futebol.

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Já no ano passado foi assim: Jesus começa a ganhar, anda umas jornadas embalado e de repente começa com um discurso mágico onde o Benfica deixa de ser uma mera equipa de futebol e se transforma na versão pontapé na bola dos Globetrotters. Pouco depois, inexplicavelmente, o esférico deixa de entrar. E a culpa passa a ser do árbitro.

Eis o peso de um nome: a auto-crucificação.

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Se o Domingos quisesse ficar no Sporting nunca teria insultado o clube como o fez ao reagir às críticas do João Braga. Acresce que a sua presença no banco irradiava insegurança e cerebralismo. Ele não se sentia parte da equipa, era o seu capataz preocupado com a imagem que tinha ou deixaria de ter. Por isso começou a despejar a sua frustração para cima dos jogadores nas entrevistas, explicando os maus resultados por falta de empenho de alguém nunca nomeado, logo de todos.

Sá Pinto, que jamais terá boa imprensa mesmo que ganhe a Champions com uma equipa de juniores, está durante o jogo a aplaudir a mera intenção dos jogadores até quando não finalizam bem. O resultado tem sido um futebol tão mau como o pior de Domingos, mas com a fezada suficiente para ganhar. Os jogadores são os mesmos, a táctica é a mesma e a substituição de um treinador por outro a meio da época é a prova provada da fantochada em que consiste a função. A única diferença tem de ser atribuída à mística. Aquilo que, no fundo, se vai sentir e celebrar num estádio.

Quando a forretice moralista alemã colide com o dinheiro do G-20

“Os países ricos deram este fim-de-semana novos passos para criar um “muro de protecção” mundial, mas deixaram claro que aquela que é maior ameaça à economia global – a crise da dívida europeia – tem de ser resolvida primeiro dentro de portas, o que implica cedências da parte da Alemanha. Os líderes mundiais vão esperar para ver o que sai da cimeira europeia desta semana […].

[…] Ou seja, não há acordo do G20 para reforçar em 500 a 600 mil milhões os meios do FMI (que ficaria assim com um “poder de fogo” de quase um milhão de milhão) enquanto a zona euro não reforçar os seus meios de combate.”

(Fonte: Público (sem link))

Parece-me uma reação totalmente lógica que muitos países do G-20 se recusem a contribuir com mais dinheiro para a resolução da crise financeira europeia até que os próprios europeus (leia-se «os alemães») abram os cordões à bolsa. Compreendo que países como os Estados Unidos, a China, o Brasil ou a Austrália não considerem admissível que a Alemanha, que se fartou, e farta, de ganhar dinheiro à custa dos seus parceiros continentais, incluindo os da mesma aliança monetária, ora incentivando-os a consumir, ora impondo-lhes uma dieta que lhes suga as economias só porque os seus bancos (os primeiros incentivadores ao consumo) se viram de súbito em grandes dificuldades graças ao jogo financeiro internacional, prossiga uma política sovina de poupança interna e de austeridade falsamente monástica ao mesmo tempo que impõe às populações circundantes o desemprego e a pobreza, ainda lucrando pelo caminho com a contratação dos quadros mais qualificados desses países. Alguém de fora que imponha ordem e justiça cá no burgo, mesmo recorrendo ao mesmo argumento por aqui usado: o da força do dinheiro.

Impressionar a troika, brilhar para a troika, seduzir a troika

Dogma Overturned: Women Can Produce New Eggs
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Anticipation of Stressful Situations Accelerates Cellular Aging
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Trusting Feelings When Predicting Future Events: The Emotional Oracle Effect
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Gay Judge Refuses to Marry Straight Couples
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The Very Real Pain Of A Broken Heart
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In the Genes, but Which Ones? Studies That Linked Specific Genes to Intelligence Were Largely Wrong, Experts Say
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Recharge Your Cell Phone With a Touch? New Nanotechnology Converts Body Heat Into Power

Atlas da situação

De Francisco Assis a Santos Silva, de António Costa a Vital Moreira, de Luís Amado a Teixeira dos Santos, de Pedro Silva Pereira a Maria de Lurdes Rodrigues, e em muitos outros políticos protagonistas do ciclo anterior pelo PS, constata-se que as suas intervenções públicas são exemplares no respeito pelas instituições e papéis inerentes às funções e aos momentos que Ministros e País atravessam. Assistimos a explícitas defesas de certas acções do Governo por parte destes ex-governantes e altas figuras do partido, chegando ao ponto de fazerem pedagogia política, e cívica, quando não exploram o conflito decadente entre o decadente Cavaco e o decadente Governo e quando protegem o discurso em que Passos Coelho se recusa a admitir qualquer fragilidade no cumprimento do acordo com o trio de credores.

De facto, é óbvio que o Primeiro-Ministro não pode dar qualquer sinal de reconhecimento do provável falhanço deste 1º resgate, pois isso só iria aumentar o problema ou impedir fatalmente a sua resolução. Isto é evidente. Tal como evidente era a lógica que levava Sócrates a dizer exactamente o mesmo numa situação análoga, cumprindo com a sua obrigação. Caso Sócrates dissesse que Portugal precisaria de um empréstimo de emergência antes de ter esgotado todas as alternativas, seria ele o único responsável por esse desfecho. Porém, toda a oposição declarava que essa postura era irrealista e que Sócrates não passava de um mentiroso. Um mentiroso irrealista, portanto, oxímoro para consumo dos broncos alimentados a palha e baldes de merda por uma comunicação social em campanha permanente pelo falhanço dos esforços do Governo socialista na tentativa de encontrar uma saída que evitasse a ruína presente. Era tudo mau. Era tudo culpa de um homem muito mau. Satânico.

Assim que esta direita partidária conquistou o poder, de imediato introduziu a causa Europa nos seus discursos a respeito da origem e resolução da crise e apelou à união nacional. Caso não tivesse tomado o poder, estaria ainda hoje a fazer o que fez desde 2008 num combate de vida ou morte: ininterruptas campanhas de assassinato de carácter, golpadas judicial-mediáticas, boicote legislativo, aproveitamento das comissões no Parlamento para difamações sistemáticas, ataque à credibilidade das instituições com tutela do Estado, promoção da desconfiança pública a respeito das informações fornecidas por entidades estatais, ocultação ou denegação de qualquer dado positivo acerca da realidade nacional, activa produção de imagens negativas de Portugal no estrangeiro, apelos à insurreição popular espontânea contra o Governo e os serviços públicos. Tudo isto de mãos dadas com os aliados vermelhos, iguais na demência de preferirem a terra queimada à negociação com aqueles que não toleram e gostariam de ver desaparecer para sempre.

Moral da história: o PS leva o regime às costas.

Vinte Linhas 740

Memória para um lagar perdido (foto de Carmen Carvalho)

Depois de 1957 já se pedia em Santa Catarina uma gambiarra emprestada mas até essa data era tudo feito no lagar à luz dos candeeiros de petróleo. A adega era então o esplendor dos objectos: funis, dornas, celhas, cascos, pipas, barris, tinas, esmagadores, prensas, cordas – todo um mundo de objectos e alfaias agrícolas. No Verão meu avô era tanoeiro (além de carpinteiro no Inverno) e ia em Setembro com o senhor Josué (seu patrão) vender a obra à Feira de Rio Maior numa camioneta Dodge alugada de um ano para o outro. O padrinho da minha avó era tão perfeito no fabrico do vinho branco que vinham padres de longe (Salir de Matos, Carvalhal, Vimeiro, Turquel) buscar garrafões de cinco litros para as missas. Eles vinham de bicicleta, eram os anos cinquenta e muitos padres ainda não tinham automóvel.

Continuar a lerVinte Linhas 740

Falar verdade aos portugueses – Casos práticos

O Presidente da República, Cavaco Silva, continua sem explicar qual o “impedimento” que o impossibilitou de realizar a visita à escola artística António Arroio, em Lisboa, há precisamente uma semana. Recusou ainda dizer se já sabe quanto é que vai receber de reforma do Banco de Portugal.

Questionado sobre o assunto, ao final da manhã, no arranque do V Roteiro para a Juventude que iniciou no Norte do país, não esclareceu qual a razão que o impediu de visitar a escola que tinha à sua espera uma manifestação de alunos.

Cavaco Silva fala num impedimento de última hora, que não especifica, e faz questão de relembrar o seu percurso político, quase a justificar que não foi a manifestação dos estudantes o motivo pelo qual desmarcou o encontro.

Questionado pelos jornalistas se já sabe quando é que vai receber de reforma do Banco de Portugal, depois de há algumas semanas ter dito que as pensões mal lhe chegam para as despesas, Cavaco Silva limitou-se a responder: “Neste momento entendo que não devo contribuir de forma nenhuma para aumentar polémicas ou desinformações.”

Cavaco recusa esclarecer casos António Arroio e pensões de reforma

Num jornal abjeto só pode trabalhar gente estúpida

Comprei o Correio da Manhã e não dei o dinheiro por mal gasto. Aqui declaro, alto e bom som, e com grande fundamento, que este diário é um nojo.

Uma jornalista de nome Sónia Trigueirão decidiu publicar uma conversa telefónica entre José Sócrates e o reitor da Independente na altura da campanha do curso, encimando-a com uns títulos que convocam o escândalo. Aconselho vivamente os interessados a irem à tasca mais próxima, ou ao respetivo caixote do lixo, e gastarem três minutos com a leitura de tal coisa. Tão ilustrativa peça de infâmia não há. Terão oportunidade de confirmar 1) a obsessão patológica do jornal e 2) como a publicação de “revelações” como esta os descredibiliza ainda mais, tal a naturalidade e sinceridade do diálogo reproduzido. Nunca ali é pedido que se falsifique ou aldrabe seja o que for. Sócrates autoriza mesmo (como mandam as regras) o jornalista do Público a consultar os documentos pretendidos.

Nada naquela conversa belisca a imagem de decência do ex-primeiro-ministro. Nada. A jornalista, pelo contrário, presta-se a revelar um nível de competência abaixo de zero na interpretação da realidade. Devia ter vergonha de sair à rua. Está ao serviço de gente sabuja e de uma causa muito pouco nobre.

(não há link, a coisa não está online)

Louçã, um neoliberal afinal

Portugal tem que ter “coragem” para “despedir ´troika´”, diz Louçã

Louçã, o genial estratega que tem conseguido manter o BE nesse éter nefelibata donde os puros da esquerda pura escarram para cima dos vendidos que têm os pés na terra, a inteligência rara por detrás da reeleição de Cavaco, o paladino da renovação partidária na mesmidade, quer agora despedir aqueles senhores que ele ajudou a contratar. É que nem sequer um ano passou desde que Louçã disse que o chumbo do PEC IV seria o começo do fim da crise e já anda a querer ver-se livre dos que vieram para cumprir a sua profecia.

Louçã é um daqueles neoliberais que acha que o mercado da demagogia é que deve ditar as leis da empregabilidade das ideias. Não admira que a rotatividade da sua retórica seja intensa e o custo do trabalho intelectual baixíssimo.