PSD no seu melhor

O Secretário Regional das Finanças da Madeira, Ventura Garcês, afirma estarem “tecnicamente erradas” as contas relativas à dívida da Madeira apresentadas esta tarde pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar. “Reitero que a dívida da Madeira é de 5,8 milhões de euros”, disse em conferência de imprensa.

Fonte

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O Secretário Regional das Finanças de um Governo social-democrata que falcatrua as contas declara que o Ministro das Finanças de um outro Governo social-democrata anda a falcatruar as contas.

Estado permanente

Manuela Ferreira Leite foi questionada pelos jornalistas sobre a questão da omissão de dívidas públicas na Madeira, tendo considerado que “sobre o Alberto João Jardim já está tudo dito”.

Mas acrescentou: “Aquilo que, pessoalmente, não deixo de fazer é de relembrar que o Eng. Sócrates, o ministro Teixeira dos Santos deixaram o País numa situação de tal forma caótica e endividada, e fizeram-no de uma forma tão consciente e com todo esse endividamento, [que] deixaram o País num tal estado, que me parece, pelo menos, impensável que o Partido Socialista possa sequer abrir boca sobre a questão da Madeira”.

Fonte

Se a malta do PSD odeia Sócrates e não perde pitada para contaminar a opinião pública, o partido tem na doutora Manuela o expoente máximo desse ódio; a senhora vive enraivecida e incita implicitamente à vingança. Só prova o quanto o homem a perturbou e não deve ter sido pelos crimes que cometeu, que não foram nenhuns. Terá sido por razões como a humilhação, entre outras, mais pessoais.

Obnubilada como ficou, Alberto João, aos seus olhos, é um pândego, um bacano, no fundo, um amigo. A senhora é, assim, pouco séria, apesar da sua aparência. Pensar que é grande amiga de Cavaco explica muita coisa.
Supomos que seja uma devota. Não é próprio nem muito cristão mentir aos portugueses, caluniar os seus inimigos políticos e omitir o estado em que ela, sim, deixou as finanças públicas depois de ter sido ministra das Finanças, sem que tivesse havido qualquer crise internacional que obrigasse a gastos extraordinários.

Devia ter vergonha!

Esta mulher é muito pouco democrática e considera-se, e aos seus, com direito divino à cadeira do poder. Representa o pior da herança salazarista.

Entretanto, como refere o Valupi mais abaixo, são muitos dos “seus” que mantêm a polícia ocupada, e esses, sem “montagem” criminal nem trama ficcionada.

It’s PR stupid

Um elogio mais do que merecido: A melhor oposição ao Governo

Não se trata propriamente de uma novidade esta constatação da inigualável importância do Câmara Corporativa para o debate político no meio digital, pois tal já tinha sido feito faz tempo pelos difamadores e caluniadores nos blogues de direita, e feito em registo de ódio e obsessão. A novidade na opinião do Rui Calafate está no seu enfoque profissional e disciplinar. Ganha a inteligência de todos, assim haja inteligência para o reconhecer.

Perguntas complicadas

Esta apetência das figuras gradas do PSD para reduzirem a política à calunia ao mesmo tempo que dão muito trabalho às polícias e aos tribunais é uma mera coincidência ou será o efeito de alguma coisa que andam a pôr na água canalizada da São Caetano?

Amanhã vai ser aprovada uma lei do Governo que mancha a democracia: o pretexto das fundações

Hoje discutiu-se no parlamento a proposta de lei do Gov. mais chocante a vários níveis que tive o desprazer de ler na minha vida.
É impossível explicar aqui todos os meandros jurídicos da coisa, interessando apenas dar conta dos traços fundamentais de um regime que assim enunciado qualquer pessoa percebe.
O Governo achou por bem saber do estado das fundações. Como estão financeiramente, etc. Nada contra.
Começa por não saber o que é uma fundação, realidade juridicamente enquadrada desde os anos 70 e multiplicada em várias espécies, valendo o esforço da Academia, como seja o estudo levado a cabo pelo Professor Rui Manchete,
O legislador entusiasmado começa por decidir fazer por lei uma actividade administrativa, um censo, o que é uma forma de se pavonear, mais nada. A administração pode fazer o que vem nesta lei, mas o Governo faz uma lei a avisar que vai fazer o que a Administração poderia fazer.
As entidades que vão ser avaliadas, de acordo com uma definição prevista no artigo 4º que consegue conter alíneas que se repetem por palavras diferentes, são todo o tipo de fundações, incluindo as privadas que tenham, por exemplo, o estatuto de utilidade pública, ou que sejam financiadas.
Há um procedimento de 30 dias para todas estas entidades prestarem contas e depois o MF avalia.
Vamos saber então quais são as fundações e as IPSS que valem a pena.
Como? Analisando-as apenas nos anos de 2008, 2009, e 2010, esse critério político miserável.
O pior, no entanto, está para vir: artigo 4º (medidas preventivas)
(eu não estou a gozar)
Desde a data da publicação da lei até ao fim do processo, presume-se que são todos aldrabões. Logo são extintos.
Isso mesmo: fundações, apoio financeiro a fundações de todo o tipo dado por qualquer nível da Administração, cancelamento do estatuto de utilidade pública
Portanto, por exemplo, as Universidades do Porto, de Aveiro, o ISCTE e a Universidade do Minho são extintas até o processo acabar! Pois..São fundações.
E as relações contratuais em vigor?
E o respeito pelo património privado?
E o que dizer aos milhares de beneficiários do trabalho de algumas fundações?
Isto é mais do que política.

Porca miseria

Não vi ontem a entrevista a sua excelência. Mas tive ocasião de assistir à autêntica feira de comentadores que teve lugar imediatamente a seguir e que me alertou para a eventualidade de se ter passado algo de importante. Parece que o governo fazia 100 dias e que o presidente queria comemorar a efeméride daquela maneira, à conversa com a Judite de Sousa, aparentemente metendo no meio uma aula de economia e finanças para papalvos.

Mas o que aqui me traz é, em primeiro lugar, o espectáculo do autêntico corrupio de opinadores que, durante três horas, deram lustro às cadeiras dos três canais de cabo. Contei para aí uns vinte e tal! Ia ali uma grande excitação e eu, de repente, achei que este país não é muito normal. Perto da meia-noite ainda se comentava a entrevista?!

Quanto ao que ouvi, no geral em tom crítico, concluí que pouco se extraiu de substancial, que a questão da Madeira foi abordada da maneira previsível, ou seja, por evasivas ou argumentos esfarrapados, confirmando-se a estratégia de fazer eleger o Jardim a todo o custo, ocultando a dívida oculta, até onde foi possível, aos portugueses que a vão pagar, Cavaco dizendo que o homem não é caso único, que tem um estilo muito próprio (ouvi Pedro Santos Guerreiro dizer, com alguma graça, que, mais do que uma questão de estilo, era uma questão de estalo), etc. Que Cavaco tem uma óptima solução para a crise do Euro da qual ninguém se tinha ainda lembrado e que, talvez por isso, apenas a comunica aos portugueses.
Em suma, não perdi nada, como já não esperava perder, diga-se, e os canais de cabo passaram uma noite assaz animada e divertida.

Em segundo lugar, venho aqui dar conta do momento verdadeiramente lamentável da noite: os comentários do PS à entrevista, através de Zorrinho. E que disse ele? Que, bom, foi uma entrevista institucional. Uma entrevista institucional? Pouco mais disse. Ora, tendo em conta as mentiras, ofensas e ataques ao governo anterior (do qual Zorrinho fez parte) e os atentados à inteligência que foram certas passagens da entrevista e também os comentários e críticas posteriores feitas não só pelo Bloco e o PCP como também pela generalidade dos comentadores, isto não se admite. Portanto, claramente havia, quanto às palavras de Cavaco, muito mais a dizer e a oportunidade foi totalmente perdida.
Hoje leio no Público que a actuação do líder do PS e do líder parlamentar no debate de ontem com o governo foi considerada “patética e desastrosa” pelos outros deputados socialistas. Na minha opinião, já vem sendo assim há uns tempos. Para já não falar da ida de Seguro a São Bento para conversar com o amigo Passos…

Esta direcção não vai, não pode ir, longe.

Louçã, por favor

Francisco, Chico pá, venho rogar-te pelas almas de Marx e Trotsky que acabes com a infernal barulheira que não me deixa dormir. Todas as noites, e a noite toda, o fragor do debate interno no teu glorioso partido atravessa as paredes do meu quarto e expulsa o sono dali para fora. Já perdi a conta às vezes em que fiquei horas a escutar brilhantes, apaixonadas, heróicas análises de dirigentes e militantes bloquistas acerca das estupendas decisões que tomaste depois das eleições de 2009. A vossa democracia é mesmo exemplar e o Sol do Mundo porque eles falam livre e entusiasticamente a respeito dos mais melindrosos assuntos. Como a tua extraordinária estratégia para entregar o poder à direita, a tua magnífica visão a respeito do melhor candidato para derrotar um Cavaco enterrado em BPN e escutas, a tua genial macaquice da moção de censura só para dar uma lição aos outros comunas, a tua sagrada missão como chefe insubstituível, por seres o único com três olhinhos num grupo de surdos, mesmo que o partido tenha de continuar a definhar até voltar a ter só dois deputados. Tu e o Fazenda, claro. Quem mais conhece o sentido da História ou estaria em condições de liderar a esquerda grande que mereces e sonhas? Maneiras que venho dizer-te que já chega. Isto é, já chegaram àquele ponto em que se fez luz. Já disseram o que tinham para dizer uns aos outros. Já percebemos. E já são horas de ir dormir, acaba lá com a algazarra.

O regresso do Café dos Blogues

Os felizardos que morem em Lisboa, passem por Lisboa ou consigam vir a Lisboa e que estejam de férias, não encontrem trabalho, sejam reformados, andem a brincar aos estudantes universitários ou tenham um atestado médico a diagnosticar que são professores, poderão desfrutar de um final de tarde começo de noite junto deste quarteto fantástico:

Quando ouvimos falar em “Jugular” no mundo da blogosfera, já não pensamos nas veias com o mesmo nome, localizadas no pescoço e que, usualmente, são cortadas para degolar alguém. “Jugular” é sim o nome de um dos blogues mais assertivos, ácidos e desconcertantes da blogosfera portuguesa e que, por tal facto, ganhou uma notoriedade reconhecida pelos seus pares.

O blogue “Jugular” é também convidado para a primeira sessão do “Café dos Blogues”, o novo espaço comunicacional da Livraria Almedina Atrium Saldanha. A tertúlia realiza-se no dia 29 de Setembro, pelas 19h, e conta com a presença de Ana Matos Pires, Fernanda Câncio e João Pinto e Castro, alguns dos autores do “Jugular”. Com entrada livre, a moderação está a cargo da cronista do semanário “Sol”, Carla Quevedo.

Vinte Linhas 669

Aves de Rapina em Proença-a- Nova; Museu na Sobreira Formosa

Para quem passe no IC8, algures entre a Sertã e a saída para a A23, a Galeria Municipal de Proença-a-Nova apresenta até 30 de Outubro um trabalho de Marisa Mancilla intitulado «Vulture in my heart». Trata-se de uma reflexão em forma de desenho sobre a tragédia múltipla que é toda a violência. Neste caso em especial a violência contra a mulher.

As aves de rapina (águias, milhafres, gaviões, peneireiros, mochos, corujas) são predadores que este conjunto de trabalhos a lápis (grafite) em papel especial convoca, numa espécie de «reportagem» a preto e branco sobre a violência e a sua representação.

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Velhas Oportunidades

Passos Coelho prometeu reformular o programa Novas Oportunidades, o tal que só servia para certificar a ignorância e que era desenvolvido de forma escandalosa. O PSD nunca reconheceu qualquer mérito a este programa de formação e valorização dos portugueses incluindo muitos desempregados. Percebe-se agora porquê e adivinha-se o sentido da tal reformulação. A formação deve ser prestada pelas empresas e não pelo Estado. Desenterra-se assim o velho método que fez furor no tempo de Cavaco primeiro-ministro, e que em matéria de desperdício de fundos foi o maior escândalo a que assistimos nas últimas décadas.
O programa de formação que o Governo anunciou esta semana terá a duração de seis meses. Será que é tempo suficiente para os formandos receberem uma certificação válida, ao contrário do que sucedia com as Novas Oportunidades, cuja certificação não servia para nada?
Se a opção do Governo é financiar a criação de emprego, está no seu direito, mas não venham com a conversa da formação dada pelas empresas. Há um limite para os atestados de ignorância que nos passam.

O portador da tocha

Há já um consenso bastante alargado, até na direita, que o ministro Álvaro é a peça mais fraca deste governo. Embora haja outros candidatos, tenho que concordar pela importância crucial do seu ministério. O que não concordo é que seja tratado como uma anomalia, uma má escolha. O Álvaro não tem obviamente a mínima ideia do que quer fazer, da realidade do país em que vive, já para não falar da Europa e do resto do mundo. Por isso, atira cá para fora com todas as ideias que lhe ocorrem, ideias essas claramente fruto de uma mente que deixou de reconhecer o país algures nos anos 80. São de uma banalidade atroz, não têm o mínimo de pensamento estratégico, de inovação, de originalidade, repetem chavões de jornal regional, são muitas vezes ofensivas – já todos percebemos o que é que esta personagem pensa dos portugueses e das suas capacidades. E creio que se podem tirar duas conclusões: primeiro, que ele próprio já se apercebeu que isto é nitidamente areia de mais para tão fraca camioneta. Segundo, mesmo tendo essa consciência, não desiste e prefere tentar a fuga para a frente, aumentar o nível de bullshit uns valentes pontos, convencido como está que somos todos um bando de estúpidos que comem qualquer coisa desde que seja dita “com convicção” e que os planos soem a grandiosos. Daí as expressões “aventura”, “marca Portugal” e “revolução”.

Portanto, incompetência, aventureirismo, banalidade, bullshit, falta de ideias na exacta proporção de “convicções firmes”, grandes promessas a esconder um ainda maior vazio de qualquer coisa que sequer cheire a estratégia, a óbvia satisfação de “mamã, sou ministro”, um ar simpático com um sorriso pronto para as câmaras. Eis o Álvaro. Como símbolo deste governo e de tudo o que representa, é realmente perfeito.

O presidente do Automóvel Clube

Falemos de automóveis. O presidente do ACP gosta de automóveis, o que é normal e, para a profissão que exerce, indispensável. O problema é que gosta tanto que considera inadmissível não os ver aos milhares a circular na cidade. Ora essa visão da cidade não só é totalmente contrária ao bem-estar dos seus habitantes, como também contraria todas as práticas actualmente seguidas nas grandes capitais e cidades europeias.

Já não é a primeira vez que Carlos Barbosa critica medidas da Câmara Municipal de Lisboa que vão no sentido de reduzir o trânsito automóvel na cidade, sobretudo em certas zonas.
Ontem, a propósito do plano de transformação da Av. 24 de Julho numa alameda arborizada, o que implica a redução do número de faixas de rodagem, declarou, segundo o Público, que
o presidente do município, António Costa, só faz “asneira” no que toca à mobilidade
na cidade e, como tal, devia sair da autarquia. E que:
A cidade de Lisboa é liderada por um presidente e por um vice-presidente que têm uma obsessão, que nunca vão conseguir na vida, que é pôr todos os portugueses a andar de bicicleta. Tudo o que puderem destruir em mobilidade em Lisboa vão fazê-lo”.

Repare-se que, para Carlos Barbosa, mobilidade, nas cidades, significa utilização do automóvel.

O que eu verifico hoje em dia, em cada cidade europeia onde vou, é, quase sem excepção, a aplicação de uma política urbana que privilegia 1) o alargamento considerável e generalizado dos passeios, 2) a redução consequente das faixas de rodagem, 3) a implantação de lombas nas ruas onde não circulam autocarros para obrigar os automóveis a reduzir a velocidade, 4) o incentivo ao uso dos transportes públicos e 5) a criação de ciclovias quase por todo o lado, a par da disponibilização de bicicletas para aluguer em locais próprios (é só ver o que se passa em Londres, Paris, Bruxelas, para já não falar nas cidades holandesas).

A conclusão a que chegaram os autarcas das grandes cidades é que o excesso de automóveis a circular diminui a qualidade de vida dos habitantes, dificulta, isso sim, a mobilidade geral e desertifica os centros das cidades. Não quer isto dizer que toda a gente tenha de andar de bicicleta. Eu ando e, sempre que o tempo o permite, é nela que me desloco para o trabalho. Membros da minha família deslocam-se em Lisboa de bicicleta e estão contentíssimos com as novas ciclovias, algumas delas permitindo até descobrir uma cidade desconhecida. Acresce que, em comparação com outras cidades, Lisboa tem excelentes transportes públicos.
Portanto, seja bem-vinda a nova avenida 24 de Julho.

A propósito desta avenida: não acham, os lisboetas que nos lêem, que a linha de comboio que parte do cais do Sodré para Cascais é um dos principais factores de “divórcio” daquela zona da cidade com o rio? Para mim, é. Sei que implica muitos milhões, mas o ideal seria construir uma linha subterrânea, pelo menos no troço em Lisboa, e tirar de vez aquele comboio da superfície. Esta medida, estou certa, mereceria a aprovação até do sempre mal-disposto presidente do Automóvel Clube.

O crime compensa

A história de George Wright dá um super-filme de Hollywood. Morgan Freeman, neste momento, é uma escolha óbvia para o protagonista na fase em que se estabelece por cá e é apanhado.

O Governo de Portugal juntamente com as câmaras de Lisboa, Sintra, Cascais, Estoril e demais institutos e empresas interessadas, deviam começar já a fazer lobby para obter a aprovação do próprio e se encontrar argumentista e realizador de topo. Minha preferência: David Fincher.

Seria uma promoção turística de valor incalculável – ou seja, de milhares de milhões de euros em retorno.

Que colossal garganeiro nos saíste, Marcelino

Cem dias depois, as almas estão convencidas: a crise é grave. Começa nos nossos pecados, é certo, mas alimenta-se da especulação financeira e da crise das dívidas soberanas, acabando na incapacidade política da chamada União Europeia. Hoje, nenhum português, mesmo com cartão de partido, tem dúvidas disto. É sempre um bom princípio que o doente tenha a consciência da doença.

João Marcelino

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Marcelino, alguém que trabalhou com denodo para a vitória do PSD nas legislativas, diz que só agora estamos em condições de reconhecer a origem internacional da crise que afecta Portugal, a Europa e o Mundo desde 2008. Esta conversa num Carlos Moedas fica como o retrato da mais abjecta e pacóvia falta de vergonha, esse apanágio da nossa direita partidária. Mas esta conversa vinda de um jornalista supostamente sério, que acumula com o papel de director de um suposto jornal de referência, dá vontade de o mandar para o caralho mais velho.

A anterior legislatura foi interrompida a meio porque todos os partidos da oposição viram nisso algo benéfico para os interesses que representam, sejam lá eles quais forem. Se agora o Marcelino informa a populaça de que o diagnóstico feito em Março estava errado, então dita o respeito intelectual próprio que tire mais algumas conclusões. Por exemplo, que PSD, CDS, BE e PCP não são grande espingarda a fazerem análises políticas e estimativas económicas. Por exemplo, que em resultado da falta de inteligência dos partidos que chumbaram o PEC IV estamos agora com as contas públicas em muito pior estado, os cidadãos mais pobres estão cada vez mais desprotegidos e a classe média está perto de ficar depauperada. Por exemplo, que quem nos levou a esta situação não nos pode tirar dela.

Estou cansada da preferência dada ao elogio às palavras inconsequentes à evidência da razão: “o Estado da Palestina”

Nunca vai acontecer estar tudo óptimo, tudo perfeito, sem divisões, Israel maravilhada, as relações entre os povos em questão um sonho, a certeza da paz incontestável. Nunca. Exigir isso, condicionar o reconhecimento de um Estado a um povo, de resto respeitando resoluções da AG da ONU, é política, entendende-se, mas passaram todas as décadas desde meados dos anos quarenta e não me parece aceitável que Portugal na posição de membro da AG e do CS da ONU não possa ter direito a uma opinião.
O exagero de elaborações dogmaticas em torno de Portugal reconhecer o Estado da Palestina, como se o céu nos fosse cair em cima da cabeça, é insuportável.
Querem uma posição comum da UE, essa entidade que se tem revelado dona de uma verdadeira política externa. Se seria bom? Sim, claro, e por isso votei a favor da proposta de resolução do PS que pede esforços nesse sentido e também o reconhecimento do Estado da Palestina, em segundo lugar.
Depois parece que se se ouve uma voz criticar os EUA acabou o diálgo, lá está o PCP, simplesmente às vezes a verdade é assim mesmo, e não deve doer ouvi-la do PCP.
Não ouvi um comunista dizer isto, mas sabemos todos que Israel é a defesa dos EUA contra o Irão. É difícil aos EUA tomar uma poisção firme, puramente baseada na verdade histórica, quando sabe que em seu nome, em caso de necesidade, Isreal lançaria uma bomba.
Volto ao inívio: Portugal não pode ter uma opinião? Espera pela Europa, oberva os EUA, pede que façam mais pazes com Israel? O mesmo país que gritou tanto pelo direito de Timor a ser um Estado independente?
Leiam o projecto de resolução do PCP, que mereceu o meu voto favorável, e respondam à pergunta: está aqui alguma coisa de errado, tirando o facto de – isto é opinativo – Jerusalém dever ser objecto de tratamento diferenciado?

“O povo palestino aguarda há décadas pela concretização do seu legítimo e inalienável direito a um Estado independente, soberano e viável. Desde 1947,com a Resolução 181, que a Assembleia Geral das Nações Unidas estabelece o princípio da existência de dois Estados – o da Palestina e o de Israel. Trata-se aliás de um princípio reafirmado por várias deliberações dos órgãos das Nações Unidas ao longo ao longo das mais de seis décadas que desde então decorreram. A questão Palestina foi também alvo de decisões do Tribunal Internacional de Justiça, de que é exemplo o pronunciamento em 2004 sobre o muro de separação, que Israel continua a não acatar.

Já em 1988 foi declarado pela OLP – Organização de Libertação da Palestina – o estabelecimento do Estado da Palestina, de acordo com as fronteiras anteriores a 1967, tal como reconhecido pelas deliberações das Nações Unidas. Posteriormente, em 1993, os acordos de Oslo e as consequentes Resoluções 242 e 338 do Conselho de Segurança, relançaram a esperança na concretização da justa aspiração do povo palestino à efectiva criação do seu Estado.

Mas apesar de ser clara a determinação à luz dos princípios da Carta das Nações Unidas, reflectidos nas diversas decisões sobre esta matéria, para a criação do Estado da Palestina, a realidade no território, é bem diferente. Efectivamente, ao longo das últimas décadas, a intervenção política económica e militar de Israel, suportada designadamente por sucessivas administrações dos Estados Unidos da América, procurou inviabilizar e impedir a sua real existência, submetendo o povo palestino às mais diversas formas de violência e opressão, que se prolongam até hoje.

Inúmeras acções militares com muitos milhares de vítimas, a construção sucessiva de colonatos (que duplicaram desde os acordos de Oslo) bem como a ocupação efectiva de território palestino, a limitação do acesso a recursos naturais e a actividades económicas, a destruição de infra-estruturas e equipamentos, a restrição da mobilidade da população, o bloqueio à Faixa de Gaza, a construção do muro de separação já referida, entre muitas outras acções, procuram inviabilizar de facto a existência de um Estado da Palestina livre, independente e viável e são responsáveis pelas dramáticas condições de sobrevivência a que ao longo destes anos foram submetidas as populações palestinas.

O movimento pelo reconhecimento do Estado da Palestina progride de forma assinalável no plano internacional. Mais de 100 países já reconheceram o Estado da Palestina e a sua legítima aspiração a ser membro de pleno direito das Nações Unidas. A matéria será apreciada em Setembro de 2011, pelo Conselho de Segurança e pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

Portugal estará presente em ambos os órgãos, uma vez que detém neste momento o mandato de membro não permanente do Conselho de Segurança. Deverá por isso tomar posição em relação a esta importantes questão, cuja relevância não se cinge a um plano meramente simbólico ou de legitimidade em face do direito internacional, mas releva de efectiva importância política para a concretização de facto da já tão antiga aspiração do povo da Palestina.

A Constituição Portuguesa estabelece no seu artigo 7º que nas suas relações internacionais o Estado português se orienta, entre outros, pelos princípios do respeito pelos direitos dos povos, designadamente à autodeterminação à independência e ao desenvolvimento. A aplicação destes princípios à questão da Palestina exige que Portugal, seja no Conselho de Segurança, seja na Assembleia Geral das Nações Unidas, deve pronunciar-se no sentido do reconhecimento do Estado da Palestina como membro de pleno direito daquela organização.

Neste contexto e ao abrigo das disposições regimentais e constitucionais aplicáveis, a Assembleia da República recomenda ao Governo que:

1- Reconheça o Estado da Palestina, nas fronteiras anteriores a 1967 e incluindo Jerusalém Oriental, como membro de pleno direito das Nações Unidas.
2- Assuma essa posição no Conselho de Segurança e na Assembleia Geral das Nações Unidas.
3- Conduza a sua acção no plano das relações internacionais com vista à efectiva concretização de um Estado da Palestina independente e viável”.

A honra do PR Cavaco ou do cidadão Aníbal António. É caso de, agora sim, ficar ofendido com esta fundamentação.

O Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa decidiu arquivar a queixa deduzida pelo Ministério Público contra o director da revista Sábado. Miguel Pinheiro era acusado pelo MP de prática de um crime de ofensa à honra do Presidente da República ao ter comparado o discurso da vitória para o segundo mandato de Cavaco Silva com os dos autarcas Fátima Felgueiras e Isaltino Morais.
Neste discurso o então candidato vencedor das presidenciais criticou severamente os que durante a campanha eleitoral tinham associado o seu nome ao de antigos dirigentes do BPN.
O Tribunal de Lisboa considerou no seu acórdão que no texto em causa o director da revista traduziu simplesmente uma apreciação crítica e que não visava propriamente o Presidente da República Portuguesa mas sim o professor Aníbal António Cavaco Silva. O Ministério Público pode ainda recorrer do arquivamento do processo para oTribunal da Relação.
Diário Notícias

As reformas e os reformados

No auge da fúria dos ranhosos contra Sócrates, Crespo dizia à boca cheia que a saída de Marcelo da RTP – no contexto da saída de António Vitorino por sua iniciativa, o que desfazia o equilíbrio ideológico ou partidário no comentário político de referência na televisão pública – era o resultado de mais uma manobra do Governo para calar os seus críticos. A afirmação não era apenas estúpida, e muito estúpida, nem era apenas lunática, e muito lunática, era também enternecedora, provocando simpatia. É que Marcelo é uma super-vedeta da política-espectáculo, não existindo nenhum país com representação na ONU que o consiga calar.

Tal como não existe nenhuma figura da esquerda que sequer rivalize com ele. Vitorino seria um par intelectual, e dez vezes mais sério, mas sem qualquer ponto de comparação quanto à vertente de mexeriqueiro e bufão de Cascais que ficará como a mais arreigada pulsão de Marcelo e a fonte mesma da sua popularidade. Os seus extraordinários dotes de comunicador encontraram na televisão o meio perfeito para se exibirem e florescerem, outorgando-lhe um poder de influência que não tem parado de crescer, por incrível que possa parecer ao cidadão distraído. Um poder que ele utiliza para seu gozo pessoal, claro, mas igualmente para ser um agente político interessado na defesa dos seus e no ataque aos restantes. Contudo, debaixo do verniz o que se encontra é uma retinta vulgaridade, até chungaria.

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