Encafuados na toca

A entrevista de Passos Coelho confirmou a percepção que se tem dele desde que foi considerado persona non grata pela iluminada Ferreira Leite: existem mais espaços vazios entre as suas duas orelhas do que entre a Lua e a constelação de Centauro*. Com regular cadência, objectos variados atravessam esses espaços. O último foi a ideia de que o Banco Central Europeu, afinal, e evidentemente, se calhar, pois é, até devia ser mais interventivo. Mas não se espere que Passos saiba donde vêm esses objectos, sequer para onde vão, porque o seu vácuo espacial é demasiado extenso e tenebroso para que ele consiga descobrir a direcção destes corpos velozes.

Já a discussão posterior na SIC Notícias confirmou que David Dinis, editor de política no DN, é um fanático laranja. Não que precisássemos dessa confirmação para alguma coisa, posto que o jornal do Marcelino foi transformado num pasquim ao serviço do PSD durante a campanha eleitoral para as legislativas. O que tem interesse é observar como os patrões da imprensa se deixam afundar num sectarismo político que só piora a crise em que estão mergulhados por díspares e complexos factores. Pois que se fodam todos juntos.

Finalmente, também ficámos a saber que a deliciosa Ana Lourenço acha que o anterior Governo devia ter chamado a Troika muito mais cedo. Aqui, tenho um conselho a dar: Ana, cuidado com as companhias, especialmente as de televisão.

O pior da fruta: um cerejo e Verde

Lemos há dias que o Público estava com dificuldades de ordem financeira e que até iria reduzir o salário dos colaboradores. Talvez para aliviar o sufoco vendendo uns exemplares valentes, encomendaram uma “investigação” ao jornalista Cerejo, o que tem como dossiês exclusivos ora Sócrates ora António Costa (mas, com tantas qualidades investigativas, não se percebe porque nunca lhe deram o caso BPN).
Hoje calha a vez a Sócrates, o grande objecto do seu ódio. E o que “investigou” o jornalista? O processo académico de Sócrates na Independente, aproveitando a saída de um livro. Grande ponto de interesse do artigo: O antigo administrador da Independente, e autor do livro, diz ter consigo os originais dos documentos que serviram de base à investigação do DCIAP.
Primeira pergunta de qualquer leitor: E são discrepantes em relação às cópias? Parece que não.
Segunda pergunta: E porque não os entregou na altura? “Ninguém mos pediu”, responde Verde.
Se continuar por esta via dos “scoops” ocos, o Público extingue-se, o que é de lamentar, porque ultimamente estava francamente parecido com um jornal decente.

Mil nove cinquenta e sete

No ano dessa fotografia

De autor não identificado

Ouvira eu uma profecia

Logo fiquei preocupado.

Eu iria ser um fragateiro

Se não fizesse a Admissão

Para Lisboa, para o Barreiro

Conforme carga e direcção.

Nesse tempo a mercadoria

Na fragata, no varino, na falua

Chegava a Lisboa no outro dia

A cortiça ficava às vezes na rua.

Ao lado era o cais dos Vapores

O mestre trazia a água no barril

O fato de cotim dos trabalhadores

Dava-me o meu futuro de perfil.

No ano em que a ponte teve início

Comecei a trabalhar todos os dias

Não foi fragateiro o meu ofício

Não acertaram essas profecias.

Breu

Não dá para escrever muito sobre este governo. Não que não haja assunto, longe disso. Aliás, o nível de disparate é tal que a tarefa é fácil. Demasiado fácil. Todos os dias, literalmente todos os dias, sabemos mais uma mentira, mais uma demonstração de ignorância, mais uma manipulação básica, mais uma hipocrisia, mais um atentado contra os interesses do país, mais um passo em direcção ao abismo que toda a gente sabe ser inevitável, e que tanta gente finge que não é. O ramalhete é completo: um primeiro-ministro que entende os interesses da Alemanha como superiores aos do seu próprio país (há um nome para este comportamento), um ministro da economia cuja absoluta ignorância, incompetência e completa falta de perfil se unem ao sorriso parvo numa combinação circense letal, um ministro das finanças que é uma caricatura do contabilista austero, um ministro da propaganda que, mais do que parecer, é a própria encarnação do vendedor de carros usados num stand manhoso do Cacém, uma ministra da justiça que representa todos os ódios e preconceitos de um sector profundamente podre, uma ministra da agricultura que, sempre que aparece, sempre que diz alguma coisa, testa a nossa capacidade de não libertar o João Braga que há em nós, um ministro da solidariedade que já se cansou do número da Vespa, a única coisa pela qual até agora se notabilizou, um ministro da educação que acha que esta se esgota no ler, escrever e fazer contas, e que de resto não tem a mínima ideia do que quer e faz questão que todos saibam. Já para não falar dos secretários de estado, que tentam por-se em bicos dos pés afirmando disparates em medida ainda maior do que os respectivos ministros, porque já perceberam onde está a bitola, e os “especialistas” e “grupos de estudo” que apenas revelam, em todo o seu esplendor, porque é que foram durante anos postos completamente à parte de qualquer intervenção na coisa pública, e de onde vinha afinal tanto ressentimento.

Estamos portanto entregues a esta matilha disforme. Se há uma demonstração inequívoca do nível básico que estas pessoas representam, é sem dúvida esta: conseguem fazer com que Cavaco Silva pareça um estadista. E sendo assim, QED.

Por isso, não dá para escrever muito sobre este governo. Não há nada de substancial a debater, nada que abra uma discussão saudável e esclarecedora, nada que desafie a inteligência, apenas uma sucessão de broncas e broncos que se levam a sério enquanto destroem alegremente o país com a sua ignorância alarve. Dá para facilitar imenso a vida ao Corporações, já que nem é preciso desenvolver muito os temas (adeus gráficos e análise em profundidade, não é Miguel?), basta escarrapachá-los no blogue de tão óbvios que são. Um governo, e uma direita, cuja primeira e muitas vezes única reacção possível ao que dizem e fazem é um rebolar de olhos, um suspiro, um incontrolável “mas como é que é possível tanta burrice?”.

Há no entanto algo que me deixa curioso: dadas as evidências acima descritas, como é que a esquerda – o PS, diga-se – está como está? Esse é o debate que nesta altura me interessa. E é o debate que, durante a noite de inverno que entretanto caiu sobre Portugal e a Europa, é essencial ter. Não por uma questão de masturbação intelectual, como a chamada “esquerda radical” tanto gosta de fazer. Mas para que haja, o mais rápido possível, uma luz ao fundo do túnel, um caminho claro, uma mensagem. Porque vamos ser francos, nesta altura não é apenas a direita que vive na escuridão. A esquerda – o PS, diga-se –  também lá está. E se mais demonstração fosse necessária, este manifesto em forma de lamento é disso prova. Tem no entanto a vantagem de ser um começo. Não do caminho a seguir, mas do reconhecimento de onde, realmente, estamos.

 

Sem Sócrates seria tudo um mar de rosas

O Governo ficou muito satisfeito com as alterações ao OE que foram apresentadas e aprovadas ontem. Segundo os próprios, prova que esta maioria tem o dom do diálogo, que sabe ouvir e decidir. Mas em lado nenhum se falou de terem chegado a um entendimento ou a acordo com o maior partido da oposição. Nem sabemos se o recuo do Governo resultou efectivamente de negociações com o PS, já que Passos e Seguro passaram os últimos dias a contradizerem-se em relação à existência das mesmas. E é isso mesmo que não se percebe. Então, PSD e CDS, não diziam que bastava Sócrates ser corrido para que o tão desejado entendimento entre os maiores partidos ocorresse sem quaisquer problemas? Passos e Portas, de forma inqualificável, chegaram mesmo ao ponto de pedir a sua saída da liderança do partido. Mas, afinal, com Sócrates, o arrogante com quem era impossível dialogar, fora de cena, o que o PS recebe em troca é desprezo. É assim que a maioria tem recebido as propostas apresentadas pelo maior partido da oposição, o tal com quem o acordo era imprescindível, no dizer de tantos. E nem o facto de o PS ter optado pela abstenção na votação do Orçamento contribuiu para ter direito a um tratamento diferente nos debates que se seguiram.

Não espanta que PSD e CDS quisessem afastar Sócrates, espanta é a ingenuidade dos que acreditaram que sem ele a atitude dos dirigentes daqueles partidos seria diferente. É que para que haja debate e discussão de ideias entre partidos, em primeiro lugar, é preciso tê-las.

Escolas práticas de cidadania

A época em que os blogues estavam na moda passou há muito, tendo o seu auge durado de 2002 a 2004. Em 2005 já havia uma geração de bloggers cansada de teclar e farta das palrações no monitor. A cultura inicial de encantamento e concórdia universal onde o cordeiro adormecia no regaço do leão, um caldo de fusão tribal também possível pelo baixo número e superior qualidade intelectual dos autores e comentadores, tinha sido perdida para sempre com a contínua chegada de novos participantes que não conheciam as regras tácitas, não comungavam numa memória colectiva e, em crescendo, não conseguiam fugir à sua mediocridade cognitiva e moral. Nos anos seguintes, o aparecimento do Facebook e do Twitter levou ao esvaziamento e fragmentação das comunidades blogosféricas, retirando protagonismo aos blogues como vox populi de uma qualquer vanguarda ou elite e levando-os a cristalizarem-se como territórios de expressão individual, atomizada, onde a relevância raramente foge a ser subsidiária de uma marca obtida em esferas de actividade profissional. Assim se explica, em especial, a perenidade de blogues ligados a políticos, jornalistas e académicos.

Apesar deste reordenamento e requalificação da paisagem mediática digital, os blogues políticos foram importantes placas de Petri de 2008 em diante. Neles se assistiu, de forma literalmente obscena, aos processos mais básicos de manipulação da informação, ao lançamento de calúnias surpreendentemente abjectas e a um fanatismo demente que reduziu o debate ao maniqueísmo sem remissão. Estes fenómenos não são novos, estão descritos em todos os canhanhos de História e nos manuais de ciências sociais. A novidade esteve em vermos quem eram os agentes e vítimas da convulsão política que resultava da passagem de um Governo de carisma reformista ao centro, assim anulando a direita e baralhando a esquerda, cruzada com a irrupção de duas das maiores crises de sempre: afundanço da economia global e implosão do Euro. Os blogues, pelo seu extenso e detalhado registo do mundo interior e social dos seus autores, permitiram-nos constatar que o número de pulhas, afinal, iguala, ou até supera, o número de broncos. Essa informação tem inegável valor.

Aqui no Aspirina B tem reinado um regime de livre comentário, embora sujeito ao arbítrio pessoal de cada membro da equipa nas suas publicações. Quem quiser, chega e bota faladura sem precisar de registo e sem esperar para entrar nas conversas. Tem óbvias vantagens, e para todos os envolvidos. Mas igualmente permite que infantilóides, taralhoucos, maluquinhos e canalhas apareçam e empestem o ambiente com as suas descargas peristálticas. Seria preferível expulsá-los do convívio, como se faz em tantos blogues com toda a legitimidade e suposto proveito? A minha tese é a seguinte: aqueles que partilham connosco a sua raiva, a sua desorientação, o seu desespero e a sua tristeza estão a fazer-nos um grande favor – repetem-nos, alguns de forma maníaca, que também eles querem ser parte da cidade. Só por isso, por nos confrontar nos nossos preconceitos e inércias, medos e arrogâncias, a sua presença pode fazer de um blogue uma escola prática de cidadania.

Vinte Linhas 697

No dia do Fado uma Missa em Fado na Basílica dos Mártires

Quem (como eu) sempre ouviu dizer que a Missa tem duas grandes divisões (Catecúmenos e Fiéis) ou quatro (leituras, ofertório, consagração e comunhão) pode começar a pensar noutra divisão: a missa em Fado. Desde o passado domingo dia 27-11-2011 que o Fado, aceite pela UNESCO, entrou de pleno direito no espaço da Liturgia. O Grupo da Missa em Fado é originário da igreja do Santíssimo Sacramento na calçada do mesmo nome mas, por razões logísticas, a missa em Fado aconteceu na Basílca dos Mártires na Rua Garrett. Fazem parte do Grupo: José Campos e Sousa (voz e viola), Filipa Galvão Telles (voz), Bernardo Couto (guitarra portuguesa) e Ricardo Mota (violoncelo). Por uma feliz coincidência esta missa cantada aconteceu no primeiro domingo do Advento e o celebrante usou paramentos roxos. Tal como na Quaresma ou nas Vigílias, esta cor do crepúsculo exprime penitência, purificação e humildade.

Desta vez não havia aquela frase do Diácono como nos primeiros tempos do Cristianismo: «Quem não é baptizado saia, quem é indigno ou culpado sai também!». Tal frase surgiu nesses tempos iniciais depois do Credo. Ainda bem que tal já não acontece, ninguém aponta a dedo os impuros. Curiosamente é de alguns desses (como eu) que se soltam as lágrimas mais salgadas porque a comoção de estar dentro de uma missa em Fado é enorme, é imensa, é ilimitada. Eu fui um dos muitos que se deixou envolver na grande emoção das palavras e da música – em todas mas em especial no «Aleluia», no «Credo», no «Pai Nosso», na «Avé Maria» e no «Senhor eu não sou digno». Uma curiosidade última. A palavra Missa vem de Missio em latim que significa despedida mas neste caso foi uma chegada. A Missa em Fado chegou em muito boa hora à Liturgia da Missa. O Grupo está de parabéns pela música e pela emoção.

Quem pode derrotar Obama para o ano? Angela Merkel.*

* Piada que circula nos EUA e referida neste artigo da BBC sobre a reunião de Obama, Barroso e Van Rompuy em Washington.

A irritação com a Alemanha já não se limita à Europa. Aguarda-se com grande expectativa o resultado dos “cozinhados” franco-alemães.

Apesar de o Ministério das Finanças alemão ter desmentido que a Alemanha tenha um plano para mutualizar a dívida dos países (ainda) com notação AAA (neste momento, seis), deixando os restantes na periferia (na pocilga?) a que pertencem, não custa muito imaginar que soluções desse tipo estejam a ser seriamente ponderadas pelo “Eixo”. O que nos leva, ou deveria levar, a pensar no nosso próximo destino.

Este governo que não mude de discurso, não (e, já agora, o Seguro). Um dia destes o país é atirado borda fora do euro e estas vénias humilhantes à senhora Merkel vão parecer ainda mais ridículas do que já são.

Votações OE na especialidade de hoje

É diferente haver uma definição geral quanto ao sentido de voto de um grupo parlamentar sufragado democraticamente na Comissão Política e o voto na especialidade. Aqui, somos chamados a votar preceito a preceito, os quais chegam ao plenário, muitas vezes, alterados por força de negociações entre o Governo e, principalmente, o maior Partido da oposição.

Se, na votação na generalidade e na votação final global, o sentido de voto do Grupo Parlamentar prevalece sobre as opiniões individuais, sob pena da unidade daquele grupo desaparecer, e isto só vale nas matérias previstas no regimento, creio que na votação na especialidade as coisas não são preto e branco.

Em primeiro lugar, pelas possíveis mutações atrás referidas; em segundo lugar, porque se a declaração de voto é a compensação regimental do deputado discordante numa votação geral, perante a votação de preceitos individuais sobre os quais o Deputado manifestou consistentemente reservas como as que venho manifestando quanto aos cortes de dois salários e de duas pensões, pode, nesse caso, ser excepcionável a regra da disciplina de voto.

Não está em causa todo o OE, mas normas nas quais o Deputado se envolveu num combate sem tréguas, no Grupo Parlamentar, na rádio, na televisão e nos jornais.

Estas medidas são inconstitucionais, quer sejam permanentes, quer sejam provisórias, caso em que são um imposto mascarado. Respeito o esforço de diálogo, mas não entendo como se pode pedir para “devolver” às pessoas o que já lhes pertence. Estamos a falar de quem descontou toda uma vida, de quem tem direito ao salário, e não de benesses, estamos a falar de direitos fundamentais, insisto, que não são do Governo para roubar e depois devolver num limite espectacular de mais 100 euros. Temos milionários.

Já pensaram nisto? O Governo roubava-vos a casa e depois dizia que não vos devolvia e depois dizia que tinha feito um esforço no sentido da equidade e “devolvia-vos” a sala da vossa casa, ficando o resto para uso dos serviços ministeriais.

É por isso que não admito negociar direitos fundamentais, por melhores que sejam as intenções, e sei que estas medidas são o símbolo de uma ideologia ultrapassada hostil ao Estado e aos seus funcionários, gente culpada por “isto”, gente, agora com seiscentos e poucos euros e mil e cem euros que andou a viver loucamente acima das suas possibilidades.

Por isto tudo, nas votações de hoje, foi este o meu sentido de voto:
– Eliminação da Suspensão do pagamento de subsídios de férias e de Natal ou equivalentes(PCP)
A favor
Eliminação da Suspensão do pagamento de subsídios de férias e de Natal ou equivalentes (BE)
A favor
A proposta dos Verdes é idêntica às anteriores

A favor
Nos termos da proposta da maioria (de alteração) o corte de dois subsídios e de duas pensões só acontece a partir de 1100 euros e 600 euros em vez de 1000 euros e 485 euros

Contra
Os Partidos atrás referidos apresentaram propostas na linha das anteriores, quer para suspender o roubo das pensões quer para as roubar. Votei em coerência com as votações anteriores.

– O PS, num esforço de minimização de danos, apresentou esta proposta:

1. Durante a vigência do Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), como medida excepcional de estabilidade orçamental é suspenso o pagamento de subsídio de férias ou quaisquer prestações correspondentes ao 13.º mês, às pessoas a que se refere o n.º 9 do artigo 19.º da Lei n.º 55-A/2010, de 31 de Dezembro, alterada pela Lei n.º 48/2011, de 26 de Agosto, cuja remuneração base mensal seja superior a € 1000.
2. As pessoas a que se refere o n.º 9 do artigo 19.º da Lei n.º 55-A/2010, de 31 de Dezembro, alterada pela Lei n.º 48/2011, de 26 de Agosto, cuja remuneração base mensal seja igual ou superior à retribuição mínima mensal garantida (RMMG) e não exceda o valor de € 1000, ficam sujeitas a uma redução nos subsídios ou prestações previstos no número anterior, auferindo o montante calculado nos seguintes termos: subsídios/prestações = 941,75 – 0.94175 X remuneração base mensal.
3. O disposto nos números anteriores abrange todas as prestações, independentemente da sua designação formal, que, directa ou indirectamente, se reconduzam ao pagamento do subsídio a que se refere aqueles números, designadamente a título de adicionais à remuneração mensal.
4. O disposto nos n.ºs 1 e 2 abrange ainda os contratos de prestação de serviços celebrados com pessoas singulares ou colectivas, na modalidade de avença, com pagamentos mensais ao longo do ano, acrescidos de uma prestação de igual montante.
5. O disposto no presente artigo aplica-se após terem sido efectuadas as reduções remuneratórias previstas no artigo 19.º da Lei n.º 55-A/2010, de 31 de Dezembro, 467C
alterada pelas Leis n.ºs 48/2011, de 26 de Agosto, e Lei n.º __/2011, de [REG PL 103/2011], bem como do artigo 23.º da mesma lei.
6. O disposto no presente artigo aplica-se igualmente ao pessoal na reserva ou equiparado, quer esteja em efectividade de funções, quer esteja fora de efectividade.
7. Durante a vigência do PAEF, como medida excepcional de estabilidade orçamental, é suspenso o pagamento de subsídio de férias ou quaisquer prestações correspondentes aos 13.º mês, pagos pela CGA, I.P., pelo Centro Nacional de Pensões e, directamente ou por intermédio de fundos de pensões detidos por quaisquer entidades públicas, independentemente da respectiva natureza e grau de independência ou autonomia, e empresas públicas, de âmbito nacional, regional ou municipal, aos aposentados, reformados, pré-aposentados ou equiparados cuja pensão mensal seja superior a € 1000.
8. Os aposentados cuja pensão mensal seja igual ou superior à retribuição mínima mensal garantida (RMMG) e não exceda o valor de € 1000, ficam sujeitos a uma redução nos subsídios ou prestações previstos no número anterior, auferindo o montante calculado nos seguintes termos: subsídios/prestações = 941,75 – 0.94175 X pensão mensal.
9. No caso dos beneficiários de subvenções mensais vitalícias pagas por quaisquer dos serviços ou entidades referidos no n.º 1 o disposto nos números anteriores abrange as prestações que excedam 13 mensalidades.
10. O disposto no presente artigo aplica-se sem prejuízo da contribuição extraordinária prevista no artigo 162.º da Lei n.º 55-A/2010, de 31 de Dezembro, alterada pelas Leis n.ºs 48/2011, de 26 de Agosto, e Lei n.º __/2011, de _______[REG PL 103/2011].
11. No caso das pensões ou subvenções pagas, directamente ou por intermédio de fundos de pensões detidos por quaisquer entidades públicas, independentemente da respectiva natureza e grau de independência ou autonomia, e empresas públicas, de âmbito nacional, regional ou municipal, o montante relativo aos subsídios cujo pagamento é suspenso nos termos dos números anteriores deve ser entregue por aquelas entidades na CGA, I.P., não sendo objecto de qualquer desconto ou tributação.
12. O regime fixado no presente artigo tem natureza imperativa e excepcional, prevalecendo sobre quaisquer outras normas, especiais ou excepcionais, em contrário e sobre instrumentos de regulamentação colectiva de trabalho e contratos de trabalho, não podendo ser afastado ou modificado pelos mesmos.

Votei contra.

Espero que Cavaco requeira a fiscalização preventiva deste diploma. Ele sabe que um TC a apreciar o OE ainda por promulgar está muito mais livre do que, perante um OE já em execução, for chamado por um grupo de Deputados a decidir em fiscalização sucessiva.

Good food for good thought

The less people know about important complex issues such as the economy, energy consumption and the environment, the more they want to avoid becoming well-informed, according to new research published by the American Psychological Association.

And the more urgent the issue, the more people want to remain unaware, according to a paper published online in APA’s Journal of Personality and Social Psychology.

Ignorance Is Bliss When It Comes to Challenging Social Issues

Impressionar os vizinhos, brilhar nos cafés, seduzir os credores

Can Fetus Sense Mother’s Psychological State? Study Suggests Yes
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Fatherhood Can Help Change a Man’s Bad Habits
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Tweaking a Gene Makes Muscles Twice as Strong
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Psychopaths’ Brains Show Differences in Structure and Function
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Insect Cyborgs may become First Responders, Search and Monitor Hazardous Environs
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Training in ‘Concrete Thinking’ Can Be Self-Help Treatment for Depression, Study Suggests
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Is a Stranger Trustworthy? You’ll Know in 20 Seconds

Da simpatia e da audiência gerada pelo ódio aos corruptos dos políticos

Não é de agora. Claro que não. Atacar a honra, a credibilidade e a legalidade de actos de políticos no activo é, e há muito, uma forma de os combater. É, desde logo, uma estratégia que pode ser seguida destruindo político a político, por exemplo com o objectivo de fazer cair um determinado Governo. Este tipo de ataque é, por isso, um dominó: apresenta-se em prestações semanais, sempre dirigido a uma só pessoa, verificando-se com a matemática do tempo que todos os bandidos pertencem ao mesmo grupo, ao mesmo Governo.
Este foi o estilo inaugurado pelo “Independente” de Paulo Portas, todas as sextas uma promessa, com ou sem provas, fazendo do obreiro um dos responsáveis pelo fim do cavaquismo. Paulo Portas era muito novo, diz-se, mas mais nova era eu, por exemplo, e aquelas primeiras páginas eram tão mortais que nem a circunstância de ter então 10 anos me fizeram esquecer o jornal “do momento”.
Passaram muitos anos, temos canais privados, que bom tanta liberdade de expressão, até para aqueles do PSD que odeiam Portas até hoje e optam pelo silênco, no seu pleno direito, enquanto outros, imagine-se, os que deveriam ser por adesão ideológica avessos ao “Independente”, passaram a usar da mesma técnica em tempos de técnica mais apurada.
Nem uma voz durante os seis anos mais impressionantes de perseguição política a um PM (com a ajuda de Cavaco, a ex-vítima) e, com isso, todos, mas todos, a construirem uma “moral de verdade” que assenta na negação dos mais elementares princípios do Estado de direito.
Por outro lado, esta moral está a acabar com a política. A política e sobretudo quem a exerce é presumivelmente um cão. E tanto é um cão que vozes da esquerda que animam o “Eixo do Mal” dizem, por exemplo, que Sócrates nunca poderá voltar à política por causa do Vara (Clara Ferreira Alves). O cidadão, portanto, para a comentadora, perdeu os seus direitos políticos porque confiou em Vara, pelos vistos um bom administrador da CGD, mas, já julgado e culpado, terá a sua sentença de culpabilidade estendida ao ex-PM.
Na inquisição era assim, de facto: vigora o princíipio da extensão da culpa. Daniel Oliveira, assertivo, não deixa dúvidas: “quem priva com um imoral é imoral”. A ser verdade, estou feita ao bife. Já privei, sem saber, com imorais lixados.
Tudo isto alimenta o sentimento popular traduzido em frases como: os deputados são todos corruptos; os deputados são todos advogados de grandes empresas que negoceiam com o Estado; os deputados não vão perder os dois subsídios, ai pois não; o ordenado dos deputdaos ronda os dez mil euros; e por aí fora.
Uma pena que em vez de se combater estes erros decorrentes de perseguições como a feita esta semana pelo Expresso a João Semedo, se caia na demagogia aprovando o nojento enriquecimento ilícito contra todos os pareceres de quem de direito.
Pode ser que alguém se lembre de lembrar à cidade que somos todos políticos.

Vinte Linhas 695

Carles Riba – o «horror do êxodo» traduzido por Marta López Vilar

No dia 5 de Agosto de 1941 Carles Riba (1893-1959) escreveu em Montpellier a 12ª das «Elegias de Bierville» que tinha iniciado em 6 de Abril de 1939 na cidade francesa onde se refugiou depois da ocupação fascista da sua cidade natal de Barcelona. As outras elegias foram escritas em Bordéus e na Ilha de Adam, perto de Paris.

Carles Riba exilou-se com sua mulher (a também escritora Clementina Arderiu) em 1939 e a 1ª edição das «Elegias de Bierville» surgiu em Buenos Aires (1942) tendo a 2ª edição sido publicada em Santiago do Chile (1949).

Continuar a lerVinte Linhas 695

Eu até gostava de ser primeiro-ministro

Rui Rio considera que “não é possível termos um poder político forte e capaz quando na comunicação social as pessoas são denegridas permanentemente e são julgadas na praça pública de uma forma perfeitamente arbitrária”.

Notícia completa

Concordo. Mas o que leva Rui Rio a fazer estas afirmações agora? Se está a referir-se a casos como o de Duarte Lima (ou qualquer outro cidadão a braços com a justiça), evidentemente que o comportamento da comunicação social é infame, embora comercialmente compreensível, mas menos infame, por exemplo, do que o dos agentes da justiça que lhe fornecem as informações “preciosas” e que são as verdadeiras fontes da boataria e das meias verdades. O que Rui Rio não deixa de reconhecer. Mas Duarte Lima não é um político no activo. Há anos que não exerce qualquer cargo. Então?
Se está a referir-se a Sócrates, seja bem-vindo, mas já vem tarde. Na altura, como o próprio afirma, “até achava graça”, não era?

O facto de, ao ler a notícia, ter imediatamente imaginado na cabeça de Rui Rio estes dois casos deve-se claramente à proximidade do primeiro e ao exemplo flagrante e escandaloso de ataque insuportável que o segundo constituiu. Mas a amálgama é incompreensível. Confundir acusações de burlas de milhões e de homicídio com montagens de origem política, com um objectivo bem preciso de abater um adversário é não ajudar nada à desejável separação de águas.

Eu sei, dirá que não estava a referir-se a nenhum caso concreto, mas o problema é que, se houve político que foi denegrido e injuriado na comunicação social foi Sócrates, e com tal força que ainda hoje a mera menção do seu nome leva muita gente a afiar os punhais, pelo que, mesmo não aludindo a ele, é impossível não o incluirmos na nebulosa que emana das palavras de Rio. Rui Rio, embora pense que não, está assim também a contribuir para o “caldo” de que o seu próprio partido é corresponsável.
De fora da nebulosa estará, certamente, para Rui Rio, Cavaco Silva e o arranjinho com o Público pouco antes das eleições de 2009 com vista à propagação do boato de que a presidência andaria a ser ilegalmente escutada pelo anterior primeiro-ministro. Esse quadro, efectivamente, assusta e desmotiva.
As acusações genéricas, confundindo tudo, têm o efeito contrário ao pretendido por este, por vezes ingénuo, Rui Rio. E perpetuam a ineficácia da justiça ao cegar a opinião pública.

Obviamente que as discordâncias da ala não neo-liberal do PSD, na qual se inclui Rio, em relação à política impiedosa e experimentalista do actual governo levam o presidente da Câmara do Porto a pensar com os seus botões se não teria apoio suficiente para liderar o partido e correr com os estarolas. Homem, pense nisso. Mas olhe que uma coisa são insultos, insinuações e calúnias a políticos, luta política rasteira (não confundir com os casos de polícia – Duarte Lima e Oliveira Costa) e outra bem diferente são críticas. Estas terão toda a razão de existir numa sociedade democrática. Por vezes fica-se com a sensação de que Rio também não está preparado para críticas.

Vinte Linhas 694

México 1970 – mas Garrincha não estava lá

As recentes manifestações populares contra o anunciado encerramento da Linha do Oeste ao trânsito de passageiros (ficando apenas com as mercadorias) motivaram dois artigos de opinião no jornal «Gazeta das Caldas» – edição de 25-11-2011.

Como antigo utente habitual da Linha do Oeste desde os seis aos vinte e dois anos e sempre no percurso Caldas – Lisboa, fiquei interessado. Os dois textos são assinados por Dina Paulo e Paulo Vaz. A primeira recorda os comboios de Lisboa, já os inter-cidades, pejados de «estudantes, magalas e gente crescida que por lá trabalhava». O segundo refere em memória «os mágicos Pelé e Garrincha no Mundial do México de 1970».

Ora os jogadores brasileiros na final do Mundial de 1970 foram os seguintes: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivelino. Os quatro golos contra a Itália foram marcados por Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto. Fizeram parte da convocatória os seguintes jogadores suplentes: Ado, Baldochi, Dario, Edú, Fontana, Joel, Leão, Lima, Marco António, Roberto e Zé Maria. Garrincha não estava lá porque deixou de jogar em 1966 no Mundial de triste memória para o Brasil. Depois de vencer a Bulgária mas ter perdido Pelé por lesão (uma entrada violenta de Voutzov), o Brasil perdeu com a Hungria e, no jogo contra Portugal, o treinador colocou a jogar oito novos elementos que nunca tinham jogado juntos. Mas o pior foi ter apostado num Pelé ainda não recuperado da lesão do jogo com a Bulgária. O «tudo ou nada» não resultou nem podia resultar. Alguns palermas ainda hoje escrevem que Morais lesionou Pelé em 19-71966 quando Pelé já estava lesionado desde 12-7-1966. Mas isso é outra história.